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DÚVIDAS DOUTRINÁRIAS ESPÍRITAS 2

1.       O Movimento Espírita Brasileiro adotou duas práticas que não descritas na Codificação Kardequiana.  São a atividade chamada de “passe” e a da “fluidificação de água”.

2.       A primeira atividade – passe - é uma herança que herdamos dos cultos trazidos pelos escravos negros da África. A princípio o Espiritismo se expandiu entre a elite brasileira capaz de ler as obras em francês. Essa elite era filha de pais brancos (em sua maioria mamelucos), mas criada por uma escrava, conhecida por “mãe preta”. Era essa mãe preta que passava para criança em educação os valores convencionais da cultura “européia”, mas mescladas com alguns das africanas e das indígenas. Nessas, os cultos religiosos eram dominados pelo pensamento mágicos do uso de forças da Natureza, assim como a transmissão de energia de uma pessoa para outra, especialmente de quem exercia a fincão de sacerdote par aquém estivesse necessitado de tratamento. Essa tradição o Movimento Espírita Brasileiro herdou e deu-lhe o nome de “passe”, talvez por lembrar a passagem de energia da natureza ou de um corpo para outro . Talvez fosse mais adequado o nome de “transmissão (de energia)”, “Irradiação (de energia)” ou “emanação (de energia)”.. Nas obras traduzidas para o Esperanto a palavra “passe” é traduzida por “emanĵo”.

3.       A segunda – água fluidificada - é uma herança da Igreja Católica, fundindo a idéia de água benta com a da hóstia (Eucaristia). A água benta tornar-se assim depois que a bênção dada pelo sacerdote. Esse fluido ficaria infundido de sacralidade. Embora ela não seja ingerida, serve para “purificar”, “sacralizar”, ambientes, imagens, objetos de modo geral. A hóstia simboliza formalmente o Corpo de Cristo depois de sacralizado pelo sacerdote. É chamado de Eucaristia.

4.        Ambas representam a necessidade que o profano tem de se unir ao Sagrado. “Passe” e “água fluidificada” foram trazidos pelo Movimento Espírita Brasileiro em decorrência de sua herança cultural. Precisamos averiguar se eles colidem ou não com os fundamentos doutrinários. Não havendo colisão, podem ser adotados, desde que não se tornem rituais obrigatórios.

5.       Em LE 70 é afirmado “A quantidade de fluido vital se esgota. Pode tornar-se insuficiente para a conservação da vida, se não for renovada pela absorção e assimilação das substâncias que o contém. O fluido vital se transmite de um indivíduo a outro. Aquele que o tiver em maior porção pode dá-lo a um que o tenha de menos e certos casos prolongar a vida prestes a extinguir-se.” Essa passagem justifica o a “água fluidificada”  pela “absorção” e “assimilação” das substâncias que contém”. O “passe” (irradiação, emanação) pela propriedade de o “fluido vital poder ser transmitido de um indivíduo para o outro”.

6.       Especificamente para o “passe”, em LM 175, é afirmado que todos os magnetizadores são mais ou menos aptos a curar, desde que saibam conduzir-se convenientemente, mas os médiuns curadores o fazem espontaneamente, mesmo sem conhecer o magnetismo.Em LM 189, é afirmado que “Médiuns curadores têm o poder de curar ou aliviar o doente, pela imposição das mãos, ou pela prece. Esta faculdade não é essencialmente mediúnica; possuem-na todos os verdadeiros crentes, sejam médiuns ou não. As mais das vezes, é apenas uma exaltação do poder magnético, fortalecido, se necessário, pelo concurso dos bons espíritos.” Pelo comentário de Kardec, até uma pessoa que não seja médium de cura pode emitir emanações que beneficiem os doentes. É comum, nos hospitais, onde a enfermagem tem mais contato físico com os pacientes, ouvirmos desses, referências que a medicação ministrada por determinada enfermeira “parece” que produz melhor efeito. É que ela, mesmo não sendo médium de cura, ministrou a medicação com certo amor, irradiado eflúvios curativos. Em EE 26:10, há afirmação que os magnetizadores, mesmo não sendo médiuns curadores, podem curar pois dão seu próprio fluido.

7.       Agora examinaremos a “água fluidificada”. Em LM 131, Kardec afirma a possibilidade da mudança das propriedades da água, por obra da vontade. A ação “magnetizadora” pode modificar as propriedades água e, portanto, torná-la um veículo de emanações curativas. Em GE 14: 13-15 “Ação dos Espíritos nos fluidos –Criações fluídicas – fotografia do pensamento” e em GE 14:16-21 “Qualidades dos fluidos”, encontramos embasamento para a fluidificação da água.   Em GE 15:25, Kardec explica o milagre da cura do cego com uma lama que Cristo fez com sua saliva e terra, como uma possibilidade de ela ter recebido dele eflúvios curativos, que seria “fluidificação da água” para propósitos beneficentes.

8.       Conclusão. Embora a codificação Kardequiana não fale explicitamente em “passe” e “água fluidificada”, achamos que esses conceitos podem ser incorporados à Doutrina. Pessoalmente achamos que a palavra “passe” deveria ser substituída por “emanação” ou “irradiação” e a respectiva atividade ser praticada com discrição, sem a dramatização da Umbanda.  A “água fluidifica” poderia ficar com esse nome, mas nunca ser praticada como ritual da Eucaristia.

 

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