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Conceito de Filosofia
Disso resultou o mito:
explicação de fenômenos naturais por causas sobre naturais.
Mito é um tipo de narrativa. O conjunto delas fora chamado de mitologia.
Cada cultura tinha sua própria mitologia. Um mesmo fenômeno era
explicado, às vezes, de maneira diferente de o acordo com mitologia da
cultura em que fora formado.
Essa
explicação mitológica perdurou pelo Neolítico e
pela Antigüidade. Foi na Grécia Antiga, por volta do Século
V antes de Cristo que a estrutura mitológica foi abalada. As
colônias gregas da Ásia Menor, atual território da Turquia,
eram habitadas por povos de diferentes culturas, como populações
locais, gregos colonizadores, comerciantes persas, egípcios,
viajantes. Alguns eruditos gregos
verificaram que, se um mesmo fenômeno natural era explicado de diferentes
maneiras, nenhuma delas deveria ser verdadeira. Surgiu que tais explicações
eram apenas mitos – em grego, palavra ligada ao radica de narrativa.
Apenas narrava uma tentativa de explicação.
Foi na
colônia de Mileto (Ásia Menor), que surgiu o primeiro pensador
grego, que conhecemos que procurou explicação desse
fenômeno natural por causas naturais. Isso era bem lógico. Tales
achou que a água estava presente em tudo e, portanto, ela deveria ser a
causa primária de todas as coisas. Outros pensadores explicaram por
outras causa: Anaximandro pelo ápeiron
(infinito); Anaxímenes, o ar; Heráclito o fogo; Xenófanes, a terra; Demócrito e Leucipo, o
átomo (indivisível) Pitágoras, o número,
Anaxágoras, as homeomerias (partículas
mínimas); Empédocles, o fogo, a terra, a água e o ar.
Anaximandro chamava esse princípio fundamental de arché (arqué, o antigo, o princípio). Esses
princípios também ficaram conhecidos pelo nome de rizomatas (raízaes)
até o Renascimento.
Foi o
abandono do pensamento mitológico que permitiu a Humanidade desenvolver
o pensamento filosófico e, posteriormente na Idade Moderna, o
científico. Toda a tecnologia moderna e ocidental
devemos ao pensamento grego. Nas civilizações orientais,
como Índia, China, Japão, etc., a religião, a filosofia e
a ciência, ficaram envolvidas em um único pensamento – o
mitológico. A moderna industrialização de
civilizações asiáticas, como Japão, Coréia,
China, Taiwan, etc. só foi possível com
sua ocidentalização.
Essa
asserção é muito polêmica. Não é
aceita por muitas pessoas. A primeira crítica é a de que nunca
chegou a haver um divórcio completo entre filosofia e mitologia. Os archés ou rizomatas
não deixavam de ter um certo componente mitológico. As
filosofias medievais, Patrística e Escolástica, faziam uma
aliança entre filosofia e religião. Autores mais radicais
não as consideram filosofias, mas sim teologias filosóficas.
Outros acham que se não fossem as filosofias medievais, o Mundo
não teria chegado à dessacralização do tempo,
permitindo atingir o capitalismo moderno, fenômeno tipicamente ocidental,
embora atualmente, infelizmente, globalizado. Outros acham que uma
ciência e uma filosofia separadas da religião são
aéticas, permitindo todos os tipos de perversidade. Com toda a
tecnologia moderna, ainda temos mitos. Eles mudaram de feição. Em
vez de tentativa de explicação de fenômenos naturais eles
servem para preencher o vazio das mentes materialistas e servirem para fins de
propaganda política, comercial – fins escusos.
É
isto o que presentemente presenciamos nesse final de milênio uma
ciência a serviço de grupos econômicos imperialista,
asfixiando até a extinção os estados menos desenvolvidos e
essa filosofia caótica, chamada eufemicamente de contemporânea ou
pós-contemporânea, legitimando perversões sexuais como a
homossexualidade, a bestialidade em nome de um subjetivismo, um hedonismo, uma iconoclastia, desmedidos. É o mito da liberdade
desenfreada desse subjetivismo, que mergulha num laxismo
absurdo.
O
Capítulo III de Eclesiastes ensina-nos que embaixo do Céu sobre
esta Terra há um momento para cada coisa. Por exemplo, há um momento
para se plantar e um momento para se arrancar o que se plantou (a
colheita). Julgamos que isso
é verdadeiro e pode ser estendido ao espaço. Houve um momento que
foi preciso separar a religião da filosofia da ciência. Isso ocorreu em um pequeno local e foi
estendido universalmente. Sem essa separação, não seria
possível a tecnologia moderna. Concordamos inteiramente com esse
pensamento. Mas achamos, com ensina o Eclesiastes, que chegou o momento de se
arrancar o que se plantou. A
dessacralização do espaço e do tempo, tão
importante outrora chegou a seu fim. Ela torna inviável a vida na Terra
com todo essa tecnologia a serviço da ambição pessoal.
Devemos retornar a sacralização das coisas mínimas de
nossa vida; abandonarmos gradativamente o subjetivismo, passando pelo objetivismo, e voltarmos ao Sagrado; devemos abandonar essa
consciência individualista e adotarmos a consciência coletivista.
Devemos nos convencer que somos criados por Deus e a Ele que devemos dedicar
todos nossos atos.
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