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Conceito de Filosofia

 Desde o período Paleolítico o Ser Humano sentia a necessidade de explicar os fenômenos naturais que os deixavam admirado. Trovão, relâmpago, chuva, terremoto, ventania, germinação, etc. Não podendo entendê-los em sua totalidade, o Ser Humano passou a explicá-los com os recursos intelectuais que possuía. Como tais fenômenos, vento, terremoto, etc., mostrava muita força, a idéia que primeiro ocorria era de que eles eram produzidos por ser ou seres superiores aos homens. Às vezes esses seres eram identificados com os próprios fenômenos.

Disso resultou o mito: explicação de fenômenos naturais por causas sobre naturais. Mito é um tipo de narrativa. O conjunto delas fora chamado de mitologia. Cada cultura tinha sua própria mitologia. Um mesmo fenômeno era explicado, às vezes, de maneira diferente de o acordo com mitologia da cultura em que fora formado.

 

Essa explicação mitológica perdurou pelo Neolítico e pela Antigüidade. Foi na Grécia Antiga, por volta do Século V antes de Cristo que a estrutura mitológica foi abalada. As colônias gregas da Ásia Menor, atual território da Turquia, eram habitadas por povos de diferentes culturas, como populações locais, gregos colonizadores, comerciantes persas, egípcios, viajantes.  Alguns eruditos gregos verificaram que, se um mesmo fenômeno natural era explicado de diferentes maneiras, nenhuma delas deveria ser verdadeira. Surgiu que tais explicações eram apenas mitos – em grego, palavra ligada ao radica de narrativa. Apenas narrava uma tentativa de explicação.

 

Foi na colônia de Mileto (Ásia Menor), que surgiu o primeiro pensador grego, que conhecemos que procurou explicação desse fenômeno natural por causas naturais. Isso era bem lógico. Tales achou que a água estava presente em tudo e, portanto, ela deveria ser a causa primária de todas as coisas. Outros pensadores explicaram por outras causa: Anaximandro pelo ápeiron (infinito); Anaxímenes, o ar; Heráclito o fogo; Xenófanes, a terra; Demócrito e Leucipo, o átomo (indivisível) Pitágoras, o número, Anaxágoras, as homeomerias (partículas mínimas); Empédocles, o fogo, a terra, a água e o ar. Anaximandro chamava esse princípio fundamental de arché (arqué, o antigo, o princípio). Esses princípios também ficaram conhecidos pelo nome de rizomatas (raízaes) até o Renascimento.

 

Foi o abandono do pensamento mitológico que permitiu a Humanidade desenvolver o pensamento filosófico e, posteriormente na Idade Moderna, o científico. Toda a tecnologia moderna e ocidental devemos ao pensamento grego. Nas civilizações orientais, como Índia, China, Japão, etc., a religião, a filosofia e a ciência, ficaram envolvidas em um único pensamento – o mitológico. A moderna industrialização de civilizações asiáticas, como Japão, Coréia, China, Taiwan, etc. só foi possível com sua ocidentalização.

 

Essa asserção é muito polêmica. Não é aceita por muitas pessoas. A primeira crítica é a de que nunca chegou a haver um divórcio completo entre filosofia e mitologia. Os archés ou rizomatas não deixavam de ter um certo componente mitológico. As filosofias medievais, Patrística e Escolástica, faziam uma aliança entre filosofia e religião. Autores mais radicais não as consideram filosofias, mas sim teologias filosóficas. Outros acham que se não fossem as filosofias medievais, o Mundo não teria chegado à dessacralização do tempo, permitindo atingir o capitalismo moderno, fenômeno tipicamente ocidental, embora atualmente, infelizmente, globalizado. Outros acham que uma ciência e uma filosofia separadas da religião são aéticas, permitindo todos os tipos de perversidade. Com toda a tecnologia moderna, ainda temos mitos. Eles mudaram de feição. Em vez de tentativa de explicação de fenômenos naturais eles servem para preencher o vazio das mentes materialistas e servirem para fins de propaganda política, comercial – fins escusos.

 

É isto o que presentemente presenciamos nesse final de milênio uma ciência a serviço de grupos econômicos imperialista, asfixiando até a extinção os estados menos desenvolvidos e essa filosofia caótica, chamada eufemicamente de contemporânea ou pós-contemporânea, legitimando perversões sexuais como a homossexualidade, a bestialidade em nome de um subjetivismo, um hedonismo, uma iconoclastia, desmedidos. É o mito da liberdade desenfreada desse subjetivismo, que mergulha num laxismo absurdo.

 

O Capítulo III de Eclesiastes ensina-nos que embaixo do Céu sobre esta Terra há um momento para cada coisa. Por exemplo, há um momento para se plantar e um momento para se arrancar o que se plantou (a colheita).  Julgamos que isso é verdadeiro e pode ser estendido ao espaço. Houve um momento que foi preciso separar a religião da filosofia da ciência.  Isso ocorreu em um pequeno local e foi estendido universalmente. Sem essa separação, não seria possível a tecnologia moderna. Concordamos inteiramente com esse pensamento. Mas achamos, com ensina o Eclesiastes, que chegou o momento de se arrancar o que se plantou.  A dessacralização do espaço e do tempo, tão importante outrora chegou a seu fim. Ela torna inviável a vida na Terra com todo essa tecnologia a serviço da ambição pessoal. Devemos retornar a sacralização das coisas mínimas de nossa vida; abandonarmos gradativamente o subjetivismo, passando pelo objetivismo, e voltarmos ao Sagrado; devemos abandonar essa consciência individualista e adotarmos a consciência coletivista. Devemos nos convencer que somos criados por Deus e a Ele que devemos dedicar todos nossos atos. 

 

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