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VITOR LEONARDO DA SILVA CHAVES
Médico e Licenciado em Filosofia
CONTRIBUIÇÕES DO
ESPIRITISMO À MEDICINA
1°. Edição
Rio de Janeiro
Editado pelo Autor
2008
C.P. 18528
Rio de Janeiro – RJ
20770-970
BRASIL
Endereço Eletrônico: widukind@infolink.com.br
Portal Eletrônico: www.widukind.net
PREFÁCIO
Este livro não é uma obra
espírita. Está baseada na experiência do Autor, adquirida
por mais de trinta anos na profissão de médico, exercendo a
especialidade de Psiquiatria, na cidade do Rio de Janeiro, como oficial do
Quadro de Saúda da Aeronáutica e no meio civil..
Antes de ler
essa obra, recomendamos que o leitor tenha lido “Análise Filosófica do
Espiritismo”, do mesmo autor, pois esse novo livro
não deixa de ser uma continuação do primeiro. Como ele se
destina à Pagina Eletrônica do Autor e as referências
Bibliográficas são as mesmas do acima citado, deixamos de
colocá-las para economizar de Bytes.O mesmo com as
citações. Só reproduzimos quando muito necessárias
à compreensão, nos outros casos fazemos referência ao item
do livro precedente.
Nosso objetivo é mostrar as
contribuições que o Espiritismo trará para a Medicina,
desde que seja estudado cientificamente, sem confessionalismo. Essa Doutrina,
como uma filosofia inovadora, forçosamente traz conceitos novos, que
aplicados à Medicina, lhe ampliará os recursos de
prevenção, diagnóstico, tratamento e
reabilitação. O autor quer mostrar que, para o Espiritismo ser
verdadeiro, ele não precisa “coincidir” com nenhuma doutrina
psicológica existente. Lamentavelmente, profitentes do Movimento
Espírita Brasileiro [MEB] tentam por todos os meios de assimilar ao Espiritismo
conceitos das chamadas “psicologias profundas”, provocando, muitas
vezes, desvios doutrinários muito sérios e até com a
Psicologia Transpessoal que é um sincretismo da Psicologia Humanista de
Abraham Maslow com o misticismo desvairado dos anos 60 do Século
passado. Agravando isso, há os nefastos sincretismos dele com cultos
africanos, indígenas e seitas orientais.
Desejamos também que esse trabalho possa servir
de base a especulações mais profundas, a serem feitas por outros
colegas médicos. A noção de
“perispírito”, que a Doutrina define como constituído
de matéria sutil, para nós é um somatório de campos
eletromagnéticos provocados pelas reações
bioquímicas no organismo físico, fato desconhecido ao tempo da Codificação.
Esses colegas, contando com os recursos futuros a aparecerem na
Biofísica, deverão fazer essas perquirições. Outro
conceito inovador do Espiritismo é sua concepção de
“princípio vital”, agente responsável pela vida
orgânica, independendo se há ou não Espírito
encarnado no corpo em apreço. Ele reabilita a Teoria Vitalista.
Caberá à Biofísica seu estudo, o que ajudará a
compreensão das doenças orgânicas e seu tratamento.
Dedicamos essa obra aos médicos interessados na
pesquisa científica e na verdade. Não a destinamos aos leigos em
Medicina e aos colegas que sejam seguidores das inúmeras
facções do Movimento Espírita Brasileiro, devido a este
ter tomado um aspecto confessional, algumas vezes, de heresia
doutrinária e, em alguns grupos, atingindo o misticismo irracional, como
é o caso dos que se dizem seguidores do hipotético Ramatis.
O autor aceita críticas, sugestões,
análises, comentários ou elogios. Só responderá a
cartas cujo autor permita transcrevê-las juntamente com a resposta,
fornecendo outros dados (endereço. CPF, RG, etc.) que poderão ser
enviados para a Caixa Postal do Autor, a fim de impedir o anonimato.
Comentários anônimos ou que não permitam a
identificação imediata não serão considerados.
Permitimos que sejam tiradas cópias parciais ou
totais da presente edição, sem nossa permissão
explícita, desde que não tenham fins comerciais e a fonte seja
citada.
ESSA OBRA NÃO SOFREU REVISÕES
GRAMATICAL, ORTOGRÁFICA E DE DIGITAÇÃO.
VICTOR LEONARDO DA SILVA CHAVES
Rio de Janeiro, 2008.
A G R A D E C I M E N T O S
Agradecemos:
a
Deus pela tarefa que nos confiou;
aos
Mestres Espirituais pela ajuda e proteção constantes que nos
dispensaram;
à
médica (neurocirurgiã) Noya Rocha da Silva Chaves, companheira de
profissão e de vida, pelas alegrias e ensinamentos que nos proporcionou
nessa encarnação.
CAPÍTULO I
1. MEDICINA E ESPÍRITISMO
1.1.
Sendo a Medicina o saber que
estuda o funcionamento do corpo humano e que tem por finalidade prevenir e
curar os distúrbios que possam afetar essa atividade,
forçosamente terá seus conceitos afetados pelas novas
contribuições trazidas pela Doutrina Espírita.
1.2.
Além de ela trazer uma
nova concepção de Ser humano, pois este é o
Espírito e o corpo físico apenas um instrumento dele, fornece
mais duas outras noções que são a do perispírito
e a do princípio vital (energia vital). O perispírito
seria um outro instrumento que o Espírito se serviria para as
intermediar as relações entre ele e o corpo físico. O
Espírito não age diretamente no seu instrumento físico.
Ele o faz através do perispírito. O princípio vital
é responsável pela vida orgânica. O Espírito
só reencarna em corpo “vitalizado” por essa energia
(citações no item 1.4.). O Espiritismo ressuscita a doutrina
vitalista.
1.3.
A noção de perispírito é
inteiramente estranha à Medicina presente (item 8.4. desse livro). Sendo
o Espírito a instância humana que pensa e que sente, toda
expressão e manifestação físicas desses dois
atributos têm uma passagem pelo perispírito, em ambas as
direções. Temos que admitir que o conhecimento do alcance e da
limitação do perispírito e de seu modo de funcionar
revolucionará todos os conhecimentos médicos. LM 54 “(...) no conhecimento do
perispírito está a chave de inúmeros problemas
(...).”; GE 1:39 “O perispírito representa
importantíssimo papel no organismo e numa multidão de
afecções, que se ligam à fisiologia (...).”; GE
1:40 “O estudo das propriedades do
perispírito (...) dá a chave de uma multidão de
fenômenos (...).”; OP. Pg 45 “Quando as ciências médicas tiverem na devida conta
o elemento espiritual na economia do ser, terão dado um grande passo e
horizontes inteiramente novos se lhes patentearão.”; A Obs. P.
181 (Estudo dos Possessos de Morzine; 2º Artigo): “Sua causa está inteiramente no perispírito (...),
cuja descoberta (...) abrirá horizontes novos à ciência
(...). (...) o perispírito representa importante papel em todos os
fenômenos da vida (...).”
1.4.
Outro conceito que o
Espiritismo trará para a Medicina é o Vitalismo. Da LE 21 à LE 28 é explicado a
relação entre Espírito e matéria e todo o
Capítulo IV da 1ª. do LE discorre sobre o fluido universal. No
comentário a LE 70, é dito claramente que a vida orgânica
é produzida pela vitalização do corpo físico por
esse fluido universal, podendo o Espírito já está
desencarnado e o corpo físico ainda apresentar sinais de vitalidade.
Talvez é o que ocorre nos centros de tratamento intensivo. O
Espírito já se desprendeu da matéria, mas os aparelhos de
respiração artificial, as medicações que
mantêm o coração em atividade, preservem essa força
vital, evitando a morte física do organismo, sua
decomposição. É de conhecimento popular que os animais
poiquilotérmicos mantém a vitalidade de órgãos
separados do corpo por mais tempo que os homeotérmicos. Exemplo:
corações de rã, de peixes e de cobras. É
provável que os corpos físicos dos primeiros tenham mais energia
vital que os dos segundos. Esta é a razão porque seus
órgãos separados do corpo, após o abate do animal,
perdurem por tanto tempo. LE 70 Nota: “Os corpos orgânicos são, assim, uma espécie de
pilhas ou de aparelhos elétricos, nos quais a atividade do fluido
determina o fenômeno da vida. A cessação dessa atividade
causa a morte.” LE 136 A “A
vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode
habitar um corpo privado de vida orgânica.” LE 140 A Nota
“A alma atua por intermédio
dos órgãos e os órgãos são animados pelo
fluido vital (...).” LE
146 A Nota “(...)a sede da alma se
encontra especialmente nos órgãos que servem para as
manifestações intelectuais e morais.” LE 156 “O corpo é a máquina que
o coração põe em movimento. Existe enquanto o
coração faz circular nas veias o sangue, para o que não
necessita da alma.” Vide item 5.7. de nosso livro
“Análise Filosófica do Espiritismo”.
1.5.
Julgamos que a Medicina, como
saber, é universal, não cabendo especificá-la em
relação a grupos étnicos, culturais ou a doutrinas. Por isso não podemos falar de uma
Medicina Espírita. Podemos dizer que futuramente a Medicina
adotará os conhecimentos revelados pelo Espiritismo e os
desenvolverá, através de pesquisas racionais, pois a finalidade
da revelação é apenas de dar o primeiro impulso [GE
Cap.1].
1.6.
Cremos que o futuro da
Medicina reside na Bioquímica e mais certamente na Biofísica.
Não resta dúvida que a Força Vital será objeto de
estudo da Biofísica e o perispírito, definido como sendo de
matéria sutil, nada mais é do que o somatório de campos
eletromagnéticos produzidos pelas reações
bioquímicas do organismo. Por isso também será a
Biofísica que descobrirá suas propriedades e
aplicações deste.
1.7.
Conclusão. A
verdadeira Medicina será aquela que só admitirá o quer for
descoberto e desenvolvido pela Ciência, nunca admitindo opiniões
infundadas de leigos ou teorias criadas em divãs. A admissão das revelações espíritas
não será feita por credulidade, por fanatismo. Ela será o
resultado da pesquisa em laboratórios, estudos por analogia e
inferência estatísticas.
Recomendamos a leitura do Capítulo VII, Antropologia Filosófica Espírita, e do
Capítulo XXI, Filosofia
Espírita da Ciência, ambos de nosso livro ANÁLISE
FILOSÓFICA DO ESPIRITISMO.
CAPÍTULO II
2. PERSONALIDADE E DESENVOLVIMENTO.
2.1.
O Espiritismo sendo uma
doutrina reencarnacionista, a personalidade de um Espírito não se
formará em uma única reencarnação. Será o
produto das múltiplas vidas (experiências de vida –
vivências), em diferentes graus de culturas, em ambos os sexos, em
diferentes escalas sociais e econômicas. Usamos o conceito
psiquiátrico de personalidade:
conjunto de temperamento e caráter. Por temperamento definimos o modo de ser (tendências).
Por caráter, o
modo de agir (conduta).
2.2.
O Ser, sendo o
Espírito, para estudarmos sua personalidade (“persona”,
“máscara’, como se apresenta em diferentes
situações) e seu desenvolvimento temos que estudar a Segunda
Parte do LE, que trata da vida espiritual, desde a criação do
Espírito, sua reencarnação, desencarnação e
sua passagem pelo mundo desencarnado. A criação dos
Espíritos é permanente (LE 80), por isso em qualquer orbe
reencarnatório, encontramo-los em diferentes graus de
evolução intelectual e moral. Em LE 115, é afirmado que
eles são criados simples e ignorantes. Com o curso das
reencarnações elas vão adquirindo, cada um a seu modo,
graus diferentes de intelectualidade e moralidade.
2.3. Em LE 79, é dito que o
Espírito é individualização do Princípio
Inteligente e o mesmo é confirmado em LE 607 A e LE 611. Portanto,
afirmação da LE 115, permite concluir que a simplicidade e
ignorância do Espírito estão em seu estágio de
Princípio Inteligente e que ele não é diretamente criado
como Espírito. De LE 114 à LE 127, há o título em
negrito “Progressão dos
Espíritos”. Portanto, o Espírito muda de
“persona” pois está sempre em evolução. Para o
Espiritismo a “personalidade” é sempre mutante, mas
evoluindo, nunca regredindo. Sob o Título em negrito “Transmigrações progressivas”
(LE 189 a LE 196) é explicado que o Espírito, a cada
reencarnação, se aperfeiçoa, um dia chegando à
perfeição (Vide item 6.2.3. do nosso livro “Análise
Filosófica do Espiritismo”). Há quatorze
citações de que o Espírito deve evoluir moral e
intelectualmente, mas não forçosamente paralelamente. LE 127,
LE 192; LE 365; LE 560; LE 560; LE 566; LE 685 A; LE 751; LE 779; LE 780; LE
785; LE 791; LE 792 A; LE 767.
2.4.
Livre arbítrio. É a livre vontade. Logo que o Princípio
Inteligente se individualiza e torna-se Espírito, sua vontade livre
é mínima, ainda sendo guiado pelo instinto (LE 71 – 75 A,
título em negrito “Inteligência e instinto”).
À medida que evolui cultural e moralmente, a influência do
instinto diminui e o espírito consegue reger melhor sua vontade. Vide
item 9.9. de nosso livro “Análise Filosófica do
Espiritismo”.
2.5.
Inatismo. “Idéias inatas”, de LE 218
a LE 221, é afirmado que o Espírito reencarna com seu cabedal
intelectual (cognitivo), afetivo, volitivo, estético e ético, o
que constitui o que o livro chama de “idéias
inatas”. Vemos que inatismo não se restringe apenas ao campo
cognitivo, estendendo-se ao afetivo e ético. Portanto, achamos mais
apropriado chamarmos “propensões
inatas”.
2.6.
O que constatamos é que, ao nascermos, essas “propensões inatas”
não são evidentes, dando-nos a idéias que a criança
seria um “tabula rasa”. Disso surgiu um forte corrente
filosófica chamada “Empirismo” ou “Empiricismo” que, em relação à
fonte do conhecimento, admitia que tudo era adquirido após o nascimento:
as “propensões inatas” não eram admitidas. Essa
aparente contradição é explicada no Cap. VII da 2ª. Pt do
LE, especificamente em LE 340, LE 347, LE 351, LE 380, LE 365, EE 8 :4.,
GE 11:20.. É dita que a encarnação inicia-se no
momento da fecundação e se conclui quando a criança faz a
primeira inspiração. Durante o período gestacional o
Espírito sofre muitas perturbações
(troubles, no original
francês), a fim de que esse cabedal seja inibido e torne a criança
mais suscetível à educação e à
evangelização nos primeiros anos de vida, visando a modificar
suas más tendências. Sobre a infância, é falado da LE
379 a LE 385. Nessa última é explicado porque surgem muitos
conflitos na adolescência. O Espírito dos 15 aos 20 começa
a perder essas “perturbações”
(“bloqueios”) e sua verdadeira personalidade começa a
aflorar. Se ela não tiver sido burilada por boas educação e
evangelização e ele tenha maus pendores, os desajustes juvenis
começam a aparecer. Achamos que o termo “bloqueio” seja mais adequado que o de
“perturbação” (trouble). Um dos fundadores da
corrente psicológica chamada Behaviorism
(Comportamentalismo), J. B. Watson, em seu livro, Behaviorismo,
publicado em 1920, faz uma afirmação que ficou famosa,
constituindo-se em um marco para Psicologia. Ele afirmou se lhe dessem 12
crianças sadias e liberdade de criá-las, poderia transformar uma
em médico, outra em advogado e até em mendigo e ladrão,
independentemente de seus talentos, propensões, tendências,
aptidões e vocações. Ele mostra uma posição
“tabula-rasista”. Mas o
que ele interpreta como “tabula
rasa”, é uma percepção imperfeita da realidade.
As crianças nascem com suas propensões, talentos, etc.,
bloqueados, para ficar suscetível a uma boa educação.
Watson transformaria em bons cidadãos os espíritos que trouxessem
boas propensões de outras reencarnações e em mendigos ou
em ladrões, os que trouxessem as más. De acordo com LE 385, entre
os 15 e 20 anos esses bloqueios vão se desfazendo aos poucos e as
propensões, talentos, etc., vão aparecendo aos poucos. Se
não forem dados melhores valores morais ao Espírito reencarnado,
ele volta a ser o que foi na última reencarnação. Se as
propensões, talentos, vocações forem boas, por pior que
tenha sido educado, ele jamais regredirá. Se forem boas, ele
progredirá. Os “tabula-rasistas”
chegaram perto do problema, mas não perceberam os outros elementos que
estão interferindo na formação da personalidade e
desenvolvimento do Espírito reencarnado.
2.7.
Personalidade segundo o
Espiritismo. Considerando personalidade
o conjunto de temperamento e
caráter, teremos: a) sendo o temperamento
o modo de ser, para o Espiritismo,
esse modo de ser é o cabedal cármico mais as
aquisições que conseguiu assimilar da educação
e da evangelização recebidas; b) caráter, o modo de agir,
esse modo de agir será a prática, a conduta desse cabedal conjugado a essas aquisições.
2.8.
Desenvolvimento. Na
3ª. Pt do LE 3, Cap X, Lei da Liberdade é discorrido sobre os temas
liberdade de consciência, livre arbítrio, fatalidade, conhecimento
do futuro, que dão noções de como ocorre o desenvolvimento
do Espírito encarnado. Em LE 872 (Resumo
teórico do móvel das ações humanas), mostra as
motivações da conduta do Espírito encarnado, que
poderão ser utilizadas para remodelar um Espírito que traga imperfeições
de reencarnações passadas. No EE 3. (Há muitas moradas na casa de meu pai) mostra que o
Espírito evolui moral e intelectualmente e reencarna em um mundo
compatível com seu nível de evolução. Há
cinco categorias de orbes onde os Espíritos evoluem, reencarnando no
mundo físico: mundo primitivo,
onde não há distinção ética; mundo de provações e
expiações, onde há distinção
ética, mas o mal predomina sobre o bem (a situação atual
da Terra); mundo de
regeneração, onde o mal é igual ao bem; mundo feliz, onde o bem predomina sobre
o mal e o mundo celestial onde
só há o bem. A partir de então, o Espírito passa
evoluir sem precisar reencarnar, só
o fazendo esporadicamente como missionário. No EE 4.
(Ninguém poderá ver o reino de Deus se não renascer de novo),
mostra como a reencarnação no mundo físico contribui para
o desenvolvimento do Espírito. As vicissitudes dos mundos
físicos, os embates interpessoais que enfrenta, as frustrações
da velhice, levam o Espírito, no curso de várias
reencarnações, vivenciar a transitoriedade das benesses do mundo
físico, só valorizando o que lhe possa evoluir espiritualmente.
2.9.
Vide o item 7.3. (As
características humanas) do nosso livro Análise Filosófica do espiritismo, Cap. VII Antropologia filosófica do
Espiritismo.
CAPÍTULO III
3. CONDUTA ESPÍRITIA.
3.1
Entendendo-se como conduta como o modo de uma pessoa agir no mundo
físico, suas reações intelectivas, afetivas e
éticas, encontraremos orientações no Cap. XII da
3ª. Pt, LE 893 a LE 919 (Da
perfeição moral), no LM do n° 226 ao n° 239 (Da influência do médium),
EE 17 (Sedes perfeitos), EE 23 (Estranha
Moral) e em GE 3. (O bem e o mal).
3.2
LE Cap XII, LE 893 à LE 906 fala das virtudes e vícios. Os
vícios são a herança que trazemos de nossa
individuação, quando passamos de Princípio Inteligente a
Espírito, reencarnando então só como ser humano. Essa
“individualização” foi necessária e já
bruxuleava quando éramos sem individualidade, quando apenas Princípio
Inteligente. Nossas reações instintivas para preservar o corpo
físico e a espécie, levávamos a matar, agredir. Isso
visava sermos o macho ou a fêmea alfa e gozar dos privilégios na
alimentação e na procriação. Individualizados,
tornamo-nos Espíritos, começamos a reencarnar como Seres Humanos,
mas preservamos esses caracteres que se manifestam em forma de egoísmo,
egocentrismo, egolatria, agora agravados pela inteligência. Podemos
melhor, com mais perícia, fazendo uso da inteligência e das
habilidades dos pés e das mãos, derrubar nosso próximo,
que sempre é visto como uma concorrente, mas nunca como um cooperador.
É dito que o egoísmo (LE 913 – 917 e EE 11:11.12. - “O
Egoísmo”) é a base de todos os outros vícios:
inveja, ciúme, rancor, vingança, falta de indulgência e
complacência, mesquinhez, maledicência, indiscrição,
etc.. As paixões (LE 907 a LE 912) são esses vícios, que
até certo nível é tolerado (LE 907 “Será substancialmente mau o
princípio originário das paixões, embora esteja na
Natureza? Não: a paixão está no excesso de que se
acresceu vontade, visto que o princípio
que lhe dá origem foi posto no homem para o bem, tanto que as
paixões podem levá-lo à realização de
grandes coisas. O Abuso delas se faz a causa do mal.”[grifo
nosso]). Em LE 918 há os caracteres do homem de bem: 1) pratica da lei
de Deus e compreensão da vida espiritual; 2) pratica a justiça, o
amor; 3) faz o bem pelo bem, sem esperar reconhecimento ou
retribuição; 4) bondoso, humanitário, benevolente, 5)
não abusa dos poderes temporais (riqueza e posição social;
6) indulgente e complacente. A noção de homem de bem está
também no EE 17:3. (O Homem de bem)
e EE 17:4. (Os bons Espíritas).
Nesse último item, o final traz a definição do bom
espírita: “Reconhece-se o verdadeiro espírita
pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega
para domar suas más inclinações.” Para sermos
bons espíritas ou pessoas de bem
temos que ter tido uma transformação moral e tentar as más
inclinações que ainda existam. O Ser humano toma papel
ativo sem sua melhora. Isso já influenciará o critério para distinguir entre sadio
e doente: transformação moral e esforço. O sadio
é aquele que realiza sua transformação moral
tranqüilamente, fazendo o bem pelo bem, sem precisar resgatar erros que
teria cometido se agisse de outra forma. Seu esforço é
mínimo para vencer as más inclinações que ainda
traga. O doente é aquele que ainda está preso ás
paixões que adquiriu com sua individualização,
repercutindo no corpo físico e no controle de sua conduta, pois, parte
dos resquícios do comportamento instintivo animal, já são
incompatíveis em sua condição humana.
3.3
LM do n° 226 ao n° 239 (Da
influência moral do médium). È perguntado se o
desenvolvimento da mediunidade guarda relação com o
desenvolvimento moral do médium. A resposta é negativa. A
mediunidade é universal. Ela pode ocorrer em pessoas de elevada moral
como em pessoas vis, em sadios e em doentes, em ambos os sexos sem
preferência, em crianças, adolescentes, jovens, adultos, gerontes
e provectos. No EE 24:12., há o comentário: “Há quem se admire de que, por vezes, a mediunidade seja
concedida a pessoas indignas, capazes de a usarem para o mal. (...) a
mediunidade é inerente a uma disposição orgânica, de
que qualquer homem pode ser dotado(...).(...) a mediunidade não implica
necessariamente relações habituais com Espíritos
superiores. É apenas uma aptidão para servir de instrumento
dúctil aos Espíritos, em geral.O bom médium, pois, não
é aquele que comunica facilmente, mas aquele que é
simpático aos bons Espíritos (...) [grifo nosso].”. No EE 26:9., há a
afirmação: “A
mediunidade, porém, não é uma arte, nem um talento, pelo
que não pode tornar-se uma profissão. Ela não existe sem o
concurso dos Espíritos(...).” item 10: “A mediunidade é coisa santa, que deve ser praticada
santamente, religiosamente. (...) aquele que carece de viver, recursos em
qualquer parte, menos na mediunidade; não lhe consagre, se assim for
preciso, se não o tempo de que materialmente dispor.”
3.4
Pelo exposto, ser médium não é indício de
elevação espiritual. É uma qualidade orgânica.
Portanto, não há razão de nos centros espíritas
haver uma hiper-valorização deles, como lhes reservando lugares
especiais no auditório de palestras. Se o médium estiver
sobrecarregado de atividades materiais, pode até se afastar da
mediunidade, mas nunca fazer dela um complemento de meio de vida. É a
conduta do médium, boa ou má, que fará que sua mediunidade
seja boa ou má e não o inverso. É apregoado em centros
espíritas, mormente nos que sofrem muitas influências de cultos
animistas trazidos pelos escravos, que o indivíduo que apresenta
perturbações mentais ou emocionais é um médium e precisa desenvolver essa mediunidade.
Pelo que lemos, é justamente o oposto, “desenvolver”
mediunidade em desequilibrados emocionais pode agravar o quadro. E, pelo
exposto, se mediunidade é um dom e condição orgânica,
não há como desenvolvê-la ou aprendê-la. Esses
“cursos de médiuns” que pululam nos centros espíritas
estão desorientados doutrinariamente. O bom espírita deve
procurar conhecer profundamente a Doutrina e pautar-se por um comportamento
probo. É esse conhecimento e esse comportamento que o tornará bom
médium caso lhe seja concedido esse dom orgânico.
3.5
Homem de bem.
É no Capítulo XVII do EE (Sedes
Perfeitos) que está exposta em quase sua totalidade a Ética
do Espiritismo. No item 3, há 19 características do Homem de
bem. Resumido, homem de bem deve
praticar as virtudes, como amor, obediência, cumprimentos dos deveres,
respeito à hierarquia, trabalho, liberdade com responsabilidade,
fraternidade que consiste em cooperação e solidariedade em vez de
competição. O bom espírita é o que procura ser um
homem de bem e a síntese está em negrito no item 3 desse
Capítulo XVII (EE)..
3.6
Dever. EE 17:7. “O dever é a obrigação moral da criatura
para consigo mesma, primeiro, e, em seguida, para com os outros. O dever
é a lei da vida.” Para a Doutrina, o “dever”
é fundamental, não permitido idéias liberais e libertárias,
que colocam o direito na frente do dever. “Na ordem dos sentimentos, o dever é muito difícil
de cumprir-se, por se achar em antagonismo com as atrações do
interesse e do coração.” A Doutrina reconhece a
influência da vida afetiva afetando o cumprimento do dever. Cabe ao que
deseja ser um bom espírita, tentar refrear suas emoções. A
visão romântica que pretende que a emoção supere a
razão é incompatível com o Espiritismo. O dever nos
impõe uma conduta que tem que ser cumprida, agradando ou não. “O dever principia, para cada um de
vós, exatamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a
tranqüilidade do vosso próximo; acaba no limite que não
desejais ninguém transponha com relação a vós. O homem que cumpre o seu dever ama a Deus
mais do que as criaturas e ama as criaturas mais do que a si mesmo. É a
um tempo juiz e escravo em causa própria.O dever é o mais belo laurel da razão (...). O homem
de bem não tem que se preocupar com a popularidade; seu compromisso
é somente com a verdade, com a Lei de Deus. O homem de bem não
pode querer ser “politicamente correto”, “carneiro de Panurgo”, seguir
o “alfa” do rebanho; incondicionalmente ele cumpre a Lei de Deus,
quer isso venha agradar ou não ao resto do rebanho.
3.7
Virtude.
Encontramos no item EE 17:8. “A
virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades
essenciais que constituem o homem de bem. Ser bom, caritativo, laborioso,
sóbrio, modesto, são qualidades do homem virtuoso.”
Consideramos as paixões como o oposto ás virtudes. Mas certo grau
de paixão, sem exagero, encerra u pouco de virtude: LE 907: “Será substancialmente mau o
princípio originário das paixões, embora esteja na
natureza? Não; a paixão está no excesso de que se acresceu
a vontade, visto que o princípio que lhe dá origem foi posto no
homem para o bem, tanto que as paixões podem levá-lo à
realização de grandes coisas. O abuso delas que se faz é a
causa do mal.” A hipocrisia, que é chamada pejorativamente por
nós de bom-mocismo é o
mesmo que pieguice, delicadocismo, melifluidade, sentimentalismo exagerado,
é uma falsa virtude. Geralmente está emulada pela vaidade de
aparecer: “mais vale pouca virtude
com modéstia, do que muita com orgulho.” (EE 17:8). Nem Cristo conseguiu
agradar a todos, por isso morreu crucificado.
3.8
Hierarquia. Em
EE 17:9., é comentada a relação entre
“superiores” e “inferiores” (seria melhor,
subalternos). Defende a obediência, respeito a leis, superiores e, em
compensação, magnanimidade por parte destes. A solidariedade deve
estar sempre presente. Os mais poderosos são para protegerem e
orientarem os mais fracos. A competição e a luta pela
sobrevivência são incompatíveis com a Doutrina: “Se te dei subordinados, não
foi para que os fizesse escravos da tua vontade, nem instrumentos dóceis
aos teus caprichos ou à tua cupidez; fiz-te forte e confiei-te os que
eram fracos, para que os amparasses e ajudasses a subir ao meu
seio.”(...)” Mas, se o
superior tem deveres a cumprir, o inferior, de seu lado, também os tem e
não menos sagrados.”(...). “(...) as faltas de uns não justificam as de outrem.”
3.9
O Homem no mundo. O item EE 17:10. A Doutrina defende que o Espírito encarnado tem
o direito de usufruir os bens materiais desse Mundo. O erro está no
abuso. As concepções de ascese, de eremitagem, de misticismo ou
cenobitismo são incompatíveis com a Doutrina. “Não julgueis, todavia, que, exortando-vos
incessantemente à prece e à evocação mental,
pretendamos vivais uma vida mística” (...) “vivei com os
homens da vossa época, como devem viver os homens.” (...)
“Sois chamados a estar em contacto com espíritos de naturezas
diferentes, de caracteres opostos: não choqueis a nenhum daqueles com
quem estiverdes.” (...) “Unicamente no contacto com os seus semelhantes,
nas lutas mais árduas é que ele encontra ensejo de
praticá-la. Aquele, pois, que se isola priva-se voluntariamente do mais
poderoso meio de aperfeiçoar-se; não tendo de pensar senão
em si, sua vida é a de um egoísta. (Capítulo V, nº
26.)”(...)” Ditosos sede,
segundo as necessidades da Humanidade(...)”.
3.10
Cuidar do corpo e do Espírito. Essa afirmação além de mostrar
o dualismo entre corpo e mente do Espiritismo, mostra que devemos como
Espíritos cuidar de nosso aperfeiçoamento, mas devemos
também dispensar cuidados ao corpo físico que é nosso
instrumento de trabalho nesse Mundo. Nós não somos o
proprietário do corpo físico com o qual reencarnamos. Ele
pertence a Deus. Somos apenas seu mordomo. E temos que exercer a mordomia do
corpo físico com maestria. Flagelá-lo, deixar de medicar-se,
mortificar-se é macular uma propriedade que não é nossa. “Dois sistemas se defrontam: o dos
ascetas, que tem por base o aniquilamento do corpo, e o dos materialistas, que
se baseia no rebaixamento da alma. Duas violências quase tão
insensatas uma quanto a outra.”(...) “Amai, pois, a vossa alma,
porém, cuidai igualmente do vosso corpo, instrumento daquela. Desatender
as necessidades que a própria Natureza indica, é desatender a lei
de Deus. Não castigueis o corpo pelas faltas que o vosso
livre-arbítrio o induziu a cometer e pelas quais é ele tão
responsável quanto o cavalo mal dirigido, pelos acidentes que
causa.” (...) “Sereis, porventura, mais perfeitos se, martirizando
o corpo, não vos tornardes menos egoístas, nem menos orgulhosos e
mais caritativos para com o vosso próximo? Não, a
perfeição não está nisso: está toda nas
reformas por que fizerdes passar o vosso Espírito.”
3.11
Desprendimento.
O EE 26 aborda o tema evangélico “Daí gratuitamente o que
gratuitamente recebestes”. É o desprendimento que devemos tentar
ter pelas coisas desse Mundo que aqui vamos deixar ao desencarnar. Se temos
talento para algum ofício ou profissão, podemos
desenvolvê-lo. O esforço que fazemos para desenvolvê-lo,
aperfeiçoá-lo, deve ter como causa primária servir ao
próximo, tornarmo-nos um instrumento melhor da vontade de Deus. Para satisfazermos nossas necessidades
materiais podemos angariar recursos com esse talento, desde que sejam para a
segurança e conforto, nunca para o luxo, esbanjamento ou
ostentação. É consagrado para o uso, mas abominável
para o abuso. A mediunidade, sendo um dom orgânico que recebemos
gratuitamente, deve ser exercida também gratuitamente (EE 26:7 –
10). O desprendimento das coisas
materiais é uma característica da conduta espírita.
CAPÍTULO IV
4. FAMÍLIA, SEXO E MATRIMÔNIO.
4.1. Família. Desenvolvemos bem este tema no Capítulo
XVII de nosso livro “Análise Filosófica do
Espiritismo”. O conceito de família, que nós temos como
encarnados, é aquele grupo de
pessoas que possuem conosco laços de sangue (pais, irmãos,
primos, etc.) e de união conjugal
(cônjuge, sogra, sogro, cunhado, etc.). O Espiritismo amplia esse
conceito, pois afirma que reencarnamos entre Espíritos
“afins”, com os quais temos afinidades boas ou más.
Permaneceram desencarnados os outros que não estão ainda na
ocasião de reencarnar. Eles
poderão estar nos protegendo, se nossas relações foram
boas com eles no passado, ou nos prejudicando, se estivermos lhes devendo algo
ou se nos associamos no passado a Espíritos que não estavam em um
nível elevado de espiritualidade. A nossa verdadeira família é o conjunto dos
encarnados e dos desencarnados com os quais temos laços de amizade ou de
dívidas a resgatar.
4.2. Esse ponto de vista nos obriga a mudar o modo de tratarmos paciente com
distúrbios emocionais. Não basta só examinar os conflitos
da vida encarnada. É preciso tomar uma atitude ativa para ajudarmos o
paciente a vencer ou diminuir paixões inferiores como inveja,
ciúme, rancor, vingança, falta de indulgência, assim como
orar por aqueles desencarnados que ainda possam ser-nos hostis. É
estranho falar em oração quando estamos falando em terapia nos
dias de hoje, quando predomina uma visão materialista em nossa
Ciência. Mas o Espiritismo veio justamente com esta finalidade: profligar
o Materialismo. Se há uma Realidade
Espiritual, não há como não levá-la em
consideração, se quisermos tratar a área emocional e
comportamental das pessoas. A interação entre mundo encarnado e o
desencarnado será um fator relevante para qualquer tipo de terapia,
mormente na área psiquiátrica.
4.3. Para uma consulta sobre vários aspectos das
relações familiares, apenas citaremos as referências. O
leitor pode consultá-las na Codificação: LE 203-206:
Parentesco, filiação; LE 207 –217: Parecenças
físicas e morais; LE 291 – 307: Relações de
antipatia e simpatia. Metades eternas; LE 386- 391: Simpatia e antipatia
terrenas; LE 484 - 488: Afeição que os Espíritos votam a
certas pessoas. LE 489 – 521: Anjos da guarda. Espíritos protetores,
familiares ou simpáticos. Em particular LE 514 – 517. LE: 686
– 701 [Lei da reprodução – Casamento e celibato;
divórcio (697 e 860)]; LE 773 – 775 Laços de
família; LE: 890-892 Amor materno e amor filial. LE: 939-940
Uniões Antipáticas; LE 980: “(...) laço de
simpatia(...). (...) famílias pela afinidade de sentimentos
(...)”; EE 4:18. – 23. A encarnação fortalece os
laço de família.EE 14 todo o Capítulo XIV: Honrar a vosso
pai e a vossa mãe; EE 14:3 Piedade filial; EE 14:5 Quem é minha
mãe e quem são meus irmãos? EE 14:8 A parentela corporal e
a parentela espiritual. EE 14:9 Ingratidão dos filhos e os laços
de família. EE 22. Não separeis o que Deus juntou
[Indissolubilidade do casamento – Divórcio]; EE 23: Moral Estranha
[Quem não odeia pai e mãe – deixar pai, mãe e
filhos];Bíblia: Mt 10:37 “Quem ama mais ao pai do que a mim
(...)”. Jesus ensina que o amor à causa divina deve ser maior que
os laços da família carnal. Mt12:46 e Lc 8:11. Jesus fala sobre
sua família. Mt 19:27 Jesus fala a Pedro sobre abandonar a
família para segui-Lo.
4.4. Sexo. O Espírito não tem sexo, devendo reencarnar
em ambos. Na Codificação não está claro como
é feita a escolha do sexo: se é alternativamente, se o
Espírito reencarna seguidamente no mesmo sexo para sedimentar bem a experiência
nele, ou se depende de condições fortuitas. Dentro do Movimento
Espírita Brasileiro (MEB), há pessoa tão ingênuas,
que pensam que essa experiência está
restrita somente a esfera sexual. Eles não conseguem perceber que em
diferentes culturas os papéis sociais masculinos e femininos são
diferentes e é nessa diferença
que o Espírito vai gradativamente adquirindo experiência de tudo.
Basta que verifiquemos as diferenças de funções entre os
sexos nas culturas paleolíticas (caçadores), neolíticas
(nômades, lavradores), nas civilizações antigas e modernas.
O homem, sempre como guerreiro, desenvolveu o amor fraterno (philia) pelo
“esprit de corps” e a mulher, o amor familiar (stergethron) pela
maternidade.
4.5. Os espíritas do MEB, influenciados por obras heréticas,
afirmam que o homossexual é um Espírito que na última
reencarnação foi uma mulher muito devassa e reencarnou agora como
macho para refrear esses impulsos devassos. Isso é uma nefelibatice.
Muitos falantes do português pensam que homossexual tem relação
com “homem”. “Homo” vem do grego e significa
“mesmo”. Homossexual
significa pessoas que têm relações sexuais com outras do
“mesmo” sexo. A
explicação acima é uma truanice. Aceitar a
homossexualidade como opção de “gênero”
é inaceitável pelo Espiritismo. Ela foge à finalidade do
sexo no corpo físico que é para a sua reprodução. A
cópula entre heterossexuais com meios anticoncepcionais, assim como a
masturbação, também fogem a finalidade do sexo. Sabemos
que o impulso sexual é muito forte e esse não cumprimento da
finalidade torna-se tolerável como concessão desde que não
haja abuso. Já a homossexualidade mostra uma perversão do
instinto sexual. O que é lamentável é que
espíritas, sem muita convicção pessoal, não
querendo ser expulso do rebanho, apóiam essas idéias modernas de
considerar essa perversão como opção de gênero,
são os medíocres carneiros de Panurgo, que querem viver bem e por
isso são “politicamente corretos”.
4.6.
No Mundo moderno, os Espíritos reencarnados já passaram por
tantas experiências em ambos os sexos e em diferentes culturas, que
já não há mais diferença tão marcante de
papéis culturais femininos e masculinos. Além disso, a tecnologia
reduziu todo trabalho manual a “apertar
o botão do controle remoto”. Portanto qualquer sexo pode desempenhar
o papel sócio-cultural do outro.
4.7
Citações sobre sexo: [LE 200, 201 e 203]. LE 34, 115, 127,
133 e 804]. LE: 686
– 701 [Lei da reprodução – Casamento e celibato;
divórcio (697 e 860)]; LE da 817 à 822 (Igualdade de direitos
entre o homem e a mulher). LE 818 “Com que fim mais fraca fisicamente
do que o homem é a mulher? Para lhe determinar funções
especiais”. LE 820 “Deus
apropriou a organização de cada ser às
funções que lhe cumpre desempenhar.” LE 821 “As
funções a que a mulher é destinada pela Natureza
terão importância tão grande quanto as deferidas ao homem?
Sim, maior até.”. LE 822 A “(...) Preciso é
que cada um esteja no lugar que lhe compete. (...) cada um de acordo com a sua
aptidão. (...). Os sexos só (..) existem na
organização física. Visto que os espíritos podem
encarnar num e noutro (...)”. CI pt 2 cap. II n.11[p.183] “OS
Espíritos não têm sexo (...)Não temos motivo para
sermos de natureza masculina ou feminina (...)Os Espíritos não
podem ter sexo. Sempre disseram que os :Espíritos não têm
sexo, sendo apenas necessário para a reprodução de seus
corpos.
4.8
Matrimônio. Para o Espiritismo, matrimônio é o compromisso que dois Espíritos
assumem antes de reencarnarem em sexos diferentes, visando a uma vida em comum
de modo a dar oportunidade que outros Espíritos, com os quais tenham
afinidade ou dívidas a resgatarem, reencarnem e sejam por eles educados
e evangelizados. O cerimonial religioso é inteiramente
dispensável, mas não proibido. Isso fica a critério de
cada casal. Já o casamento civil, embora seja assunto estritamente
terreno e em nada modifique o compromisso assumido, deve dentro do
possível ser seguido, pois o bom espírita não deve criar
conflitos com os costumes da sociedade em que reencarna, pois se tornaria uma
afronta. Além disso, resolve problemas materiais como herança,
pensão, assistência social. É o lado prático da
vida. É preciso que percebamos que esse respeito a costumes religiosos e
civis tem efeito apenas prático, não trazendo em si a felicidade
do casal. Um casal unido, que tenha filhos, mas não que celebrou essa
união nem civil nem religiosamente, não significa que esteja
vivendo em pecado. O importante é que os cônjuges tenham respeito
mútuo, tolerância, indulgência para com os defeitos
mútuos, o amor aos filhos, vendo neles, não como propriedade,
mas, como irmãos que Deus lhe confiou a educação e a
evangelização. Esse assunto está bem explicado em LE: 686
– 701 [Lei da
reprodução – Casamento e celibato; divórcio (697 e
860)].
4.9
O celibato não é uma recomendação, uma
ordenança espírita. Ele é tolerado, desde que o
Espírito se mantenha assim por causas naturais ou por impedimentos
físicos, mentais ou sociais.
4.10 O divórcio, além de ser tratado nessas duas
perguntas, é mais bem explicado no EE 22. Não separeis o que Deus juntou [Indissolubilidade do casamento
– Divórcio]. Ele não é recomendado, mas
também não é condenado. Ele é considerado medida extrema que só deve ser tomada
para evitar mal maior. Alguns cristãos são contra o
divórcio porque entendem a passagem de Mateus 5:32, em que fariseus
perguntam a Cristo se deveriam dar carta de divórcio à mulher,
ele responde que não. A pergunta está em relação
aos preceitos de Deuteronômio 24: 1-4., em que a Lei Mosaica permita ao
varão repudiar sua esposa por motivos fúteis. A mulher
repudiada tornava-se um pária, caiando na prostituição ou
na mendicância. Era o repúdio que Cristo condenava. Um
matrimônio não poderia ser desfeito meramente pelo capricho de um
varão e este não tendo a menor responsabilidade social para com a
ex-esposa. Isso é bem diferente de uma dissolução
matrimonial que ocorra por motivos extremos: “para evitar um mal
maior”. O que devemos compreender é que não existe
cônjuge perfeito, alma gêmea, metade eterna. No início de
qualquer vida em comum prepondera a paixão física e os
cônjuges, quando muitos imaturos, pensam que aquele idílio
durará para sempre. Além de ambos os cônjuges se
modificarem continuamente, passado o período de paixão, ambos
começam a identificar os defeitos do outro. Após dez anos de
matrimônio, não somos física e afetivamente aquele que
éramos há dez anos, assim como nosso cônjuge modificou-se. Uma
terapia de casal, baseada no Espiritismo, tem que levar em conta que (1) não
existe alma gêmea, portanto não (2) há cônjuge
perfeito; também levar em conta que (3) ambos os cônjuges
estão sempre em modificação e que devemos (4) aprender
a conviver com essas mudanças; (5) que não há amor
à primeira vista, mas apenas paixão que é fugaz; os
recém-casados, apaixonados, devem conscientizar que estão somente
apaixonados, mas não necessariamente se amando e que essa
percepção errada da realidade pode trazer desilusões em
futuro bem próximo; (6) lembrar que não sabemos (ou não
temos lembrança) que compromissos foram assumidos antes de reencarnar
e, portanto, uma separação precipitada, caprichosa, pode adiar
resgates que estavam prestes a serem resolvidos.
CAPÍTULO V
5. OBJETIVO DA VIDA – TELEOLOGIA.
5.1.
O EE 1: começa com o título “Não vim destruir a Lei”, onde Kardec faz um paralelo
entre as palavras de Cristo em relação à Lei Mosaica, aos
ensinamentos de Cristo e ao Espiritismo. Mostra que a Doutrina não veio
contestar nada ensinado por Cristo, mas dar cumprimento ao que foi ensinado por
Ele, esclarecendo certos pontos obscuros dos Evangelhos, que devido à
ocasião em que foram escritos, não poderiam ser mais claros, pois
não seriam assimilados, provocando interpretações
errôneas e levando o povo a dissensões. Sendo essa a finalidade do
Espiritismo, por conseqüência, o dever do espírita
é cumprir a Lei de Cristo, a obedecer, sem sincretismos com outras
correntes.
5.2. Vida Futura. Temos que distinguir os objetivos da vida encarnada
e da vida espiritual. O desta última é a “perfeição”. Para
compreender melhor o que venha ser essa “perfeição”, vide item 6.2.3. (Cosmologia Espírita) de nosso
livro “Análise
Filosófica do Espiritismo”. Os da vida encarnada é a
preparação do Espírito para um dia ele poder evoluir sem
precisar mais das reencarnações no mundo físico.
Fa-lo-á como Espírito puro. Em Mateus 22:21., Cristo separa o
Sagrado do profano, quando diz que o Reino Dele não é deste
Mundo. Esse “Reino” refere-se à verdadeira vida que é
a independente da matéria. Nós, que ainda reencarnamos nesse
mundo de expiações e provações, não podemos
ter a compreensão total do que seja esta vida. Nosso esforço deve
concentrar-se na melhor maneira de cumprirmos nossos deveres de reencarnados.
Em EE 2: (Meu reino não é
deste mundo) afirma: (item 2) “Por
essas palavras, Jesus claramente se refere
à vida futura, que
ele apresenta, em todas as circunstâncias, como a meta a que a Humanidade
irá ter e como devendo constituir objeto das maiores
preocupações do homem na Terra. Todas as suas máximas se reportam a esse grande
princípio. Com efeito, sem a vida futura, nenhuma razão de ser
teria a maior parte dos seus preceitos morais ( ...)” . (...) “Esse
dogma pode, portanto, ser tido como o eixo do ensino do Cristo”
(grifo nosso). (...). (item 3) “Apenas idéias muito
imprecisas tinham os judeus acerca da vida futura.”(...)
“Limitou-se a, de certo modo, apresentar a vida futura apenas como
um princípio, como uma lei da Natureza a cuja ação
ninguém pode fugir. Todo cristão, pois, necessariamente
crê na vida futura;” (grifo nosso). (...) “Com o Espiritismo, a vida futura deixa de ser simples
artigo de fé, mera hipótese; torna-se uma realidade material, que
os fatos demonstram, porquanto são testemunhas oculares os que a
descrevem nas suas fases todas e em todas as suas peripécias, e de tal
sorte que, além de impossibilitarem qualquer dúvida a esse
propósito, facultam à mais vulgar inteligência a
possibilidade de imaginá-la sob seu verdadeiro aspecto, como toda gente
imagina um país cuja pormenorizada descrição leia.”.
(item 5) A idéia clara e
precisa que se faça da vida futura proporciona inabalável
fé no porvir, fé que acarreta enormes conseqüências
sobre a moralização dos homens, porque muda completamente o ponto
de vista sob o qual encaram eles a vida terrena. Para quem se coloca, pelo
pensamento, na vida espiritual, que é indefinida, a vida
corpórea se torna simples passagem (grifo nosso), breve
estada num país ingrato. As vicissitudes e tribulações
dessa vida não passam de incidentes que ele suporta com
paciência, por sabê-las de curta duração, devendo
seguir-se-lhes um estado mais ditoso. À morte nada mais restará
de aterrador; deixa de ser a porta que se abre para o nada e torna-se a que
dá para a libertação, pela qual entra o exilado numa
mansão de bem-aventurança e de paz” .(...) “É
o que sucede ao que encara a vida terrestre do ponto de vista da vida futura; a
Humanidade, tanto quanto as estrelas do firmamento, perde-se na imensidade.
CAPÍTULO VI
6. PSQUIATRIA COLETIVA.
6.1. Estuda
o comportamento do Espírito encarnado, quando está fazendo parte
de algum grupo. Esse grupo é a família, a escola, a
profissão, sociedades recreativas, Pátria, enfim a cultura onde
vive. A eremitagem e o cenobitismo são
incompatíveis com a condição humana, pois criam
obstáculo ao desenvolvimento do Espírito. A vida em
cenóbio pode ser admitida em um mundo baldo de tecnologia, mas, em plena
era da computação e da robótica, é
injustificável. LE 774 “Diverso
dos animais é o destino do homem. (...) Há no homem alguma coisa
mais (...); há a necessidade de progredir. Os laços sociais
são necessários ao progresso e os de família mais
apertados tornam os primeiros.”. LE 776 “Não. O estado de natureza é o estado primitivo. A
civilização é incompatível com estado de natureza.
(...) O estado de natureza é a infância da Humanidade (...). (...)
o homem não foi destinado a viver perpetuamente no estado de natureza
(grifo nosso)(...). Aquele estado
é transitório (...).” LE 778 “(...) o homem tem que progredir incessantemente e não
pode voltar ao estado de infância.”
6.2. No item 11.10.2. (Filosofia Social
Espírita) de nosso livro, Análise
Filosófica do Espiritismo, fizemos um estudo da Doutrina Social
Espírita, cujo resumo apresentamos aqui: “de cada um conforme sua capacidade; a cada um conforme sua necessidade
(...)” (LE 509 “Deus
não exige do Espírito mais do que comportem a sua natureza e o
grau de elevação a que chegou”) Isso reflete os fundamento da Psiquiatria Coletiva
Espírita: o Espírito (Ser humano) precisa passar seu
período de encarnação no mundo físico “dentro
de uma cultura, de uma coletividade”. Mas essa coletividade tem que
respeitar as limitações de cada um de seus membros e, em vez de
excluí-lo como interpretou Darwin com sua lei “struggle for life”, deve
ampará-lo. Os problemas psiquiátricos, isto é, as
manifestações patológicas comportamentais das massas,
obedecem as essas leis sociais. Em casos, como os convulsionários,
rebeliões coletivas, mimetismos, “carneirismos” de Panurgo,
“politicamente correto”, “modismos”, são
produzidos por que essas regras sociais não foram aplicadas. O
indivíduo, ainda comporta-se como animal, seguindo o exemplo do
animal alfa para não sere expulso do rebanho. Em caso de tratamento,
essas medidas (exigir dentro das
limitações individuais e distribuir os benefícios conforme
as necessidades de cada um) devem ser aplicadas, juntamente com outras de
natureza diferente, mas que faça efeito em corroboração.
6.3. Kardec, em nota à LE 768 comenta: Homem nenhum possui faculdades completas. Mediante a união
social é que elas umas às outras se completam, para lhe
assegurarem o bem-estar e o progresso. Por isso é que precisamos uns dos
outros, os homens foram feitos para viver em sociedade e não insulados.
A Psiquiatria Coletiva tem que se preocupar com o homem sadio em mantê-lo
o maior tempo possível em sociedade: família, escola, trabalho,
igreja e associações recreativas. O mesmo deve ser feito com o
homem doente. Ser contra o hospital e o asilo é uma visão
romântica e demagógica. Há casos que há necessidade
de hospitalização e há casos asilares. A Psiquiatria
interferiria nesses locais, mantendo o paciente em sociedade. Essa atividade
já é desempenhada pela Terapia Ocupacional e pela Musicoterapia,
complementada pela Psicologia Hospitalar e, em futuro, havendo organicamente um
Serviço de Capelania Hospitalar.
6.4. O título que usamos de Psiquiatria Coletiva, não foi para
distinguir de uma individual, mas para mostrar que a Doutrina compreende que o Espírito
encarnado tem um comportamento individual e um como membro de um todo (vide
item 6.2.). Ela também vê a sociedade, as
civilizações, enfim os grupamentos humanos, como um ser individualizado. Da LE 786 à LE
789, sob o título de Povos
Degenerados, é explicado que no Mundo Espiritual é planejado
desenvolver uma civilização em determinada região. A
princípio para ali, só reencarnam Espíritos
evoluídos que iniciam um núcleo civilizatório. Depois,
passam a reencarnar Espíritos comuns para se civilizarem. Mas com suas
imperfeições abusam do conhecimento material que adquirem e,
ainda envolvidos com as paixões humanas, passam a fazer mau uso do que
sabem e levam essa civilização à ruína. LE 786 “Pois bem! aprende que os
Espíritos que, encarnados, constituem o povo degenerado não
são os que o constituíam ao tempo do seu esplendor. Os de
então, tendo-se adiantado, passaram para habitações mais
perfeitas e progrediram, enquanto os outros, menos adiantados, tomaram o lugar
que ficara vago é que também, a seu turno, terão um dia
que deixar.” . LE 788 “Os
povos são individualidades coletivas que, como os indivíduos,
passam pela infância, pela idade da madureza e pela decrepitude.(...)?Os
povos que apenas vivem a vida do corpo, aqueles cuja grandeza unicamente
assenta na força e na extensão territorial, nascem, crescem
(grifos nossos) e morrem porque a força de um povo se exaure
(...) (grifo nosso). Mas, para os
povos, como para os indivíduos, há a vida da alma. Aqueles, cujas
leis se harmonizam com as leis eternas do Criador, viverão e
servirão de farol aos outros povos.” EE 24:4 “Dá-se com os homens (grifo nosso –
humanidade, coletividade humana), em
geral, o que se dá em particular com os indivíduos. As
gerações têm sua infância, sua juventude e sua
maturidade. Cada coisa tem de vir na época própria; a semente
lançada à terra, fora da estação, não
germina.” (grifo
nosso). Em LE 517 é afirmado que as famílias têm
Espíritos tutelares e LE 518 o diz para sociedades,
associações, clubes, corporações de ofício,
povos, cultura, profissões. Isso mostra os espíritos encarnados
têm uma individualidade e uma “coletividade”. Forçosamente
têm obrigações, compromissos com essa
“coletividade”. Por isso, o individualismo, predominante nas
concepções filosóficas do Século XIX,XX e no atual,
é pernicioso. O Espírito
encarnado é um ser cultural.
6.5. Se a Doutrina vê a coletividade como um indivíduo, essa
coletividade também pode adoecer. Na parte orgânica é
fácil reconhecer, pois temos as endemias, as epidemias e as pandemias.
Em relação à parte comportamental é que está
a dificuldade. Certos valores patológicos tomam conta da sociedade e as
pessoas, por um sofisma de tomar a totalidade como a verdade, julga que
aquela patologia é expressão de sanidade. É justamente
isso que vemos nas épocas de decadência de culturas,
civilizações, que deu origem ao tema Povos Degenerados (item 6.4.).
6.6. A Sociedade Ocidental, a partir do final do Século XVIII passou a
ter um grande desenvolvimento intelectual e material dando origem ao Iluminismo
que, confundindo as religiões retrógradas, que não queriam
acompanhar a Ciência, com o próprio Deus, acabou por se afastar
Desse, dando origem ao Materialismo. Por outro lado, paralelamente surge o
Movimento Romântico, que exalça a emoção e o
misticismo em detrimento da razão e de uma fé raciocinada. A
sociedade ocidental adoeceu e nós não o percebemos. Autores, como
Oswald Sprangler, descreveram a decadência dessa
civilização, com uma visão muito pessimista. Em parte eles
tinham razão. Os anos 60 do Século XX foram o princípio do
fim. O movimento dos hippies, o Psicodelismo, os movimentos de protesto, a
insubordinação nas ruas de Paris em maio de 1968, triunfo das
obras de autores como Sartre, Foucault, Deleuse , Derridá, Althusser,
Bourdier, recrudescimento do anarquismo de Gramsci, a antispsiquiatria, as orgias no Mosteiro de Sagrado
Coração de Maria na Califórnia, depois que Carl Rogers
aplicou seus métodos terapêuticos nas freiras (1966), o manifesto
de homossexuais em 28 de junho de 1969 nas ruas de Nova Iorque e o festival de
Woodstock (agosto de 1969), onde imperaram a orgia e o tóxico. A Criação
da Satan Church em 1966. Volta a cultos pagãos. A ordem, a hierarquia, o
trabalho, a obediência, tornaram-se coisas risíveis. O provo quer
liberdade sem responsabilidade, direitos sem deveres, igualdade sem hierarquia.
6.7. Nós médicos temos que tratar esse desvio comportamental da
Sociedade Moderna Ocidental que, infelizmente com a globalização,
tornou-se uma pandemia de patologia comportamental. Temos que voltar a certos
valores da ética religiosa, como exortação ao abandono das
paixões materiais e o cultivo das virtudes espirituais.
6.8. Inconsciente coletivo. O conceito de inconsciente coletivo foi
criado por Jung e compreendia “a
história racial do homem como espécie separada, assim como sua
ancestralidade pré-humana ou animal. As tendências herdadas do
inconsciente coletivo, denominou de arquétipo e as considerou como
determinantes da experiência mental que dispõe uma pessoa”.
Isso não deixa de ser uma forma de inatismo. A resposta a LE 72 A
é clara “(...) a
inteligência é uma faculdade própria de cada ser e
constitui a sua individualidade moral” e em LM 43 e 44, Kardec se
pronuncia contra a idéia de alma coletiva. O que parece uma
predisposição inata e inexorável como o inconsciente
coletivo, nada mais é que o somatório de experiências em
comum em diversas reencarnações. Isso, presenciamos entre os
encarnados. Rapazes que prestaram o Serviço Militar têm uma
nítida experiência em comum, diferindo dos que não
serviram. Isso não significa que as mentes deles nasceram com um
substrato irracional e comum a todos. Foi uma aquisição feita
pela experiência de vida, pelas vivências. Os Espíritos
têm essas vivências no curso de várias
reencarnações. Todos nós já passamos pelo
Paleolítico, pelo Neolítico, pastoreio, nomadismo, etc. Isso nos
fornece muita atitude comportamental semelhante. Além do mais, nosso
órgão de expressão é o cérebro, que tem as
mesmas micro e macro morfologias, portanto dele dependemos para desenvolvermos
nossas capacidades quando encarnados e não de uma entidade abstrata
coletiva.
CAPÍTULO VII
7. DOENÇAS CÓRTICO-FRONTAIS
7.1. Doenças córtico-frontais são os distúrbios
da bioeletrogênese dos neurônios do córtex da área
frontal. As conseqüências comportamentais
(exteriorização) dessas alterações eram chamadas de
“doenças mentais”.
Sempre, houve dúvidas sobre a relação corpo e mente. Por
isso os médicos antigos separavam as doenças em “orgânicas”, quando
encontravam um substrato anátomo-histológico ou
fisiológico; para as outras reservam o termo de “doenças mentais”, pois com
os parcos recursos científicos da época, a mente era uma
abstração, sem correspondência no corpo físico.
Havia suposições de relações com o cérebro e
o coração. Descartes criou a hipótese de que a alma se
relacionava com o corpo físico através da glândula pineal
(epífise).
7.2. Kardec aborda o assunto no LE da pergunta 371 á 378 com o
título em negrito “Idiotismo e loucura”. Devemos
lembrar que esse livro foi publicado em 1857, bem antes do médico
alemão, Emil Kraepelin, ter criado a nosologia psiquiátrica. Em
LE 372, é dito que esses distúrbios córtico-frontais
são Espíritos que em outras reencarnações fizeram
mau uso de suas funções córtico-frontais e, na presente
reencarnação, sofrem constrangimento, não podendo usar em
sua plenitude essas faculdades, a fim de resgatar o mal que fizeram,
repará-lo e valorizá-las para o bem.. Transcrevemos uma
citação do item XV da Introdução ao LE (p.41 da
70ª. Ed. FEB) “A loucura
tem como causa primária uma predisposição orgânica
do cérebro (...) (grifo nosso) e a sub- pergunta A da LE 372, com a resposta e o
comentário de Kardec, para mostrar que o Espiritismo nunca negou um
substrato orgânico para as ditas “doenças mentais”: LE 372 a) — Não há, pois, fundamento para dizer-se que os
órgãos nada influem sobre as faculdades? “Nunca dissemos que os órgãos
não têm influência. Têm-na muito grande sobre a
manifestação das faculdades, mas não são eles a
origem destas. Aqui está a diferença. Um músico excelente,
com um instrumento defeituoso, não dará a ouvir boa
música, o que não fará que deixe de ser bom
músico.” Importa se
distinga o estado normal do estado patológico. No primeiro, o moral vence os obstáculos que a
matéria lhe opõe. Há, porém, casos em que a
matéria oferece tal resistência que as manifestações
anímicas ficam obstadas ou desnaturadas, como nos de idiotismo e de
loucura. São casos patológicos e, não gozando nesse
estado a alma de toda a sua liberdade, a própria lei humana a isenta da
responsabilidade de seus atos (os grifos e negritos são nossos). Em LE 375, Kardec descreve o mecanismo
orgânico das “doenças
mentais”: “Encarnado,
porém, ele se encontra em condições muito diversas e na
contingência de só o fazer com o auxílio de
órgãos especiais. Altere-se uma parte ou o conjunto de tais
órgãos e eis que se lhe interrompem, no que destes dependam, a
ação ou as impressões. Se perde os olhos, fica cego; se o ouvido, toma-se surdo, etc. Imagina agora que seja o
órgão, que preside às manifestações da
inteligência, o atacado ou modificado, parcial ou inteiramente, e
fácil te será compreender que, só tendo o Espírito
a seu serviço órgãos incompletos ou alterados, uma
perturbação resultará de que ele,(...) mas cujo curso
não lhe está nas mãos deter.” É afirmado
claramente que as “doenças
mentais”, assim como as orgânicas, são resgates de
faltas cometidas em outras encarnações, mas há um
substrato no corpo físico, não descartando o tratamento delas
através da Físico-química. Em nenhum momento, Kardec
atribui a causa à ação de Espíritos obsessores,
como o Movimento Espírita Brasileiro o considera, por influência
de cultos africanos e indígenas, muitas vezes, afastando criminosamente
o paciente do tratamento médico. No Capítulo XXIII do LM, Kardec
fala que Espíritos, aguardando reencarnação, com os quais
adquirimos dívidas no passado e que ainda não nos perdoaram e
mantêm desejos de retaliação, perturbam a vida do
encarnado, mas não necessariamente levando-o a “loucura” (perda ou deturpação do contato com a realidade), mas
a conflitos emocionais e desajustes comportamentais. A
doutrinação desses Espíritos é importante, mas a
solução está na “reforma
íntima” do “obsidiado”,
pois se ele não estiver sintônico com o obsessor, este
ficará impotente para perturbá-lo. No QE pg 112 (41ª. Ed, FEB,1999)
há a citação “A loucura é, pois, um efeito
consecutivo, cuja causa primária
é uma predisposição orgânica (...) (negritos
nossos); p.113 (...) as causas mais
numerosas da excitação do cérebro, devemos contar as
decepções. Os desastres, as afeições contrariadas,
as quais são também as mais freqüentes causas de suicídio.”;.Outras
referências: EE 10:6. “Prática
do perdão”, EE 12:5. “Inimigos
desencarnados”, EE 28:81.84.
“Prece pelos obsidiados”, GE 45-49 “Obsessões e possessões”, GE 15:29.36. OP
p. 67-74; QE da p. 111 à p. 114 (Loucura,
suicídio e obsessão); RE FEV/MAR 1864 e RE ABR 1865, mas
sempre mostrando que o obsessor só perturba o obsidiado à medida
que ele estiver na mesma faixa vibratória. Em LE 146 A “Pode, todavia, dizer-se que a sede da alma se encontra especialmente
nos órgãos que servem para as manifestações
intelectuais e morais. (negritos nossos)” Kardec não deixa de reconhecer uma base
orgânica para o que hoje é ainda conhecido por “doença mental”.
7.3. As doenças cortico-frontais (loucura:
psicoses e casos graves de neuroses), as demências de modo geral e as
oligofrenias (idiotismo) estão
explicadas pela alteração do cérebro. O Espírito
que recebe um cérebro assim é porque em outras
reencarnações abusou das faculdades que a atividade
córtico-frontal lhe proporcionava. Mas, nós sofremos de
desajustes interpessoais, como as relações conflituosas entre
pais/filhos, marido/mulher, chefe/subalterno, etc., que não são
produto de alterações fisiológicas. Kardec não
aborda diretamente essa questão, mas indiretamente deixa
indícios.
7.4. Em LE 607 A “(...) o princípio inteligente
sofre uma transformação e se torna Espírito. Entra
então no período de humanização, começando a
ter consciência de seu futuro, capacidade de distinguir o bem do mal e a
responsabilidade dos seus atos.” LE 611 “Desde que o princípio inteligente atinge o grau
necessário para ser Espírito e entrar no período de
humanização. De animal só há no homem o corpo e as
paixões que nascem da influência do corpo e do instinto de
conservação inerente a matéria. Nós vemos que o
conceito de “individuação” (aquisição das características que distingue as
espécies de seu grupo) é a base da “humanização”. A paixões humanas nada mais são
que conseqüência dessa “individuação”. O egoísmo, o
egocentrismo, a inveja, o ciúme, o rancor, a vingança, a
intolerância, a falta de complacência, a soberbia, são
produto dessa individuação. O Espírito desprendido da
totalidade do Princípio Inteligente, vai aos poucos substituindo o
instinto de conservação e o de reprodução por essas paixões que a princípio
servem para ajudá-lo à
realização de grandes coisas (LE 907) (negritos nossos).
LE 191 A “Então, as paixões são um sinal de
desenvolvimento? DE desenvolvimento sim; de perfeição,
porém, não (negritos nossos). São sinal de atividade de consciência do eu, porquanto,
na alma primitiva, a inteligência e a vida se acham no estado de
gérmen.” O abuso delas é que prejudica a marcha
evolutiva do Espírito. Conforme a sucessão de
reencarnações e os cabedais cognitivos, afetivos, morais,
estéticos, que vão sendo acumulados, assim como desenvolvimento
da razão e do livre arbítrio, o Espírito já
não precisa mais do auxílio das paixões para evoluir.
Então, elas passam a ser um obstáculo a essa
evolução e a gerar os conflitos interpessoais acima. Sobre
“Paixão” vide LE
907 a 912; sobre “O egoísmo”,
que é base de todas as paixões, vide LE 913 à LE 917 e EE
11:11.12.; sobre “Caracteres do
homem de bem” LE 918; e “Conhecimento
de si mesmo” LE 919. Vide também LE 71, LE 72, LE
79, GE 11: 23. Os
desajustes interpessoais referidos no item 7.3. são decorrência do
descontrole dessas paixões. O tratamento seria uma
reeducação dos envolvidos. Isso teria que contar com o
desejo deles de se modificarem. As terapias baseadas na tabula rasa não resolveriam esse
problema, pois essas condições são inatas. Isso discutiremos
no Capítulo VIII.
7.5. Em GE 1:39 há
afirmação “O
perispírito representa importante papel no organismo e numa
multidão de afecções, quer ligam à fisiologia,
assim como a psicologia.” LM 54 “(...)
no conhecimento do perispírito está a chaves de inúmeros
problemas até hoje insolúveis”(CI p. 167; GE 14:18.; OP
p.45; OB p.181). Quando a Ciência estiver com mais progresso,
conseguirá estudar e conhecer melhor o que é o
perispírito. O Espiritismo o define como um corpo feito de
matéria sutil. Julgamos que havia falta de palavras para defini-lo com
precisão nos Século XIX. Como no nosso organismo tudo ocorre
através de reações biofísicas e bioquímicas
e estas sempre geram campos eletromagnéticos, julgamos que o
perispírito seja o somatório desses campos
eletromagnéticos e será a Mecânica
Ondulatória que, agindo nesses campos eletromagnéticos,
alterará as doenças fisiológicas e psiquiátricas,
curando-as. Os desajustes
interpessoais o serão com a modificação dos
espíritos envolvidos.
7.6. A Doutrina assevera que a reencarnação começa com a
concepção (LE 344 – União da alma ao corpo) esse se
conclui com ao nascer (LE 344), quando a criança emite o primeiro grito,
a primeira respiração (LM nº 284 nº 51 Nota, p.365; LE
344[primeiro grito]; LE 384 [primeiro choro]), permanecendo assim reencarnado o
Espírito até que chegue o momento de sua
desencarnação. O Cap. VII da Pt do LE fala do “Prelúdio da Volta”,
“União da Alma e do Corpo”
e “A Infância” ,
onde afirma que, a medida a gestação progride o Espírito
sofre perturbações (“troubles”, no original), a fim
de bloquear seu cabedal congnitivo, volitivo e afetivo, de modo a
deixá-lo suscetível a educação e a
evangelização dos adultos que têm permissão serem
seus guardiães na vida material (pais, tios, avós, educadores,
evangelizadores) (LE 339, LE 340 Nota, LE 351, LE 352, LE 380, LE 385, EE 8:4,
GE 11:20 (p. 215) e GE 14:44 (p. 304). Talvez isso tenha contribuído
para a formulação da teoria da “tabula rasa”. A
concepção das psicologias profundas, de que são os conflitos
de infância que gerarão os distúrbios
psicopatológicos na adultícia, não encontram
sustentação. Esses distúrbios são inatos do
paciente. Foi a falta de uma boa educação e uma boa
evangelização, que não implantaram no Espírito
princípios mais elevados. No EE 14:3, falando da “Piedade Filial”, a Doutrina
ensina que reencarnamos com os pais (constelação familiar) que
merecemos. Se uma criança reencarna com pai ou mãe castrativos,
sofre abuso sexual de alguma adulto convivente, é sinal que são esses
seus antigos companheiros de más condutas em reencarnações
passadas. Essas vivências cruéis não causam traumas, deixam
de atuar melhorando o Espírito. Não agem ativamente. Sua
ação é pela omissão. A terapia baseada no Espiritismo para resolver problemas interpessoais
não pode fundamentar-se em traumas de infância, mas na
ausência de educação e evangelização. Sobre
a formação da família ver as referências do item
4.3. desse livro.
CAPÍTULO VIII
8. DOENÇAS ORGÂNICAS
8.1.Definimos
como doenças orgânicas, aquelas que se expressam por
alterações da morfologia ou da fisiologia ou de ambas do corpo
físico em parte ou “in totum”. Temos que levar em
consideração duas coisas. Uma é o “Princípio Vital”, que
fornece a vida ao corpo físico independente ou não de haver
ligação com Espírito encarnado. A outra é o “perispírito” ao qual Kardec
afirma por várias vezes que o conhecimento dele será a chaves
para a solução de muitos problemas físicos e
psicológicos.
8.2. Princípio vital. Foi abordado no item 5.7. do nosso livro,
Análise Filosófica do
Espiritismo e item 1.4. desse
livro. O Cap .IV da 1ª. Pt do LE é dedicado a ele. O
importante é compreender que a
vida orgânica independente de haver Espírito reencarnado no corpo
físico em exame. O que produz
a vida orgânica é a presença desse Princípio Vital
no corpo físico. Em LE
63 “A vida é um
efeito devido à ação de um agente sobre a
matéria”. Observemos que a afirmação não
trata de haver Espírito encarnado. “Esse
agente” será explicado que é o “Princípio Vital”; LE 70
Nota “Os corpos orgânicos
(...) a atividade do fluido determina o fenômeno da vida. A
cessação dessa atividade causa a morte.” LE 136 A “Pode o corpo existir sem a
alma?(...)” A vida orgânica pode animar um corpo sem alma,
mas a alma não pode habitar um corpo privado de vida orgânica
(grifos nossos).” Deduzimos que a vida orgânica
não depende de haver Espírito encarnado no corpo físico,
depende apenas da presença do fluido vital. LE 140 A “A alma atua por intermédio dos
órgãos e os órgãos são animados pelo fluido
vital.” Há uma ênfase que a vida orgânica
não depende da presença de um Espírito encarnado no corpo
físico, como soe ser afirmado erroneamente no Movimento Espírita
Brasileiro. Depende única e exclusivamente do fluido vital. Desde
que se mantenha o corpo físico animado por esse fluido vital,
através de aparelhos e da bioquímica, podemos retirar
órgãos para transplantes, pois não estaremos provocando
desencarne de Espírito. LE 156 “O
corpo é a máquina que o coração põe em
movimento. Existe, enquanto o coração faz circular nas veias o
sangue, mas o que não necessita
de alma (grifo nosso)”. Vemos
que, o corpo mantido “vivo” artificialmente por aparelhos, pode
não ter mais ligação com algum Espírito nele esteve
encarnado. O transplante de seus órgãos para o corpo físico
de um ouro Espírito ainda encarnado não constitui
“eutanásia” como afirmam alguns próceres do Movimento
Espírita Brasileiro. LE 162 “Ela
(consciência, observação nossa), porém, cessa necessariamente com a vida orgânica do
cérebro (...)”. Outras citações: LE 63 A
vida é um efeito devido à ação de um agente sobre a
matéria.” LE 67 “Ela (vitalidade) não se desenvolve se não com
corpo.” LE 70 “Que
é feito da matéria de princípio vital dos seres
orgânicos, quando estes morrem? A matéria inerte se
decompõe e vai formar novos organismos. O princípio vital volta
à massa donde saiu.” Da LE 71 à LE 75 A trata da Inteligência e Instinto. A fonte
da inteligência não é o princípio vital, mas a inteligência
universal. O princípio vital rege os instintos, como os que há
nas plantas.
8.3. Pelas citações o Espiritismo é uma doutrina
vitalista. Portanto caberá aos biofísicos estudarem essa
força vital para controlá-la e usá-la nas
prevenções, diagnósticos, prognósticos e tratamento.
8.4. Perispírito. No nosso livro, Análise Filosófica do Espiritismo, abordamos este
tema no item 7.6. e item 1.3.. “O perispírito é uma
substância vaporosa e semi-material que envolve o espírito (LM
3) e que pode elevar-se e transportar-se
a onde esse queira (LE 93, LE 135 A).”
(...) “O perispírito é formado a partir do fluido universal
do globo aonde o espírito reencarna e variará conforme a constituição desse (LE
94). O perispírito se depura a medida
em que o espírito evolui na hierarquia espiritual (LM 55).” “ (...)O perispírito
é o laço que prende o
espírito ao corpo físico (LE 257). Serve para a
identificação dos espíritos desencarnados (LE 284). GE
2:23. “(...) serve de veículo ao pensamento, às
sensações e percepções do Espírito.”.
Propriedades: “O conhecimento integral de todas as propriedades
do perispírito resolverá muitos problemas de saúde: LM
54 “(...) no conhecimento do
perispírito está a chave de inúmeros problemas
até hoje insolúveis.”; GE 1:39. “O perispírito representa importantíssimo papel
no organismo e numa multidão de afecções, que se ligam à fisiologia e
também à psicologia.”; GE 1:40.“O estudo das propriedades do
perispírito (...) dá a chave de uma multidão de
fenômenos incompreendidos até então (...).”; GE 14:18. “(...) o perispírito
desempenha preponderante papel no organismo.”; CI 2a.Pt
1:2. p. 167 “O conhecimento do laço fluídico que une
a alma ao corpo é a chave desse e de muitos outros fenômenos.”; OP p. 45 “Quando as ciências médicas tiverem na devida
conta o elemento espiritual na economia do ser, terão dado grande passo
e horizonte inteiramente novos se lhes patentearão.”;
OB.p. 181 “Sua causa está inteiramente no perispírito
– princípio não só de todos os fenômenos
espíritas propriamente ditos, mas de uma porção de
efeitos morais, fisiológicos e patológicos (...), cuja
descoberta, (...), abrirá horizontes novos à ciência (...).
(...), o perispírito representa importante papel em todos os
fenômenos da vida.”
(grifos nossos). O perispírito é outro elemento de cujo
conhecimento a medicina se beneficiará muito nos diagnósticos,
prognósticos e tratamentos de doenças orgânicas e
córtico-frontais. E também caberá aos biofísicos
desbravarem esse campo. As definições dadas ao perispírito
estavam limitadas aos conhecimentos da época (1857-1869). Como sabemos
que tudo no organismo ocorre através de reações
bioquímicas, com polarização e repolarização
de membranas celulares, criando campos eletromagnéticos, julgamos que o
“perispírito” nada mais é do que um somatório
de campos eletro-magnéticos, formando um grande campo.
8.5. A chave da Medicina está
na Biofísica que
estudará o “princípio vital” (energia) e o
“perispírito” (somatório de campos
eletro-magnéticos). O
futuro da Medicina está na Mecânica Ondulatória.
É isso que um médico com uma real orientação
espírita deveria fazer e não como vemos limitarem-se a
passes, sessões de desobsessões, auto-cura, cirurgias espirituais.
Estão degradando o Espiritismo para o curandeirismo místico.
8.6. Os ferimentos de guerra mostraram ao homem que os resíduos
alimentares permaneciam no “bucho ou papo” (estômago), mas
logo que passavam para as “tripas” (intestinos) tomavam a forma de uma massa branca . No
final das “tripas” (cólon) viravam fezes com cor pardacenta
e com odor característico. Os diversos líquidos que
bebíamos, desde a água incolor, ao chá preto, verde ou
vermelho, vinho vermelho, sucos de diferentes cores, transformavam-se em urina
amarela. O homem também constatava que coisa semelhante ocorria com os
animais abatidos para a alimentação. Isso levou a idéia de
que deveria existir um princípio, uma força, uma energia vital
distinta ao mesmo tempo da alma e do organismo e da qual dependeriam todas as
ações orgânicas. Essas teorias foram chamadas de
“vitalismo”. Com o desenvolvimento da bioquímica e da
biofísica, essas reações passaram a serem explicadas e
compreendidas, destruindo a crença no vitalismo. Quando Kardec
começou codificar a Doutrina dos Espíritos, foi informado da
veracidade do vitalismo, mas talvez por influência do
“espírito da época” não deu tanto valor ao
vitalismo, atribuindo somente ao perispírito a
explicação de muitos fenômenos vitais e psíquicos.
Aparecem, de vez por outra, filósofos que retomam o vitalismo, como
é o caso de Henry Louis Bergson (1859 – 1941). Repetimos mais uma
vez que caberá à Biofísica o papel preponderante na
reabilitação do estudo dessa força vital
responsável pela vida orgânica, independente da
encarnação de um Espírito. Agora dessa vez sem o
misticismo dos religiosos e as galimatias dos filósofos.
CAPÍTULO IX
9. TERAPIA BASEADA NO ESPIRITISMO.
9.1. Allan Kardec sempre prestigiou a
Ciência e nunca se voltou contra ela. O último livro que
escreveu em vida, A Gênese, é uma comparação entre
os ensinamentos do Espiritismo e o que havia de mais moderno na Ciência
da época. Muita coisa pode estar em desacordo com os conceitos da
Ciência moderna, mas esse livro é uma prova do respeito que ele
tinha pela Ciência e o prestígio que lhe dispensava. Chegou a
afirmar se Ciência viesse a contradizer alguma coisa afirmada na
Codificação, essa assertiva deveria ser abandonada e adotada o
que a Ciência provava (GE 1:55). E
era a Ciência ocidental! Kardec nunca prestigiou o misticismo
oriental. É insana a atitude que muitos profitentes do Movimento
Espírita Brasileiro tomam ao escarnecer a Ciência Ocidental e
procuram sincretismos com o misticismo oriental (é o caso dos seguidores
do suposto espírito denominado de Ramatis), magias, curandeirismo e
sortilégios.
9.2. Como vimos no Cap. VIII deste livro, a grande chave está no
conhecimento do “Princípio Vital”
e no “perispírito”.
A especialidade médica que melhor poderá estudar essas duas
forças será a “Biofísica”.
Conhecendo o que elas são, como agem, poderemos elaborar
diagnósticos, prognósticos e tratamentos, tanto para as
doenças do corpo físico como para as córtico-frontais. Com
os conhecimentos científicos que temos no momento não podemos
vaticinar como isso ocorrerá. Só podemos afirmar que
curandeirismo, milagres, auto-ajuda, estarão desalojados da área
médica.
9.3. No item 7.3 abordamos os conflitos interpessoais e afirmamos que Kardec
não deixou explícito como abordá-los, mas citou-os como
causa: QE p.113 (41ª. Ed., FEB, 1999) “Entre
as causas mais numerosas de excitação cerebral (ele fala em excitação
cerebral e não em loucura),
devemos contar as decepções, os desastre, as
afeições contrariadas,(conflitos interpessoais) as quais são também as mais
freqüentes causas de suicídio (grifos nossos).”. No item 7.4., explicamos que
esses conflitos surgem porque ainda guardamos certas paixões, como
ódio, rancor, vingança, inveja, ciúme, falta de
indulgência, etc., que criam esses atritos interpessoais. A base deles
todos é o egoísmo, que é fruto da
“individuação” do “Princípio
Inteligente”, que devemos perder gradativamente à medida que
evoluirmos na escala espiritual. O
grande desafio será encontrar um método terapêutico que
modifique essas paixões. No presente momento, acho que somos
incapazes, pois, os terapeutas de modo geral ainda as possuem. Futuramente,
talvez. O ponto de vista empiricista que segue a “tabula rasa”,
não tem respaldo doutrinário. Reencarnamos no lar, na
família e na cultura que merecemos (EE 14:3). Os conflitos passados
na infância, em vez de serem causa dos transtornos comportamentais da
adultícia, são“finalidades
a cumprir”, resgates de dívidas passadas. Se esses
conflitos “deixaram
seqüelas”, como algumas escolas ainda pregam, é porque o
Espírito não resgatou seus débitos plenamente: rancor,
mágoa, vingança, ainda permeiam sua atividade
córtico-frontal, adiando para o futuro o pleno resgate das faltas
pretéritas. Para exemplificar:
uma criança criada por pais
“castrativos” poderá ter inibições nos
relacionamentos interpessoais. As terapias atuais trabalham com a
hipótese de que esses conflitos infantis ficaram no inconsciente, mas
produzindo seus frutos mais tarde (adolescência, adultícia).
Segundo o Espiritismo, o Espírito que reencarnou entre pais
“castrativos” é porque os merecia. Foram rivais em
reencarnações passadas e reencarnaram agora juntos para a
conciliação ou esse Espírito pode ser autoritário e
precisa conviver com pessoas autoritárias, para sentir o efeito danoso
que tal comportamento produz nos outros. O que a Psiquiatria atual chama de
“castrativo”, “castrador” são os qualificativos
para pessoas autoritárias. Assim, um Espírito autoritário,
passando uma infância entre pais autoritários, ele irá
sentir-se mais humilhado que um Espírito humilde e não
autoritário. Ele, a todo momento, que sofrer uma admoestação
severa dos pais autoritários, sentir-se-á mais humilhado, mais
rebaixado em concernência ao que outro Espírito humilde vivencia.
As paixões que ainda alimenta, como orgulho, rancor, o
dificultarão perdoar as sofridas “humilhações”
que vivenciou. A resposta a LE 917, afirma que o “egoísmo é a fonte de todos
os vícios.” Deixa a entender será modificando a maneira da ver o Mundo, uma nova
expectativa de vida que o curará
e que isso está enraizado
na matéria devido ainda à preservação do instinto
de conservação do corpo e da espécie. À medida que
evolua, compreenderá que essa manutenção possa ser feita
por causas racionais e não por resquícios de instinto. O
egoísmo irá se declinando até a profligação
completa. Somente a educação
é capaz de fazê-lo. No EE 5:14 – 17, ele deixa indícios de que seria preventivamente por uma boa educação e
evangelização e curativamente pela crença que nada
termina com a morte. A vida prossegue. Os sofrimentos na vida encarnada
são resgates libertadores e a crença em um futuro sempre
melhor dará sempre uma razão para viver. Será a certeza do cumprimento de uma finalidade, que
libertará o Ser Humano de suas mazelas. A terapia baseada no Espiritismo terá quer ser (1) explicativa, explicando
essa situação existencial
(cármica), (2) exortativa,
estimulando o Espírito a vencer o
orgulho e o rancor e (3) preventiva
através da educação
e evangelização. Confessamos que não sabemos
que metodologia usaríamos para isso. O que conhecemos de Ciência
no momento tem muita influência do Mecanicismo. Esse tipo de terapia
não é de maneira nenhuma compatível com ele. Talvez, no
futuro, se todo as pessoas de Ciência tiverem uma visão espiritual
da vida, possa surgir uma metodologia para esse tipo de tratamento. Mas, também
não será com o sincretismo místico e psicodélico da
Psicologia Transpessoal que resolveremos esses conflitos interpessoais.
9.5.
O Cap. VII da 3ª. PT do LE (Da volta
do espírito a vida corporal) assevera que a
reencarnação ocorre dentro de um período, que
começa com a concepção (conceito da época) e se
conclui com a primeira inspiração que a criança faz ao
nascer. Por várias vezes é dito que o embrião (depois o
feto) começa a sofrer perturbações que vão se
acentuando até o término da gravidez. Isso tem a finalidade de
bloquear os patrimônios cognitivo, afetivo, volitivo, ético,
estético, que o Espírito já tenha de outras
reencarnações, a fim de torná-lo suscetível a uma
boa educação e evangelização. Essa boa
educação e evangelização o Espírito terá
conforme merecer. Uma vez, que reencarna entre Espíritos afins, com os
quais em vez de afeições, tenha débitos e mesmo
ódio, ele passará por
um corolário de reencarnações com infâncias
difíceis, aparentemente inúteis ou até perniciosas. Mas no
embate das paixões com seus afins, é que os Espíritos
vão se burilando, até um dia chegar à
perfeição, libertando-se do ciclo das reencarnações
no mundo físico. As escolas que deram tanto valor aos conflitos de
infância detectaram o problema, mas por influência do pensamento
mecanicista, não chegaram à causa ou melhor à finalidade.
Paciência. Isso é uma questão de tempo. A Ciência
chegará à solução e descobrirá um meio de
controlar, diminuir ou mesmo abolir as paixões humanas.
9.6. Obsessão. Entre o mundo encarnado e o desencarnado
há um intercâmbio de idéias e afeições.
Nós encarnados atraímos os Espíritos que nos são
simpáticos e repelimos os que nos são antipáticos pelo
pela nossa vibração afetivo-instintiva. Estamos sempre rodeados
de Espíritos influenciando nossa vida. Essa influência pode ser
boa ou má, conforme a atração que exercemos. O mesmo
ocorre com os encarnados. O ditado que diz
: “diga-me com quem andas que eu te
direi quem és” encerra essa verdade. A má
influência que recebemos de um Espírito desencarnado, foi chamada
de obsessão; o Espírito desencarnado de obsessor e
o encarnado de obsidiado. Na realidade a relação
obsessor/obsidiado é uma simbiose de afetos e pensamentos. É uma
situação bilateral. Mas, a tendência é considerar o
obsessor o algoz e o obsidiado a vítima. Kardec trata do tema nos
seguintes trechos: LE 459 a LE 472 “Influência oculta dos
espíritos em nossos pensamentos e atos”; LE 473 a LE 480 “Possessos”; LE 481 a LE 483
“Convulsionários”;
LE 484 a LE 488 “Afeições
que os Espíritos votam a certas pessoas”; LE 489 a LE 521 “Anjos da guarda. Espíritos
protetores, familiares ou simpáticos; LM 2ª. Pt, Cap. XXIII “Da obsessão”; EE
10:5.6. “Reconciliação
com os adversários”; EE 12:5.6. “Os inimigos desencarnados”; EE 28:81.82.83. “Prece pelos obsidiados”; EE
28:84. “Prece pelo obsessor”;
GE 14:45-49. “Obsessões e
possessões”; GE 15:29-36 “Possessos”;
OP § 7 do Cap. 2 da 1ª. (p. 67-74 da 22 Ed FEB 1987) “D obsessão e da
possessão”; RE FEV/MAR 1864 e ABRIL/1885; QE da p. 111 à 114.
9.7. Não existe terapia espírita baseada no “afastamento
do obsessor”. Isso é sincretismo com cultos fetichistas. A terapia
espírita consiste na educação moral de ambos, ou pelo
menos do encarnado, quando ambas não forem possíveis.
9.8. Terapias de vidas passadas. Isso é incompatível com
o Espiritismo. È uma influência das doutrinas psicológicas
que adotam o inconsciente dinâmico: uma instância irracional a
comandar a conduta humana. Elas afirmam que os traumas vividos na
infância e não resolvidos atuam na vida adulta, o que os
espíritas incompetentes confundem com carma. Se o paciente
vivenciá-los durante as sessões de terapia, a libido que os
mantinha no inconsciente é liberada e o sintoma mórbido
desaparece. Alguns próceres do Movimenta Espírita Brasileiro, na
ânsia de provar que o Espiritismo é científico, incorporaram
essa suposição na Doutrina. Acham
que se o paciente se lembrar dos atos errados que praticou em
reencarnações passadas, o sintoma mórbido da presente
desaparecerá. Certa vez, um espírita místico
contou-nos que conhecia um rapaz que tinha fobia de água e que, passando
por uma regressão, vivenciou que na última
reencarnação morrera afogado. Esse raciocínio está
totalmente contrário à Doutrina. Se ele teve uma morte violenta,
sofrida, deveria estar resgatando uma falta. Se o fez, esse resgate foi a solução
de um débito e não a criação de um “trauma
cármico”. Além do mais, Kardec frisa com veemência a
necessidade do esquecimento do passado. Kardec adverte sobre o perigo de tentar
recordar o passado cármico e expõe as razões para esse
esquecimento do passado: LE 392 à LE 399; EE 5:11. e QE da p. 114
à p 117 (41ª. Ed, FEB, 1999).
9.9
No item 9.3. afirmamos que O grande
desafio será encontrar um método terapêutico que modifique
essas paixões. Embora não nos julguemos apto a apresentar a
solução, queremos prestar alguma diretriz. Recordemos alguns
conceitos da cadeira de Patologia Geral do Curso Médico. As
doenças possuem vários tipos de fatores, alguns podendo ser
conhecidos e outros não. Fator
etiológico: é o que causa a doença; o tifo é
causado pela Salmonella, a tuberculose pelo bacilo de Koch. Fator desencadeante: uma grande
tensão provoca as glândulas supra-renais a produzirem adrenalina e
corticóides; esses diminuem a atividade do sistema imunológico,
desguarnecendo o organismo da invasão de agentes etiológicos de
doenças; assim, após um grande desgosto, o sistema
imunológico diminui sua atividade e o Bacilo de Korch que estava
latente, encontra facilidade para entrar em atividade. O desgosto foi um fator
desencadeante, mas não etiológico. Fator predisponente: São os antecedentes familiares, as
predisposições genéticas descobertas recentemente, o
conceito de miasma da homeopatia,
fatores ambientais como a má alimentação, local de
trabalho ou de residência sem condições higiênicas
adequadas. Um portador de miasma
tuberculínico ou morador de favela ou de rua ou submetido a trabalho
árduo, sem as devidas proteções higiênicas,
estará mais propenso a adquirir a tuberculose que os outros; as
verminoses são mais freqüentes entre pessoas que vivem em
péssimas condições de higiene. A falta de higiene é
um fator predisponente às doenças infecto-parasitárias. Fatores agravantes: são
semelhantes aos predisponentes; são condições
sócio-econômicas ou emocionais que aparecem no transcurso de uma
doença, agravando-lhe os sintomas ou dificultando a cura; um tuberculoso
que perde tragicamente um ser querido; isso pode agravar-lhe o morbo já
existente. Fatores atenuantes:
são semelhantes aos agravantes, só que agindo de maneira inversa;
um tuberculoso que recebe a notícia do nascimento de um filho sadio, uma
promoção no emprego. Terá seu estado de saúde
melhorado. Como o Espiritismo é uma doutrina determinista finalista, a missão do terapeuta será
ajudá-lo a entender a finalidade da expiação, mudando-lhe
o modo de ver o mundo. Com isso, os fatores intervenientes negativos se
abrandarão ou extinguirão e o positivo se exaltará,
ajudando a cura. A estimulação da fé raciocinada no
futuro e da resignação, também são
outros fatores a serem usados. Exortar o paciente a vencer ou diminuir as
paixões, como vingança, inveja, ciúme, rancor, etc.
Analisemos pela fisiologia. Essas paixões despertam sentimentos
agressivos preparando-nos para a luta – a Síndrome Geral de
Adaptação de Hans Seyle. O vingativo, o rancoroso, o invejoso, o
ciumento está em constante “alerta”, em constante
“estado de luta”. Suas supra-renais produzem maior quantidade de
adrenalina e corticóides, favorecendo crises hipertensivas e baixa da
imunidade. Um “evangelização”, uma
“exortação moral” também fará parte
desta terapia. O Médico, por sua vez, tem que convencer-se que
está em missão quase sacerdotal, portanto, antes de pregar, deve
praticar o objeto de sua pregação.
CAPÍTULO X
10. REENCARNAÇÃO.
10.1. A admissão da reencarnação como realidade, muda o
modo de ver o mundo, a cosmovisão (Weltanschaung). Forçosamente,
isso afetará muitos valores da atual Medicina, pois ampliará o
conceito de vida. O indivíduo não é mais uma “tabula
rasa”. Traz todo um cabedal de experiências afetivas, cognitivas,
estéticas, éticas. Já passou por vários grupos
étnicos-culturais, tendo uma bagagem que afeta sua vida ou com resgates
ou com premiações. Amplia a visão para o futuro. A
doença presente, sendo um resgate, está tendo a finalidade
de preparar o Espírito para a perfeição e um dia deixar o
ciclo de reencarnações no mundo físico.
10.2. Com essa
mudança de visão não só do médico, mas dos
outros profissionais de saúde, do próprio doente e de sua
família, a doença deixará de ser vista como uma coisa
ruim. Será vista como uma lição, um resgate. Isso
facilitará a resignação, trará esperança,
pois estará agregada a ela a certeza de um futuro promissor, resultando
em serenidade diante do infortúnio. Isso não
sobrecarregará a supra-renal na segregação de adrenalina e
corticóides, para enfrentar a angústia do inconformismo, o medo
do futuro.
10.3. Em EE 3: (Há muitas moradas na casa de meu Pai), há
asserção de essas “muitas moradas” aos outros
orbes onde reencarnam Espíritos. Didaticamente, esses mundos foram
divididos em cinco categorias. A primeira categoria é dos mundos
primitivos, onde não há distinção entre mal
e bem: é onde reencarnam os hominídeos e as formas mais
primitivas de Seres humanos (Homo habilis, ergaster e erectus) e os
Espíritos que estão iniciando a Pedra Lascada (Homo sapiens do
Paleolítico). A segunda é dos mundos de provas e
expiações, onde há distinção entre
mal e bem (noção de ética), mas o mal predomina
sobre o bem; nesses mundos reencarnam os Espíritos que já
estão nos estágios secundário da Pedra Lascada, passa pela
polida, pela Antiguidade, chegando a era atômica, das
telecomunicações, das viagens espaciais, da robótica, da
informática e da engenharia genética; quando sua humanidade
paleolítica está preparada para tornar-se neolítica,
Espíritos que reencarnavam em mundos dessa categoria e que foram
promovido à de Regeneração, vão exilados para os de
provas e expiações, por
apresentarem as paixões inferiores e recapitularem as
lições de moral que não aprenderam e adiantar
materialmente os anfitriões do exílio; observemos que a Terra
até 8 mil anos aC saía da última Era Glacial e de imediato
entrou no Neolítico; os humanos descobriram os metais, a
navegação a vela, a roda, domesticação de animais.
Em 2 mil anos ad Dominus, atingiram a tecnologia acima mencionada. A terceira
é a dos Mundos de Regeneração; o mal é
igual ao bem; os Espíritos que aí reencarnam já
compreendem que possuem defeitos morais e se esforçam por se libertarem
deles; os resgates já são mais brandos e toda a humanidade tem
consciência de que é constituídas por Espíritos
reencarnados, que a passagem pela Terra é apenas uma fase da verdadeira
vida e o apego às coisas materiais aos poucos diminui. A quarta
é a dos Mundos Felizes, onde o bem predomina sobre o mal;
os resgates são mínimos. A quinta é a dos Mundos
Celestiais, onde só há o bem; os Espíritos ai reencarnantes
já não têm mais resgates. Após esses períodos
o Espírito evolui sem precisar reencarnar em mundo físico. No LE
234, LE 235 e LE236, há a descrição dos Mundos
transitórios que são orbes fisicamente estéreis, mas
que servem de bivaque para os Espíritos desencarnados em trânsito.
10.4. EE 4 (Ninguém
poderá ver o reino de Deus se não nascer de novo). Os
Espíritos mostram a Kardec a necessidade de os Espíritos
reencarnarem no mundo físico. O Espírito é ai
individualização do Princípio Inteligente, então
só reencarna na forma humana. Os vegetais e animais são animados
pelo Princípio Inteligente. Os Seres humanos pelos Espíritos.
Essa transformação é gradativa. Os Espíritos ainda
guardam resquício da bestialidade instintiva que dá origem a
nossas paixões. Reencarnado no mundo físico, entre antigos
rivais, vamos burilando nossa afetividade e abandonando as paixões. Isso
é que consiste a necessidade da reencarnação no mundo
físico para um dia enxergarmos o Reino de Deus. Em EE 7 (Bem-aventurados
os pobres de espírito), é explicado que Cristo chama de
“pobre de espíritos” os humildes, aqueles espíritos
que não mais se ensoberbecem com as coisas mundanas, recebendo assim a
bem-aventurança. Em EE 8 (Bem-aventurados os que têm puro o
coração), são aqueles que não têm mais
malícia, inclusive os compara com as “criancinhas” que para
a sociedade da época era símbolo de pureza, de inocência.Em
EE 10 (Bem-aventurados os Misericordiosos) há explicação
de que misericórdia é a compaixão que temos com o
próximo que sofre. Já não ficamos indiferentes, como se o
problema não fosse nosso e nem nos regozijamos com tal
(vingança); temos tolerância com os defeitos alheios e até
mesmos sentimos pesar por sabermos que o irmão está adquirindo
débitos para resgates futuros.
CAPÍTULO XI
11. Espiritismo como Ciência.
11.1.
Kardec por, várias vezes, assevera que o Espiritismo é uma
Filosofia e uma Ciência (LE Conclusão nº VII, p. 486; LM 13,
p.29; QE Introdução, p.50 [Podemos
defini-lo assim: O Espiritismo é uma ciência que trata da
natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas
relações com o mundo corporal] ). Nunca afirma
peremptoriamente ser uma religião. Poderá ter
conseqüências religiosas, isto é, influir futuramente no
pensamento religioso.
11.2.
O aspecto filosófico dessa Doutrina, foi exposto em nosso livro,
“Aspectos Filosóficos do
Espiritismo”, que se encontra nesta página eletrônica.
11.3.
Kardec, influenciado pelo Mecanicismo de sua época, considerou o
Espiritismo como uma ciência experimental. As manifestações
das “mesas girantes” despertavam a curiosidade fútil da
sociedade. Kardec, após algumas observações, deduziu que
aquelas experiências poderiam ser repetidas sem finalidade lúdica.
Reservadamente, em casa de amigos, passou a “repetir as
experiências” seguindo os postulados mecanicistas. Aos poucos foi
obtendo revelações sobre a vida espiritual e as codificando no Livro dos Espíritos, em 1857. As
“mesas girantes” nada mais eram que a atuação dos
Espíritos sobre objetos, a fim de chamar a atenção dos
Espíritos encarnados para as revelações que precisavam ser
feitas. Por isso, que Kardec, seguindo o modelo mecanicista, conseguiu que os
Espíritos voltassem às comunicações, pois estavam
à disposição para essa revelação. Kardec,
depois, asseverará que esse “paradigma” mecanicista
não poderá ser aplicado para o intercâmbio entre o Mundo
Encarnado e o Mundo Desencarnado. Será o “paradigma” das
Ciências Sociais e Humanas, que servirá. Sendo os Espíritos
desencarnados seres dotados de afetividade, cognição,
volição, estética, ética e compromissos no Mundo
Espiritual, o estudo de sua relação com os desencarnados
é através de provas indiciárias e conclusões por
inferência. Evidentemente, Kardec não usa uma linguagem assim
tão clara, pois esses conceitos ainda não eram bem conhecidos em
sua época, mas podemos deduzi-lo por seus comentários.
11.4.
Até Comte, deixando-se levar pelo ideário mecanicista da
época, enganou-se quando escreveu seu livro “Física Social” para criar a Sociologia que não
se coaduna com o “paradigma” mecanicista. A disputa entre
racionalismo e Empiricismo dos Séculos XVI e XVII, resultou no
predomínio do último, principalmente, quando Kant, em seu livro
“Crítica da Razão
Pura”, duvidou de só a razão para chegarmos a verdade.
O “paradigma” mecanicista baseia-se no método puramente
empírico: observação,
hipótese, experimentação e conclusão. Esse
método não é aplicável rigorosamente em
ciências sócio-humanas como Psicologia, Antropologia, Sociologia,
Pedagogia, etc. Além de ferir a
ética, não podemos colocar um Ser Humano ou um povo em
laboratório para experiências. O observador morreria e deixaria
para seus pósteros concluir o resultado de suas
observações. Essas Ciências têm que colher seus dados
de indícios ou de amostragens.
É na escolha desses que está o busílis. Uma amostragem
mal feita produzirá uma inferência errada ou bastante imprecisa.
11.5.
Para isso Kardec estabelece o critério para considerarmos
provável uma revelação espírita. Na
Introdução do Evangelho Segundo o Espiritismo, item II,
título Autoridade da Doutrina Espírita,
subtítulo em negrito Controle
Universal do Ensino dos Espíritos, expõe quatro
critérios. O primeiro é a espontaneidade; a
informação não pode ser resposta de uma
evocação. O segundo é a razão:
qualquer informação tem que passar pela análise de seu conteúdo
para verificarmos a probabilidade de ser uma verdade ou falsidade. O terceiro
é concordância ideológica: várias mensagens,
recebidas em diferentes lugares têm que concordar materialmente,
podendo haver pequenas nuances na forma. O quarto é espontaneidade:
as mensagens devem aparecer espontaneamente e não por
evocação. O quinto é simultaneidade: elas
devem aparecer ao mesmo tempo. O quinto é dispersão
espacial: a mensagem tem que aparecer em vários lugares diferentes,
sem comunicação entre si. O Movimento Espírita Brasileiro
(MEB) não respeita esses critérios e é por isso que ele
vem se afastando gradativamente da codificação de Kardec. A
Federação Espírita Brasileira (FEB) adota as sandices
propaladas por Jean Baptiste Roustaing e depois por Pietro Ubaldi. Edgar Armond
infestou a Federação Espírita do Estado de São
Paulo (FEESP) com seu misticismo teosófico. As obras ditas psicografadas
por Francisco Cândido Xavier são tomadas como dogmas de fé.
Um único médium, em um único lugar, é considerado
como fonte da Verdade incontestável. Sua obra O consolador foi elabora por evocações sobre assuntos
julgados duvidosos: assim é introduzido no MEB o vegetarianismo, a
idéia de alma gêmea. Numa comunicação que recebe de
Emmanuel, é dito que o Esperanto é uma língua criada no
mundo espiritual. Seu criador, Lázaro Zamenhof, apenas um mensageiro.
Isso foi o suficiente para o Esperanto tornar-se uma língua sagrada para
o MEB. Divaldo Pereira Franco, com sua Joana de Angelis, enxerta no Espiritismo
idéias absurdas, que se tornam incontestáveis. Ivone Pereira,
outra médium que se torna um ícone. Além desses três
principais, atualmente há uma pletora de médiuns que
“revelam” as mais estapafúrdias idéias, mas a
razão não é acionada para examiná-las. A doutrina
“revelada” por Ramatis, através de um único
médium com passado místico e ligações com Edgard
Armond, é seguida por seus sequazes fanaticamente. Outro místico
é o jesuíta renegado e suarista Umberto Rodhen.
Lamentável: O MEB não conduz o Espiritismo cientificamente, mas
misticamente.
11.6.
A ênfase que a Ciência deu à metodologia empiricista,
resultando no Mecanicismo, teve uma causa política-econômica.
Durante a Antiguidade, passando pela a Idade Média e terminado no
período Barroco, o ideário social atribuía origem divina a
imperadores, reis, faraós, nobres, enfim, qualquer mandatário.
Isso colidia com o desejo de ascensão econômica e política
da burguesia formada por comerciantes e artesãos. O Racionalismo admitia
o inatismo. O Empiricismo admitia a “tabula rasa” - todos os homens
nasciam iguais com as mesmas possibilidades e probabilidades. Isso derrubava a
tese do “direito divino”. A “tabula rasa” passou a ser
um mito filosófico e científico, por necessidade
político-econômica. Com o desaparecimento das monarquias absolutistas,em
sua maioria adotando a social-democracia, o “fantasma” do
“direito divino” foi exorcizado e gradativamente o inatismo vem
sendo aceito. A idéia absoluta de “tabula rasa” é
gradativamente abandonada. Esse declínio favorece a
aceitação do paradigma de provas indiciárias com
conclusões por inferências. Quando o Espiritismo sair da
nefasta influência do MEB e puder ser estudado cientificamente, esse
paradigma deverá ser adotado. Somente assim a Ciência, como a
Humanidade, poderão usufruir as revelações
espíritas. A Doutrina será escoimada da ganga que o MEB lhe
acrescentou, mormente o aspecto confessional.
CAPÍTULO XII
12. Tecnologia, tecnocracia,
tecnolatria.
12.1. Atualmente, encontramos críticas a vários setores do
relacionamento humano em que o usuário é tratado com desumanidade
Evidentemente, que isso não pode ser a realidade absoluta, mas
também não somos hipócrita de não admitir que,
não a maioria, mas uma grande parte proceda assim.
12.2. Em nossa opinião isso é reflexo do “tecnocentrismo”
ou “tecnocracia”,. quiçá até mesmo de uma
“tecnolatria”, que dominou todo o Século XX, mormente
após a II.G. Mundial. Todas as profissões passam pelo mesmo
drama. Citarei apenas dois exemplos. Os supermercados substituíram as
antigas “vendas” ou “armazéns”, onde o
freguês conversava com o vendedor além do simples comprar e
vender. Hoje, nos supermercados encontramos as “gôndolas”
cheias de artigos, que escolhemos “livremente”, pomos no carrinho e
entramos nas enormes “filas do caixa”. A funcionária, sem
dizer uma palavra, faz a leitura das barras eletrônicas, distribui as
sacolas de plástico, o preço total aparece na tela, pagamos com o
cartão magnético, não há troco. Os bancos, pouco a
pouco, substituem os funcionários por máquinas. Realizamos pagamentos
por telefone ou pelo computador.
12.3. Vários fatores concorreram para isso. Um foi a mudança da
ideologia; o outro o aparecimento da máquina. Desde a Pedra Lascada,
passando pelas Civilizações Antigas, até a Idade
Média, o Ser Humano vivia sob o teocentrismo ou teocracia.
Deus era o centro de tudo. As coisas eram feitas para agradar aos deuses ou a
Deus. No Renascimento, o Ser Humano passou a “olhar para seu
próprio umbigo”. As coisas passaram a ser feitas para agradar
ao Homem, é o antropocentrismo ou “antropocracia”
(Humanismo antropocêntrico) ou mesmo “antropolatria” .
Embora, as dinastias ainda se julgassem de direito divino, as
idéias democráticas foram, aos poucos, abolindo esse conceito.
Lembremos que o antropocentrismo é um fenômeno tipicamente
europeu. As Civilizações Orientais continuaram místicas
até serem engolfadas pela influência européia. No Século
XIX, as máquinas passaram a substituir o trabalho humano e o do animal.
A locomotiva era mais possante que vários cavalos. O navio a vapor navegava
contra o vento. O Homem passou a dominar até os fenômenos
naturais. O telégrafo levava pelos fios, mensagens que antes tomariam
dias em lombo de animais ou em navio à vela para chegar ao destino.
12.4. A partir da segunda metade do
Século XX atingimos o esplendor com a robótica,
informática, navegação espacial, engenharia
genética, “bebê de proveta”, transplante de
órgãos. Hoje uma pá mecânica faz em alguns minutos o
trabalho que vários homens faziam em horas. A navegação
marítima era feita pela geometria curva, hoje o computador traça
a rota do navio. Um tiro de artilharia dependia da capacidade do oficial
artilheiro. Hoje, o computador fornece-lhe todos os cálculos e as bombas
inteligentes, guiadas por vários sensores persegue o alvo. A aparelhagem
de CTI (ou UTI) tem vários sensores de alarme que diminuem em muito o
valor da enfermagem e do médico.
12.5. Já ouvi, em uma palestra, um especialista em robótica
sobre navegação aérea afirmar que em breve os
aviões dispensariam o piloto. Já ouvi de uma pessoa o
escárnio de que o médico não precisaria mais fazer
anamnese do paciente, bastaria pedir todos os exames de sangue, fezes, urina,
tomografia computadorizada, ressonância, ultrassonografia, todos os
“Doppler” possíveis, e ele teria o diagnóstico do paciente.
12.6. Esses fatos são verdadeiros e provam que a desvalorização
do Ser Humano é universal, é fruto da tecnologia. O homem
em sua vaidade, não consegue distinguir meio e finalidade. A tecnologia
é um meio para tornar a vida mais segura e menos rude, mas
não o fim. A máquina não substitui o Homem. Mas,
todos nós estamos nos iludindo com isso. Não advogo à
volta à teocracia. Mas, enquanto não voltarmos a colocar Deus em
nossas vidas e nos julgarmos apenas um instrumento de Sua vontade, seremos
engolfado pela máquina.
12.7. Os profissionais com comportamentos desumanos, esqueceram-se de sua
condição humana e tratam os outros como se julgam: uma
máquina. Há professores desumanos, que vêem o aluno com
desprezo, confiam demais nas técnicas pedagógicas, em retroprojetores
e em computadores, a fim de acelerar a aprendizagem “minimizando”
os custos e “maximizando” os lucros. A pessoa uma é apenas
uma peça desse grande maquinário de fazer lucro.. Em nosa opinião,
quanto mais afastada a pessoa estiver de Deus, quanto mais ela nutrir a
vaidade, o orgulho, ela estará sujeita a se iludir pela máquina.
Portanto, o problema é um reflexo da tecnologia
(“tecnocracia” ou “tecnolatria”) associado ao
misticismo patológico da contra-cultura da New Age.
12.8. O Espiritismo asseverando que o verdadeiro Ser é o
Espírito, que encarna e desencarna, destinando-se a
perfeição, que o intercâmbio entre encarnados e
desencarnados é uma realidade, auxiliará ao encarnado a
compreender que essa tecnologia já estava construída nos planos
espirituais, que nada inventamos, apenas descobrimos os que já existia
no “mundo das formas e das idéias”. A tecnologia é
apenas uma instrumentação que Deus colocou em nossas mãos
para nos livrar dos trabalhos rudes e termos mais tempo para nos prepararmos
para as coisas do Mundo Espiritual. Aqueles Espíritos, ainda muito
presos á matéria, que desperdiçam esse tempo em jogo,
luxurias, em toda espécie de prazeres mundanos, serão
transferidos para um mundo no final do paleolítico, de modo que tenham o
tempo todo para usar para as coisas materiais, como o sustento do corpo
físico e a reprodução desse.
Referências
Bibliográficas:
1- Wantuil, Z. e Thiesen, F.; Allan Kardec: Meticulosa Pesquisa
Biobibliográfica; 1ª Ed.; 1979; Federação
Espírita Brasileira; Rio de Janeiro. [p.3]
2- Damazio, S. F.; Da Elite ao Povo: Advento e Expansão
do Espiritismo no Rio de Janeiro;
1994; Editora Bertrand do Brasil;
Rio de Janeiro; [p.3]
3- Wantuil, Z. e Thiesen, F.; idem
[p.5]
4-
Dicionário de Filosofia; Abbagnano, N.; 2A. ed.;
São Paulo; Mestre Jou; 1982. [p.14]
5- Hessen, j.; Teoria do
Conhecimento; 8ª. Ed.; Coimbra; Armênio Amado;1987. [p.19]
6- Vitta, L. W.; Introdução à Filosofia; 3A.
Ed.; São Paulo; Melhoramentos; 1964. [p.19]
7- Vitta, L. W.; idem.[p.23]
8- Dicionário Grego-Português e
Português-Grego; Pereira, I.; 5º Ed.; Porto; Livraria Apostolado
da Imprensa; 1976. [p.23]
9- Dicionário Latino Português; Torrinha, F.; 2º Ed.; Porto.; Porto Editora; 1942. [p.23]
10-
Ferrater Mora, J.: Diccionario de
Filosofia; 1988; Alianza Editorial S.A.; Madrid; V.3. [p.24]
11- Dicionário de
Filosofia; Abbagnano, N.; idem. [p.25]
12 – Bíblia Sagrada;
João Ferreira de Almeida (Trad.); Rio de Janeiro; Sociedade
Bíblica do Brasil e Editora Vida; 1984. [p.25]
13- Grande
Enciclopédia Delta Larousse; Rio de Janeiro; Editora Delta S. A.;
1970; vol 10. [p.38]
14- Grande
Enciclopédia Delta Larousse; idem; vol. 5. [p.38]
15- Dicionário de Filosofia; Abbagnano; idem.
[p.41]
16- Dicionário de Filosofia;
Abbagnano; idem. [p.41]
17- Francisco Cândido Xavier; O Consolador [obra atribuída
à ação mediúnica de um espírito identificado
como Emmanuel]; 17ª. Ed.; Brasília; Federação
Espírita Brasileira; 1995.
18 - Francisco Cândido Xavier; A Caminho da Luz [obra atribuída
à ação mediúnica de um espírito identificado
como Emmanuel]; 14ª. Ed. Brasília; Federação
Espírita Brasileira; 1986.
19 – Ubaldi, P.; A Grande
Síntese [Síntese e solução dos problemas da
Ciência e do Espírito]; Rio de Janeiro;
Federação Espírita Brasileira; 1939.
20 – Mães, H.; Fisiologia da Alma [obra
atribuída à ação mediúnica de um
espírito que se apresenta como Ramatis]; 4ª. Ed.; Rio de Janeiro;
Freitas Bastos S.A.; 1983.
21- Kardec, A.; O Livro dos
Espíritos; 76 Ed.; Brasília; Federação
Espírita Brasileira;1995.
22 - Riehl, P.; Esperanto pra quê?;
Rio de Janeiro; F.V. Lorenz; 2001.
23 - La Nova Plena Ilustrita
Vortaro; Paris; Sennacieca Asocio Tutmonda; 2002.
24 - Kardec, A.; O Livro dos
Médiuns; 55 Ed.; Brasília; Federação
Espírita Brasileira;1987.
25- Kardec, A.; O Evangelho
Segundo o Espiritismo; 100 ed.; Brasília; Federação
Espírita Brasileira; 1989.
26- Kardec, A.; O Céu e o
Inferno; 34 Ed.; Brasília; Federação Espírita
Brasileira; 1987.
27- Kardec, A.; A Gênese
; 31 Ed.; Brasília; Federação Espírita Brasileira;
1988.
28- Kardec, A.; O que é o
Espiritismo; 41 ª Ed.; Brasília; Federação
Espírita Brasileira; 1999.
29- Kardec, A.; A Obsessão;
5ª Ed.; Matão; O Clarim; 1993.
30- Kardec. A.; Obras
Póstumas; 22 ª Ed. Brasília; Federação
Espírita Brasileira; 1987.
DADOS SOBRE O AUTOR.
1.
VICTOR LEONARDO DA SILVA CHAVES nasceu às 8 h do dia dois de
setembro de 1940, no então Hospital Gaffrée-Guinle, à Rua
Maris e Barros nº 775, na cidade do Rio de Janeiro, Brasil.
Religião: católico.
2.
MÉDICO: inscrito no Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio
de Janeiro nº 52-12.223-0.
3.
Ex-aluno do Colégio Militar do Rio de Janeiro, Turma 53/59; n°
1994. Infantaria.
4.
Ex-aluno do Colégio Externato São José
(Irmãos Maristas), Rio de Janeiro, 1960
5.
Graduado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade
do Estado do Rio de Janeiro, 1967.
6.
Título de Psiquiatra concedido por:
6.1.Associação Brasileira
de Psiquiatria e Associação Médica Brasileira, 1970.
6.2.Conselho Federal de Medicina e
Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, 1986.
7. Título de Especialista em
Homeopatia, concedido pelo Instituto Hahnemanniano do Brasil, 1992.
8. Ex-Membro das:
8.1.
Associação Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro,
1968/1994.
8.2.
Associação Brasileira de Psiquiatria, 1970/1994.
8.3. Instituto Hahnemanniano
do Brasil, 1993/1994.
9. Coronel Médico da Reserva Remunerada da
Aeronáutica. Nome-de-Guerra: Coronel
10. Ex-psiquiatra do Quadro de Saúde da
Aeronáutica
11. Curso de Estado Maior da Aeronáutica;
ECEMAR, 1985.
12. Curso Superior de Comando; ECEMAR, 1985.
13. Licenciado em Filosofia pelo Instituto de
Filosofia e Ciências Humanas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro,
1999.
ÍNDICE
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Prefácio....................................................................................................................... |
2 |
|
Agradecimentos
......................................................................................................... |
4 |
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Capítulo
I..................................................................................................................... |
5 |
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Capítulo
II.................................................................................................................... |
8 |
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Capítulo
III................................................................................................................... |
11 |
|
Capítulo IV
................................................................................................................. |
16 |
|
Capítulo
V................................................................................................................... |
20 |
|
Capítulo
VI.................................................................................................................. |
22 |
|
Capítulo
VII................................................................................................................ |
26 |
|
Capítulo
VIII................................................................................................................ |
30 |
|
Capítulo
IX................................................................................................................. |
33 |
|
Capítulo
X.................................................................................................................. |
38 |
|
Capítulo
XI................................................................................................................. |
40 |
|
Capítulo
XII................................................................................................................ |
43 |
|
Referências Bibliográficas
.......................................................................................... |
46 |
|
Dados sobre o
Autor.................................................................................................... |
48 |