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1. Intróito.O Ser Humano sempre cultuou o Sagrado, colocando o profano a seu serviço. O profano serve ao Sagrado, busca-O, procura-O. Durante o Período Paleolítico, cada ato humano era uma busca do Sagrado, uma tentativa de estar em contato com Ele. A partir do Neolítico, as atividades humanas passaram a profanar o espaço, enquanto o tempo permaneceu sagrado. Essa busca e esse contato com o Sagrado passou a ocorrer somente através de cerimônias especiais, realizadas em tempo sagrado. Suas atividades comezinhas começaram ser realizadas em espaço e tempo profanos. O tempo sagrado era reservado a certas épocas do ano litúrgico (sagrado).
2. Profanação do tempo. Na Idade Média, o ser humano começou a usar o tempo para ganhar dinheiro. O lucro era o dinheiro ganho sem trabalho, aplicado no tempo. Durante toda a Antiguidade e no início da Era Cristã, o lucro era considerado uma profanação do tempo. Foi na Idade Média, com a ação dos onzenários, cambistas, comerciantes, de Veneza, de Gênova, da Ordem dos Templários, que o Ser humano perdeu totalmente a noção de sacralidade do tempo. Todas as atividades humanas se profanavam lentamente, chegando a se tornar totalmente profanas, isto é, humanas. É assim que a Humanidade chega ao humanismo renascentista. O Renascimento é quase uma absoluta profanação de toda atividade humana (tempo e espaço).
3. Renascimento e Humanismo. Esse período histórico teve por característica a perda ou desvalorização da sacralidade e a exaltação do humano, do profano. A palavra “humanismo” não só passou a significar o movimento cultural dessa época, caracterizado por essa profanação da atividade humana, como também adquiriu um significado secundário de algo bom, fraternal ou mesmo sinônimo de fraternidade ou de solidariedade. O Renascimento existiu durante os séculos XV e XVI, mais precisamente iniciou-se em 1453 ( queda de Constantinopla nas mãos dos turcos) e findou em 1563 (conclusão do Concílio de Trento).
4. Humanismo. A perda da sacralidade e a exaltação do profano adquiriu duas formas: uma foi a exaltação do objeto, que ocorreu no período seguinte e que veremos mais adiante; a outra foi a exaltação do sujeito, que surgiu a partir do final do Século XVIII, o que também veremos depois. Durante os Séculos XV e XVI, não se delineou bem a diferença entre objeto e sujeito. Alguns movimentos intelectuais já mostravam que a exaltação do sujeito seria o dominante. Dois desses sintomas foram a reforma Protestante e o Capitalismo (mercado de capital). Forças contrárias a esse individualismo que se delineava reagiram. Entre elas estava a Igreja Católica e as Monarquias. Essa Igreja criou um concílio na cidade de Trento, Itália (1549/1563) com a finalidade de tomar medidas que impedissem o avanço das idéias reformistas que exaltavam o individualismo. Essa reação não foi suficiente para provocar a volta ao Sagrado. Falhou, permitindo que a Humanidade passasse por uma exaltação do objeto que foi o período Barroco. Didaticamente, considera-se seu início a partir do fim do Concílio de Trento (1563), embora não tenha uma correlação estreita com ele, e seu fim com a data da evolução francesa (1789), embora também não haja uma relação estreita com esse movimento.
5. Barroco. O Barroco se caracteriza nas artes pelo apelo ao emocional, à energia, e fluidez de suas formas. Mas, ele foi mais do que isso. Foi, na realidade, uma ideologia que predominou no período acima descrito. Manifestou-se na Filosofia através do Racionalismo, com representantes como Descartes, Leibniz e Wolff, e do Empirismo (ou Empiricismo), tendo a frente Francis Bacon, George Berkeley, Thomas Hobbes, John Locke, David Hume e outros da escola inglesa. O Racionalismo enfatizava a razão como fonte única do conhecimento e admitia a presença de idéias inatas. O Empirismo só admitia como fonte do conhecimento a experiência sensível e a mente seria uma tabula rasa. É o exemplo excelente da exaltação do objeto. “Nihil est in intellectu quid non prior in sensum”. Toda a fonte do conheciemnto era proveniente do objeto.
6. Iluminismo e Romantismo. O Iluminismo foi uma continuação do Racionalismo. A razão era considera como a fonte única do conhecimento. O que diferencia o Racionalismo do período anterior do Iluminismo, foi que esse enfatizou de tal maneira a razão que a julgou capaz de resolver todos os problemas da humanidade. Foi um primado da razão, como definiu Kant. O Romantismo (Romanticismo) caracterizou-se pela valorização da emoção, intuição, imaginação e individualismo. Isso marca a transição do fundamento, ainda dentro do profano, do objeto para o sujeito – É O INGRESSO DA HUMANIDADE DENTRO DO SUBJETIVISMO. Uns consideram que o Romantismo libertou o Ser humano da restrição da razão e da harmonia do classicismo. Na filosofia o Romantismo é bem caracterizado pelo idealismo alemão: Hegel, Fichte, Schopenhauer, etc.
7. Subjetivismo. É a característica principal da Filosofia chamada Contemporânea. Ela começa co Husserl, que não faz a distinção entre sujeito e objeto, colocando tudo no subjetivismo, e com o niilismo de Nietzsche. Subjetivismo é a valorização do sujeito em detrimento do objeto e do Sagrado. Ele se apresenta sob vários aspectos:
7.1. Individualismo: os interesses de um indivíduo estão acima dos da coletividade. É ‘ o “lema cada uma por si”, o ideal do bem sucedido, vence o melhor, excluem-se os menos capazes, solidariedade e cooperação são palavras vãs. A palavra de ordem é a competição, a concorrência. Considerar-se a concorrência como incentivo à produção em vez do interesse pelo bem-estar público e a consciência do dever cumprido é uma perversão ética. Procura-se acentuar-se as diferenças regionais, em nome de um falso respeito a diferença, para melhor domínio político da grande massa. Cantonização dos Estados, das culturas.
7.2. Irracionalismo. A razão perde sua primazia para a emoção, para os instintos. O Ser humano não é mais conduzido pela razão, mas sim por uma entidade conjetural, irracional, instintiva chamada de inconsciente dinâmico.
7.3. Hermenêutica. Como a razão não impera mais, na base de todas ações humanas e acontecimentos naturais há um sentido oculto, irracional a ser desvendado, que é a causa real do fato.
7.4. Empirismo absoluto. Já que não podemos chegar à verdade pela razão, só a experiência sensível é a fonte de conhecimento. Isso conduz as mentes menos maduras a querem experimentar de tudo, inclusive de coisas visivelmente perniciosas. E essa conduta esdrúxula encontra respaldo na opinião pública.
7.5. Igualitarismo. Confusão da igualdade de oportunidades e de direitos cívicos com a quebra de hierarquia e com o desrespeito à autoridade e à ordem. A concepção de que o mundo não é uma encadeamento de causas e conseqüências, visando a uma finalidade determinada pela Providência, cria a inconseqüências do atos humanos e, ato contínuo, a irresponsabilidade.
7.6. Populismo demagógico. É’ uma conseqüência do item 7.1. e do 7.5. . Exaltam-se o povo, as massas em detrimento da autoridade constituída. O princípio da representatividade é substituído pelo “assembleísmo”. No campo religioso, o Sagrado é substituído pelo profano. Os Movimentos Pentecostal Evangélico e Carismático Católico invertem o sentido do culto religioso: ele é feito para agradar o povo e não a Deus. Os cultos do padres e pastores, que usam a parafernália eletrônica, não são verdadeiramente cultos ao Sagrado, mas apenas espetáculos públicos para agradar ao homem vulgar. Na
7.7. sócio-culturais em favor de uma criatividade que ultrapassa os limites do bom-senso e do bom-gosto. A extravagância é o ideal a ser atingido. Não se valoriza o passado, considerando-se inócuo o conhecimento acumulativo. É ‘ a base do lema existencialista do aqui e agora, o que está ali ou lá ou que já foi ou será, não importa: é o primado do inconseqüência absoluta. O estudo do passado não serve nem como cultura geral, é apenas perda de tempo. A previsão do futuro é obra para visionários. Essa inflação do presente lembra a inconseqüência do sofistas e é essa razão porque assistimos, no momento, a tentativa de reabilitação deles. Coadunam-se com essa posição o existencialismo, o estruturalismo, o construtivismo (Piaget), a Filosofia analítica e a da Linguagem, o Neopositivismo e o Neo-kantismo. Na área de filosofia da Educação, predominam essas idéias: o professor perdeu seu valor e tornou-se um mero facilitador, pois é o aluno que constrói seu próprio saber; é a inflação do subjetivismo; o professor , o poassado, que são objeto para o sujeito-aluno, são inexistentes. .É a completa de inversão de valores ético-culturais.
7.8. Laxismo (ks). É a aplicação do princípio do laissez-faire e laissez-passer usado na economia à ética, onde a única coisa a proibir é proibir. É liberdade sem responsabilidade. É direito sem dever, liberdade sem responsabilidade.
7.9. Hedonismo lingüística, aparece em forma, não de tolerância, mas de apologia dos falares canhestros.
7.10. Iconoclastia. Procura-se desmoralizar os valores da cultura, da tradição. Os heróis são transformados em homens vulgares ou bandidos e facínoras são exalçados a categoria de herói nacional. A tradição é escarnecida. Há o abandono dos padrões, paradigmas e parâmetros. É uma conseqüência do laxismo. Uma vez que tudo é permitido, não deve haver censura. O prazer pode e deve ser procurado em primeiro lugar e em tudo. Sacrifício, luta, denodo, obrigações, são palavras risíveis.
7.11. Imediatismo. É outra expressão do laxismo. Ninguém sabe aguardar o momento oportuno. Tudo tem que ser feito agora, como se o tempo fosse se escoar. O futuro fica no ostracismo ao lado do passado, desprezado pela iconoclastia.
7.12. Indeterminismo. Para contrabalançar o determinismo do mecanicismo, surgiu o indeterminismo a partir de interpretações errôneas da teoria da relatividade de Einstein e do princípio do indetrminismo Heisenberg. O determinismo relativo que decorre dessas teorias é tomado como indeterminismo, o que satisfaz essa ideologia laxista, onde nada pode ser previsto ou controlado. Lamentavelmente, alguns espiritualistas abraçam esse princípio sem perceberem que ele é também incompatível com a Providência Divina, da mesma forma que o determinismo.
7.13. Ceticismo. É a negação da completa possibilidade do conhecimento. Leva a negação de tudo, até a impossibilidade de se conhecer parte da realidade e, conseqüentemente de nossa própria existência. Resulta no:
7.14. Niilismo. É a negação completa de tudo.
7.15. Solipsismo. Significa estar sozinho, isolado, insulado em si mesmo. É a negação completa da realidade externa, do objeto. Só existe o sujeito. Era a posição de George Berkeley. É a conseqüência inevitável do subjetivismo extremado que desemboca no ceticismo e no niilismo, levando o sujeito a viver isolado no Universo, já que nada pode ser considerado verdadeiro e nada existe (paradoxo).
CONCLUSÃO. O subjetivismo é o que caracteriza esse fim de século, essa passagem de milênio. O subjetivismo extremado em detrimento do objeto leva a uma total inversão de valores, onde liberdade é confundida com falta de responsabilidade, fraternidade e tolerância com sincretismos, ecletismos, ecumenismos, amor com prazer desenfreado. Essa filosofia do caos fica bem definida com o lema das badernas de ruas ocorridas em maio de 1968 em Paris: é proibido proibir!