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Vida: Desafios e Soluções

 

  1. O livro “Vida: Desafios e Soluções” [6A. Ed.; Salvador; Livr. Espírita Alvorada; 1997] apresenta os postulados da Psicanálise, entremeados com alguns conceitos da Psicologia Analítica, como se fossem ditados por um Espírito que se apresenta com o nome “Joana de Ângelis”. O mesmo ocorre com os demais livros da série “psicológica”.
  2. Parece-nos inverossímil que o Mundo Espiritual pronuncie-se tão assertivamente sobre tema ainda bem polêmico no meio acadêmico e colidente com as bases do Espiritismo.
  3. Temas, como o inconsciente dinâmico, quer o individual das psicologias ditas “profundas”, quer o coletivo, específico da Psicologia Analítica, a teoria da sexualidade, comuns a muitas delas, são controversos no meio científico, sem terem sido comprovados cientificamente. É verdade que alguns psiquiatras, psicólogos e profissionais da área das chamadas “ciências humanas” adotam esses postulados. Eles também se prestam para a produção de romances, novelas, filmes e fantasias de todo gênero da esfera artística.
  4. O inconsciente dinâmico [tanto o conceito de individual, como o de coletivo] é uma instância irracional a comandar a atividade cortiço-frontal do gênero humano. Isso coincidiu com os valores filosóficos [Zeitgeist] anti-racionais do Século XX. Essa centúria iniciou-se com as idéias niilistas de Nietzsche, que consideravam como inaccessíveis, tanto o conhecimento, como o fundamento ético, e com a Fenomelogia de Husserl, que identificava o sujeito com o objeto e achava impossível o conhecimento do “númeno”, sendo apenas accessível o “fenômeno”. Ambas conduziam inevitavelmente ao ceticismo e ao subjetivismo extremado. O conceito de inconsciente dinâmico, além de ainda carecer de comprovação científica, colide com o racionalismo e o conceito de livre-arbítrio da Doutrina Espírita.
  5. A teoria da sexualidade de Freud, também está no mesmo estádio do conceito anterior. Sua hipótese do orgasmo vaginal está descartada cientificamente. Até o tão comentado “ponto G”, está com sua inexistência comprovada.
  6. A querela sobre a teoria da sexualidade entre Freud e Jung foi uma farsa. Jung, de certa forma, inevitavelmente a adota disfarçada em outras fantasias. O que houve na realidade foi uma colisão de misticismos. Freud era judeu de família hassídica. Ela era originária da cidade de Brodi, na época próxima à Lemberg, na Galícia Oriental do Império Austro-Húngaro, hoje Lwow, na província ucraniana de Podólia. Os biógrafos de Freud comentam que ele era um “hassídico” em casa e um “masquil” na rua, tendo sido membro da organização secreta e sionista B’nei B’rit.. Jung, filho de pastor luterano, teve sua juventude formada nas organizações de inspiração romântica, que exalçavam o misticismo germânico pagão. Tentar o sincretismo entre o Espiritismo e as idéias de Freud e Jung é conspurcá-lo com o misticismo judaico e o pagão germânico.
  7. O conceito de arquétipo, elaborado por Jung, também não tem comprovação científica, além de contrariar o conceito espírita de “individualização do princípio inteligente”. O conceito platônico de arquétipo, que difere do de Jung, tem algo em comum com a Doutrina, embora não podendo ser aceito “in totum”. O conceito de individuação foi mal plagiado por Jung da Filosofia Escolástica que com ele definia o conceito aristotélico da “aquisição das características que diferenciavam a espécie de seu gênero”.
  8. A Doutrina assevera que o Espírito ao reencarnar sofre bloqueios de seu cabedal de conhecimentos e afetos de modo a torná-lo suscetível à educação a receber nos primeiros anos de vida encarnada. À medida que se desenvolve, esses bloqueios se desfazem e seus potenciais vão se revelando gradativamente. Caso a educação [evangelização] recebida não tenha sido capaz de superar suas propensões más inatas, o Espírito encarnado sofrerá e fará sofrer seus circunstantes de jornada terrestre.  Ocorre justamente o inverso do que pregam as modernas escolas de psicologia e pedagogia. Introduzir na literatura espírita essas idéias em voga produzirá perigosos desvios doutrinários, profligando esforço de Allan Kardec.

 

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