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CAPITAL MORAL:
RÉPLICA
1.
Causou-me repulsa a protérvia desse machacaz anarco-socialista a serviço da oligarquia financeira
internacional, chamado Critóvam Buarque.
2. Como
não poderia deixar de ser, os “subversivos-terroristas”
do passado, dentro da mediocridade que lhes é peculiar
, atribuem todos os males do Brasil ao período de Governo
Militar, que eles chamam depreciativamente de ditadura. DITADURA teria existido se a
Revolução de 64 não tivesse dado um basta à
anarquia que as esquerdas vinham implantando no país, iludidas com o
devaneio marxista de que só através da subversão que
é possível atingir o Estado de Bem-estar Social. Fui testemunha
dos tristes anos que se seguiram à revolução cubana.
Comunistas, anarquistas, socialistas, queriam imitar a aventura de Fidel
Castro. Em vez de construírem, destruíam primeiro para
reconstruírem quando atingissem o nirvana comunista. Assistíamos, a
todo momento, a vida do País ser perturbada pela atividade
subversiva das esquerdas: greves, levantes militares [Brasília,
fuzileiros no sindicato dos metalúrgicos no Rio de Janeiro, sargentos na
Base Aérea de Canoas], sabotagens, desrespeito à Autoridade
Pública, medidas demagógicas tomadas pelo governo de João
Goulart que impediam a marcha da Justiça. Na área da
educação, Paulo Freire explorava a infelicidade dos adultos
analfabetos para pregar revolução popular. Essa atividade cancerosa precisava ser
extirpada por qualquer meio, mesmo que fosse através de uma cirurgia
cruenta.
3. O autor
fala em prisões políticas. Prender assaltantes de bancos,
seqüestradores, mantenedores de cárceres privados, sabotadores
é dever de qualquer autoridade. Isso não configura
“prisão política”. A moral deturpada dos esquerdistas
é que confundiam essas atividades criminosas com atividade
política. Não acho
que uma pessoa, que confunde atividade subversiva com atividade política
tenha credencial para falar de moral. Ela é aética.
4. Condena
a censura à imprensa. A imprensa tem que sofrer censura moral, se
não acontece o que assistimos: novelas fazendo apologia da infidelidade
conjugal, desrespeito de filhos à autoridade parental, estímulo
à homossexualidade, noticiários sensacionalistas que emitem
assertivas sem a devida comprovação e não respondendo
penalmente pelo mal que causem a terceiros, programas infantis apresentados por
pessoas com desajuste afetivo-sexual. É um paradoxo aparecer, em artigo
que pretende defender a moral, críticas à censura de imprensa.
Parece que o autor julga facciosamente. A imprensa só pode ser livre
quando responder civil e penalmente por atos ou omissões. Não
pode desfrutar de liberdade quem não aprendeu a obedecer e não
é responsável. Liberdade é um corolário de
obediência e responsabilidade.
5.
Exílio de artista. Se os Governos Militares exilaram artistas que,
através de sua atividade, apoiavam o terrorismo e a subversão,
eles erraram. Deveriam tê-los processado como
cúmplices da subversão e os trancafiados nas prisões, como
é feito com qualquer criminoso.
6.
Torturas. Realmente durante os Governos Militares houve tortura – tortura
das vítimas do terrorismo, como os que tombaram no atentado no Aeroporto
de Recife, como os seqüestrados [embaixadores americano, alemão e
cônsules japonês e suíço], os reféns nos
assaltos a bancos e nos seqüestro de aviões. Essa atividade
subversiva das esquerdas dificultava a vida moral da Pátria. Mas,
traidor não tem pátria.
7. O
Regime Militar não esqueceu a formação moral. O autor,
mais uma vez, mente, como soem fazer os anarco-socialistas. Ele omite propositalmente as
matérias de Moral e Cívica, Estudos Brasileiros, implantadas
pelos Governos Militares.
8. O
cinismo desse autor é repelente. Escreve um artigo sobre moral,
defendendo a imoralidade do terrorismo e da subversão. É demais.
9. Lamento
não ter o endereço do autor para escrever-lhe uma carta,
refutando suas falácias.Cordiais Saudações.VICTOR LEONARDO
DA SILVA CHAVES
TEXTO QUE ORIGINOU ESTA
RÉPLICA.
CAPITAL MORAL
Durante décadas, o Brasil concentrou seu projeto de
desenvolvimento nos resultados que obteria de investimentos de capital
econômico. Procurou financiamento externo, mobilizou capital estatal,
investiu em indústrias, proibiu importações, montou uma
sofisticada infra-estrutura econômica, mas o País continuou
subdesenvolvido. O Brasil esqueceu que seu futuro depende também de
capital moral.
Foi o prêmio Nobel de economia Amartya Sen
quem chamou a atenção para a necessidade de capital moral na
promoção da riqueza de um país. Segundo ele, a honestidade
do povo, especialmente dos líderes políticos, empresariais e
profissionais, a auto-estima elevada e a motivação coletiva para
os projetos nacionais têm um papel tão importante quanto os
investimentos diretamente financeiros.
Em
nossa estratégia de desenvolvimento, esquecemos o capital moral.
A
ditadura militar formulou um sofisticado projeto para o futuro do País,
investiu os recursos que eram necessários, mas não levou em conta
que todo o investimento fracassaria enquanto o Brasil sofresse a crise moral
das prisões políticas, da censura à imprensa, do
exílio de seus artistas, da tortura dos presos. A ditadura esqueceu a
necessidade do capital moral que ela não tinha condições
de atender.
A democracia parece ter espalhado a corrupção, e deixou de
escondê-la. O resultado é uma degradação da moral,
não mais pelo autoritarismo, mas pela conivência com a
corrupção. Quinze anos depois do fim da ditadura, nosso capital
moral não aumentou.
Parece que não percebemos ainda que a eleição de um
único político reconhecido como corrupto tem efeitos negativos
maiores para o futuro do País do que milhões de capital
financeiro investido na economia.
O debate nas últimas semanas, no Congresso, é exemplo do
que significa democracia, e ainda mais do que significa democracia tolerante.
Democracia pela liberdade quando os senadores debatem publicamente seus
próprios defeitos, democracia tolerante porque ficou apenas nas
palavras. Os discursos não surtiram efeitos. A população
assiste toda a luta política no Congresso como se fosse apenas um
esporte, uma luta de boxe com palavras. A imprensa concentra suas
análises em quem venceu e quem perdeu votos, não lembrando quanto
perdeu o capital social do País, e suas conseqüências para o
futuro da nação.
Depois de quinze anos, a democracia brasileira aumentou a desigualdade
social. Nunca tão poucos foram tão ricos e tantos foram
tão pobres. Isso abala a moral do País. A passividade diante da pobreza
depreda o capital moral. Nenhum país pode ficar eficiente enquanto
crianças continuam vivendo nas ruas, sem escolas, as outras com escolas
sem qualidade.
Não há possibilidade de desenvolvimento enquanto pessoas
morrerem por falta de assistência médica e milhões de
desempregados voltarem para casa sem levar comida para os filhos. Não
apenas por causa do desperdício econômico de não usar o
potencial produtivo destas pessoas, nem só por causa da vergonha que
esta situação causa em alguns, mas, sobretudo, por causa da
indiferença de tantos diante da miséria.
Os debates no Congresso, nas últimas semanas, nos despertaram
para a crise de corrupção na política, mas uma
corrupção muito maior está presente em cada um de
nós, independente do cargo, é a corrupção da
indiferença diante da tragédia. Um povo indiferente não
constrói seu futuro, porque a indiferença é o juro pago
pela falta de capital moral.
Mas nada degrada mais o capital moral de um país do que pesar
suspeita sobre parte da Justiça. Uma Justiça que não
julgue a todos igualmente. Que use seu poder para, por vezes, acusar
injustamente ou fechar os olhos diante dos corruptos. Não há
possibilidade do Brasil ser desenvolvido enquanto toda a Justiça
não for parte do capital moral do País: julgando sem diferenciar
por amizade, perseguição ou conivência, sem condenar alguns
e perdoar outros pela mesma falta. O tratamento diferenciado dado por uma parte
da Justiça brasileira, conforme a simpatia ou a conivência com o
réu é uma das provas da degradação do capital moral
no Brasil.
Degrada também a moral brasileira o medo que impede as pessoas de
se manifestarem diante da crise brasileira. Medo das críticas ou de
perder eleições, medo do que fará a Justiça ou do
que dirão aliados.
A crise moral brasileira é tão grande, que ao despertarmos
para a corrupção jogamos a culpa apenas nos outros, especialmente
os políticos, como se não tivéssemos, cada um de
nós, uma parte na degradação do capital moral de todo o
País. Critica-se a falta de moral cívica de um deputado ao dizer
que representa o seu time de futebol, e não o povo de seu estado, como
se cada um dos deputados não fosse também, em graus diferentes,
representante de uma ou outra corporação, sem sentimento do povo
e da nação. O corporativismo, tanto quanto a
corrupção, degrada o capital social.
A indiferença diante da pobreza, a
conivência e convivência com a corrupção, o abandono
dos serviços sociais essenciais, a parcialidade da Justiça, a
perda do sentimento nacional pelo corporativismo, a falta de auto-estima e o descompromisso com a coletividade, são fatos mais
graves para a construção do Brasil do que a falta de recursos
financeiros. A nossa dívida moral interior é mais grave do que a
própria dívida financeira externa.
Sem uma forte e decente infra-estrutura moral de nada adianta todo o
esforço de fazer a democracia
funcionar e a economia crescer.
Cristóvam Buarque
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