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CONCEITO ESPÍRITA DE MÉRITO
1. Conceito de mérito ou merecimento. Na linguagem comum “mérito” é aquilo que se deve receber pelo que se fez ou deixou de fazer, portanto pode ser uma recompensa a receber ou reparo a se fazer. Tem um sentido positivo, quando alguém realiza uma boa ação ou deixa de realizar uma má: passa a merecer uma recompensa pelo bem que fez ou pelo mal que deixou de fazer. Tem um sentido negativo, nos casos inversos, quando passa a merecer um castigo, receber a pena cominada a tal tipo de falta. Nesse caso, podem ser usadas também as palavras demérito, desmerecimento. Usaremos a palavra mérito em ambos os sentidos, embora muitos exemplos sejam de casos positivos.
2. O Espiritismo apresenta cinco quesitos para que possamos avaliar o mérito de alguma ação ou omissão.
3. Acordo. Na parábola dos “trabalhadores da última hora” (EE 20, Mt 20:1.-6.) os trabalhadores são remunerados pelo acordo feito e não pela a quantidade do que fizeram. Os “trabalhadores da última hora” ganharam a mesma coisa do que os da primeira, pois o senhor da vinha cumpriu o acordo feito com cada trabalhador, não levando em conta a quantidade. Na parábola do “Festim das Bodas” (Mt 22: 1.-14.; LC 14:16.-24), o senhor da festa pune os convidados que não estavam com as roupas de núpcias, isto é os que não estavam preparados, não cumpriram o “acordo” de usarem a vestimenta adequada, não importando terem comparecido às bodas. Na “Parábola das Dez Virgens” (Mt 25:1.-3.), as cinco “loucas” não mereceram tomar parte da noite de núpcias porque não cumpriram o “acordo” de levar azeite para suas lamparinas. Nãos se prepararam para o serviço.
4. Intenção. A intenção agrava ou atenua o mérito de uma ação ou omissão. No EE 13:5, é comentada a passagem bíblica do “óbulo da viúva” (Mc 12:41.– 44.; Lc 21:1.-4.). A viúva coloca no gazofilácio duas moedas de pouco valor e Cristo comenta que a doação dela valeu mais do que as outras de maior valor, pois ela deu do pouco que tinha e os outros do muito que lhes sobravam. O importante não foi a quantidade de dinheiro, o valor, mas a intenção dela de servir dentro de sua capacidade, dentro de seu limite. No Cap. 20 do EE, a recompensa dos trabalhadores da última hora é baseada na disposição que eles estavam para trabalhar desde as primeiras horas do dia, mas não pela quantidade do trabalho feito. O que valeu para avaliar o mérito, foi a intenção de trabalhar desde o início do dia e não o trabalho efetivo que fez. Para mais citações sobre o valor da “intenção”, veja o item 9.10 do livro “Análise Filosófica do Espiritismo” http://www.widukind.net/livroanalise.htm. Por isso o Espiritismo não valoriza muito os atos externos, os sacrifícios, as mortificações, penitências, abstinências, abundância de orações, ordenanças. O conceito de “bom espírita” resume-se no esforço que a pessoa faz para dominar suas inclinações más e por sua transformação moral (EE 17:4). Em EE 17:8., é afirmado: “Mais vale pouca virtude com modéstia, do que muita com orgulho”. O orgulho diminui o valor da virtude, pois, em última análise, essa virtude é mais aparente para satisfazer o orgulhoso. Como conseqüência o Espiritismo não admite a propiciação: alguém pagar pelo pegado de outrem ou da coletividade, ou oferecer o sacrifício de animais, a fim de pagar os débitos que não decorreram se sua intenção: LE 973 “(...) cada um é punido por aquilo em que pecou.”, portanto, o Espiritismo não aceita a herança do “pecado original”. Do mesmo modo, o doente mental que comete desatinos, não tem responsabilidade sobre o delito, pois não tinha a intenção de cometê-los, podendo apenas receber medidas cautelares, a fim de não oferecer risco à sociedade: LE 944 A “O louco que se mata não sabe o que faz.”
5. Capacidade, limites. As pessoas têm obrigação de fazer o máximo de acordo com sua capacidade, com seus limites. Por exemplo: uma pessoa sadia pode colher dez cachos de banana por dia; um aleijado pode colher somente cinco. Se esse aleijado colhe cinco e o sadio nove, o aleijado, embora tendo colhido menos em números absolutos, colheu mais em relação a ambas as capacidades, a seus limites. EE 20 que comenta a “Parábola dos Trabalhadores de última Hora”, mostra que os que trabalharam menos não o foram por culpa própria, mas porque só foram contratados na undécima hora, mas já estavam apostos para o trabalho desde a manhã. Eles não produziram o mesmo que os outros porque foram limitados pela hora. O mesmo é comentado sobre o “Óbulo da viúva” (EE 13:5.), que colocou moedas de pouco valor no gazofiláceo, mas fez o máximo que sua capacidade, suas limitações lhe permitiam.
6. Quantidade/Qualidade. Os exemplos já citados dos “Trabalhadores da Última Hora” e do “Óbulo da viúva” mostram o que produz o mérito é a qualidade da ação e não a quantidade. Orações abundantes, longas, valem menos do que uma curta e única, mas feita com fervor.
7. Necessidade. No EE 11, no título em negrito “Daí a Cesar o que é de Cesar”, item 6, é afirmado “(...) a cada um seja dado o que lhe é devido”, isso significa que não podemos tratar todos igualmente, como prega a doutrina do igualitarismo. Quando tratamos pessoas diferentes do mesmo modo, estamos cometendo injustiça com alguém. No exemplo bíblico, Cristo faz a separação do Estado e da Religião, mas também mostra que nem todos podem ser tratados da mesma forma, pois cada indivíduo tem suas capacidades e necessidades diferentes das dos outros. O critério tem que ser idiográfico e não nomotético. Uma pessoa sadia precisa receber menos atenção, ajuda do que uma aleijada ou doente.
Conclusão. O conceito de mérito no Espiritismo pode ser resumido nesta sentença: DE CADA UM COFORME SUA CAPACIDADE; A CADA UM CONFORME SUA NECESSIDADE. Veja o item 11.10.2. de nosso livro “Análise filosófica do Espiritismo” http://www.widukind.net/livroanalise.htm.
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