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EROTIZAÇÃO INFANTIL

 

1.                  O problema da erotização infantil promovida pelos meios de comunicação é coisa séria e de difícil solução. O Século XX foi marcado uma série de tendências que concluíram para uma ideologia que defende liberdade sem obediência e responsabilidade, igualdade sem respeito à hierarquia e à tradição, fraternidade sem trabalho e ordem e direitos sem deveres.  Isso tecnicamente é chamado de laxismo. Tudo pode. Só é proibido proibir. Esse foi o lema das badernas de rua em maio de 1968, em Paris.  A pornografia, o erotismo, a perversão sexual, ficaram de tal modo banalizados, que não causam mais repulsa ou , pelo menos, perplexidade, às pessoas que ainda preservam os bons costumes. Assistimos pessoas aparentemente decentes acharem natural que os homossexuais também tenham o direito de se casarem legalmente e de até adotarem crianças.  A última Classificação Internacional de Doenças, promovida pela OMS, em 1995 [Décima Revisão] retirou o diagnóstico de homossexualidade. Agora as pessoas têm gênero e sexo e o problema é de ajustarem o sexo ao gênero e vice-versa.

2.                  As ciências ou saberes e profissões que surgiram no Século XX ou, pelo menos, nele se desenvolveram, estão todas fundamentadas nessas tendências. Temos a psicologia [mormente as chamadas psicologias profundas], a sociologia, a lingüística, a pedagogia, a filologia moderna, a teoria da literatura, o jornalismo.

3.                  As escolas pedagógicas são liberais ou libertárias, seguindo as tendências citadas acima [item 3]. O jornalismo e as teorias da ciência de comunicação também seguem a linha liberal, onde boa notícia é aquela que vende, ou a libertária com o seu laxismo. Na área de doença mental, surgiu uma doutrina de inspiração libertária chamada de antipsiquiatria, que tenta contestar o saber psiquiátrico, alegando que os diagnósticos das doenças mentais são criações da sociedade para manter o controle comportamental das massas.

4.                  Fatores de diferentes origens confluem para uma mesma desembocadura, o laxismo das teorias liberais e libertárias.  É difícil combater essa degeneração moral, mas não impossível. Não se pode deixar ao “laissez-faire et laissez-passer”. Tem que haver um “voluntarismo” e começar-se um combate frontal. É trabalho para longo prazo. Mas tem-se que começar logo.

 

Publicado no editorial do Portal Marinheiros, no mês de junho de 2002.