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A MENSAGEM UNIVERSAL DE CRISTO

 

1.    Para Cristo não há apenas um povo escolhido, nem terra prometida a esse: todos os povos o são e as terras são para todos eles.

 

2.    No Velho Testamento, há referências de que Deus teria escolhido um povo para si e lhes destinado um território nesse planeta. Algumas são claras, outras induzem o leitor a concluir essa assertiva. 

 

3.    As diretas são: 1) Ex. 6:7 “E eu vos tomarei por meu povo, e serei vosso Deus; e sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus”; 2) Ex 19:5.6 “(...) então sereis minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda terra é minha [grifo nosso]. E vós me sereis um reino sacerdote e o povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel”. 3)  Ex 34:10 “Então disse: Eis que faço um concerto (...) de maneira que todo este povo, em cujo meio tu está, veja a obra do Senhor (...)”. 4) Lv 20:26 “E ser-me-ás santos, porque eu, o Senhor, sou santo, e separei-vos dos povos, para serdes meus”.  5). Dt 7:6 “Porque povo santo és ao Senhor teu Deus: O Senhor teu Deus te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos de que sobre a terra há. 6) Dt 14:2 “Porque és o povo santo ao Senhor teu Deus; e o senhor te escolheu, e todos os povos que há sobre a Terra, para lhes seres o seu povo próprio”.  7) Todo Capítulo I do Livro de Josué; 8) Sl 33:12 “Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo que ele escolheu para sua herança.  9) Os 11:1 “Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei a meu filho”.

 

4.    A escolha feita não revela que será eternamente excludente de outros grupos étnico-culturais. Entre os vários povos que habitavam a Mesopotâmia, a Palestina e o Egito, Deus teria escolhido um povo, não para ser seu sob o ponto de vista étnico, mas concernente à ideologia que deveria ser pregada para toda Humanidade. Em Gênese, cap. 22, V. 17, o Senhor assevera: “E em tua semente serão benditas todas as nações da Terra; porquanto obedeceste à minha voz”. As palavras bíblicas não se referem estritamente à etnia, mas à ideologia [“(...) obedeceste à minha voz”] e promete a extensão da bênção a todas as nações da Terra. Deus escolheu um povo apenas para ser seu mensageiro na Terra. Essa mensagem começou a ser divulgada com Aquenaton [Amenofis IV ou Amenotep IV] no Egito. Não aceita pela população, Deus escolheu os remanescentes dos hicsos, que dominaram o Egito durante as 15a. e 16a dinastias e se aliaram a Aquenaton em sua ideologia de um Deus único, para levá-la aos demais povos.  Essa escolha não foi na realidade de uma etnia, como muitos entendem, mas de um grupo de pessoas com uma certa identidade cultural até que essa ideologia amadurecesse o suficiente para ser divulgada para toda a Humanidade. Foi o que ocorreu com a vinda de Cristo. Essa vinda é uma ab-rogação da escolha anterior, pois todos os povos estavam agora aptos a entenderem a mensagem divina.

 

5.    No Velho Testamento, há sinais que esse povo escolhido passou a desviar-se dos caminhos do Senhor. Povo Escolhido passou a não corresponder mais a essa escolha: 1) Is 1:2 “Criei filhos, e exalcei-os; mas eles prevaricaram contra mim.” 2) Jr 3:18 “(...)  para a terra que te dei em herança a vossa pais”. 19 “Mas eu dizia: Como te porei entre os filhos, e te darei a terra desejável, a excelente herança dos exércitos das nações? (...) assim aleivosamente te houveste comigo, ó casa de Israel, diz o Senhor.” 21 “(...) pranto e súplicas dos filhos de Israel; porquanto perverteram o seu caminho, e se esqueceram do Senhor seu Deus”. No Capítulo 28 de Deuteronômio, há a advertência de que o povo permanecerá escolhido enquanto andar nos caminhos de Senhor, caso contrário, será amaldiçoado, [v.9 “O Senhor te confirmará por povo santo, como tem jurado, quando guardares os mandamentos do Senhor teu Deus, e andares nos seus caminhos”, v. 15 “Será porém que, se não deres ouvidos à voz do Senhor teu Deus para não cuidares em fazer todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que hoje te ordeno, então sobre ti virão todas as maldições, e te alcançarão”.

 

6.    Escolha estendida a todos os povos. Com o afastamento do povo escolhido dos caminhos do Senhor, chegou a hora dessa escolha ser estendida a todos os demais povos. Cristo então veio trazendo a mensagem para ser empregada universalmente. São Paulo, designado por Cristo para concluir esse mister, falando aos romanos, diz cristalinamente que o Senhor os adotou [devemos lembrar-nos que a Roma dessa época era um centro urbano cosmopolita]: At 9:15 “(...) Vai, porque este é pata mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios (...)”; At 22:21 “E disse-me: Vai, porque hei de enviar-te aos gentios de longe; Rm 1:5 “pelo que recebemos a graça e o apostolado, para a obediência da fé entre todas as gentes pelo seu nome; Rm 3:20 “É por ventura Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios certamente.; Rm 8:15 “(...) mas recebeste o espírito de adoção de filhos, pelo qual chamamos: Aba, Pai”.  23 “(...) em nós mesmos, esperando a adoção (...).”; Rm 9:24 “Os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios”?; Rm 11:11 “(...) mas pela sua queda veio a salvação aos gentios (...)”; Rm 11:13 “Porque convosco falo, gentios, que enquanto for apóstolo dos gentios, glorificarei meu ministério”; Rm 15:9 “E para que os gentios glorifiquem a Deus pela  sua misericórdia, como está escrito; Portanto eu te louvarei entre os gentios, e cantarei ao teu nome. São Paulo, falando da unidade da fé aos gálatas, diz: GL 4:4 “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação”; 5 “Um só Senhor, uma só fé, um só batismo”; 6 Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos em todos; 7 Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo”. O Apóstolo dos gentios deixa claro que todos os povos a partir de Cristo serão escolhidos pelo Pai Misericordioso. Na Epístola aos Efésios esse apóstolo reafirma que todos os povos foram escolhidos: Ef 1:3 Bendito o Deus e Pai de todos (...)”; 4 “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade”; 5 “E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade”.  As confissões que se dizem cristãs e que ainda pregam a superstição da existência de somente um determinado povo escolhido são, na realidade, anticristãs.

 

7.    Acepção de pessoas ou povos. Em Atos 10:34 “Deus não faz acepção de pessoa; Rm 2:11 “Porque para com Deus, não há acepção de pessoas;  Tg 2:9 “se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado; Ef 6:9 “(...) sabendo também que o Senhor deles e vosso está no céu, e que para com ele não há acepção de pessoas”. Nós, cristãos, não podemos aceitar como verdadeiros credos ou doutrinas que pregam acepção de pessoas ou povos. A mensagem de Cristo é universal, atraindo todos os Seres humanos. O importante é aceitar a doutrina dele e realizar a própria metanóia, como faziam os primeiros cristãos. Para o Deus cristão, nenhuma pessoa ou povo está condenado à perdição eterna.  Por isso, é anticristã a superstição de que haja um povo escolhido por Ele para ser seu. Se isso ocorreu em um passado remoto, foi ab-rogado com a vinda do Cristo. Tal crença para os cristãos é injusta, flagrante desrespeito à mensagem universal de Cristo. Outra prova de que Cristo ab-rogou acepção existente no passado de algum povo privilegiado é escolha de um apóstolo único para os gentios. Isso mostra o carinho e o interesse do Mestre por esses povos que até então eram desdenhados pela tradição religiosa arcaica. Enquanto os demais apóstolos foram recrutados entre pessoas simples, humildes, incultas, pelo menos é assim que a Bíblia relata, São Paulo [Saulo de Tarso] foi escolhido entre elite judaica. Era homem culto, de família importante e detentor de cidadania romana. Se ele, doutor da lei farisaica, aceitou a cidadania romana é porque veio preparado para ser o intérprete de Cristo para os demais povos, mostrando que a escolha anterior caducara. Enquanto os demais apóstolos foram chamados por Jesus ainda vivo e de maneira singela, São Paulo o foi por Ele já ressuscitado e através de um milagre. Isto é uma prova da ab-rogação de toda e qualquer acepção de povo que houvesse anteriormente, mesmo que atestada no Velho Testamento. No Capítulo XV dos Atos, há uma condenação veemente aos ritos do passado e uma recomendação para aceitação dos gentios na grei do Senhor. São Paulo, no Capítulo II de sua epístola aos Romanos, comenta a impenitência do povo escolhido [SIC] e a conseqüente ab-rogação dessa escolha, chamando, então, o Senhor os gentios para seu aprisco. Outras citações: Mt 12:50 “porque, qualquer que fizer a vontade de meu pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe”. Mt 16:6 “E Jesus disse-lhes: Adverti, e acautelai-vos do fermento dos fariseus e saduceus”. Mt 17:11“Verdade Elias virá primeiro e restaurará todas as coisas”; 12“Mas vos digo que Elias já veio, e não o conheceram (...)” [Os judeus esperavam a volta de Elias para haver a restauração do reino judaico. Mas, se Cristo afirmou que Elias já viera como João Batista, é que essa restauração, ocorrendo dentro do Império Romano e sendo a Palestina apenas uma de suas províncias, era para toda Humanidade e não mais para um povo eleito]. Mt 21:42 “Nunca lestes nas Escrituras: A pedra, que os edificadores rejeitaram, essa foi posta por cabeça de ângulo; pelo Senhor foi feito isto, e é maravilhoso aos nossos olhos?”; 43 “Portanto eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos”. 44 “E quem cair sobre esta pedra despedar-se-á; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó”; 45 “E os príncipes dos sacerdotes e os fariseus, ouvindo estas palavras, entenderam que ele falava deles”. Mt 24:14 “E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo em testemunho de todas as gentes, e então virá o fim”. e Mc 3:35 “Porquanto, qualquer que fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, e irmã, e mãe”. Lc 12:1 “Acautelai-vos primeiramente do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia; 8 E digo-vos que todo aquele que me confessar diante dos homens também o Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus. 9 Mas quem me negar diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus” [o povo que atualmente ainda se julga escolhido por Deus e com terra prometida não confessa Jesus diante dos homens]; Lc 14:33 “Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncie a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo [renunciar a tudo quanto tem” é renunciar “à situação de povo escolhido e a crença de uma parte da Terra lhe destinada”]. Mc 16:15 “E disse-lhes: ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura”. Mc 16:16 “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”. Mc 16:20 “E eles, tendo partido, pregaram por todo as partes, cooperando com eles o Senhor. E confirmando a palavra com sinais que se seguiram. Amem”. Jô 6:31 “Nossos pais comeram o maná no deserto (...): Deu-lhes a comer o pão do céu”.  V.32 “Disse-lhe Jesus (...): Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu”. V.35 “E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome; e que crê em mim nunca terá sede.” Jo 10:16 “Ainda tenho outras ovelhas que não estão neste aprisco; também me convém agregar estas, e eles ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor”.At 9:15 “Disse-lhe, porém, o Senhor: vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios e dos reis e dos filhos d’Israel” [a finalidade da escolha paleotestamentária é a de ele ser o portador da ideologia [levar o meu nome] para os demais povos (gentios), e não como um privilegiado entre os demais]. At 22:21 “E disse-me: vai, porque hei de enviar-te aos gentios de longe”. Rm 9:24 “Os quais somos nós, a quem Deus também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?”. Rm 11:13 “Porque convosco falo, gentios, que, enquanto for apóstolo dos gentios, glorificarei o meu ministério”. Jesus estende, usando uma linguagem simbólica, seu amor fraternal e filial a todos os povos da Terra, havendo apenas a condição que esses façam a vontade de seu Pai (Mt 12:50 e Mc 3:35)

 

8.    Destinação dos Evangelhos. Dos evangelhos sinóticos, o de São Mateus é dedicado aos judeus, o de São Marcos, aos gentios, e o de São Lucas, a ambos. Portanto, a mensagem cristã não faz acepção de pessoa, etnia ou cultura. O de João, sendo profético, está destinado a todos.

 

 

9.    Salvação. Se o Evangelho de São Mateus foi dedicado aos judeus e contém várias indicações de como se daria a salvação [soteria] segundo a doutrina cristã, é porque a quem era dirigido não havia sido escolhido previamente ou, se houve tal escolha, ela encontrava-se então ab-rogadaCitações: Mt 3:7 “E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus (...): Raça de víboras quem vos ensinou a fugir da ira futura?”. MT 5: 20 “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” Está patente que a moral cristã deve ser superior à dos escribas e fariseus, portanto somente o Velho Testamento é incompleto, não podendo servir de fundamento doutrinário. Mt 8:11 “Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaac, e Jacó, no reino dos céus” [gentios e judeus se sentarão juntos no reino dos céus, o que prova que não há mais povo escolhido, mas pessoas que se convertem a Cristo, independente de sua origem étnica e cultural]; Mt 16:27 “(...) e então dará a cada um segundo as suas obras” [e não por escolha privilegiada]; Mt 16: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me” [para seguir Cristo, não precisa de ter nascido entre um povo escolhido, basta tomar a sua cruz sobre si. MT 23:33 “Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno”  Cristo falando à multidão e a seus discípulos. Mc 8:39 “Porquanto, que entre essa geração adúltera e pecadora (...)” Cristo se referindo aos judeus. Lc 3:7 “Dizia pois João à multidão que saia para ser batizada por ele: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir?”. Parábolas. Mt 12:1-14 Parábola do festim das bodas; Jesus conclui: “muitos chamados, mas poucos escolhidos”; o povo escolhido anteriormente a vinda de Cristo é um desses muitos chamados, mas não está necessariamente escolhido novamente. Mt 20:1-16 Parábola dos trabalhadores da última hora; os trabalhadores escolhidos nas primeiras horas receberam o mesmo pagamento daqueles da última, portanto, a escolha anterior foi ab-rogada. Mt 25:1-13 Parábola das dez virgens; o senhor escolhera dez virgens: cinco comparecerem com suas candeias, as outras negligentes deixaram para a última hora providenciar as candeias e, por isso, quando chegaram às bodas, encontraram as portas fechadas; a escolha final não decorreu de graça prévia, mas da obra presente. Lc 14:12-15 Parábola dos primeiros assentos; o senhor aconselha para quem for convidado [escolhido] para um jantar não se assente nos primeiros lugares, mas o faça nos últimos, pois quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado; portanto,  qualquer povo que se exalte como o escolhido por Deus, corre o risco de ser humilhado. No Sermão Profético [Mt 25], está explicado qual será o critério de “escolha” nos Dias Finais. Ele não será por etnia, mas por mérito pessoal do indivíduo, independentemente de sua condição étnico-cultural [repitamos]: 32 “E todas as nações [grifo nosso] serão reunidas diante dele, e apartará [escolher - observação nossa] uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes a ovelhas”; 33 “E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à sua esquerda”; 34 “então dirá o Rei aos que estiveram à sua direita: Vinde, benditos(...)”; 35 “Porque tive fome e me deste de comer (...)”; 41 “Então dirá também aos que estiveram à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos (...)”; 42 “Porque tive fome e não me deste de comer (...)”. Jô 6:29 “A obra de Deus é esta: Que creais naquele que ele enviou”; v. 31 “Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu pai vos dá o verdadeiro pão do céu”; v.34 “Eu sou o pão da vida, aquele que vem a mim não terá fome; e quem crê em mim nunca terá sede”. Está claro que a partir de Cristo a “escolha” não será mais por etnia, mas sim pelo mérito pessoal [estamos repetindo], proveniente do bem que fez ou que deixou de fazer.

 

10. Cristo ab-roga rituais e ordenanças do passado. Em Mt 6:5. “E quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas (...)”; 6. “Mas tu, quando orares, entra no teu aposento, e, fechando a tua porta, ora a teu pai que está oculto (...)”; 8. “Não vos assemelhais a eles (...)”. Cristo ab-roga o uso do kipah, do talit, do tefilin, das payot e da oração ostentosa. Em MT 5:38.42 “Aprendeste que foi dito: olho por olho e dente por dente. – Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal que vos queiram fazer; se alguém vos bater na face direita, lhe apresenteis também a outra; (... ). Daí aquele que pedir e não repilais aquele que vos queira emprestado”. Em Mt 6:16., “Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas (...)”; 17. “(...) unge a tua cabeça, e lava o teu rosto. Cristo ab-roga as superstições do passado em relação ao jejum. Em Mt 9:11 .[Mt 11:19, Lc 5:29; 15:1,2; 19:7],, Cristo come com os publicanos e pecadores, contrariando os preconceitos judaicos. Em Mt 9:20, Cristo é tocado por uma mulher com fluxo de sangue, o que o tornaria contaminado com a impureza dela, de acordo com as superstições judaicas, porém ele não se submete nenhum ritual de purificação. Em Mt 21:12., Cristo expulsa do templo as pessoas que vendiam objetos para os rituais nele praticado. Isso prova que a liturgia e rituais da antiga religião estavam ab-rogados. No Capítulo 19 do Evangelho de São Mateus e no Capítulo 10 do Evangelho de São Marcos, Cristo ab-roga o repúdio ou carta de divórcio [guit] instituído em Deutronômio 24:1-4.. Em Lc  2:21., há referência de que ele é submetido à circuncisão; em Lc  2:22, há informação que é cumprido o ritual da purificação e sua apresentação ao templo; em Lc 24, é afirmado são oferecidos rolas ou dois pombinhos. Nas pregações evangélicas não há mais nenhuma ordenança de circuncisão, purificações ou sacrifícios.  Essas superstições foram abolidas. Nós, cristãos, não devemos prestigiar seitas, que se dizem cristãs, que querem viver a pureza do evangelho, retornando às lendas de um passado supersticioso e obscuro. Vivamos a”. pureza evangélica, seguindo para o futuro e iluminados pela ciência.  Em Mt 15:11., Cristo afirma que “(...) o que contamina o homem não é o que entra em sua boca, mas o que sai (...)”, ab-rogando com isso as leis dietéticas [kashrut]. Cristo também ab-rogou a adoração ao sábado, afirmando que o sábado foi feito para o homem e pregando e curando nesse dia [Mt 12:1., Mt 12:8., Mt 12:10., Mc 2:27., Lc 6:6., Lc 13:10., Lc 13:14.] e escolheu o primeiro dia da semana para ressurgir, sacralizando esse dia como o Dominicus Dies [domingo] [Mc 16:1.7.]. Em Jo 6:32, Cristo ab-roga os ensinamentos de Moisés, substituindo-os pelos seus: “Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu.”.

 

 

11. Separação entre o estado e a religião. O Cristianismo não admite estado teocrático. Nós, cristãos, não podemos apoiar governos, estados, que invocam razões místicas para justificarem uma política imperialista de expansão e de ocupação de terras alheias. Citações: Mt 22:21 “Daí a César o que é de César, e Deus o que é de Deus”; Cristo não reconhece estados teocráticos, reinos de origem divina, heranças divinas. Lc 17:20. “O reino de Deus não vem com aparência exterior. 21.“Nem dirão: Ei-lo aqui, ou, ei-lo ali; porque o reino de Deus está entre vós”. O reino de Deus está entre nós, cristãos, e não em terras do Oriente Próximo. João 18:36 “Meu reino não é deste mundo: se meu reino fosse desse mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus [grifo nosso]:  mas agora meu reino não é daqui”. Está claro que o reino de Deus não está nem em Roma, nem em Jerusalém, ou nem em qualquer outra parte da Palestina.

 

12. Dúvida que pode ocorrer. Em Mt 10:5.6, há uma assertiva que pode ser mal interpretada como Cristo não tendo ab-rogado a escolha de um povo: “5 (...) Não tereis pelo caminho das gentes, nem entrareis em cidade de samaritanos; 6 Mas ide  antes às ovelhas perdidas da casa d’Israel”.   O próprio texto esclarece que é para os discípulos primeiramente pregarem a mensagem de cristã para os “perdidos da casa d’Israel”. Depois, o próprio Cristo se encarregaria de enviar especialmente um apóstolo de escol [São Paulo] para converter os gentios. Prosseguindo a leitura do texto bíblico, Jesus assevera claramente que os escolhidos serão os que aceitarem as suas palavras: “32 Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus; 33. Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus”. Não há mais escolha prévia de povo, a salvação [soteria] será pessoal e universal: está destinada a qualquer pessoa, independente de etnia ou cultura. E no versículo 38, há uma reafirmação do critério que passou a ser adotado para o ingresso no Reino dos Céus: “E quem toma a sua cruz e não segue após mim, não é digno de mim” (tomar a sua cruz é uma alegoria que significa aceitar a doutrina cristã).

 

13. Terra prometida. Havendo a ab-rogação de um povo escolhido, automaticamente há também a da terra que lhe foi prometida: “(...) À tua semente darei esta terra (...)” [Gn 12:7]; “Porque toda esta terra que vês, hei de dar a ti e a tua semente, para sempre” [Gn 13:15, grifo nosso]; “E te darei a ti, e à tua semente depois de ti, a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão, e ser-lhes-ei o seu Deus”,  [Gn 17:8, grifo nosso]; “Todo lugar que pisar a planta do vosso pé será vosso (...)” [Dt 11:24 e Jos 1:3];.  Canaã corresponde ao atual território da Palestina. Embora haja duas afirmações de doação da terra “para sempre” e “perpétua”, Cristo não endossou essa “perpetuidade”. Podemos afirmar com segurança que essa “perpetuidade” era na realidade um período temporário, que persistiria enquanto o povo escolhido não recebesse o Verdadeiro Messias. No próprio Velho Testamento, já há uma ab-rogação da terra prometida: Jer 5:19. “Como vós me deixastes e servistes a deuses estranhos na vossa terra, assim servireis a estrangeiros, em terra que não é vossa.”.   A finalidade da escolha e da doação era justamente temporária, apenas para preparar a vinda do Messias prometido. Com a chegada dele, tornaram-se obsoletas as disposições anteriores. Portanto, é anticristão o reconhecimento da existência ainda de um povo escolhido, assim como a reivindicação por grupo étnico-cultural de área tarráquea com fundamentos bíblicos ou em um passado histórico longevo. Mt 14:29 “E todo aquele que tiver deixado casas (...) ou terras [grifo nosso], por amor de meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna [para herdar a vida eterna é preciso abandonar as terras]”.  Lc  9:60 “Deixa aos mortos enterrar os seus mortos; porém tu vai e anuncia o reino de Deus” [o passado deve ser enterrado com os mortos, o importante é a nova doutrina trazida pelo Cristo]. Lc 9:62 “E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus” (lança mão do arado simboliza adotar a doutrina cristã, olhar para trás, manter as superstições antigas ab-rogadas por ele).  Lc 18: 29 “Na verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa (...), pelo reino de Deus, 30 E não haja de receber muito mais neste mundo, e na idade vindoura a vida eterna” (deixar a casa significa abandonar a pretensão de ter uma terra prometida especificamente a um grupo étnico-cultural).   

 

14. Conclusão: perante a moral cristã, não há sustentação para que seja admitida a superstição de um único povo escolhido por Deus e a promessa de uma área da Terra, exclusiva para ele.