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MÉDICOS SEM
FRONTEIRAS
Rio de Janeiro, 11 de fevereiro de
2001.
Ilmo. Sr. Dr. Henrique Peixoto Neto
Prezado Senhor
Informamos ao senhor que: 1)
recebemos no final de 01/2001 a correspondência enviada por “Porte
Pago, DR/RJ, PRT/RJ – 202/00”, solicitando nossa
cooperação com a organização “Médicos
Sem Fronteiras”; 2) não cooperaremos com a mesma e solicitamos que
não nos seja enviada mais
nenhuma correspondência pela exposição de motivos
abaixo descrita.
As chamadas “organizações
não-governamentais” são na realidade “organizações
para-governamentais”.
Elas foram criadas pela oligarquia financeira internacional para
obstruir o desenvolvimento dos países subdesenvolvidos, a fim de manter
sua estrutura de poder [establishment].
Atitude semelhante já foi
usada no passado. Em 1231, o Papa Gregório IX usou os dominicanos para
instituir o Tribunal da Santa Inquisição a fim de combater os albingenses do sul da França, alegando que os mesmos
esposavam doutrinas heréticas. Na realidade, a estrutura de poder
[establishment] da oligarquia financeiro
vigente [Papado e mercadores de Veneza e Gênova] queria impedir que os
cátaros constituíssem um poder financeiro independente. O Papa
Inocêncio III infrutiferamente realizara (1208/09) uma cruzada
[semelhante às forças de paz da ONU] para
dominá-los. As Cruzadas contra o Islã eram tropas a
serviço desses mesmos mercadores que tinham perdidos para os
mulçumanos o controle financeiro dos mercados do oriente. Felipe IV da
França (o Belo) em 1307, aliado aos mercadores de Veneza e Gênova
e ameaçado pelo poder financeiro crescente da Ordem dos
Templários, acusou estes de heresia, homossexualidade e
feitiçaria e os combateu; queimou vivo muitos de seus cavaleiros,
inclusive o grão mestre, Jacques de Molay; em
1314, definitivamente liquidara essa ordem, apossando-se de seus bens
materiais.
Atualmente, a oligarquia
financeira internacional não pode acusar ninguém, que ameace
sua estrutura de poder, de heresia, feitiçaria ou homossexualidade. Devido a presente falta de sentimento
religioso da humanidade atual, a acusação de heresia ou feitiçaria
não daria respaldo moral para uma intervenção militar em
países que ameaçassem sua estrutura de poder. Após
a desastrosa década de 60, com o movimento hippie, as badernas nas ruas
de Paris em maio de
Qualquer
país, com capacidade de tornar-se uma potência econômica
independente, será acusado de ameaçar o equilíbrio
ecológico do planeta, caso queira fazer uma grande obra de infra-estrutura:
usinas elétricas, estradas de rodagem ou férreas, portos,
aeroportos. Se não obedecer às ameaças das ONG’s
ecológicas, o assunto será levado à Assembléia
Geral da ONU, que provavelmente adotará uma medida truculenta como
bloqueio econômico ou mesmo intervenção militar. Temos um
exemplo recente no Brasil: a filial da WWF criou dificuldades para a
ligação entre as bacias do Paraná e do Paraguai.
Muitos países
subdesenvolvidos foram colônias de metrópoles européias.
Possuem uma população “criolla”
e outra nativa. As ONG’s relacionadas aos direitos dos povos
indígenas visam dificultar a assimilação entre essas
culturas de modo a criar cizânia e mesmo fragmentação do
país. Cumprem o lema dividir para dominar. É o que vem
ocorrendo nos países da América Latina.
As relacionadas com os direitos
humanos acusam qualquer país, que não obedeça aos senhores
do mundo, de violar esses direitos e propõem uma
intervenção das forças de paz da ONU ou da
OTAN. Exemplo: a guerra do golfo [invasão do Iraque]
intervenção da OTAN na Iugoslávia.
Além dessas, há as que
praticam obras de “bom-mocismo” de modo a criar
dependência nas áreas de saúde, educação,
assistência social, etc..
No folheto apologético,
enviado como anexo, sua organização fornece como exemplo a
recuperação que fez do posto de saúde
O referido posto de saúde
estava em situação precária por desleixo da Prefeitura,
pois ela tem dinheiro sobrando. Como exemplo, temos a luminária
gigantesca feita no cruzamento de duas ruas importantes na zona sul do Rio de
Janeiro, atravancando o trânsito. Esse monumento ao desperdício do
dinheiro público chegou a receber do vulgo um apelido jocoso por lembrar
um símbolo fálico. O
dinheiro esbanjado nesse despautério poderia recuperar vários
postos de saúde sem nos obrigar a pedir esmola a
organizações estrangeiras.
Além disso, para onde vão as verbas dos SUS, que o governo
federal faz tanto alarde de que o repassa para estados e
municípios? E a
arrecadação da CPMF que foi criada para melhorar a
assistência sanitária. Há alguma coisa errada que
não entendemos. Não?
A investidura do Prêmio Nobel
da Paz recomenda mal a pessoa ou organização que a receber.
Citaremos apenas dois exemplos: 1) em 1906, Theodore Roosevelt recebeu esse
prêmio por ter feito o acordo de paz entre Rússia e
Japão após uma guerra açulada pela oligarquia financeira
internacional; como secretário da Marinha [1897/98] modernizou e
fortaleceu a esquadra americana que derrotou a Espanha em 1898, tomando-lhe
Cuba, Puerto Rico, Filipinas e Guam; em 1903, quando
ele era presidente, essa esquadra tomou o Panamá da Colômbia que
dificultava a construção do canal; ele foi o criador da
política imperialista do big stick;
é um escárnio que tal indivíduo merecesse receber esse
prêmio; 2) em 1973, Kissinger o recebeu por ter feito gestões de
paz para a guerra do Vietnã desencadeada pela ambição da
oligarquia financeira internacional de quem era fiel escudeiro. É muita protérvia!
Enviaremos uma cópia dessa
carta para o CRM-RJ, AOB, ABI, para a imprensa ainda não cooptada,
colegas médicos e conhecidos.