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VITOR LEONARDO DA SILVA CHAVES

 

Médico e Licenciado em Filosofia

 

 

 

 

 

 

 

CONTRIBUIÇÕES DO ESPIRITISMO À MEDICINA

 

 

 

 

1°. Edição

 

Rio de Janeiro

 

Editado pelo Autor

 

2008

 

 

 

 

C.P. 18528

 

Rio de Janeiro – RJ

 

20770-970

 

BRASIL

 

 

 

 

 

 

 

 

Endereço Eletrônico: widukind@infolink.com.br

 

Portal Eletrônico: www.widukind.net

 

 

 

 

 

 

 

 

PREFÁCIO

 

Este livro não é uma obra espírita. Está baseada na experiência do Autor, adquirida por mais de trinta anos na profissão de médico, exercendo a especialidade de Psiquiatria, na cidade do Rio de Janeiro, como oficial do Quadro de Saúda da Aeronáutica e no meio civil..

Antes de ler  essa obra, recomendamos que o leitor tenha lido Análise Filosófica do Espiritismo, do mesmo autor, pois esse novo livro não deixa de ser uma continuação do primeiro. Como ele se destina à Pagina Eletrônica do Autor e as referências Bibliográficas são as mesmas do acima citado, deixamos de colocá-las para economizar de Bytes.O mesmo com as citações. Só reproduzimos quando muito necessárias à compreensão, nos outros casos fazemos referência ao item do livro precedente.

 

Nosso objetivo é mostrar as contribuições que o Espiritismo trará para a Medicina, desde que seja estudado cientificamente, sem confessionalismo. Essa Doutrina, como uma filosofia inovadora, forçosamente traz conceitos novos, que aplicados à Medicina, lhe ampliará os recursos de prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação. O autor quer mostrar que, para o Espiritismo ser verdadeiro, ele não precisa “coincidir” com nenhuma doutrina psicológica existente. Lamentavelmente, profitentes do Movimento Espírita Brasileiro [MEB] tentam por todos os meios de assimilar ao Espiritismo conceitos das chamadas “psicologias profundas”, provocando, muitas vezes, desvios doutrinários muito sérios e até com a Psicologia Transpessoal que é um sincretismo da Psicologia Humanista de Abraham Maslow com o misticismo desvairado dos anos 60 do Século passado. Agravando isso, há os nefastos sincretismos dele com cultos africanos, indígenas e seitas orientais.

 

Desejamos também que esse trabalho possa servir de base a especulações mais profundas, a serem feitas por outros colegas médicos. A noção de “perispírito”, que a Doutrina define como constituído de matéria sutil, para nós é um somatório de campos eletromagnéticos provocados pelas reações bioquímicas no organismo físico, fato desconhecido ao tempo da Codificação. Esses colegas, contando com os recursos futuros a aparecerem na Biofísica, deverão fazer essas perquirições. Outro conceito inovador do Espiritismo é sua concepção de “princípio vital”, agente responsável pela vida orgânica, independendo se há ou não Espírito encarnado no corpo em apreço. Ele reabilita a Teoria Vitalista. Caberá à Biofísica seu estudo, o que ajudará a compreensão das doenças orgânicas e seu tratamento.

 

Dedicamos essa obra aos médicos interessados na pesquisa científica e na verdade. Não a destinamos aos leigos em Medicina e aos colegas que sejam seguidores  das inúmeras facções do Movimento Espírita Brasileiro, devido a este ter tomado um aspecto confessional, algumas vezes, de heresia doutrinária e, em alguns grupos, atingindo o misticismo irracional, como é o caso dos que se dizem seguidores do hipotético Ramatis.

 

O autor aceita críticas, sugestões, análises, comentários ou elogios. Só responderá a cartas cujo autor permita transcrevê-las juntamente com a resposta, fornecendo outros dados (endereço. CPF, RG, etc.) que poderão ser enviados para a Caixa Postal do Autor, a fim de impedir o anonimato. Comentários anônimos ou que não permitam a identificação imediata não serão considerados.

 

Permitimos que sejam tiradas cópias parciais ou totais da presente edição, sem nossa permissão explícita, desde que não tenham fins comerciais e a fonte seja citada.

 

ESSA OBRA NÃO SOFREU REVISÕES GRAMATICAL, ORTOGRÁFICA E DE DIGITAÇÃO.

 

VICTOR LEONARDO DA SILVA CHAVES

Rio de Janeiro, 2008.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


A G R A D E C I M E N T O S

 

 

 

Agradecemos:

 

 

 

a Deus pela tarefa que nos confiou;

 

 

 

 

aos Mestres Espirituais pela ajuda e proteção constantes que nos dispensaram;

 

 

 

                

à médica (neurocirurgiã) Noya Rocha da Silva Chaves, companheira de profissão e de vida, pelas alegrias e ensinamentos que nos proporcionou nessa encarnação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

CAPÍTULO I

1. MEDICINA E ESPÍRITISMO

 

1.1.       Sendo a Medicina o saber que estuda o funcionamento do corpo humano e que tem por finalidade prevenir e curar os distúrbios que possam afetar essa atividade, forçosamente terá seus conceitos afetados pelas novas contribuições trazidas pela Doutrina Espírita.

1.2.       Além de ela trazer uma nova concepção de Ser humano, pois este é o Espírito e o corpo físico apenas um instrumento dele, fornece mais duas outras noções que são a do perispírito e a do princípio vital (energia vital). O perispírito seria um outro instrumento que o Espírito se serviria para as intermediar as relações entre ele e o corpo físico. O Espírito não age diretamente no seu instrumento físico. Ele o faz através do perispírito. O princípio vital é responsável pela vida orgânica. O Espírito só reencarna em corpo “vitalizado” por essa energia (citações no item 1.4.). O Espiritismo ressuscita a doutrina vitalista.

1.3.       A noção de perispírito é inteiramente estranha à Medicina presente (item 8.4. desse livro). Sendo o Espírito a instância humana que pensa e que sente, toda expressão e manifestação físicas desses dois atributos têm uma passagem pelo perispírito, em ambas as direções. Temos que admitir que o conhecimento do alcance e da limitação do perispírito e de seu modo de funcionar revolucionará todos os conhecimentos médicos. LM 54 “(...) no conhecimento do perispírito está a chave de inúmeros problemas (...).”; GE 1:39  “O perispírito representa importantíssimo papel no organismo e numa multidão de afecções, que se ligam à fisiologia (...).”; GE 1:40 “O estudo das propriedades do perispírito (...) dá a chave de uma multidão de fenômenos (...).”;  OP. Pg 45 “Quando as ciências médicas tiverem na devida conta o elemento espiritual na economia do ser, terão dado um grande passo e horizontes inteiramente novos se lhes patentearão.”; A Obs. P. 181 (Estudo dos Possessos de Morzine; 2º Artigo): “Sua causa está inteiramente no perispírito (...), cuja descoberta (...) abrirá horizontes novos à ciência (...). (...) o perispírito representa importante papel em todos os fenômenos da vida (...).”

1.4.       Outro conceito que o Espiritismo trará para a Medicina é o Vitalismo. Da LE 21 à LE 28 é explicado a relação entre Espírito e matéria e todo o Capítulo IV da 1ª. do LE discorre sobre o fluido universal. No comentário a LE 70, é dito claramente que a vida orgânica é produzida pela vitalização do corpo físico por esse fluido universal, podendo o Espírito já está desencarnado e o corpo físico ainda apresentar sinais de vitalidade. Talvez é o que ocorre nos centros de tratamento intensivo. O Espírito já se desprendeu da matéria, mas os aparelhos de respiração artificial, as medicações que mantêm o coração em atividade, preservem essa força vital, evitando a morte física do organismo, sua decomposição. É de conhecimento popular que os animais poiquilotérmicos mantém a vitalidade de órgãos separados do corpo por mais tempo que os homeotérmicos. Exemplo: corações de rã, de peixes e de cobras. É provável que os corpos físicos dos primeiros tenham mais energia vital que os dos segundos. Esta é a razão porque seus órgãos separados do corpo, após o abate do animal, perdurem por tanto tempo. LE 70 Nota: “Os corpos orgânicos são, assim, uma espécie de pilhas ou de aparelhos elétricos, nos quais a atividade do fluido determina o fenômeno da vida. A cessação dessa atividade causa a morte.” LE 136 A “A vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode habitar um corpo privado de vida orgânica.” LE 140 A Nota “A alma atua por intermédio dos órgãos e os órgãos são animados pelo fluido vital (...).”  LE 146 A Nota “(...)a sede da alma se encontra especialmente nos órgãos que servem para as manifestações intelectuais e morais.” LE 156 “O corpo é a máquina que o coração põe em movimento. Existe enquanto o coração faz circular nas veias o sangue, para o que não necessita da alma.” Vide item 5.7. de nosso livro “Análise Filosófica do Espiritismo”.

1.5.       Julgamos que a Medicina, como saber, é universal, não cabendo especificá-la em relação a grupos étnicos, culturais ou a doutrinas.  Por isso não podemos falar de uma Medicina Espírita. Podemos dizer que futuramente a Medicina adotará os conhecimentos revelados pelo Espiritismo e os desenvolverá, através de pesquisas racionais, pois a finalidade da revelação é apenas de dar o primeiro impulso [GE Cap.1].

1.6.       Cremos que o futuro da Medicina reside na Bioquímica e mais certamente na Biofísica. Não resta dúvida que a Força Vital será objeto de estudo da Biofísica e o perispírito, definido como sendo de matéria sutil, nada mais é do que o somatório de campos eletromagnéticos produzidos pelas reações bioquímicas do organismo. Por isso também será a Biofísica que descobrirá suas propriedades e aplicações deste.

1.7.       Conclusão. A verdadeira Medicina será aquela que só admitirá o quer for descoberto e desenvolvido pela Ciência, nunca admitindo opiniões infundadas de leigos ou teorias criadas em divãs. A admissão das revelações espíritas não será feita por credulidade, por fanatismo. Ela será o resultado da pesquisa em laboratórios, estudos por analogia e inferência estatísticas. Recomendamos a leitura do Capítulo VII, Antropologia Filosófica Espírita, e do Capítulo XXI, Filosofia Espírita da Ciência, ambos de nosso livro ANÁLISE FILOSÓFICA DO ESPIRITISMO.     

 

 

 

CAPÍTULO II

2. PERSONALIDADE E DESENVOLVIMENTO.

 

2.1.       O Espiritismo sendo uma doutrina reencarnacionista, a personalidade de um Espírito não se formará em uma única reencarnação. Será o produto das múltiplas vidas (experiências de vida – vivências), em diferentes graus de culturas, em ambos os sexos, em diferentes escalas sociais e econômicas. Usamos o conceito psiquiátrico de personalidade: conjunto de temperamento e caráter. Por temperamento definimos o modo de ser (tendências).  Por caráter, o modo de agir (conduta).

2.2.       O Ser, sendo o Espírito, para estudarmos sua personalidade (“persona”, “máscara’, como se apresenta em diferentes situações) e seu desenvolvimento temos que estudar a Segunda Parte do LE, que trata da vida espiritual, desde a criação do Espírito, sua reencarnação, desencarnação e sua passagem pelo mundo desencarnado. A criação dos Espíritos é permanente (LE 80), por isso em qualquer orbe reencarnatório, encontramo-los em diferentes graus de evolução intelectual e moral. Em LE 115, é afirmado que eles são criados simples e ignorantes. Com o curso das reencarnações elas vão adquirindo, cada um a seu modo, graus diferentes de intelectualidade e moralidade.

2.3.      Em LE 79, é dito que o Espírito é individualização do Princípio Inteligente e o mesmo é confirmado em LE 607 A e LE 611. Portanto, afirmação da LE 115, permite concluir que a simplicidade e ignorância do Espírito estão em seu estágio de Princípio Inteligente e que ele não é diretamente criado como Espírito. De LE 114 à LE 127, há o título em negrito “Progressão dos Espíritos”. Portanto, o Espírito muda de “persona” pois está sempre em evolução. Para o Espiritismo a “personalidade” é sempre mutante, mas evoluindo, nunca regredindo. Sob o Título em negrito “Transmigrações progressivas” (LE 189 a LE 196) é explicado que o Espírito, a cada reencarnação, se aperfeiçoa, um dia chegando à perfeição (Vide item 6.2.3. do nosso livro “Análise Filosófica do Espiritismo”). Há quatorze citações de que o Espírito deve evoluir moral e intelectualmente, mas não forçosamente paralelamente. LE 127, LE 192; LE 365; LE 560; LE 560; LE 566; LE 685 A; LE 751; LE 779; LE 780; LE 785; LE 791; LE 792 A; LE 767.

2.4.       Livre arbítrio. É a livre vontade. Logo que o Princípio Inteligente se individualiza e torna-se Espírito, sua vontade livre é mínima, ainda sendo guiado pelo instinto (LE 71 – 75 A, título em negrito “Inteligência e instinto”). À medida que evolui cultural e moralmente, a influência do instinto diminui e o espírito consegue reger melhor sua vontade. Vide item 9.9. de nosso livro “Análise Filosófica do Espiritismo”.

2.5.       Inatismo. “Idéias inatas”, de LE 218 a LE 221, é afirmado que o Espírito reencarna com seu cabedal intelectual (cognitivo), afetivo, volitivo, estético e ético, o que constitui o que o livro chama de “idéias inatas”. Vemos que inatismo não se restringe apenas ao campo cognitivo, estendendo-se ao afetivo e ético. Portanto, achamos mais apropriado chamarmos “propensões inatas”.

2.6.      O que constatamos é que, ao nascermos, essas “propensões inatas” não são evidentes, dando-nos a idéias que a criança seria um “tabula rasa”. Disso surgiu um forte corrente filosófica chamada “Empirismo” ou “Empiricismo”  que, em relação à fonte do conhecimento, admitia que tudo era adquirido após o nascimento: as “propensões inatas” não eram admitidas. Essa aparente contradição é explicada no Cap. VII da 2ª. Pt do LE, especificamente em LE 340, LE 347, LE 351, LE 380, LE 365, EE 8 :4., GE  11:20..     É dita que a encarnação inicia-se no momento da fecundação e se conclui quando a criança faz a primeira inspiração. Durante o período gestacional o Espírito sofre muitas perturbações (troubles, no original francês), a fim de que esse cabedal seja inibido e torne a criança mais suscetível à educação e à evangelização nos primeiros anos de vida, visando a modificar suas más tendências. Sobre a infância, é falado da LE 379 a LE 385. Nessa última é explicado porque surgem muitos conflitos na adolescência. O Espírito dos 15 aos 20 começa a perder essas “perturbações” (“bloqueios”) e sua verdadeira personalidade começa a aflorar. Se ela não tiver sido burilada por  boas educação e evangelização e ele tenha maus pendores, os desajustes juvenis começam a aparecer. Achamos que o termo “bloqueio” seja mais adequado que o de “perturbação” (trouble). Um dos fundadores da corrente psicológica chamada Behaviorism (Comportamentalismo), J. B. Watson, em seu livro,  Behaviorismo, publicado em 1920, faz uma afirmação que ficou famosa, constituindo-se em um marco para Psicologia. Ele afirmou se lhe dessem 12 crianças sadias e liberdade de criá-las, poderia transformar uma em médico, outra em advogado e até em mendigo e ladrão, independentemente de seus talentos, propensões, tendências, aptidões e vocações. Ele mostra uma posição “tabula-rasista”. Mas o que ele interpreta como “tabula rasa”, é uma percepção imperfeita da realidade. As crianças nascem com suas propensões, talentos, etc., bloqueados, para ficar suscetível a uma boa educação. Watson transformaria em bons cidadãos os espíritos que trouxessem boas propensões de outras reencarnações e em mendigos ou em ladrões, os que trouxessem as más. De acordo com LE 385, entre os 15 e 20 anos esses bloqueios vão se desfazendo aos poucos e as propensões, talentos, etc., vão aparecendo aos poucos. Se não forem dados melhores valores morais ao Espírito reencarnado, ele volta a ser o que foi na última reencarnação. Se as propensões, talentos, vocações forem boas, por pior que tenha sido educado, ele jamais regredirá. Se forem boas, ele progredirá. Os “tabula-rasistas” chegaram perto do problema, mas não perceberam os outros elementos que estão interferindo na formação da personalidade e desenvolvimento do Espírito reencarnado.

2.7.       Personalidade segundo o Espiritismo. Considerando personalidade o conjunto de temperamento e caráter, teremos: a) sendo o temperamento o modo de ser, para o Espiritismo, esse modo de ser é o cabedal cármico mais as aquisições que conseguiu assimilar da educação e da evangelização recebidas; b) caráter, o modo de agir, esse modo de agir será a prática, a conduta desse cabedal conjugado a essas aquisições.

2.8.       Desenvolvimento. Na 3ª. Pt do LE 3, Cap X, Lei da Liberdade é discorrido sobre os temas liberdade de consciência, livre arbítrio, fatalidade, conhecimento do futuro, que dão noções de como ocorre o desenvolvimento do Espírito encarnado. Em LE 872 (Resumo teórico do móvel das ações humanas), mostra as motivações da conduta do Espírito encarnado, que poderão ser utilizadas para remodelar um Espírito que traga imperfeições de reencarnações passadas. No  EE 3. (Há muitas moradas na casa de meu pai) mostra que o Espírito evolui moral e intelectualmente e reencarna em um mundo compatível com seu nível de evolução. Há cinco categorias de orbes onde os Espíritos evoluem, reencarnando no mundo físico: mundo primitivo, onde não há distinção ética; mundo de provações e expiações, onde há distinção ética, mas o mal predomina sobre o bem (a situação atual da Terra); mundo de regeneração, onde o mal é igual ao bem; mundo feliz, onde o bem predomina sobre o mal e o mundo celestial onde só há o bem. A partir de então, o Espírito passa evoluir sem precisar reencarnar, só  o fazendo esporadicamente como missionário. No EE 4. (Ninguém poderá ver o reino de Deus se não renascer de novo), mostra como a reencarnação no mundo físico contribui para o desenvolvimento do Espírito. As vicissitudes dos mundos físicos, os embates interpessoais que  enfrenta, as frustrações da velhice, levam o Espírito, no curso de várias reencarnações, vivenciar a transitoriedade das benesses do mundo físico, só valorizando o que lhe possa evoluir espiritualmente.

2.9.      Vide o item 7.3. (As características humanas) do nosso livro Análise Filosófica do espiritismo, Cap. VII Antropologia filosófica do Espiritismo.

 

 


CAPÍTULO III

3. CONDUTA ESPÍRITIA.

3.1        Entendendo-se como conduta  como o modo de uma pessoa agir no mundo físico, suas reações intelectivas, afetivas e éticas, encontraremos orientações no Cap. XII da 3ª. Pt, LE 893 a LE 919 (Da perfeição moral), no LM do n° 226 ao n° 239 (Da influência do médium), EE 17 (Sedes perfeitos), EE 23 (Estranha Moral) e em GE 3. (O bem e o mal).

3.2        LE Cap XII, LE 893 à LE 906 fala das virtudes e vícios. Os vícios são a herança que trazemos de nossa individuação, quando passamos de Princípio Inteligente a Espírito, reencarnando então só como ser humano. Essa “individualização” foi necessária e já bruxuleava quando éramos sem individualidade, quando apenas Princípio Inteligente. Nossas reações instintivas para preservar o corpo físico e a espécie, levávamos a matar, agredir. Isso visava sermos o macho ou a fêmea alfa e gozar dos privilégios na alimentação e na procriação. Individualizados, tornamo-nos Espíritos, começamos a reencarnar como Seres Humanos, mas preservamos esses caracteres que se manifestam em forma de egoísmo, egocentrismo, egolatria, agora agravados pela inteligência. Podemos melhor, com mais perícia, fazendo uso da inteligência e das habilidades dos pés e das mãos, derrubar nosso próximo, que sempre é visto como uma concorrente, mas nunca como um cooperador. É dito que o egoísmo (LE 913 – 917 e EE 11:11.12. - “O Egoísmo”) é a base de todos os outros vícios: inveja, ciúme, rancor, vingança, falta de indulgência e complacência, mesquinhez, maledicência, indiscrição, etc.. As paixões (LE 907 a LE 912) são esses vícios, que até certo nível é tolerado (LE 907 “Será substancialmente mau o princípio originário das paixões, embora esteja na Natureza? Não: a paixão está no excesso de que se acresceu  vontade, visto que o princípio que lhe dá origem foi posto no homem para o bem, tanto que as paixões podem levá-lo à realização de grandes coisas. O Abuso delas se faz a causa do mal.”[grifo nosso]). Em LE 918 há os caracteres do homem de bem: 1) pratica da lei de Deus e compreensão da vida espiritual; 2) pratica a justiça, o amor; 3) faz o bem pelo bem, sem esperar reconhecimento ou retribuição; 4) bondoso, humanitário, benevolente, 5) não abusa dos poderes temporais (riqueza e posição social; 6) indulgente e complacente. A noção de homem de bem está também no EE 17:3. (O Homem de bem) e EE 17:4. (Os bons Espíritas). Nesse último item, o final traz a definição do bom espírita: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas más inclinações.” Para sermos bons espíritas ou pessoas de bem temos que ter tido uma transformação moral e tentar as más inclinações que ainda existam. O Ser humano toma papel ativo sem sua melhora. Isso já influenciará o critério para distinguir entre sadio e doente: transformação moral e esforço. O sadio é aquele que realiza sua transformação moral tranqüilamente, fazendo o bem pelo bem, sem precisar resgatar erros que teria cometido se agisse de outra forma. Seu esforço é mínimo para vencer as más inclinações que ainda traga. O doente é aquele que ainda está preso ás paixões que adquiriu com sua individualização, repercutindo no corpo físico e no controle de sua conduta, pois, parte dos resquícios do comportamento instintivo animal, já são incompatíveis em sua condição humana.

3.3        LM do n° 226 ao n° 239 (Da influência moral do médium). È perguntado se o desenvolvimento da mediunidade guarda relação com o desenvolvimento moral do médium. A resposta é negativa. A mediunidade é universal. Ela pode ocorrer em pessoas de elevada moral como em pessoas vis, em sadios e em doentes, em ambos os sexos sem preferência, em crianças, adolescentes, jovens, adultos, gerontes e provectos. No EE 24:12., há o comentário: “Há quem se admire de que, por vezes, a mediunidade seja concedida a pessoas indignas, capazes de a usarem para o mal. (...) a mediunidade é inerente a uma disposição orgânica, de que qualquer homem pode ser dotado(...).(...) a mediunidade não implica necessariamente relações habituais com Espíritos superiores. É apenas uma aptidão para servir de instrumento dúctil aos Espíritos, em geral.O bom médium, pois, não é aquele que comunica facilmente, mas aquele que é simpático aos bons Espíritos (...) [grifo nosso].”. No EE 26:9., há a afirmação: “A mediunidade, porém, não é uma arte, nem um talento, pelo que não pode tornar-se uma profissão. Ela não existe sem o concurso dos Espíritos(...).” item 10: “A mediunidade é coisa santa, que deve ser praticada santamente, religiosamente. (...) aquele que carece de viver, recursos em qualquer parte, menos na mediunidade; não lhe consagre, se assim for preciso, se não o tempo de que materialmente dispor.”

3.4        Pelo exposto, ser médium não é indício de elevação espiritual. É uma qualidade orgânica. Portanto, não há razão de nos centros espíritas haver uma hiper-valorização deles, como lhes reservando lugares especiais no auditório de palestras. Se o médium estiver sobrecarregado de atividades materiais, pode até se afastar da mediunidade, mas nunca fazer dela um complemento de meio de vida. É a conduta do médium, boa ou má, que fará que sua mediunidade seja boa ou má e não o inverso. É apregoado em centros espíritas, mormente nos que sofrem muitas influências de cultos animistas trazidos pelos escravos, que o indivíduo que apresenta perturbações mentais ou emocionais é um médium e precisa desenvolver essa mediunidade. Pelo que lemos, é justamente o oposto, “desenvolver” mediunidade em desequilibrados emocionais pode agravar o quadro. E, pelo exposto, se mediunidade é um dom e condição orgânica, não há como desenvolvê-la ou aprendê-la. Esses “cursos de médiuns” que pululam nos centros espíritas estão desorientados doutrinariamente. O bom espírita deve procurar conhecer profundamente a Doutrina e pautar-se por um comportamento probo. É esse conhecimento e esse comportamento que o tornará bom médium caso lhe seja concedido esse dom orgânico.

3.5        Homem de bem. É no Capítulo XVII do EE (Sedes Perfeitos) que está exposta em quase sua totalidade a Ética do Espiritismo. No item 3, há 19 características do Homem de bem.  Resumido, homem de bem deve praticar as virtudes, como amor, obediência, cumprimentos dos deveres, respeito à hierarquia, trabalho, liberdade com responsabilidade, fraternidade que consiste em cooperação e solidariedade em vez de competição. O bom espírita é o que procura ser um homem de bem e a síntese está em negrito no item 3 desse Capítulo XVII (EE)..

3.6        Dever. EE 17:7. “O dever é a obrigação moral da criatura para consigo mesma, primeiro, e, em seguida, para com os outros. O dever é a lei da vida.” Para a Doutrina, o “dever” é fundamental, não permitido idéias liberais e libertárias, que colocam o direito na frente do dever. “Na ordem dos sentimentos, o dever é muito difícil de cumprir-se, por se achar em antagonismo com as atrações do interesse e do coração.” A Doutrina reconhece a influência da vida afetiva afetando o cumprimento do dever. Cabe ao que deseja ser um bom espírita, tentar refrear suas emoções. A visão romântica que pretende que a emoção supere a razão é incompatível com o Espiritismo. O dever nos impõe uma conduta que tem que ser cumprida, agradando ou não. “O dever principia, para cada um de vós, exatamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranqüilidade do vosso próximo; acaba no limite que não desejais ninguém transponha com relação a vós. O homem que cumpre o seu dever ama a Deus mais do que as criaturas e ama as criaturas mais do que a si mesmo. É a um tempo juiz e escravo em causa própria.O dever é o mais belo laurel da razão (...). O homem de bem não tem que se preocupar com a popularidade; seu compromisso é somente com a verdade, com a Lei de Deus. O homem de bem não pode querer ser “politicamente correto”,  “carneiro de Panurgo”, seguir o “alfa” do rebanho; incondicionalmente ele cumpre a Lei de Deus, quer isso venha agradar ou não ao resto do rebanho.

3.7        Virtude. Encontramos no item EE 17:8. “A virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem. Ser bom, caritativo, laborioso, sóbrio, modesto, são qualidades do homem virtuoso.” Consideramos as paixões como o oposto ás virtudes. Mas certo grau de paixão, sem exagero, encerra u pouco de virtude: LE 907: “Será substancialmente mau o princípio originário das paixões, embora esteja na natureza? Não; a paixão está no excesso de que se acresceu a vontade, visto que o princípio que lhe dá origem foi posto no homem para o bem, tanto que as paixões podem levá-lo à realização de grandes coisas. O abuso delas que se faz é a causa do mal.” A hipocrisia, que é chamada pejorativamente por nós de bom-mocismo é o mesmo que pieguice, delicadocismo, melifluidade, sentimentalismo exagerado, é uma falsa virtude. Geralmente está emulada pela vaidade de aparecer: “mais vale pouca virtude com modéstia, do que muita com orgulho.” (EE 17:8). Nem Cristo conseguiu agradar a todos, por isso morreu crucificado.

3.8        Hierarquia. Em EE 17:9., é comentada a relação entre “superiores” e “inferiores” (seria melhor, subalternos). Defende a obediência, respeito a leis, superiores e, em compensação, magnanimidade por parte destes. A solidariedade deve estar sempre presente. Os mais poderosos são para protegerem e orientarem os mais fracos. A competição e a luta pela sobrevivência são incompatíveis com a Doutrina: “Se te dei subordinados, não foi para que os fizesse escravos da tua vontade, nem instrumentos dóceis aos teus caprichos ou à tua cupidez; fiz-te forte e confiei-te os que eram fracos, para que os amparasses e ajudasses a subir ao meu seio.”(...)” Mas, se o superior tem deveres a cumprir, o inferior, de seu lado, também os tem e não menos sagrados.”(...). “(...) as faltas de uns não justificam as de outrem.”

3.9        O Homem no mundo. O item EE 17:10. A Doutrina defende que o Espírito encarnado tem o direito de usufruir os bens materiais desse Mundo. O erro está no abuso. As concepções de ascese, de eremitagem, de misticismo ou cenobitismo são incompatíveis com a Doutrina. “Não julgueis, todavia, que, exortando-vos incessantemente à prece e à evocação mental, pretendamos vivais uma vida mística” (...) “vivei com os homens da vossa época, como devem viver os homens.” (...) “Sois chamados a estar em contacto com espíritos de naturezas diferentes, de caracteres opostos: não choqueis a nenhum daqueles com quem estiverdes.” (...) “Unicamente no contacto com os seus semelhantes, nas lutas mais árduas é que ele encontra ensejo de praticá-la. Aquele, pois, que se isola priva-se voluntariamente do mais poderoso meio de aperfeiçoar-se; não tendo de pensar senão em si, sua vida é a de um egoísta. (Capítulo V, nº 26.)”(...)” Ditosos sede, segundo as necessidades da Humanidade(...)”.

3.10    Cuidar do corpo e do Espírito. Essa afirmação além de mostrar o dualismo entre corpo e mente do Espiritismo, mostra que devemos como Espíritos cuidar de nosso aperfeiçoamento, mas devemos também dispensar cuidados ao corpo físico que é nosso instrumento de trabalho nesse Mundo. Nós não somos o proprietário do corpo físico com o qual reencarnamos. Ele pertence a Deus. Somos apenas seu mordomo. E temos que exercer a mordomia do corpo físico com maestria. Flagelá-lo, deixar de medicar-se, mortificar-se é macular uma propriedade que não é nossa. “Dois sistemas se defrontam: o dos ascetas, que tem por base o aniquilamento do corpo, e o dos materialistas, que se baseia no rebaixamento da alma. Duas violências quase tão insensatas uma quanto a outra.”(...) “Amai, pois, a vossa alma, porém, cuidai igualmente do vosso corpo, instrumento daquela. Desatender as necessidades que a própria Natureza indica, é desatender a lei de Deus. Não castigueis o corpo pelas faltas que o vosso livre-arbítrio o induziu a cometer e pelas quais é ele tão responsável quanto o cavalo mal dirigido, pelos acidentes que causa.” (...) “Sereis, porventura, mais perfeitos se, martirizando o corpo, não vos tornardes menos egoístas, nem menos orgulhosos e mais caritativos para com o vosso próximo? Não, a perfeição não está nisso: está toda nas reformas por que fizerdes passar o vosso Espírito.”

3.11    Desprendimento. O EE 26 aborda o tema evangélico “Daí gratuitamente o que gratuitamente recebestes”. É o desprendimento que devemos tentar ter pelas coisas desse Mundo que aqui vamos deixar ao desencarnar. Se temos talento para algum ofício ou profissão, podemos desenvolvê-lo. O esforço que fazemos para desenvolvê-lo, aperfeiçoá-lo, deve ter como causa primária servir ao próximo, tornarmo-nos um instrumento melhor da vontade de Deus.  Para satisfazermos nossas necessidades materiais podemos angariar recursos com esse talento, desde que sejam para a segurança e conforto, nunca para o luxo, esbanjamento ou ostentação. É consagrado para o uso, mas abominável para o abuso. A mediunidade, sendo um dom orgânico que recebemos gratuitamente, deve ser exercida também gratuitamente (EE 26:7 – 10). O desprendimento das coisas materiais é uma característica da conduta espírita.

 

 

 

 

 

 

 

 


CAPÍTULO IV

4. FAMÍLIA, SEXO E MATRIMÔNIO.

4.1. Família. Desenvolvemos bem este tema no Capítulo XVII de nosso livro “Análise Filosófica do Espiritismo”. O conceito de família, que nós temos como encarnados, é aquele grupo de pessoas que possuem conosco laços de sangue (pais, irmãos, primos, etc.) e de união conjugal (cônjuge, sogra, sogro, cunhado, etc.). O Espiritismo amplia esse conceito, pois afirma que reencarnamos entre Espíritos “afins”, com os quais temos afinidades boas ou más. Permaneceram desencarnados os outros que não estão ainda na ocasião de  reencarnar. Eles poderão estar nos protegendo, se nossas relações foram boas com eles no passado, ou nos prejudicando, se estivermos lhes devendo algo ou se nos associamos no passado a Espíritos que não estavam em um nível elevado de espiritualidade. A nossa verdadeira família é o conjunto dos encarnados e dos desencarnados com os quais temos laços de amizade ou de dívidas a resgatar.

4.2. Esse ponto de vista nos obriga a mudar o modo de tratarmos paciente com distúrbios emocionais. Não basta só examinar os conflitos da vida encarnada. É preciso tomar uma atitude ativa para ajudarmos o paciente a vencer ou diminuir paixões inferiores como inveja, ciúme, rancor, vingança, falta de indulgência, assim como orar por aqueles desencarnados que ainda possam ser-nos hostis. É estranho falar em oração quando estamos falando em terapia nos dias de hoje, quando predomina uma visão materialista em nossa Ciência. Mas o Espiritismo veio justamente com esta finalidade: profligar o Materialismo. Se há uma Realidade Espiritual, não há como não levá-la em consideração, se quisermos tratar a área emocional e comportamental das pessoas. A interação entre mundo encarnado e o desencarnado será um fator relevante para qualquer tipo de terapia, mormente na área psiquiátrica.

4.3. Para uma consulta sobre vários aspectos das relações familiares, apenas citaremos as referências. O leitor pode consultá-las na Codificação: LE 203-206: Parentesco, filiação; LE 207 –217: Parecenças físicas e morais; LE 291 – 307: Relações de antipatia e simpatia. Metades eternas; LE 386- 391: Simpatia e antipatia terrenas; LE 484 - 488: Afeição que os Espíritos votam a certas pessoas. LE 489 – 521: Anjos da guarda. Espíritos protetores, familiares ou simpáticos. Em particular LE 514 – 517. LE: 686 – 701 [Lei da reprodução – Casamento e celibato; divórcio (697 e 860)]; LE 773 – 775 Laços de família; LE: 890-892 Amor materno e amor filial. LE: 939-940 Uniões Antipáticas; LE 980: “(...) laço de simpatia(...). (...) famílias pela afinidade de sentimentos (...)”; EE 4:18. – 23. A encarnação fortalece os laço de família.EE 14 todo o Capítulo XIV: Honrar a vosso pai e a vossa mãe; EE 14:3 Piedade filial; EE 14:5 Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? EE 14:8 A parentela corporal e a parentela espiritual. EE 14:9 Ingratidão dos filhos e os laços de família. EE 22. Não separeis o que Deus juntou [Indissolubilidade do casamento – Divórcio]; EE 23: Moral Estranha [Quem não odeia pai e mãe – deixar pai, mãe e filhos];Bíblia: Mt 10:37 “Quem ama mais ao pai do que a mim (...)”. Jesus ensina que o amor à causa divina deve ser maior que os laços da família carnal. Mt12:46 e Lc 8:11. Jesus fala sobre sua família. Mt 19:27 Jesus fala a Pedro sobre abandonar a família para segui-Lo.

4.4. Sexo. O Espírito não tem sexo, devendo reencarnar em ambos. Na Codificação não está claro como é feita a escolha do sexo: se é alternativamente, se o Espírito reencarna seguidamente no mesmo sexo para sedimentar bem a experiência nele, ou se depende de condições fortuitas. Dentro do Movimento Espírita Brasileiro (MEB), há pessoa tão ingênuas, que pensam que essa experiência está restrita somente a esfera sexual. Eles não conseguem perceber que em diferentes culturas os papéis sociais masculinos e femininos são diferentes e é nessa diferença que o Espírito vai gradativamente adquirindo experiência de tudo. Basta que verifiquemos as diferenças de funções entre os sexos nas culturas paleolíticas (caçadores), neolíticas (nômades, lavradores), nas civilizações antigas e modernas. O homem, sempre como guerreiro, desenvolveu o amor fraterno (philia) pelo “esprit de corps” e a mulher, o amor familiar (stergethron) pela maternidade.

4.5. Os espíritas do MEB, influenciados por obras heréticas, afirmam que o homossexual é um Espírito que na última reencarnação foi uma mulher muito devassa e reencarnou agora como macho para refrear esses impulsos devassos. Isso é uma nefelibatice. Muitos falantes do português pensam que homossexual tem relação com “homem”. “Homo” vem do grego e significa “mesmo”. Homossexual significa pessoas que têm relações sexuais com outras do “mesmo” sexo. A explicação acima é uma truanice. Aceitar a homossexualidade como opção de “gênero” é inaceitável pelo Espiritismo. Ela foge à finalidade do sexo no corpo físico que é para a sua reprodução. A cópula entre heterossexuais com meios anticoncepcionais, assim como a masturbação, também fogem a finalidade do sexo. Sabemos que o impulso sexual é muito forte e esse não cumprimento da finalidade torna-se tolerável como concessão desde que não haja abuso. Já a homossexualidade mostra uma perversão do instinto sexual. O que é lamentável é que espíritas, sem muita convicção pessoal, não querendo ser expulso do rebanho, apóiam essas idéias modernas de considerar essa perversão como opção de gênero, são os medíocres carneiros de Panurgo, que querem viver bem e por isso são “politicamente corretos”.

4.6. No Mundo moderno, os Espíritos reencarnados já passaram por tantas experiências em ambos os sexos e em diferentes culturas, que já não há mais diferença tão marcante de papéis culturais femininos e masculinos. Além disso, a tecnologia reduziu todo trabalho manual a “apertar o botão do controle remoto”. Portanto qualquer sexo pode desempenhar o papel sócio-cultural do outro.

4.7 Citações sobre sexo: [LE 200, 201 e 203]. LE 34, 115, 127, 133 e 804]. LE: 686 – 701 [Lei da reprodução – Casamento e celibato; divórcio (697 e 860)]; LE da 817 à 822 (Igualdade de direitos entre o homem e a mulher). LE 818 “Com que fim mais fraca fisicamente do que o homem é a mulher? Para lhe determinar funções especiais”. LE 820 “Deus apropriou a organização de cada ser às funções que lhe cumpre desempenhar.” LE 821 “As funções a que a mulher é destinada pela Natureza terão importância tão grande quanto as deferidas ao homem? Sim, maior até.”. LE 822 A “(...) Preciso é que cada um esteja no lugar que lhe compete. (...) cada um de acordo com a sua aptidão. (...). Os sexos só (..) existem na organização física. Visto que os espíritos podem encarnar num e noutro (...)”. CI pt 2 cap. II n.11[p.183]  “OS Espíritos não têm sexo (...)Não temos motivo para sermos de natureza masculina ou feminina (...)Os Espíritos não podem ter sexo. Sempre disseram que os :Espíritos não têm sexo, sendo apenas necessário para a reprodução de seus corpos.

4.8 Matrimônio. Para o Espiritismo, matrimônio é o compromisso que dois Espíritos assumem antes de reencarnarem em sexos diferentes, visando a uma vida em comum de modo a dar oportunidade que outros Espíritos, com os quais tenham afinidade ou dívidas a resgatarem, reencarnem e sejam por eles educados e evangelizados. O cerimonial religioso é inteiramente dispensável, mas não proibido. Isso fica a critério de cada casal. Já o casamento civil, embora seja assunto estritamente terreno e em nada modifique o compromisso assumido, deve dentro do possível ser seguido, pois o bom espírita não deve criar conflitos com os costumes da sociedade em que reencarna, pois se tornaria uma afronta. Além disso, resolve problemas materiais como herança, pensão, assistência social. É o lado prático da vida. É preciso que percebamos que esse respeito a costumes religiosos e civis tem efeito apenas prático, não trazendo em si a felicidade do casal. Um casal unido, que tenha filhos, mas não que celebrou essa união nem civil nem religiosamente, não significa que esteja vivendo em pecado. O importante é que os cônjuges tenham respeito mútuo, tolerância, indulgência para com os defeitos mútuos, o amor aos filhos, vendo neles, não como propriedade, mas, como irmãos que Deus lhe confiou a educação e a evangelização. Esse assunto está bem explicado em LE: 686 – 701 [Lei da reprodução – Casamento e celibato; divórcio (697 e 860)].

4.9 O celibato não é uma recomendação, uma ordenança espírita. Ele é tolerado, desde que o Espírito se mantenha assim por causas naturais ou por impedimentos físicos, mentais ou sociais.

4.10 O divórcio, além de ser tratado nessas duas perguntas, é mais bem explicado no EE 22. Não separeis o que Deus juntou [Indissolubilidade do casamento – Divórcio]. Ele não é recomendado, mas também não é condenado. Ele é considerado medida extrema que só deve ser tomada para evitar mal maior. Alguns cristãos são contra o divórcio porque entendem a passagem de Mateus 5:32, em que fariseus perguntam a Cristo se deveriam dar carta de divórcio à mulher, ele responde que não. A pergunta está em relação aos preceitos de Deuteronômio 24: 1-4., em que a Lei Mosaica permita ao varão repudiar sua esposa por motivos fúteis. A mulher repudiada tornava-se um pária, caiando na prostituição ou na mendicância. Era o repúdio que Cristo condenava. Um matrimônio não poderia ser desfeito meramente pelo capricho de um varão e este não tendo a menor responsabilidade social para com a ex-esposa. Isso é bem diferente de uma dissolução matrimonial que ocorra por motivos extremos: “para evitar um mal maior”. O que devemos compreender é que não existe cônjuge perfeito, alma gêmea, metade eterna. No início de qualquer vida em comum prepondera a paixão física e os cônjuges, quando muitos imaturos, pensam que aquele idílio durará para sempre. Além de ambos os cônjuges se modificarem continuamente, passado o período de paixão, ambos começam a identificar os defeitos do outro. Após dez anos de matrimônio, não somos física e afetivamente aquele que éramos há dez anos, assim como nosso cônjuge modificou-se. Uma terapia de casal, baseada no Espiritismo, tem que levar em conta que (1) não existe alma gêmea, portanto não (2) há cônjuge perfeito; também levar em conta que (3) ambos os cônjuges estão sempre em modificação e que devemos (4) aprender a conviver com essas mudanças; (5) que não há amor à primeira vista, mas apenas paixão que é fugaz; os recém-casados, apaixonados, devem conscientizar que estão somente apaixonados, mas não necessariamente se amando e que essa percepção errada da realidade pode trazer desilusões em futuro bem próximo; (6) lembrar que não sabemos (ou não temos lembrança) que compromissos foram assumidos antes de reencarnar e, portanto, uma separação precipitada, caprichosa, pode adiar resgates que estavam prestes a serem resolvidos.

 

 

 

 


CAPÍTULO V

5. OBJETIVO DA VIDA – TELEOLOGIA.

5.1. O EE 1: começa com o título “Não vim destruir a Lei”, onde Kardec faz um paralelo entre as palavras de Cristo em relação à Lei Mosaica, aos ensinamentos de Cristo e ao Espiritismo. Mostra que a Doutrina não veio contestar nada ensinado por Cristo, mas dar cumprimento ao que foi ensinado por Ele, esclarecendo certos pontos obscuros dos Evangelhos, que devido à ocasião em que foram escritos, não poderiam ser mais claros, pois não seriam assimilados, provocando interpretações errôneas e levando o povo a dissensões. Sendo essa a finalidade do Espiritismo, por conseqüência, o dever do espírita é cumprir a Lei de Cristo, a obedecer, sem sincretismos com outras correntes.

5.2. Vida Futura. Temos que distinguir os objetivos da vida encarnada e da vida espiritual. O desta última é a “perfeição”. Para compreender melhor o que venha ser essa “perfeição”, vide item 6.2.3. (Cosmologia Espírita) de nosso livro “Análise Filosófica do Espiritismo”. Os da vida encarnada é a preparação do Espírito para um dia ele poder evoluir sem precisar mais das reencarnações no mundo físico. Fa-lo-á como Espírito puro. Em Mateus 22:21., Cristo separa o Sagrado do profano, quando diz que o Reino Dele não é deste Mundo. Esse “Reino” refere-se à verdadeira vida que é a independente da matéria. Nós, que ainda reencarnamos nesse mundo de expiações e provações, não podemos ter a compreensão total do que seja esta vida. Nosso esforço deve concentrar-se na melhor maneira de cumprirmos nossos deveres de reencarnados. Em EE 2: (Meu reino não é deste mundo) afirma: (item 2) “Por essas palavras, Jesus claramente se refere  à vida futura,  que ele apresenta, em todas as circunstâncias, como a meta a que a Humanidade irá ter e como devendo constituir objeto das maiores preocupações do homem na Terra. Todas as suas máximas se reportam a esse grande princípio. Com efeito, sem a vida futura, nenhuma razão de ser teria a maior parte dos seus preceitos morais ( ...)” . (...) “Esse dogma pode, portanto, ser tido como o eixo do ensino do Cristo (grifo nosso). (...). (item 3) “Apenas idéias muito imprecisas tinham os judeus acerca da vida futura.”(...) “Limitou-se a, de certo modo, apresentar a vida futura apenas como um princípio, como uma lei da Natureza a cuja ação ninguém pode fugir. Todo cristão, pois, necessariamente crê na vida futura;” (grifo nosso). (...) “Com o Espiritismo, a vida futura deixa de ser simples artigo de fé, mera hipótese; torna-se uma realidade material, que os fatos demonstram, porquanto são testemunhas oculares os que a descrevem nas suas fases todas e em todas as suas peripécias, e de tal sorte que, além de impossibilitarem qualquer dúvida a esse propósito, facultam à mais vulgar inteligência a possibilidade de imaginá-la sob seu verdadeiro aspecto, como toda gente imagina um país cuja pormenorizada descrição leia.”. (item 5) A idéia clara e precisa que se faça da vida futura proporciona inabalável fé no porvir, fé que acarreta enormes conseqüências sobre a moralização dos homens, porque muda completamente o ponto de vista sob o qual encaram eles a vida terrena. Para quem se coloca, pelo pensamento, na vida espiritual, que é indefinida, a vida corpórea se torna simples passagem (grifo nosso), breve estada num país ingrato. As vicissitudes e tribulações dessa vida não passam de incidentes que ele suporta com paciência, por sabê-las de curta duração, devendo seguir-se-lhes um estado mais ditoso. À morte nada mais restará de aterrador; deixa de ser a porta que se abre para o nada e torna-se a que dá para a libertação, pela qual entra o exilado numa mansão de bem-aventurança e de paz” .(...) “É o que sucede ao que encara a vida terrestre do ponto de vista da vida futura; a Humanidade, tanto quanto as estrelas do firmamento, perde-se na imensidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


CAPÍTULO VI

6. PSQUIATRIA COLETIVA.

6.1. Estuda o comportamento do Espírito encarnado, quando está fazendo parte de algum grupo. Esse grupo é a família, a escola, a profissão, sociedades recreativas, Pátria, enfim a cultura onde vive. A eremitagem e o cenobitismo são incompatíveis com a condição humana, pois criam obstáculo ao desenvolvimento do Espírito. A vida em cenóbio pode ser admitida em um mundo baldo de tecnologia, mas, em plena era da computação e da robótica, é injustificável. LE 774 “Diverso dos animais é o destino do homem. (...) Há no homem alguma coisa mais (...); há a necessidade de progredir. Os laços sociais são necessários ao progresso e os de família mais apertados tornam os primeiros.”.  LE 776 “Não. O estado de natureza é o estado primitivo. A civilização é incompatível com estado de natureza. (...) O estado de natureza é a infância da Humanidade (...). (...) o homem não foi destinado a viver perpetuamente no estado de natureza (grifo nosso)(...). Aquele estado é transitório (...).” LE 778 “(...) o homem tem que progredir incessantemente e não pode voltar ao estado de infância.”

6.2. No item 11.10.2. (Filosofia Social Espírita) de nosso livro, Análise Filosófica do Espiritismo, fizemos um estudo da Doutrina Social Espírita, cujo resumo apresentamos aqui: “de cada um conforme sua capacidade; a cada um conforme sua necessidade (...)” (LE 509 “Deus não exige do Espírito mais do que comportem a sua natureza e o grau de elevação a que chegou”) Isso reflete os fundamento da Psiquiatria Coletiva Espírita: o Espírito (Ser humano) precisa passar seu período de encarnação no mundo físico “dentro de uma cultura, de uma coletividade”. Mas essa coletividade tem que respeitar as limitações de cada um de seus membros e, em vez de excluí-lo como interpretou Darwin com sua lei “struggle for life”, deve ampará-lo. Os problemas psiquiátricos, isto é, as manifestações patológicas comportamentais das massas, obedecem as essas leis sociais. Em casos, como os convulsionários, rebeliões coletivas, mimetismos, “carneirismos” de Panurgo, “politicamente correto”, “modismos”, são produzidos por que essas regras sociais não foram aplicadas. O indivíduo, ainda comporta-se como animal, seguindo o exemplo do animal alfa para não sere expulso do rebanho. Em caso de tratamento, essas medidas (exigir dentro das limitações individuais e distribuir os benefícios conforme as necessidades de cada um) devem ser aplicadas, juntamente com outras de natureza diferente, mas que faça efeito em corroboração.

6.3. Kardec, em nota à LE 768 comenta: Homem nenhum possui faculdades completas. Mediante a união social é que elas umas às outras se completam, para lhe assegurarem o bem-estar e o progresso. Por isso é que precisamos uns dos outros, os homens foram feitos para viver em sociedade e não insulados. A Psiquiatria Coletiva tem que se preocupar com o homem sadio em mantê-lo o maior tempo possível em sociedade: família, escola, trabalho, igreja e associações recreativas. O mesmo deve ser feito com o homem doente. Ser contra o hospital e o asilo é uma visão romântica e demagógica. Há casos que há necessidade de hospitalização e há casos asilares. A Psiquiatria interferiria nesses locais, mantendo o paciente em sociedade. Essa atividade já é desempenhada pela Terapia Ocupacional e pela Musicoterapia, complementada pela Psicologia Hospitalar e, em futuro, havendo organicamente um Serviço de Capelania Hospitalar.

6.4. O título que usamos de Psiquiatria Coletiva, não foi para distinguir de uma individual, mas para mostrar que a Doutrina compreende que o Espírito encarnado tem um comportamento individual e um como membro de um todo (vide item 6.2.). Ela também vê a sociedade, as civilizações, enfim os grupamentos humanos, como um ser individualizado. Da LE 786 à LE 789, sob o título de Povos Degenerados, é explicado que no Mundo Espiritual é planejado desenvolver uma civilização em determinada região. A princípio para ali, só reencarnam Espíritos evoluídos que iniciam um núcleo civilizatório. Depois, passam a reencarnar Espíritos comuns para se civilizarem. Mas com suas imperfeições abusam do conhecimento material que adquirem e, ainda envolvidos com as paixões humanas, passam a fazer mau uso do que sabem e levam essa civilização à ruína. LE 786 “Pois bem! aprende que os Espíritos que, encarnados, constituem o povo degenerado não são os que o constituíam ao tempo do seu esplendor. Os de então, tendo-se adiantado, passaram para habitações mais perfeitas e progrediram, enquanto os outros, menos adiantados, tomaram o lugar que ficara vago é que também, a seu turno, terão um dia que deixar.” . LE 788 “Os povos são individualidades coletivas que, como os indivíduos, passam pela infância, pela idade da madureza e pela decrepitude.(...)?Os povos que apenas vivem a vida do corpo, aqueles cuja grandeza unicamente assenta na força e na extensão territorial, nascem, crescem (grifos nossos) e morrem porque a força de um povo se exaure (...) (grifo nosso). Mas, para os povos, como para os indivíduos, há a vida da alma. Aqueles, cujas leis se harmonizam com as leis eternas do Criador, viverão e servirão de farol aos outros povos.”  EE 24:4 “Dá-se com os homens (grifo nosso – humanidade, coletividade humana), em geral, o que se dá em particular com os indivíduos. As gerações têm sua infância, sua juventude e sua maturidade. Cada coisa tem de vir na época própria; a semente lançada à terra, fora da estação, não germina.(grifo nosso). Em LE 517 é afirmado que as famílias têm Espíritos tutelares e LE 518 o diz para sociedades, associações, clubes, corporações de ofício, povos, cultura, profissões. Isso mostra os espíritos encarnados têm uma individualidade e uma “coletividade”. Forçosamente têm obrigações, compromissos com essa “coletividade”. Por isso, o individualismo, predominante nas concepções filosóficas do Século XIX,XX e no atual, é pernicioso. O Espírito encarnado é um ser cultural.

6.5. Se a Doutrina vê a coletividade como um indivíduo, essa coletividade também pode adoecer. Na parte orgânica é fácil reconhecer, pois temos as endemias, as epidemias e as pandemias. Em relação à parte comportamental é que está a dificuldade. Certos valores patológicos tomam conta da sociedade e as pessoas, por um sofisma de tomar a totalidade como a verdade, julga que aquela patologia é expressão de sanidade. É justamente isso que vemos nas épocas de decadência de culturas, civilizações, que deu origem ao tema Povos Degenerados (item 6.4.).

6.6. A Sociedade Ocidental, a partir do final do Século XVIII passou a ter um grande desenvolvimento intelectual e material dando origem ao Iluminismo que, confundindo as religiões retrógradas, que não queriam acompanhar a Ciência, com o próprio Deus, acabou por se afastar Desse, dando origem ao Materialismo. Por outro lado, paralelamente surge o Movimento Romântico, que exalça a emoção e o misticismo em detrimento da razão e de uma fé raciocinada. A sociedade ocidental adoeceu e nós não o percebemos. Autores, como Oswald Sprangler, descreveram a decadência dessa civilização, com uma visão muito pessimista. Em parte eles tinham razão. Os anos 60 do Século XX foram o princípio do fim. O movimento dos hippies, o Psicodelismo, os movimentos de protesto, a insubordinação nas ruas de Paris em maio de 1968, triunfo das obras de autores como Sartre, Foucault, Deleuse , Derridá, Althusser, Bourdier, recrudescimento do anarquismo de Gramsci, a antispsiquiatria,  as orgias no Mosteiro de Sagrado Coração de Maria na Califórnia, depois que Carl Rogers aplicou seus métodos terapêuticos nas freiras (1966), o manifesto de homossexuais em 28 de junho de 1969 nas ruas de Nova Iorque e o festival de Woodstock (agosto de 1969), onde imperaram a orgia e o tóxico. A Criação da Satan Church em 1966. Volta a cultos pagãos. A ordem, a hierarquia, o trabalho, a obediência, tornaram-se coisas risíveis. O provo quer liberdade sem responsabilidade, direitos sem deveres, igualdade sem hierarquia.

6.7. Nós médicos temos que tratar esse desvio comportamental da Sociedade Moderna Ocidental que, infelizmente com a globalização, tornou-se uma pandemia de patologia comportamental. Temos que voltar a certos valores da ética religiosa, como exortação ao abandono das paixões materiais e o cultivo das virtudes espirituais.

6.8. Inconsciente coletivo. O conceito de inconsciente coletivo foi criado por Jung e compreendia “a história racial do homem como espécie separada, assim como sua ancestralidade pré-humana ou animal. As tendências herdadas do inconsciente coletivo, denominou de arquétipo e as considerou como determinantes da experiência mental que dispõe uma pessoa”. Isso não deixa de ser uma forma de inatismo. A resposta a LE 72 A é clara “(...) a inteligência é uma faculdade própria de cada ser e constitui a sua individualidade moral” e em LM 43 e 44, Kardec se pronuncia contra a idéia de alma coletiva. O que parece uma predisposição inata e inexorável como o inconsciente coletivo, nada mais é que o somatório de experiências em comum em diversas reencarnações. Isso, presenciamos entre os encarnados. Rapazes que prestaram o Serviço Militar têm uma nítida experiência em comum, diferindo dos que não serviram. Isso não significa que as mentes deles nasceram com um substrato irracional e comum a todos. Foi uma aquisição feita pela experiência de vida, pelas vivências. Os Espíritos têm essas vivências no curso de várias reencarnações. Todos nós já passamos pelo Paleolítico, pelo Neolítico, pastoreio, nomadismo, etc. Isso nos fornece muita atitude comportamental semelhante. Além do mais, nosso órgão de expressão é o cérebro, que tem as mesmas micro e macro morfologias, portanto dele dependemos para desenvolvermos nossas capacidades quando encarnados e não de uma entidade abstrata coletiva. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


CAPÍTULO VII

7. DOENÇAS CÓRTICO-FRONTAIS

7.1. Doenças córtico-frontais são os distúrbios da bioeletrogênese dos neurônios do córtex da área frontal. As conseqüências comportamentais (exteriorização) dessas alterações eram chamadas de “doenças mentais”. Sempre, houve dúvidas sobre a relação corpo e mente. Por isso os médicos antigos separavam as doenças em “orgânicas”, quando encontravam um substrato anátomo-histológico ou fisiológico; para as outras reservam o termo de “doenças mentais”, pois com os parcos recursos científicos da época, a mente era uma abstração, sem correspondência no corpo físico. Havia suposições de relações com o cérebro e o coração. Descartes criou a hipótese de que a alma se relacionava com o corpo físico através da glândula pineal (epífise).

7.2. Kardec aborda o assunto no LE da pergunta 371 á 378 com o título em negrito “Idiotismo e loucura”. Devemos lembrar que esse livro foi publicado em 1857, bem antes do médico alemão, Emil Kraepelin, ter criado a nosologia psiquiátrica. Em LE 372, é dito que esses distúrbios córtico-frontais são Espíritos que em outras reencarnações fizeram mau uso de suas funções córtico-frontais e, na presente reencarnação, sofrem constrangimento, não podendo usar em sua plenitude essas faculdades, a fim de resgatar o mal que fizeram, repará-lo e valorizá-las para o bem.. Transcrevemos uma citação do item XV da Introdução ao LE (p.41 da 70ª. Ed. FEB) A loucura tem como causa primária uma predisposição orgânica do cérebro (...) (grifo nosso) e a sub- pergunta A  da LE 372, com a resposta e o comentário de Kardec, para mostrar que o Espiritismo nunca negou um substrato orgânico para as ditas “doenças mentais”: LE 372 a) Não há, pois, fundamento para dizer-se que os órgãos nada influem sobre as faculdades?Nunca dissemos que os órgãos não têm influência. Têm-na muito grande sobre a manifestação das faculdades, mas não são eles a origem destas. Aqui está a diferença. Um músico excelente, com um instrumento defeituoso, não dará a ouvir boa música, o que não fará que deixe de ser bom músico.” Importa se distinga o estado normal do estado patológico. No primeiro, o moral vence os obstáculos que a matéria lhe opõe. Há, porém, casos em que a matéria oferece tal resistência que as manifestações anímicas ficam obstadas ou desnaturadas, como nos de idiotismo e de loucura. São casos patológicos e, não gozando nesse estado a alma de toda a sua liberdade, a própria lei humana a isenta da responsabilidade de seus atos (os grifos e negritos são nossos). Em LE 375, Kardec descreve o mecanismo orgânico das “doenças mentais”: “Encarnado, porém, ele se encontra em condições muito diversas e na contingência de só o fazer com o auxílio de órgãos especiais. Altere-se uma parte ou o conjunto de tais órgãos e eis que se lhe interrompem, no que destes dependam, a ação ou as impressões. Se perde os olhos, fica cego; se o ouvido, toma-se surdo, etc. Imagina agora que seja o órgão, que preside às manifestações da inteligência, o atacado ou modificado, parcial ou inteiramente, e fácil te será compreender que, só tendo o Espírito a seu serviço órgãos incompletos ou alterados, uma perturbação resultará de que ele,(...) mas cujo curso não lhe está nas mãos deter.” É afirmado claramente que as “doenças mentais”, assim como as orgânicas, são resgates de faltas cometidas em outras encarnações, mas há um substrato no corpo físico, não descartando o tratamento delas através da Físico-química. Em nenhum momento, Kardec atribui a causa à ação de Espíritos obsessores, como o Movimento Espírita Brasileiro o considera, por influência de cultos africanos e indígenas, muitas vezes, afastando criminosamente o paciente do tratamento médico. No Capítulo XXIII do LM, Kardec fala que Espíritos, aguardando reencarnação, com os quais adquirimos dívidas no passado e que ainda não nos perdoaram e mantêm desejos de retaliação, perturbam a vida do encarnado, mas não necessariamente levando-o a “loucura” (perda ou deturpação do contato com a realidade), mas a conflitos emocionais e desajustes comportamentais. A doutrinação desses Espíritos é importante, mas a solução está na “reforma íntima” do “obsidiado”, pois se ele não estiver sintônico com o obsessor, este ficará impotente para perturbá-lo.  No QE pg 112 (41ª. Ed, FEB,1999) há a citação A loucura é, pois, um efeito consecutivo, cuja causa primária é uma predisposição orgânica (...) (negritos nossos); p.113 (...) as causas mais numerosas da excitação do cérebro, devemos contar as decepções. Os desastres, as afeições contrariadas, as quais são também as mais freqüentes causas de suicídio.”;.Outras referências: EE 10:6. “Prática do perdão”, EE 12:5. “Inimigos desencarnados”, EE 28:81.84. “Prece pelos obsidiados”, GE 45-49 “Obsessões e possessões”, GE 15:29.36. OP p. 67-74; QE da p. 111 à p. 114 (Loucura, suicídio e obsessão); RE FEV/MAR 1864 e RE ABR 1865, mas sempre mostrando que o obsessor só perturba o obsidiado à medida que ele estiver na mesma faixa vibratória. Em LE 146 A “Pode, todavia, dizer-se que a sede da alma se encontra especialmente nos órgãos que servem para as manifestações intelectuais e morais. (negritos nossos) Kardec não deixa de reconhecer uma base orgânica para o que hoje é ainda conhecido por “doença mental”.

7.3. As doenças cortico-frontais (loucura: psicoses e casos graves de neuroses), as demências de modo geral e as oligofrenias (idiotismo) estão explicadas pela alteração do cérebro. O Espírito que recebe um cérebro assim é porque em outras reencarnações abusou das faculdades que a atividade córtico-frontal lhe proporcionava. Mas, nós sofremos de desajustes interpessoais, como as relações conflituosas entre pais/filhos, marido/mulher, chefe/subalterno, etc., que não são produto de alterações fisiológicas. Kardec não aborda diretamente essa questão, mas indiretamente deixa indícios.

7.4. Em  LE 607 A “(...) o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito. Entra então no período de humanização, começando a ter consciência de seu futuro, capacidade de distinguir o bem do mal e a responsabilidade dos seus atos.” LE 611 “Desde que o princípio inteligente atinge o grau necessário para ser Espírito e entrar no período de humanização. De animal só há no homem o corpo e as paixões que nascem da influência do corpo e do instinto de conservação inerente a matéria. Nós vemos que o conceito de “individuação” (aquisição das características que distingue as espécies de seu grupo) é a base da “humanização”. A paixões humanas nada mais são que conseqüência dessaindividuação”. O egoísmo, o egocentrismo, a inveja, o ciúme, o rancor, a vingança, a intolerância, a falta de complacência, a soberbia, são produto dessa individuação. O Espírito desprendido da totalidade do Princípio Inteligente, vai aos poucos substituindo o instinto de conservação e o de reprodução por essas paixões que a princípio servem para ajudá-lo à realização de grandes coisas (LE 907) (negritos nossos). LE 191 A “Então, as paixões são um sinal de desenvolvimento? DE desenvolvimento sim; de perfeição, porém, não (negritos nossos). São sinal de atividade de consciência do eu, porquanto, na alma primitiva, a inteligência e a vida se acham no estado de gérmen.” O abuso delas é que prejudica a marcha evolutiva do Espírito. Conforme a sucessão de reencarnações e os cabedais cognitivos, afetivos, morais, estéticos, que vão sendo acumulados, assim como desenvolvimento da razão e do livre arbítrio, o Espírito já não precisa mais do auxílio das paixões para evoluir. Então, elas passam a ser um obstáculo a essa evolução e a gerar os conflitos interpessoais acima. Sobre “Paixão” vide LE 907 a 912; sobre “O egoísmo”, que é base de todas as paixões, vide LE 913 à LE 917 e EE 11:11.12.; sobre “Caracteres do homem de bem” LE 918; e “Conhecimento de si mesmo” LE 919. Vide também LE 71, LE 72, LE 79, GE 11: 23. Os desajustes interpessoais referidos no item 7.3. são decorrência do descontrole dessas paixões. O tratamento seria uma reeducação dos envolvidos. Isso teria que contar com o desejo deles de se modificarem. As terapias baseadas na tabula rasa não resolveriam esse problema, pois essas condições são inatas. Isso discutiremos no Capítulo VIII.

7.5.  Em GE 1:39 há afirmação “O perispírito representa importante papel no organismo e numa multidão de afecções, quer ligam à fisiologia, assim como a psicologia.” LM 54 “(...) no conhecimento do perispírito está a chaves de inúmeros problemas até hoje insolúveis”(CI p. 167; GE 14:18.; OP p.45; OB p.181). Quando a Ciência estiver com mais progresso, conseguirá estudar e conhecer melhor o que é o perispírito. O Espiritismo o define como um corpo feito de matéria sutil. Julgamos que havia falta de palavras para defini-lo com precisão nos Século XIX. Como no nosso organismo tudo ocorre através de reações biofísicas e bioquímicas e estas sempre geram campos eletromagnéticos, julgamos que o perispírito seja o somatório desses campos eletromagnéticos e será a Mecânica Ondulatória que, agindo nesses campos eletromagnéticos, alterará as doenças fisiológicas e psiquiátricas, curando-as.  Os desajustes interpessoais o serão com a modificação dos espíritos envolvidos.

7.6. A Doutrina assevera que a reencarnação começa com a concepção (LE 344 – União da alma ao corpo) esse se conclui com ao nascer (LE 344), quando a criança emite o primeiro grito, a primeira respiração (LM nº 284 nº 51 Nota, p.365; LE 344[primeiro grito]; LE 384 [primeiro choro]), permanecendo assim reencarnado o Espírito até que chegue o momento de sua desencarnação. O Cap. VII da Pt do LE fala do “Prelúdio da Volta”, “União da Alma e do Corpo” e “A Infância” , onde afirma que, a medida a gestação progride o Espírito sofre perturbações (“troubles”, no original), a fim de bloquear seu cabedal congnitivo, volitivo e afetivo, de modo a deixá-lo suscetível a educação e a evangelização dos adultos que têm permissão serem seus guardiães na vida material (pais, tios, avós, educadores, evangelizadores) (LE 339, LE 340 Nota, LE 351, LE 352, LE 380, LE 385, EE 8:4, GE 11:20 (p. 215) e GE 14:44 (p. 304). Talvez isso tenha contribuído para a formulação da teoria da “tabula rasa”. A concepção das psicologias profundas, de que são os conflitos de infância que gerarão os distúrbios psicopatológicos na adultícia, não encontram sustentação. Esses distúrbios são inatos do paciente. Foi a falta de uma boa educação e uma boa evangelização, que não implantaram no Espírito princípios mais elevados. No EE 14:3, falando da “Piedade Filial”, a Doutrina ensina que reencarnamos com os pais (constelação familiar) que merecemos. Se uma criança reencarna com pai ou mãe castrativos, sofre abuso sexual de alguma adulto convivente, é sinal que são esses seus antigos companheiros de más condutas em reencarnações passadas. Essas vivências cruéis não causam traumas, deixam de atuar melhorando o Espírito. Não agem ativamente. Sua ação é pela omissão. A terapia baseada no Espiritismo para resolver problemas interpessoais não pode fundamentar-se em traumas de infância, mas na ausência de educação e evangelização. Sobre a formação da família ver as referências do item 4.3. desse livro.

 


CAPÍTULO VIII

8. DOENÇAS ORGÂNICAS

8.1.Definimos como doenças orgânicas, aquelas que se expressam por alterações da morfologia ou da fisiologia ou de ambas do corpo físico em parte ou “in totum”. Temos que levar em consideração duas coisas. Uma é o “Princípio Vital”, que fornece a vida ao corpo físico independente ou não de haver ligação com Espírito encarnado. A outra é o “perispírito” ao qual Kardec afirma por várias vezes que o conhecimento dele será a chaves para a solução de muitos problemas físicos e psicológicos.

8.2. Princípio vital. Foi abordado no item 5.7. do nosso livro, Análise Filosófica do Espiritismo e item 1.4. desse livro. O Cap .IV da 1ª. Pt do LE é dedicado a ele. O importante é compreender que a vida orgânica independente de haver Espírito reencarnado no corpo físico em exame. O que produz a vida orgânica é a presença desse Princípio Vital no corpo físico. Em LE  63 “A vida é um efeito devido à ação de um agente sobre a matéria”. Observemos que a afirmação não trata de haver Espírito encarnado. “Esse agente” será explicado que é o “Princípio Vital”; LE 70 Nota “Os corpos orgânicos (...) a atividade do fluido determina o fenômeno da vida. A cessação dessa atividade causa a morte.” LE 136 A “Pode o corpo existir sem a alma?(...)” A vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode habitar um corpo privado de vida orgânica (grifos nossos).”  Deduzimos que a vida orgânica não depende de haver Espírito encarnado no corpo físico, depende apenas da presença do fluido vital. LE 140 A “A alma atua por intermédio dos órgãos e os órgãos são animados pelo fluido vital.” Há uma ênfase que a vida orgânica não depende da presença de um Espírito encarnado no corpo físico, como soe ser afirmado erroneamente no Movimento Espírita Brasileiro. Depende única e exclusivamente do fluido vital. Desde que se mantenha o corpo físico animado por esse fluido vital, através de aparelhos e da bioquímica, podemos retirar órgãos para transplantes, pois não estaremos provocando desencarne de Espírito. LE 156 “O corpo é a máquina que o coração põe em movimento. Existe, enquanto o coração faz circular nas veias o sangue, mas o que não necessita de alma (grifo nosso)”. Vemos que, o corpo mantido “vivo” artificialmente por aparelhos, pode não ter mais ligação com algum Espírito nele esteve encarnado. O transplante de seus órgãos para o corpo físico de um ouro Espírito ainda encarnado não constitui “eutanásia” como afirmam alguns próceres do Movimento Espírita Brasileiro. LE 162 “Ela (consciência, observação nossa), porém, cessa necessariamente com a vida orgânica do cérebro (...)”. Outras citações: LE 63 A vida é um efeito devido à ação de um agente sobre a matéria.” LE 67 “Ela (vitalidade) não se desenvolve se não com corpo.” LE 70 “Que é feito da matéria de princípio vital dos seres orgânicos, quando estes morrem? A matéria inerte se decompõe e vai formar novos organismos. O princípio vital volta à massa donde saiu.” Da LE 71 à LE 75 A trata da Inteligência e Instinto. A fonte da inteligência não é o princípio  vital, mas a inteligência universal. O princípio vital rege os instintos, como os que há nas plantas.

8.3. Pelas citações o Espiritismo é uma doutrina vitalista. Portanto caberá aos biofísicos estudarem essa força vital para controlá-la e usá-la nas prevenções, diagnósticos, prognósticos e tratamento.

8.4. Perispírito. No nosso livro, Análise Filosófica do Espiritismo, abordamos este tema no item 7.6. e item 1.3.. “O perispírito é uma substância vaporosa e semi-material que envolve o espírito (LM 3) e que pode elevar-se e transportar-se a onde esse queira (LE 93, LE 135 A).” (...) “O perispírito é formado a partir do fluido universal do globo aonde o espírito reencarna e variará conforme a constituição desse (LE 94).  O perispírito se depura a medida em que o espírito evolui na hierarquia espiritual (LM 55).” “ (...)O perispírito é o laço que prende o  espírito ao corpo físico (LE 257).   Serve para a identificação dos espíritos desencarnados (LE 284). GE 2:23.(...) serve de veículo ao pensamento, às sensações e percepções do Espírito.”. Propriedades: O conhecimento integral de todas as propriedades do perispírito resolverá muitos problemas de saúde: LM 54 “(...) no conhecimento do perispírito está a chave de inúmeros problemas até hoje insolúveis.”; GE 1:39. O perispírito representa importantíssimo papel no organismo e numa multidão de afecções, que se ligam à fisiologia e também à psicologia.”; GE 1:40.“O estudo das propriedades do perispírito (...) dá a chave de uma multidão de fenômenos incompreendidos até então (...).”; GE 14:18. (...) o perispírito desempenha preponderante papel no organismo.”; CI 2a.Pt 1:2. p. 167 O conhecimento do laço fluídico que une a alma ao corpo é a chave desse e de muitos outros fenômenos.”;  OP p. 45 Quando as ciências médicas tiverem na devida conta o elemento espiritual na economia do ser, terão dado grande passo e horizonte inteiramente novos se lhes patentearão.; OB.p. 181 Sua causa está inteiramente no perispírito – princípio não só de todos os fenômenos espíritas propriamente ditos, mas de uma porção de efeitos morais, fisiológicos e patológicos (...), cuja descoberta, (...), abrirá horizontes novos à ciência (...). (...), o perispírito representa importante papel em todos os fenômenos da vida. (grifos nossos). O perispírito é outro elemento de cujo conhecimento a medicina se beneficiará muito nos diagnósticos, prognósticos e tratamentos de doenças orgânicas e córtico-frontais. E também caberá aos biofísicos desbravarem esse campo. As definições dadas ao perispírito estavam limitadas aos conhecimentos da época (1857-1869). Como sabemos que tudo no organismo ocorre através de reações bioquímicas, com polarização e repolarização de membranas celulares, criando campos eletromagnéticos, julgamos que o “perispírito” nada mais é do que um somatório de campos eletro-magnéticos, formando um grande campo.

8.5. A chave da Medicina está na Biofísica  que estudará o “princípio vital” (energia) e o “perispírito” (somatório de campos eletro-magnéticos). O futuro da Medicina está na Mecânica Ondulatória. É isso que um médico com uma real orientação espírita deveria fazer e não como vemos limitarem-se a passes, sessões de desobsessões, auto-cura, cirurgias espirituais. Estão degradando o Espiritismo para o curandeirismo místico.

8.6. Os ferimentos de guerra mostraram ao homem que os resíduos alimentares permaneciam no “bucho ou papo” (estômago), mas logo que passavam para as “tripas” (intestinos)  tomavam a forma de uma massa branca . No final das “tripas” (cólon) viravam fezes com cor pardacenta e com odor característico. Os diversos líquidos que bebíamos, desde a água incolor, ao chá preto, verde ou vermelho, vinho vermelho, sucos de diferentes cores, transformavam-se em urina amarela. O homem também constatava que coisa semelhante ocorria com os animais abatidos para a alimentação. Isso levou a idéia de que deveria existir um princípio, uma força, uma energia vital distinta ao mesmo tempo da alma e do organismo e da qual dependeriam todas as ações orgânicas. Essas teorias foram chamadas de “vitalismo”. Com o desenvolvimento da bioquímica e da biofísica, essas reações passaram a serem explicadas e compreendidas, destruindo a crença no vitalismo. Quando Kardec começou codificar a Doutrina dos Espíritos, foi informado da veracidade do vitalismo, mas talvez por influência do “espírito da época” não deu tanto valor ao vitalismo, atribuindo somente ao perispírito a explicação de muitos fenômenos vitais e psíquicos. Aparecem, de vez por outra, filósofos que retomam o vitalismo, como é o caso de Henry Louis Bergson (1859 – 1941). Repetimos mais uma vez que caberá à Biofísica o papel preponderante na reabilitação do estudo dessa força vital responsável pela vida orgânica, independente da encarnação de um Espírito. Agora dessa vez sem o misticismo dos religiosos e as galimatias dos filósofos.

 

 

 

 


CAPÍTULO IX

9. TERAPIA BASEADA NO ESPIRITISMO.

9.1. Allan Kardec sempre prestigiou a Ciência e nunca se voltou contra ela. O último livro que escreveu em vida, A Gênese, é uma comparação entre os ensinamentos do Espiritismo e o que havia de mais moderno na Ciência da época. Muita coisa pode estar em desacordo com os conceitos da Ciência moderna, mas esse livro é uma prova do respeito que ele tinha pela Ciência e o prestígio que lhe dispensava. Chegou a afirmar se Ciência viesse a contradizer alguma coisa afirmada na Codificação, essa assertiva deveria ser abandonada e adotada o que a Ciência provava (GE 1:55). E era a Ciência ocidental! Kardec nunca prestigiou o misticismo oriental. É insana a atitude que muitos profitentes do Movimento Espírita Brasileiro tomam ao escarnecer a Ciência Ocidental e procuram sincretismos com o misticismo oriental (é o caso dos seguidores do suposto espírito denominado de Ramatis), magias, curandeirismo e sortilégios.

9.2. Como vimos no Cap. VIII deste livro, a grande chave está no conhecimento do “Princípio Vital” e no “perispírito”. A especialidade médica que melhor poderá estudar essas duas forças será a “Biofísica”. Conhecendo o que elas são, como agem, poderemos elaborar diagnósticos, prognósticos e tratamentos, tanto para as doenças do corpo físico como para as córtico-frontais. Com os conhecimentos científicos que temos no momento não podemos vaticinar como isso ocorrerá. Só podemos afirmar que curandeirismo, milagres, auto-ajuda, estarão desalojados da área médica.       

9.3. No item 7.3 abordamos os conflitos interpessoais e afirmamos que Kardec não deixou explícito como abordá-los, mas citou-os como causa: QE p.113 (41ª. Ed., FEB, 1999) “Entre as causas mais numerosas de excitação cerebral (ele fala em excitação cerebral e não em loucura), devemos contar as decepções, os desastre, as afeições contrariadas,(conflitos interpessoais) as quais são também as mais freqüentes causas de suicídio (grifos nossos).”. No item 7.4., explicamos que esses conflitos surgem porque ainda guardamos certas paixões, como ódio, rancor, vingança, inveja, ciúme, falta de indulgência, etc., que criam esses atritos interpessoais. A base deles todos é o egoísmo, que é fruto da “individuação” do “Princípio Inteligente”, que devemos perder gradativamente à medida que evoluirmos na escala espiritual. O grande desafio será encontrar um método terapêutico que modifique essas paixões. No presente momento, acho que somos incapazes, pois, os terapeutas de modo geral ainda as possuem. Futuramente, talvez. O ponto de vista empiricista que segue a “tabula rasa”, não tem respaldo doutrinário. Reencarnamos no lar, na família e na cultura que merecemos (EE 14:3). Os conflitos passados na infância, em vez de serem causa dos transtornos comportamentais da adultícia, são“finalidades a cumprir”, resgates de dívidas passadas. Se esses conflitos “deixaram seqüelas”, como algumas escolas ainda pregam, é porque o Espírito não resgatou seus débitos plenamente: rancor, mágoa, vingança, ainda permeiam sua atividade córtico-frontal, adiando para o futuro o pleno resgate das faltas pretéritas. Para exemplificar: uma criança criada por pais “castrativos” poderá ter inibições nos relacionamentos interpessoais. As terapias atuais trabalham com a hipótese de que esses conflitos infantis ficaram no inconsciente, mas produzindo seus frutos mais tarde (adolescência, adultícia). Segundo o Espiritismo, o Espírito que reencarnou entre pais “castrativos” é porque os merecia. Foram rivais em reencarnações passadas e reencarnaram agora juntos para a conciliação ou esse Espírito pode ser autoritário e precisa conviver com pessoas autoritárias, para sentir o efeito danoso que tal comportamento produz nos outros. O que a Psiquiatria atual chama de “castrativo”, “castrador” são os qualificativos para pessoas autoritárias. Assim, um Espírito autoritário, passando uma infância entre pais autoritários, ele irá sentir-se mais humilhado que um Espírito humilde e não autoritário. Ele, a todo momento, que sofrer uma admoestação severa dos pais autoritários, sentir-se-á mais humilhado, mais rebaixado em concernência ao que outro Espírito humilde vivencia. As paixões que ainda alimenta, como orgulho, rancor, o dificultarão perdoar as sofridas “humilhações” que vivenciou. A resposta a LE 917, afirma que o “egoísmo é a fonte de todos os vícios.” Deixa a entender será modificando a maneira da ver o Mundo, uma nova expectativa de vida que o curará e que isso está enraizado na matéria devido ainda à preservação do instinto de conservação do corpo e da espécie. À medida que evolua, compreenderá que essa manutenção possa ser feita por causas racionais e não por resquícios de instinto. O egoísmo irá se declinando até a profligação completa. Somente a educação é capaz de fazê-lo. No EE 5:14 – 17, ele deixa indícios de que seria preventivamente por uma boa educação e evangelização e curativamente pela crença que nada termina com a morte. A vida prossegue. Os sofrimentos na vida encarnada são resgates libertadores e a crença em um futuro sempre melhor dará sempre uma razão para viver. Será a certeza do cumprimento de uma finalidade, que libertará o Ser Humano de suas mazelas. A terapia baseada no Espiritismo terá quer ser (1) explicativa, explicando essa situação existencial (cármica), (2) exortativa, estimulando o Espírito a vencer o orgulho e o rancor e (3) preventiva através da educação e evangelização. Confessamos que não sabemos que metodologia usaríamos para isso. O que conhecemos de Ciência no momento tem muita influência do Mecanicismo. Esse tipo de terapia não é de maneira nenhuma compatível com ele. Talvez, no futuro, se todo as pessoas de Ciência tiverem uma visão espiritual da vida, possa surgir uma metodologia para esse tipo de tratamento. Mas, também não será com o sincretismo místico e psicodélico da Psicologia Transpessoal que resolveremos esses conflitos interpessoais.

9.5. O Cap. VII da 3ª. PT do LE (Da volta do espírito a vida corporal) assevera que a reencarnação ocorre dentro de um período, que começa com a concepção (conceito da época) e se conclui com a primeira inspiração que a criança faz ao nascer. Por várias vezes é dito que o embrião (depois o feto) começa a sofrer perturbações que vão se acentuando até o término da gravidez. Isso tem a finalidade de bloquear os patrimônios cognitivo, afetivo, volitivo, ético, estético, que o Espírito já tenha de outras reencarnações, a fim de torná-lo suscetível a uma boa educação e evangelização. Essa boa educação e evangelização o Espírito terá conforme merecer. Uma vez, que reencarna entre Espíritos afins, com os quais em vez de afeições, tenha débitos e mesmo ódio,  ele passará por um corolário de reencarnações com infâncias difíceis, aparentemente inúteis ou até perniciosas. Mas no embate das paixões com seus afins, é que os Espíritos vão se burilando, até um dia chegar à perfeição, libertando-se do ciclo das reencarnações no mundo físico. As escolas que deram tanto valor aos conflitos de infância detectaram o problema, mas por influência do pensamento mecanicista, não chegaram à causa ou melhor à finalidade. Paciência. Isso é uma questão de tempo. A Ciência chegará à solução e descobrirá um meio de controlar, diminuir ou mesmo abolir as paixões humanas.

9.6. Obsessão. Entre o mundo encarnado e o desencarnado há um intercâmbio de idéias e afeições. Nós encarnados atraímos os Espíritos que nos são simpáticos e repelimos os que nos são antipáticos pelo pela nossa vibração afetivo-instintiva. Estamos sempre rodeados de Espíritos influenciando nossa vida. Essa influência pode ser boa ou má, conforme a atração que exercemos. O mesmo ocorre com os encarnados. O ditado que        diz : “diga-me com quem andas que eu te direi quem és” encerra essa verdade. A má influência que recebemos de um Espírito desencarnado, foi chamada de obsessão; o Espírito desencarnado de obsessor e o encarnado de obsidiado. Na realidade a relação obsessor/obsidiado é uma simbiose de afetos e pensamentos. É uma situação bilateral. Mas, a tendência é considerar o obsessor o algoz e o obsidiado a vítima. Kardec trata do tema nos seguintes trechos: LE 459 a LE 472 “Influência oculta dos espíritos em nossos pensamentos e atos”; LE 473 a LE 480 “Possessos”; LE 481 a LE 483 “Convulsionários”; LE 484 a LE 488 “Afeições que os Espíritos votam a certas pessoas”; LE 489 a LE 521 “Anjos da guarda. Espíritos protetores, familiares ou simpáticos; LM 2ª. Pt, Cap. XXIII “Da obsessão”; EE 10:5.6. “Reconciliação com os adversários”; EE 12:5.6. “Os inimigos desencarnados”; EE 28:81.82.83. “Prece pelos obsidiados”; EE 28:84. “Prece pelo obsessor”; GE 14:45-49. “Obsessões e possessões”; GE 15:29-36 “Possessos”; OP § 7 do Cap. 2 da 1ª. (p. 67-74 da 22 Ed FEB 1987) “D obsessão e da possessão”; RE FEV/MAR 1864  e ABRIL/1885; QE da p. 111 à 114.

9.7. Não existe terapia espírita baseada no “afastamento do obsessor”. Isso é sincretismo com cultos fetichistas. A terapia espírita consiste na educação moral de ambos, ou pelo menos do encarnado, quando ambas não forem possíveis.

9.8. Terapias de vidas passadas. Isso é incompatível com o Espiritismo. È uma influência das doutrinas psicológicas que adotam o inconsciente dinâmico: uma instância irracional a comandar a conduta humana. Elas afirmam que os traumas vividos na infância e não resolvidos atuam na vida adulta, o que os espíritas incompetentes confundem com carma. Se o paciente vivenciá-los durante as sessões de terapia, a libido que os mantinha no inconsciente é liberada e o sintoma mórbido desaparece. Alguns próceres do Movimenta Espírita Brasileiro, na ânsia de provar que o Espiritismo é científico, incorporaram essa suposição na Doutrina. Acham que se o paciente se lembrar dos atos errados que praticou em reencarnações passadas, o sintoma mórbido da presente desaparecerá. Certa vez, um espírita místico contou-nos que conhecia um rapaz que tinha fobia de água e que, passando por uma regressão, vivenciou que na última reencarnação morrera afogado. Esse raciocínio está totalmente contrário à Doutrina. Se ele teve uma morte violenta, sofrida, deveria estar resgatando uma falta. Se o fez, esse resgate foi a solução de um débito e não a criação de um “trauma cármico”. Além do mais, Kardec frisa com veemência a necessidade do esquecimento do passado. Kardec adverte sobre o perigo de tentar recordar o passado cármico e expõe as razões para esse esquecimento do passado: LE 392 à LE 399; EE 5:11. e QE da p. 114 à p 117 (41ª. Ed, FEB, 1999).

9.9 No item 9.3. afirmamos que O grande desafio será encontrar um método terapêutico que modifique essas paixões. Embora não nos julguemos apto a apresentar a solução, queremos prestar alguma diretriz. Recordemos alguns conceitos da cadeira de Patologia Geral do Curso Médico. As doenças possuem vários tipos de fatores, alguns podendo ser conhecidos e outros não. Fator etiológico: é o que causa a doença; o tifo é causado pela Salmonella, a tuberculose pelo bacilo de Koch. Fator desencadeante: uma grande tensão provoca as glândulas supra-renais a produzirem adrenalina e corticóides; esses diminuem a atividade do sistema imunológico, desguarnecendo o organismo da invasão de agentes etiológicos de doenças; assim, após um grande desgosto, o sistema imunológico diminui sua atividade e o Bacilo de Korch que estava latente, encontra facilidade para entrar em atividade. O desgosto foi um fator desencadeante, mas não etiológico. Fator predisponente: São os antecedentes familiares, as predisposições genéticas descobertas recentemente, o conceito de miasma da homeopatia, fatores ambientais como a má alimentação, local de trabalho ou de residência sem condições higiênicas adequadas. Um portador de miasma tuberculínico ou morador de favela ou de rua ou submetido a trabalho árduo, sem as devidas proteções higiênicas, estará mais propenso a adquirir a tuberculose que os outros; as verminoses são mais freqüentes entre pessoas que vivem em péssimas condições de higiene. A falta de higiene é um fator predisponente às doenças infecto-parasitárias. Fatores agravantes: são semelhantes aos predisponentes; são condições sócio-econômicas ou emocionais que aparecem no transcurso de uma doença, agravando-lhe os sintomas ou dificultando a cura; um tuberculoso que perde tragicamente um ser querido; isso pode agravar-lhe o morbo já existente. Fatores atenuantes: são semelhantes aos agravantes, só que agindo de maneira inversa; um tuberculoso que recebe a notícia do nascimento de um filho sadio, uma promoção no emprego. Terá seu estado de saúde melhorado. Como o Espiritismo é uma doutrina determinista finalista, a missão do terapeuta será ajudá-lo a entender a finalidade da expiação, mudando-lhe o modo de ver o mundo. Com isso, os fatores intervenientes negativos se abrandarão ou extinguirão e o positivo se exaltará, ajudando a cura. A estimulação da fé raciocinada no futuro e da resignação, também são outros fatores a serem usados. Exortar o paciente a vencer ou diminuir as paixões, como vingança, inveja, ciúme, rancor, etc. Analisemos pela fisiologia. Essas paixões despertam sentimentos agressivos preparando-nos para a luta – a Síndrome Geral de Adaptação de Hans Seyle. O vingativo, o rancoroso, o invejoso, o ciumento está em constante “alerta”, em constante “estado de luta”. Suas supra-renais produzem maior quantidade de adrenalina e corticóides, favorecendo crises hipertensivas e baixa da imunidade. Um “evangelização”, uma “exortação moral” também fará parte desta terapia. O Médico, por sua vez, tem que convencer-se que está em missão quase sacerdotal, portanto, antes de pregar, deve praticar o objeto de sua pregação.

 

 


CAPÍTULO X

10. REENCARNAÇÃO.

10.1. A admissão da reencarnação como realidade, muda o modo de ver o mundo, a cosmovisão (Weltanschaung). Forçosamente, isso afetará muitos valores da atual Medicina, pois ampliará o conceito de vida. O indivíduo não é mais uma “tabula rasa”. Traz todo um cabedal de experiências afetivas, cognitivas, estéticas, éticas. Já passou por vários grupos étnicos-culturais, tendo uma bagagem que afeta sua vida ou com resgates ou com premiações. Amplia a visão para o futuro. A doença presente, sendo um resgate, está tendo a finalidade de preparar o Espírito para a perfeição e um dia deixar o ciclo de reencarnações no mundo físico.

10.2. Com essa mudança de visão não só do médico, mas dos outros profissionais de saúde, do próprio doente e de sua família, a doença deixará de ser vista como uma coisa ruim. Será vista como uma lição, um resgate. Isso facilitará a resignação, trará esperança, pois estará agregada a ela a certeza de um futuro promissor, resultando em serenidade diante do infortúnio. Isso não sobrecarregará a supra-renal na segregação de adrenalina e corticóides, para enfrentar a angústia do inconformismo, o medo do futuro.

10.3. Em EE 3: (Há muitas moradas na casa de meu Pai), há asserção de essas “muitas moradas” aos outros orbes onde reencarnam Espíritos. Didaticamente, esses mundos foram divididos em cinco categorias. A primeira  categoria é dos mundos primitivos, onde não há distinção entre mal e bem: é onde reencarnam os hominídeos e as formas mais primitivas de Seres humanos (Homo habilis, ergaster e erectus) e os Espíritos que estão iniciando a Pedra Lascada (Homo sapiens do Paleolítico). A segunda é dos mundos de provas e expiações, onde há distinção entre mal e bem (noção de ética), mas o mal predomina sobre o bem; nesses mundos reencarnam os Espíritos que já estão nos estágios secundário da Pedra Lascada, passa pela polida, pela Antiguidade, chegando a era atômica, das telecomunicações, das viagens espaciais, da robótica, da informática e da engenharia genética; quando sua humanidade paleolítica está preparada para tornar-se neolítica, Espíritos que reencarnavam em mundos dessa categoria e que foram promovido à de Regeneração, vão exilados para os de provas e expiações, por  apresentarem as paixões inferiores e recapitularem as lições de moral que não aprenderam e adiantar materialmente os anfitriões do exílio; observemos que a Terra até 8 mil anos aC saía da última Era Glacial e de imediato entrou no Neolítico; os humanos descobriram os metais, a navegação a vela, a roda, domesticação de animais. Em 2 mil anos ad Dominus, atingiram a tecnologia acima mencionada. A terceira é a dos Mundos de Regeneração; o mal é igual ao bem; os Espíritos que aí reencarnam já compreendem que possuem defeitos morais e se esforçam por se libertarem deles; os resgates já são mais brandos e toda a humanidade tem consciência de que é constituídas por Espíritos reencarnados, que a passagem pela Terra é apenas uma fase da verdadeira vida e o apego às coisas materiais aos poucos diminui. A quarta é a dos Mundos Felizes, onde o bem predomina sobre o mal; os resgates são mínimos. A quinta é a dos Mundos Celestiais, onde só há o bem; os Espíritos ai reencarnantes já não têm mais resgates. Após esses períodos o Espírito evolui sem precisar reencarnar em mundo físico. No LE 234, LE 235 e LE236, há a descrição dos Mundos transitórios que são orbes fisicamente estéreis, mas que servem de bivaque para os Espíritos desencarnados em trânsito.

10.4.  EE 4 (Ninguém poderá ver o reino de Deus se não nascer de novo). Os Espíritos mostram a Kardec a necessidade de os Espíritos reencarnarem no mundo físico. O Espírito é ai individualização do Princípio Inteligente, então só reencarna na forma humana. Os vegetais e animais são animados pelo Princípio Inteligente. Os Seres humanos pelos Espíritos. Essa transformação é gradativa. Os Espíritos ainda guardam resquício da bestialidade instintiva que dá origem a nossas paixões. Reencarnado no mundo físico, entre antigos rivais, vamos burilando nossa afetividade e abandonando as paixões. Isso é que consiste a necessidade da reencarnação no mundo físico para um dia enxergarmos o Reino de Deus. Em EE 7 (Bem-aventurados os pobres de espírito), é explicado que Cristo chama de “pobre de espíritos” os humildes, aqueles espíritos que não mais se ensoberbecem com as coisas mundanas, recebendo assim a bem-aventurança. Em EE 8 (Bem-aventurados os que têm puro o coração), são aqueles que não têm mais malícia, inclusive os compara com as “criancinhas” que para a sociedade da época era símbolo de pureza, de inocência.Em EE 10 (Bem-aventurados os Misericordiosos) há explicação de que misericórdia é a compaixão que temos com o próximo que sofre. Já não ficamos indiferentes, como se o problema não fosse nosso e nem nos regozijamos com tal (vingança); temos tolerância com os defeitos alheios e até mesmos sentimos pesar por sabermos que o irmão está adquirindo débitos para resgates futuros.

 

 

 

 

 

 


CAPÍTULO XI

11. Espiritismo como Ciência.

11.1.  Kardec por, várias vezes, assevera que o Espiritismo é uma Filosofia e uma Ciência (LE Conclusão nº VII, p. 486; LM 13, p.29; QE Introdução, p.50 [Podemos defini-lo assim: O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal] ). Nunca afirma peremptoriamente ser uma religião. Poderá ter conseqüências religiosas, isto é, influir futuramente no pensamento religioso.

11.2.  O aspecto filosófico dessa Doutrina, foi exposto em nosso livro, “Aspectos Filosóficos do Espiritismo”, que se encontra nesta página eletrônica.

11.3.  Kardec, influenciado pelo Mecanicismo de sua época, considerou o Espiritismo como uma ciência experimental. As manifestações das “mesas girantes” despertavam a curiosidade fútil da sociedade. Kardec, após algumas observações, deduziu que aquelas experiências poderiam ser repetidas sem finalidade lúdica. Reservadamente, em casa de amigos, passou a “repetir as experiências” seguindo os postulados mecanicistas. Aos poucos foi obtendo revelações sobre a vida espiritual e as codificando no Livro dos Espíritos, em 1857. As “mesas girantes” nada mais eram que a atuação dos Espíritos sobre objetos, a fim de chamar a atenção dos Espíritos encarnados para as revelações que precisavam ser feitas. Por isso, que Kardec, seguindo o modelo mecanicista, conseguiu que os Espíritos voltassem às comunicações, pois estavam à disposição para essa revelação. Kardec, depois, asseverará que esse “paradigma” mecanicista não poderá ser aplicado para o intercâmbio entre o Mundo Encarnado e o Mundo Desencarnado. Será o “paradigma” das Ciências Sociais e Humanas, que servirá. Sendo os Espíritos desencarnados seres dotados de afetividade, cognição, volição, estética, ética e compromissos no Mundo Espiritual, o estudo de sua relação com os desencarnados é através de provas indiciárias e conclusões por inferência. Evidentemente, Kardec não usa uma linguagem assim tão clara, pois esses conceitos ainda não eram bem conhecidos em sua época, mas podemos deduzi-lo por seus comentários.

11.4.  Até Comte, deixando-se levar pelo ideário mecanicista da época, enganou-se quando escreveu seu livro “Física Social” para criar a Sociologia que não se coaduna com o “paradigma” mecanicista. A disputa entre racionalismo e Empiricismo dos Séculos XVI e XVII, resultou no predomínio do último, principalmente, quando Kant, em seu livro “Crítica da Razão Pura”, duvidou de só a razão para chegarmos a verdade. O “paradigma” mecanicista baseia-se no método puramente empírico: observação, hipótese, experimentação e conclusão. Esse método não é aplicável rigorosamente em ciências sócio-humanas como Psicologia, Antropologia, Sociologia, Pedagogia, etc. Além de ferir a ética, não podemos colocar um Ser Humano ou um povo em laboratório para experiências. O observador morreria e deixaria para seus pósteros concluir o resultado de suas observações. Essas Ciências têm que colher seus dados de indícios ou de amostragens.  É na escolha desses que está o busílis. Uma amostragem mal feita produzirá uma inferência errada ou bastante imprecisa.

11.5.  Para isso Kardec estabelece o critério para considerarmos provável uma revelação espírita. Na Introdução do Evangelho Segundo o Espiritismo, item II, título Autoridade da Doutrina Espírita, subtítulo em negrito Controle Universal do Ensino dos Espíritos, expõe quatro critérios. O primeiro é a espontaneidade; a informação não pode ser resposta de uma evocação. O segundo é a razão: qualquer informação tem que passar pela análise de seu conteúdo para verificarmos a probabilidade de ser uma verdade ou falsidade. O terceiro é concordância ideológica: várias mensagens, recebidas em diferentes lugares têm que concordar materialmente, podendo haver pequenas nuances na forma. O quarto é espontaneidade: as mensagens devem aparecer espontaneamente e não por evocação. O quinto é simultaneidade: elas devem aparecer ao mesmo tempo. O quinto é dispersão espacial: a mensagem tem que aparecer em vários lugares diferentes, sem comunicação entre si. O Movimento Espírita Brasileiro (MEB) não respeita esses critérios e é por isso que ele vem se afastando gradativamente da codificação de Kardec. A Federação Espírita Brasileira (FEB) adota as sandices propaladas por Jean Baptiste Roustaing e depois por Pietro Ubaldi. Edgar Armond infestou a Federação Espírita do Estado de São Paulo (FEESP) com seu misticismo teosófico. As obras ditas psicografadas por Francisco Cândido Xavier são tomadas como dogmas de fé. Um único médium, em um único lugar, é considerado como fonte da Verdade incontestável. Sua obra O consolador foi elabora por evocações sobre assuntos julgados duvidosos: assim é introduzido no MEB o vegetarianismo, a idéia de alma gêmea. Numa comunicação que recebe de Emmanuel, é dito que o Esperanto é uma língua criada no mundo espiritual. Seu criador, Lázaro Zamenhof, apenas um mensageiro. Isso foi o suficiente para o Esperanto tornar-se uma língua sagrada para o MEB. Divaldo Pereira Franco, com sua Joana de Angelis, enxerta no Espiritismo idéias absurdas, que se tornam incontestáveis. Ivone Pereira, outra médium que se torna um ícone. Além desses três principais, atualmente há uma pletora de médiuns que “revelam” as mais estapafúrdias idéias, mas a razão não é acionada para examiná-las. A doutrina “revelada” por Ramatis, através de um único médium com passado místico e ligações com Edgard Armond, é seguida por seus sequazes fanaticamente. Outro místico é o jesuíta renegado e suarista Umberto Rodhen. Lamentável: O MEB não conduz o Espiritismo cientificamente, mas misticamente.

11.6.  A ênfase que a Ciência deu à metodologia empiricista, resultando no Mecanicismo, teve uma causa política-econômica. Durante a Antiguidade, passando pela a Idade Média e terminado no período Barroco, o ideário social atribuía origem divina a imperadores, reis, faraós, nobres, enfim, qualquer mandatário. Isso colidia com o desejo de ascensão econômica e política da burguesia formada por comerciantes e artesãos. O Racionalismo admitia o inatismo. O Empiricismo admitia a “tabula rasa” - todos os homens nasciam iguais com as mesmas possibilidades e probabilidades. Isso derrubava a tese do “direito divino”. A “tabula rasa” passou a ser um mito filosófico e científico, por necessidade político-econômica. Com o desaparecimento das monarquias absolutistas,em sua maioria adotando a social-democracia, o “fantasma” do “direito divino” foi exorcizado e gradativamente o inatismo vem sendo aceito. A idéia absoluta de “tabula rasa” é gradativamente abandonada. Esse declínio favorece a aceitação do paradigma de provas indiciárias com conclusões por inferências. Quando o Espiritismo sair da nefasta influência do MEB e puder ser estudado cientificamente, esse paradigma deverá ser adotado. Somente assim a Ciência, como a Humanidade, poderão usufruir as revelações espíritas. A Doutrina será escoimada da ganga que o MEB lhe acrescentou, mormente o aspecto confessional.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


CAPÍTULO XII

12. Tecnologia, tecnocracia, tecnolatria.

12.1. Atualmente, encontramos críticas a vários setores do relacionamento humano em que o usuário é tratado com desumanidade Evidentemente, que isso não pode ser a realidade absoluta, mas também não somos hipócrita de não admitir que, não a maioria, mas uma grande parte proceda assim.

12.2. Em nossa opinião isso é reflexo do “tecnocentrismo” ou “tecnocracia”,. quiçá até mesmo de uma “tecnolatria”, que dominou todo o Século XX, mormente após a II.G. Mundial. Todas as profissões passam pelo mesmo drama. Citarei apenas dois exemplos. Os supermercados substituíram as antigas “vendas” ou “armazéns”, onde o freguês conversava com o vendedor além do simples comprar e vender. Hoje, nos supermercados encontramos as “gôndolas” cheias de artigos, que escolhemos “livremente”, pomos no carrinho e entramos nas enormes “filas do caixa”. A funcionária, sem dizer uma palavra, faz a leitura das barras eletrônicas, distribui as sacolas de plástico, o preço total aparece na tela, pagamos com o cartão magnético, não há troco. Os bancos, pouco a pouco, substituem os funcionários por máquinas. Realizamos pagamentos por telefone ou pelo computador.

12.3. Vários fatores concorreram para isso. Um foi a mudança da ideologia; o outro o aparecimento da máquina. Desde a Pedra Lascada, passando pelas Civilizações Antigas, até a Idade Média, o Ser Humano vivia sob o teocentrismo ou teocracia. Deus era o centro de tudo. As coisas eram feitas para agradar aos deuses ou a Deus. No Renascimento, o Ser Humano passou a “olhar para seu próprio umbigo”. As coisas passaram a ser feitas para agradar ao Homem, é o antropocentrismo ou antropocracia” (Humanismo antropocêntrico) ou mesmo “antropolatria” . Embora, as dinastias ainda se julgassem de direito divino, as idéias democráticas foram, aos poucos, abolindo esse conceito. Lembremos que o antropocentrismo é um fenômeno tipicamente europeu. As Civilizações Orientais continuaram místicas até serem engolfadas pela influência européia. No Século XIX, as máquinas passaram a substituir o trabalho humano e o do animal. A locomotiva era mais possante que vários cavalos. O navio a vapor navegava contra o vento. O Homem passou a dominar até os fenômenos naturais. O telégrafo levava pelos fios, mensagens que antes tomariam dias em lombo de animais ou em navio à vela para chegar ao destino.

12.4. A partir da segunda metade do Século XX atingimos o esplendor com a robótica, informática, navegação espacial, engenharia genética, “bebê de proveta”, transplante de órgãos. Hoje uma pá mecânica faz em alguns minutos o trabalho que vários homens faziam em horas. A navegação marítima era feita pela geometria curva, hoje o computador traça a rota do navio. Um tiro de artilharia dependia da capacidade do oficial artilheiro. Hoje, o computador fornece-lhe todos os cálculos e as bombas inteligentes, guiadas por vários sensores persegue o alvo. A aparelhagem de CTI (ou UTI) tem vários sensores de alarme que diminuem em muito o valor da enfermagem e do médico.

12.5. Já ouvi, em uma palestra, um especialista em robótica sobre navegação aérea afirmar que em breve os aviões dispensariam o piloto. Já ouvi de uma pessoa o escárnio de que o médico não precisaria mais fazer anamnese do paciente, bastaria pedir todos os exames de sangue, fezes, urina, tomografia computadorizada, ressonância, ultrassonografia, todos os “Doppler” possíveis, e ele teria o diagnóstico do paciente.

12.6. Esses fatos são verdadeiros e provam que a desvalorização do Ser Humano é universal, é fruto da tecnologia. O homem em sua vaidade, não consegue distinguir meio e finalidade. A tecnologia é um meio para tornar a vida mais segura e menos rude, mas não o fim. A máquina não substitui o Homem. Mas, todos nós estamos nos iludindo com isso. Não advogo à volta à teocracia. Mas, enquanto não voltarmos a colocar Deus em nossas vidas e nos julgarmos apenas um instrumento de Sua vontade, seremos engolfado pela máquina.

12.7. Os profissionais com comportamentos desumanos, esqueceram-se de sua condição humana e tratam os outros como se julgam: uma máquina. Há professores desumanos, que vêem o aluno com desprezo, confiam demais nas técnicas pedagógicas, em retroprojetores e em computadores, a fim de acelerar a aprendizagem “minimizando” os custos e “maximizando” os lucros. A pessoa uma é apenas uma peça desse grande maquinário de fazer lucro.. Em nosa opinião, quanto mais afastada a pessoa estiver de Deus, quanto mais ela nutrir a vaidade, o orgulho, ela estará sujeita a se iludir pela máquina. Portanto, o problema é um reflexo da tecnologia (“tecnocracia” ou “tecnolatria”) associado ao misticismo patológico da contra-cultura da New Age.

12.8. O Espiritismo asseverando que o verdadeiro Ser é o Espírito, que encarna e desencarna, destinando-se a perfeição, que o intercâmbio entre encarnados e desencarnados é uma realidade, auxiliará ao encarnado a compreender que essa tecnologia já estava construída nos planos espirituais, que nada inventamos, apenas descobrimos os que já existia no “mundo das formas e das idéias”. A tecnologia é apenas uma instrumentação que Deus colocou em nossas mãos para nos livrar dos trabalhos rudes e termos mais tempo para nos prepararmos para as coisas do Mundo Espiritual. Aqueles Espíritos, ainda muito presos á matéria, que desperdiçam esse tempo em jogo, luxurias, em toda espécie de prazeres mundanos, serão transferidos para um mundo no final do paleolítico, de modo que tenham o tempo todo para usar para as coisas materiais, como o sustento do corpo físico e a reprodução desse.

 

 

Referências Bibliográficas:

 

1- Wantuil, Z. e Thiesen, F.; Allan Kardec: Meticulosa Pesquisa Biobibliográfica; 1ª Ed.; 1979; Federação Espírita Brasileira; Rio de Janeiro. [p.3]

2- Damazio, S. F.; Da Elite ao Povo: Advento e Expansão do Espiritismo no Rio de Janeiro; 1994; Editora Bertrand do Brasil;  Rio de Janeiro; [p.3]

3- Wantuil, Z. e Thiesen, F.; idem [p.5]

4- Dicionário de Filosofia; Abbagnano, N.; 2A. ed.; São Paulo; Mestre Jou; 1982. [p.14]

5- Hessen, j.; Teoria do Conhecimento; 8ª. Ed.; Coimbra; Armênio Amado;1987. [p.19]

6- Vitta, L. W.; Introdução à Filosofia; 3A. Ed.; São Paulo; Melhoramentos; 1964. [p.19]

7- Vitta, L. W.; idem.[p.23]

8- Dicionário Grego-Português e Português-Grego; Pereira, I.; 5º Ed.; Porto; Livraria Apostolado da Imprensa; 1976. [p.23]

9- Dicionário Latino Português;  Torrinha, F.; 2º Ed.;  Porto.; Porto Editora; 1942. [p.23]

10- Ferrater Mora, J.: Diccionario de Filosofia; 1988; Alianza Editorial S.A.; Madrid; V.3. [p.24]

11- Dicionário de Filosofia; Abbagnano, N.; idem. [p.25]

12 – Bíblia Sagrada; João Ferreira de Almeida (Trad.); Rio de Janeiro; Sociedade Bíblica do Brasil e Editora Vida; 1984. [p.25]

13- Grande Enciclopédia Delta Larousse; Rio de Janeiro; Editora Delta S. A.; 1970; vol 10. [p.38]

14- Grande Enciclopédia Delta Larousse; idem; vol. 5. [p.38]

15- Dicionário de Filosofia; Abbagnano; idem. [p.41]

16- Dicionário de Filosofia; Abbagnano; idem. [p.41]

17- Francisco Cândido Xavier; O Consolador [obra atribuída à ação mediúnica de um espírito identificado como Emmanuel]; 17ª. Ed.; Brasília; Federação Espírita Brasileira; 1995.

18 - Francisco Cândido Xavier; A Caminho da Luz [obra atribuída à ação mediúnica de um espírito identificado como Emmanuel]; 14ª. Ed. Brasília; Federação Espírita Brasileira; 1986.

19 – Ubaldi, P.; A Grande Síntese [Síntese e solução dos problemas da Ciência e do Espírito]; Rio de Janeiro; Federação Espírita Brasileira; 1939.

20 – Mães, H.; Fisiologia da Alma [obra atribuída à ação mediúnica de um espírito que se apresenta como Ramatis]; 4ª. Ed.; Rio de Janeiro; Freitas Bastos S.A.; 1983.

21- Kardec, A.; O Livro dos Espíritos; 76 Ed.; Brasília; Federação Espírita Brasileira;1995.

22 -  Riehl, P.; Esperanto pra quê?; Rio de Janeiro; F.V. Lorenz; 2001.

23 - La Nova Plena Ilustrita Vortaro; Paris; Sennacieca Asocio Tutmonda; 2002.

24 - Kardec, A.; O Livro dos Médiuns; 55 Ed.; Brasília; Federação Espírita Brasileira;1987.

25- Kardec, A.; O Evangelho Segundo o Espiritismo; 100 ed.; Brasília; Federação Espírita Brasileira; 1989.

26- Kardec, A.; O Céu e o Inferno; 34 Ed.; Brasília; Federação Espírita Brasileira; 1987.

27- Kardec, A.; A Gênese ; 31 Ed.; Brasília; Federação Espírita Brasileira; 1988.

28- Kardec, A.; O que é o Espiritismo; 41 ª Ed.; Brasília; Federação Espírita Brasileira; 1999.

29- Kardec, A.; A Obsessão; 5ª Ed.; Matão; O Clarim; 1993.

30- Kardec. A.; Obras Póstumas; 22 ª Ed. Brasília; Federação Espírita Brasileira; 1987.


1998DADOS SOBRE O AUTOR.

 

1.      VICTOR LEONARDO DA SILVA CHAVES nasceu às 8 h do dia dois de setembro de 1940, no então Hospital Gaffrée-Guinle, à Rua Maris e Barros nº 775, na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Religião: católico.

2.      MÉDICO: inscrito no Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro nº 52-12.223-0.

3.      Ex-aluno do Colégio Militar do Rio de Janeiro, Turma 53/59; n° 1994. Infantaria.

4.      Ex-aluno do Colégio Externato São José (Irmãos Maristas), Rio de Janeiro, 1960

5.      Graduado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 1967.

6.      Título de Psiquiatra concedido por:

6.1.Associação Brasileira de Psiquiatria e Associação Médica Brasileira, 1970.

6.2.Conselho Federal de Medicina e Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, 1986.

7. Título de Especialista em Homeopatia, concedido pelo Instituto Hahnemanniano do Brasil, 1992.

8. Ex-Membro das:

8.1. Associação Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro, 1968/1994.

8.2. Associação Brasileira de Psiquiatria, 1970/1994.

8.3. Instituto Hahnemanniano do Brasil, 1993/1994.

9. Coronel Médico da Reserva Remunerada da Aeronáutica. Nome-de-Guerra: Coronel  Leonardo.

10. Ex-psiquiatra do Quadro de Saúde da Aeronáutica

11. Curso de Estado Maior da Aeronáutica; ECEMAR, 1985.

12. Curso Superior de Comando; ECEMAR, 1985.

13. Licenciado em Filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 1999.

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ÍNDICE

 

Prefácio.......................................................................................................................

 2

Agradecimentos .........................................................................................................

 4

Capítulo I.....................................................................................................................

 5

Capítulo II....................................................................................................................

 8

Capítulo III...................................................................................................................

11

Capítulo IV .................................................................................................................

16

Capítulo V...................................................................................................................

20

Capítulo VI..................................................................................................................

22

Capítulo  VII................................................................................................................

26

Capítulo VIII................................................................................................................

30

Capítulo  IX.................................................................................................................

33

Capítulo  X..................................................................................................................

38

Capítulo  XI.................................................................................................................

40

Capítulo  XII................................................................................................................

43

Referências Bibliográficas ..........................................................................................

46

Dados sobre o Autor....................................................................................................

48