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CRITÉRIOS PARA A ADOÇÃO DE UMA LÍNGUA INTERNACIONAL

 

1.       Intróito.  Por “língua internacional” entendemos a idealização de uma que seja adotada internacionalmente para todo tipo de comunicação entre a Humanidade: literária, científica, religiosa, política, familiar, turística. Necessariamente, ela deve ter algumas características peculiares.

1.1.    ter um vocabulário grande, abrangendo várias áreas do saber humano, assim  como de várias áreas geográficas;

1.2.    ser de fácil aprendizagem ou, pelo menos, menos difícil aprendizagem;

1.3.    ser de fácil pronúncia (fonemas simples, de fácil pronúncia  e comuns  a uma grade números de línguas naturais);

1.4.    regularidade;

1.5.    não ter ou ter poucos vocábulos polissêmicos;

1.6.    possuir um mecanismo fácil para a criação de neologismos;

1.7.    Ser neutra; não possuir vínculos com culturas, religiões e filosofias de qualquer natureza.

2.       As seis últimas características são preenchidas satisfatoriamente pelo Esperanto. Mas, a primeira não. Ele é uma língua de gabinete e não natural. Como língua criada, tem a característica de ser culta e elitista. Atualmente, após mais de um século de existência (criada praticamente em 1887) tornou-se o idioma falado por várias famílias (esperantistas casados entre si) com filhos, usando-o como língua doméstica. Portanto, já começou a ter um vocabulário mais abrangente não só de esfera de falantes, como também de área geográfica.

3.       O Hejma Vortaro (Dicionário Doméstico) lançado em 1999, com mais de mil palavras da conversação doméstica, foi criado pelo entendimento entre várias famílias da Europa, Américas e Ásia. Mesmo assim, essas famílias não atingem um grande número de regiões e culturas dessas áreas, não havendo representantes na África e Oceania. Isso enfraquece sua capacidade de satisfazer ainda a primeira característica.

4.       Para satisfazer no momento a primeira característica só há as línguas naturais.  Até meados do Século XX, Inglaterra e França tinham colônias, “protetorados”, “dominia” (dominium) em todos os continentes do planeta. Abaixo desses países vem Espanha com as ex-colônias americanas, as da África e as da Ásia (Filipinas até 1898) . Portugal teve o Brasil, as colônias da África e da Ásia (Goa, Damão e Diu na Índia, Macau na China e Timor Leste no arquipélago da Indonésia). Portanto, em ordem decrescente temos o inglês, o francês, o espanhol e o português. O alemão e o italiano, apesar de grande vocabulário científico e artístico, perde pela parca abrangência geográfica e cultural. O chinês, apesar de ser falado por mais de um bilhão de pessoas, está praticamente confinado ao território da China e a algumas diásporas de chineses na Ásia.

5.       Para satisfazer a primeira característica, o Movimento Esperantista deveria ter uma comissão que criasse urgentemente os neologismos necessários, preferentemente adaptando as formas comuns já existentes no inglês, no francês e no idioma “hispano-português” (o espanhol e o português são tão parecidos, que os juntamos em um único bloco).

6.       Quanto à última, a neutralidade, o Esperanto é neutro, mas o Movimento Esperantista não. O próprio Zamenhof criou a ideologia, que denominou “homaranismo” (aproximadamente traduzido por “humanitarismo”) e a atrelou ao idioma com o conceito de “interna ideo” (idéia interna).  O Movimento Esperantista criou o neologismo “mondcivitano” (cidadão do mundo) para qualificar os esperantistas que não se conformam com as fronteiras entre os Estados Políticos, o que não deixa de ser uma característica anarquista.  Após a UNESCO ter reconhecido a Universala Esperanto Asocio como uma ONG, essa associação passou a apoiar toda campanha desse órgão da ONU. Essa última organização teve um fracasso pior que o da sua antecessora – Sociedade das Nações. Essa última tornou-se obsoleta na Década de 30, quando foi impotente para evitar a invasão da Etiópia pela Itália, a Revolução Espanhola (campo de prova  das potências econômicas e ideológicas) e a Segunda Guerra Mundial. A ONU tornou-se um instrumento de intervenção internacional nos Estados que não se deixam dominar por aqueles com poder de veto em sua assembléia. A UNESCO, como órgão da ONU, é um instrumento de dominação política. Solertemente, ela cria mecanismos (Diálogo Indigenista, Diversidade das Línguas, etc.) para criar cizânias entre os países periféricos. Para maiores detalhes consultem o Capítulo XXIV de nosso livro “Análise Filosófica do Espiritismo”, que está no “link” Filosofia (item 24.4.).

7.       Achamos que o Movimento Esperantista para acelerar aceitação do Esperanto como língua de comunicação internacional, deve satisfazer o que propomos no item 5 e extirpar esse escolho conhecido por “interna ideo”.

 

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