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CRÍTICA AO CONCEITO DE SAÚDE DA OMS.

 

  1. A OMS define saúde como “completo bem-estar bio-psico-social e não somente a ausência de afecções ou enfermidades” (Nova Iorque, 22/07/46, entrando em vigor em 07/04/48) As reformas adotadas pelas 26ª., 29ª. e 39ª. Assembléias Mundiais de Saúde (resoluções WHA 26, 37, WHA 29, 38 e WHA 39.6), que entraram em vigor em 03/02/1977, 20/05/1984, 11/07/191994, respectivamente, foram incorporadas ao texto. Esta definição de imediato mostra a orientação subjetivista, [individualista] influenciada pela Associação Médica Americana. A cosmovisão (visão de mundo, “Weltanschauung”) individualista americana, seguindo seu individualismo calvinista e neoliberal, supervaloriza os componentes psicológicos e sociológicos em detrimento do biológico.
  2. O corpo físico humano é um conjunto de reações biofísicas e bioquímicas. Só há saúde onde essas reações estiverem ocorrendo corretamente, isto é, concorrendo para a manutenção da vida. Qualquer desvio físico ou químico que desvie da finalidade de manutenção da vida, denota patologia.
  3. O conceito de bem-estar, por si mesmo, é extremamente subjetivo. O bem-estar psicológico e o bem-estar sociológico não podem ser usados como regra para definir saúde. Segundo o primeiro, o que para uma pessoa é bem-estar, para outra pode não ser. Exemplo: o fumante sente bem-estar fumando, o não fumante (aquele que tem aversão) ao fumo, sente mal-estar somente em estar perto de uma pessoa que fuma. O bem-estar sociológico da mesma forma, o que agrada a uma cultura, pode desagradar à outra. Exemplos: a carne de cobra que é uma iguaria para certas culturas, é algo nauseabundo para outras. Neste início de Século XXI, nasceu na Índia uma menina monstruosa, com quatro pernas e quatro braços. Como a cultura local crê em uma deusa com quatro braços e quatro pernas, parte da população admite que esse monstro é a reencarnação dessa deusa. E essa crença nefasta tem criado dificuldade para os pais corrigirem essa monstruosidade, pois além de estarem em dúvida, por compartilhar dessa cultura, sofre pressão de seus conterrâneos. Essa criança apresenta atraso do desenvolvimento de outras faculdades devido a essa anomalia. E fica a dúvida: e como avaliaremos esse bem estar psíquico e o social nos animais e nos vegetais? Ou esses não adoecem? Esse critério é falho, não é universal, restringe-se ao individualismo e às culturas. O conceito de saúde tem que ser nomotético, não pode ser idiográfico.
  4. Como a Humanidade ainda não conhece todas as leis biofísicas e bioquímicas que regem o organismo humano, visando à manutenção da vida, muitas vezes, fica difícil identificar a presença ou ausência de saúde. Isso não significa que ela não exista. É uma questão de tempo. Precisamos ter modéstia para admitirmos nossa ignorância para explicar ainda tudo que existe no Universo.
  5. O critério psicológico e sociológico para definir saúde é falho quando aplicado a animais e plantas. Para animais, com muito esforço, podemos admitir um pequeno grau de psicologia, mas sociologia não é possível mensurar (comportamento grupal é instintivo, não é sociológico porque não demanda ato deliberado). Admitir comportamento psicológico e sociológico para plantas (!) parece-nos idealista demais. Já lemos trabalhos que afirmam que não há limite entre sadio e doentio. A distinção se faria tomando por doença o indivíduo agonizante e saúde o oposto. A faixa intermediária é que seria o estado mais freqüente, concluindo que não haveria um estado hígido perfeito. Isso é perigoso, pois qualquer “indefinição” favorece a anarquia. É o que acontece na Psiquiatria com a formidanda doutrina da antipsiquiatria. Essa ideologia anárquica é compatível com a as filosofias estruturalistas, com a contra-cultura da New Age, que dominaram a segunda metade do Século XX.
  6. Antes de ser descoberta a fisiologia da tireóide, as populações que viviam isoladas e em lugares onde a água não continha iodo (geralmente as montanhesas) apresentavam o bócio e a indolência do hipotireoidismo. Essa deformação física e a conseqüente indolência não causavam nem mal-estar psíquico, nem social, pois o padrão de comportamento nessas sociedades era o patológico. Isso constata que o bem-estar psíquico e o social não servem como critérios para definir saúde. 
  7. Outro exemplo é a menstruação. Qualquer mulher não sente bem-estar quando está menstruada e, muitas vezes, esse mal-estar pode atingir a esfera social e psíquica. No entanto, a mulher que não menstrua, dentro de uma faixa etária, está doente e a que menstrua não o está. Cólica menstrual, até certa intensidade, demonstra de higidez ginecológica. A mulher que não sente cólica possui um ciclo anovulatório, portanto, apesar de desfrutar de um bem-estar psíquico, um físico e um social, não está inteiramente hígida.
  8. Em muitas civilizações da antiguidade a posição de eunuco era destacada socialmente e esses homens sentiam-se honrados e satisfeitos com suas mutilações e deficiências hormonais. No Império Chinês, muitos homens voluntariamente se entregavam à castração para gozarem de privilégio. Evidentemente eles estavam intoxicados pelos valores morais e sociais de uma sociedade perversa e pervertida.
  9. Os “castrati” do coro do Vaticano também gozavam de prestígio social e esses mutilados viviam felizes. 
  10. Algumas religiões interpretam os sintomas melodramáticos dos histéricos como uma manifestação do Sagrado. Essa perversão de valores faz com que esses insanos se sintam bem nesse meio. A patologia histérica é confundida com êxtase religioso e, portanto, não traz mal-estar psíquico ou social.
  11.  Nos exemplos dados, vimos que, apesar de a sociedade confundir normal (acontecimento mais freqüente) com sadio, a doença não deixava de existir. Eram a perversão e a perversidade dessas sociedades que levavam as pessoas a desfrutarem de um bem-estar bio-psico-social, conforme o que a Organização Mundial de Saúde entende por saúde.

12.   Durante milhares de anos a humanidade julgava que o Sol girava entorno da Terra e nem por isso, durante todo esse tempo, não deixou de ocorrer justamente o oposto.  Durante milhares de anos a humanidade desconhecia o continente americano e nem por isso ele deixou de existir.                     

13.  É sofismático o julgamento de que a saúde não depende de parâmetros não médicos O que depende disso é o seu conceito formulado pela sociedade ignorante. Só o avanço da ciência médica é que irá paulatinamente descortinado para a humanidade o que realmente é a saúde. Devemos eliminar da Medicina esses escolhos psicológicos, antropológicos e sociais. A saúde é independente do tempo e do local. O que muda é a concepção feita por uma sociedade imperfeita.

14. Os defensores de fatores psicológicos, antropológicos e sociológicos, citam os desajustes que pessoas apresentam quando passam por situações de conflito. Isso é uma confusão por ignorância de conhecimentos comezinhos de patologia geral. As doenças têm fatores etiológicos, agravantes, atenuantes, desencadeantes. Uma situação que provoque no indivíduo medo, predisposição à luta ou à fuga (Síndrome Geral de Adaptação, descrita por Hans Hugo Bruno Selye, Montreal [The Stress of Life - 1956]), provocará reações bioquímicas em suas glândulas supra-renais que produzirão adrenalina e corticóides que influenciarão outras reações biofísicas do corpo, uma delas é o abaixamento de imunidade. Os fatores não físicos são de natureza subjetiva e agem como desencadeantes, agravantes, coadjuvantes, mas nunca como etiológicos. A etiologia está na bioquímica e na biofísica de cada sujeito. É por isso, que certas situações de perigo causam pânico em algumas pessoas e em outras pouca ou nenhuma influência exercem.

15. Os profissionais de saúde não médicos, em especial psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, antropólogos afirma que o modelo bio-médico para a Medicina já está ultrapassado e impõem um modelo “bio-social”, Infelizmente, alguns colegas, mormente os que fazem formação psicanalítica e suas congêneres, apóiam essa nefelibatice. Esses profissionais, não tendo uma formação completa nas cadeiras básicas de um curso médico, tende a se deixar levar pelo canto da sereia dessas pseudo-ciências da área humana. O próprio Freud criou o conceito de “neuropsicoses de defesa”, misturando os conceitos de neurose e psicose em um só “saco” e afirmando que a mente lançava mão da doença para se manter hígida (!). Sua teoria da sexualidade afirma que a criança passa por fases libidinais que reproduzem as perversões sexuais dos adultos, criando o conceito de “polimorfo pervertido” para a criança (!). Desse modo, ele aboliu os limites entre sadio e doente.

16.  Outros fatores que essa definição não leva em conta é o contato com a realidade e a finalidade. Esses dois são muito usados em Psiquiatria. Os psicóticos perdem o contato com a realidade. Já os neuróticos, as personalidades psicopáticas têm conflito com a realidade.  O sintoma psicopatológico conhecido por pica ou picaismo, ingestão de substâncias não comestíveis e até repugnantes, como terra, fezes, urina, é patológico, pois não atende a finalidade da alimentação.  Fezes e urina são dejetos, aquilo que o organismo não pode aproveitar e o que lhe é tóxico, portanto não satisfazendo a finalidade da alimentação que é introduzir nutrientes no organismo.

17. Outro fator discutível é a “velhice sadia”. A partir da meia idade (dos 45 aos 55), da pré-gerontia (dos 55 aos 65), da gerontia (dos 65 aos 75) e da provectude (acima dos 75 até a morte) o organismo entra em processo de fenecimento. O Homem começa a ter um aumento da próstata já aos 40. Embora a maioria só venha sentir sintomas de prostatismo muito mais tarde e, talvez, nunca os sinta. Por quê, os urologistas recomendam a inspeção prostática anual a partir dos 40? É porque alguma coisa já não vai bem! Os ginecologistas recomendam mamografia e exame ginecológico anuais, também a partir dessa idade. A partir dessa idade, os médicos recomendam também exame preventivo proctológico anualmente. Então a partir dos 40 já temos uma inspeção anual, de proctologia, de ginecologia e de urologia. Os protocologista recomendam como rotina colonoscopia de 10 em 10 anos a partir dos 50. Também a partir dessa idade, há a recomendação de ultrassonografia abnominal de rotina. Nessa faixa etária, já aparecem as hipertensões, a calvície para os homens e o encanecimento dos cabelos para ambos os sexos. Rugas, flacidez, obesidade. A pessoa pode continuar bonita, mas sem a graciosidade da juventude. A boca já está cheia de próteses.A partir dos 50, as caries dentárias se instalam não mais nas coroas, mas nas raízes dos dentes,  onde o esmalte é mais fraco, facilitando as falhas dentárias. Dente é para cortar (incisivos), perfurar (caninos) e mastigar (molares). Essas falhas já não cumprem a contento a finalidade da mastigação, então já uma doença ou “estado intermediário”. As mulheres entram na menopausa por volta dos 50, havendo os casos de menopausas precoces e inúmeros distúrbios hormonais, como as hipocalcemia e osteoporose. SE NA MEIA IDADE JÁ APARECEM ESSES PROBLEMAS, COMO PODEMOS FALAR EM GERONTIA OU PROVECTUDE SADIAS. Essas tendências a doenças genéticas, a exemplar é a diabete, que levam o organismo a produzirem reações bioquímicas incompatíveis com a vida, não é sinal de saúde. Querer julgar o comportamento de um grupo pelas exceções dos “super-homens” e das “mulheres-maravilhas”, é não conhecer cálculo de probabilidade!  ISSO É UM SOFISMA DE ACIDENTE: CONSIDERA-SE COMO ESSÊNCIA O QUE SIPLESMENTE ACIDENTE.     

                                  Saúde é a perfeita ocorrência das reações biofísicas e bioquímicas de um organismo, visando à manutenção da vida, independente desse organismo sentir ou não bem-estar físico, psíquico e sociológico, mantendo contato com a realidade e cumprindo a finalidade para qual essas reações existem.

 

 

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