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HOMOSEXUALIDADE, TRANSVESTISMO E TRANSSEXUALISMO - DR. JOSÉ CÁSSIO SIMÕES VIEIRA

 

 

Psiquiatra e ex-professor auxiliar de Ensino da Faculdade de Medicina do ABC (1994 a 2008).

 

Assim como a homossexualidade, o transexualismo pode ocorrer em homens e mulheres, sendo mais freqüente, no entanto, naqueles.

 

A fim de dirimir dúvidas, apresento os conceitos correspondentes.

Homossexualidade é a atração sexual exclusiva ou predominante por pessoas do mesmo sexo, com ou sem relacionamento físico. Não cabe aqui discutir se se trata de um transtorno mental ou comportamental.

Transvestismo é uma condição em que o prazer sexual é produzido pelo fato de vestir-se com roupas do sexo oposto. Não ocorre, necessariamente, a tentativa conseqüente de assumir a identidade ou o comportamento do sexo oposto.

Transsexualismo é uma condição psíquica centrada em crenças fixas de estar errado o sexo orgânico aparente. O comportamento resultante é dirigido para a mudança dos órgãos sexuais, por meio de operação cirúrgica aliada a tratamentos hormonais, ou para a dissimulação completa do sexo corporal, pela adoção de trajes e de atitudes do sexo oposto.

Esses critérios não são estanques. De fato, muitos transsexuais são homossexuais, desenvolvendo uma conduta franca e sem conflitos, ligada ao desejo de mudar de sexo, em função da convicção ou do sentimento de pertencer psicoespiritualmente ao mesmo. Ocorre aqui um desejo intenso e obsedante de atingir a conformação sexual consentânea a tal convicção. Por outro lado, alguns transsexuais não são homossexuais - e nem o distúrbio básico está ligado a um desvio da sexualidade, mas psicóticos, nos quais a crença de pertencer ao sexo oposto constitue-se em uma vivência delirante.

Assim como a homossexualidade, o transsexualismo pode ocorrer em homens e mulheres, sendo mais frequente, no entanto, naqueles.

É importante assinalar-se que, enquanto o transsexual-homossexual deseja despojar-se das características de seu sexo corporal, o homossexual simples delas não abdica. Pelo contrário, em muitos casos, exalta-as. Assim, muitos homossexuais masculinos procuram desenvolver uma musculatura viril, cultivar espessa barba, ressaltar, enfim, seus caracteres sexuais secundários, além de se ufanarem, se tiverem os órgãos genitais de proporções avantajadas.

Em relação ao transvestismo, o prazer de vestir-se com roupas do sexo oposto pode apresentar várias formas: 1º) ser um fenômeno fetichista (ou feiticista), furtivo e heterossexual. Caso típico é o do homem, casado ou solteiro, que se veste de mulher, na privacidade, diante do espelho, conseguindo, assim, excitação sexual, masturbando-se após; 2º ) o transvestismo exibicionista, de tipo narcisista, que se diferencia do primeiro por ocorrer em público. Nesses casos, já podemos encontrar indivíduos francamente homossexuais, assim trajados para seduzir parceiros sexuais, nas práticas de prostituição masculina; 3º) o transvestismo como manifestação do transsexualismo, no qual se aspira, realmente, à mudança ou anulação do sexo corporal; 4º) o transvestismo em decorrência de manifestações psicóticas ou expressão de conduta oligofrênica.

Cabe assinalar que, entre as mulheres, o transvestismo pode estar a serviço da homossexualidade. No entanto, o uso de roupas masculinas pela mulher, como "reivindicação fálica", não põe de lado uma vida heterossexual, haja vista o exemplo clássico de George Sand.



Referências: Fundamentos de la Psiquiatria Actual, Francisco Alonso Fernández, Editorial Paz Montalvo - 4ª Ediçíon.

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