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INTERDEPENDÊNCIA E SOLIDARIEDADE
NEM LIBERDADE, NEM DEPENDÊNCIA: O EQUILÍBRIO ESTÁ NA INTERDEPENDÊNCIA
1. Os paladinos de ideologias liberais, neoliberais e libertárias baseiam-se no pressuposto teórico de que cada pessoa é dona de sua própria vida, o que implica na negação de um Deus Providente a quem pertencemos e devemos obediência. Portanto, é um ideal materialista.
2. Usam o termo auto-domínio que consiste em afirmar que a pessoas é dona de sua própria vida, não sendo assim, outras pessoas ou grupos de pessoas “mandariam “ em sua vida. Conceitos como solidariedade ou interdependência são abominações.
3. O Ser Humano por natureza é um Ser Social. Ninguém consegue viver plenamente isolado da vida social. Os eremitas vivem uma vida de privação, tanto material como na área afetivo-cognitiva, pois não têm com quem intercambiar suas idéias: aprender o que não sabem e ensinar o que sabem (transferências mútuas de conhecimentos e habilidades). Os cenobitas o fazem entre si, mas em seu universo limitado e regulamentado por ordenanças e interdições. Tanto os eremitas como os cenobitas têm uma ilusão de liberdade, pois vivem em mundos irreais: os primeiros afastados da REALIDADE TOTAL, os outros em um ambiente protegido, onde é impossível a vida produtiva de escambo ideológico – uma REALIDADE DISVIRTUADA. É no meio da adversidade que aprendemos a sermos tolerantes, indulgentes, complacentes, ao mesmo tempo em que aprendemos a suportar frustrações por não realizar atos, desejos, impulsos, que não são bem aceitos no seio dessa sociedade plurivalente.
4. As pessoas são limitadas, pois ninguém é polivalente, possuindo todas as habilidades. As habilidades de umas faltam em outras e as que faltam nessas pessoas, elas vão receber dessas outras. Portanto a vida sadia só pode existir nas comunidades, em regime de trocas.
5. Se elas precisam viver em comunidades, seus direitos são limitados pelos direitos dos outros. A convivência implica em deveres, os quais elas têm que cumprir, quer lhes agrade ou não. Muitas pessoas não são solidárias, pensando que os problemas dos outros não são deles também. É certo que não devemos nos intrometer na vida alheia. O ditado que diz: “água e conselho só damos a quem nos pede” é certíssimo, não devemos nos intrometer na vida alheia. Mas o ditado que diz “Quem vir a barba do vizinho pegar fogo, deve colocar a sua de molho” indica previdência, cautela, o que está ocorrendo com o vizinho pode ocorrer também conosco. Então, torna-se legítimo que nos preocupemos com o destino do próximo, a fim de que não aconteça conosco o mesmo. Além desse motivo egoísta, devemos ser SOLIDÁRIOS. SOLIDARIEDADE é uma das formas de amarmos o próximo.
6. Dependência e independência. Ninguém pode ser totalmente dependente, salvo em casos de crianças ou de invalidez. Assim mesmo, as crianças vão ganhando certa autonomia à medida que crescem. Os inválidos podem receber tratamento de reabilitação que pode ser parcial ou total, mas, de alguma forma os torna menos dependentes. A dependência total só existe nos casos patológicos intensos. Mesmo um inválido pode manifestar sua vontade, suas idéias de alguma forma. Inversamente, ninguém sadio é totalmente independente, pois isso implicaria numa alienação da comunidade, em uma perda do contato com a REALIDADE ou, pelo menos, um conflito com ela. As pessoas dependem daquelas que possuem habilidades que elas não possuem, como são também limitadas por seus dependentes. Quem tem responsabilidade por um filho menor ou por adulto provecto, tem sua vida limitada pelas necessidades desses, não podendo dispor de sua própria vida a sua vontade.
7. Portanto, compreender sua interdependência e saber conviver com ela sem conflito é uma das características da higidez mental.
7.1. EXEMPLOS QUE CIRCULAM PELA INTERNET, SOB A FORMA DE PPS’s QUE EXEMPLIFICAM A NECESSIDADE DE VIVERMOS NO GRUPO, EM COMUNIDADE,EM SOCIEDADE E SERMOS SOLIDÁRIOS.
7.2. Brasa e borralho. Há uma interdependência entre ambos. O borralho só existe se as brasas estiverem juntas e acesas. Se uma brasa for afastada do borralho, sua chama tende a se apagar. Voltando ao braseiro, com sua chama, quase extinta, volta a se reacender.
7.3. Ratoeira. O rato descobriu que o casal, dono da casa, comprara uma ratoeira. Alarmado, avisou à galinha, ao cordeiro e à vaca. Esses não se importaram, pois acharam que a ratoeira não lhes ameaçava, mas só ao rato. À noite, uma cobra passou pala ratoeira e essa desarmou, prendendo a cauda do réptil. A dona da casa foi verificar e foi mordia pela víbora que ainda estava viva. Passou mal e o médico recomendou canja. O Fazendeiro matou a galinha para fazê-la para sua esposa. Depois, a paciente passou a receber muitos visitantes. O Esposo resolveu matar o cordeiro para oferecer carne e esses. Por fim, sua mulher morreu e a vaca precisou ser sacrificada para haver carne suficiente para todos os que compareceriam ao velório.
7.4. Porcos-espinhos.“Um grupo de porcos-espinhos apinhou-se em certo dia frio de inverno, de maneira a aproveitarem o calor uns dos outros e assim salvarem-se da morte por congelamento. Logo, porém, sentiram os espinhos uns dos outros, coisa que os levou a se separarem novamente. E depois, quando a necessidade de aquecimento os aproximou mais uma vez, o segundo mal surgiu novamente. Dessa forma foram impulsionados, para trás e para frente, de um problema para outro, até descobrirem uma distância intermediária na qual podiam mais toleravelmente coexistir”.Citado por Freud, Obras Completas, Volume XVIII, Rio de Janeiro, Imago,1976; Cap VI: “Outros problemas e Linhas de Trabalho”, pg. 128; Parerga und Paralipomena, Parte II, 31, “Gleichnisse und Parabeln” (Schopenahuer, Arthur). Essa parábola mostra que a liberdade absoluta não permite a sobrevivência. A dependência absoluta deixa o corpo vulnerado pelos espinhos alheios. Só a interdependência permite a sobrevivência sadia - a “distância intermediária”.
7.5. Vôo dos gansos. Os gansos, voando em bando, formam um “V”, o que aumenta em 71% o alcance do vôo em relação ao de um ganso voando sozinho. São apresentadas cinco lições. 1ª Compartilhar da mesma direção e sentido do grupo, permite chegar mais rápido e facilmente a destinação, porque, ajudando-nos mutuamente, os resultados são melhores. 2ª Permanecendo em sintonia e unidos, juntos àqueles que se dirigem conosco para a mesma direção, o esforço será menor; será mais fácil e agradável alcançar metas; estaremos mais dispostos a oferecer e receber ajuda. 3ª Compartilhar a liderança, respeitarmos mutuamente o tempo todo; dividir problemas e os trabalhos mais difíceis; reunir habilidades, capacidades e combinar dons, talentos e recursos. 4ª Quando há coragem e alento, o progresso é maior; uma palavra oportuna motiva, ajuda, fortalece, produz o melhor dos benefícios. 5ª Estejamos unidos, um ao lado do outro, apesar das diferenças, tanto nos momentos difíceis, como nas horas de trabalho. Conclusão: se nos mantivermos ombro a ombro, apoiando-nos e unidos; se tornamos realidade o espírito de equipe; se, apesar das diferenças, pudermos formar um grupo humano para enfrentar todo tipo de situações; se entendermos o verdadeiro valor da amizade; se tivermos consciência do sentimento de partilha; a vida será mais simples e o vôo dos anos mais prazenteiro.
7.6. Pastor Martin Niemöller (1892 —1984). "Quando os nazis levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse" (atribuído ao ano de 1933).
7.7. Berthold Brecht (1898 – 1956). “Primeiro levaram os negros. Mas não me importei com isso. Eu não era negro. Em seguida levaram os operários. Mas não me importei com isso. Eu não era operário. Depois prenderam os miseráveis. Mas não me importei com isso. Eu não sou miserável. Depois agarraram uns desempregados. Mas como tenho emprego, também não me importei. Agora estão me levando, mas já é tarde. Eu não me importei com ninguém. Ninguém se importa comigo.”
7.8. Martin Luther King (1929-1968) "Todos os homens estão presos em uma inescapável rede de mutualidade, atados em uma única veste do destino. O que afeta diretamente a um, afeta indiretamente a todos. Nunca poderei ser o que devo ser até que você seja o que você deve ser. E você nunca poderá ser o que deve ser, até que eu seja o que devo ser." (interdependência) “O que me preocupa não é o grito dos maus, é o silêncio dos bons.”(a omissão diante dos problemas alheios).
8. Os exemplos acima demonstram que esse sentimento ilimitado de liberdade nos conduz a um individualismo absoluto, a uma falta de amor ao próximo, ao hedonismo materialista, ao egocentrismo, acabando com o sentimento de solidariedade, levando-nos a nos omitir em presença do sofrimento alheio. A última citação de Luther King mostra bem a preocupação com essa omissão. Uma das características da saúde mental é aceitar e conviver com a interdependência e ser solidário com seus comungantes.
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