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SANIDADE MENTAL, critérios para avaliação de
1. O Século XX começou com o Niilismo de Nietsche e o subjetivismo de Husserl. O Niilismo de Nietsche, considerando impossível o conhecimento da verdade, reduziu tudo ao nada, liqüidando com os valores éticos, estéticos e congnitivos. Não há distinção entre o “bem” e o “mal”. Ambos passam a ser relativos, dependendo temporal e espacialmente da cultura. O fundamento estético passou a ser a extravagância, a aberração, o estupefativo, que causa perplexidade, que nos deixa atônitos ou espantados. Husserl afirmou que há uma interação entre objeto e sujeito, o que é verdade, mas, valorizou por demais o sujeito, criando o subjetivismo e anulando a existência do concreto. Não resta dúvida que todos nós temos uma concepção de mundo conforme nossos valores éticos, estéticos e nossos acervos cognitivo, afetivo e volitivo.
2. Esse “espírito da época” (“Zeitgeist”) anárquico influenciou todas atividades humanas e tem matizes subjetivistas, relativistas, iconoclastas, individualistas, imediatistas, solipsistas, hedonistas. As pessoas querem ser livres, porém não querem responsabilidade pelos danos que causem com suas ações ou omissões, querem direitos, mas, sem cumprirem com seus deveres, escarnecem da hierarquia e da tradição.
3. Esse “espírito da época” gerou a infame teoria da antipsiquiatria que julga que os diagnósticos e tratamentos psiquiátricos são meios de a sociedade ou a família coagirem aqueles que não aceitam seus ditames. Seus sequazes vêem persecutoriamente a ciência como uma aliada de urdiduras socio-familiares. Os expoentes desse pensamento abstruso foram: Michel Foucault, filósofo francês, homossexual, com tentativa de suicídio e internações frenocomiais; David Cooper, psiquiatra sul-africano, radicado na Inglaterra, aderente do Partido Comunista Sul-africano de matizes anarquistas; Ronald Lang, psiquiatra do Exército Inglês, recebendo baixa, quando servia na Índia, por desajustes comportamentais. Outras figuras desajustadas também aderiram a antipsiquiatria, como o profitentes da contra-cultura da Nova Era dos anos 60. Podemos afirmar que a antipsiquiatria é mais uma das muitas excrescências da Nova Era (New Age). A contra-cultura dessa década é uma manifestação satânica.
4. Critério para discernir sanidade da insanidade mental. Antes da evolução da neurofisiologia que demonstrou que as doenças psiquiátricas decorrem de alterações da bioquímica dos neuro-transmissores, portanto, havendo uma causa orgânica não somente psicológica e muito menos social, havia critérios sérios e precisos para a avaliação de sanidade mental. O sociólogo Roger Bastide chegou a afirmar que a pessoa só é louca em relação à sociedade em que vive, como se o diagnóstico psiquiátrico pudesse flutuar, qual nau sem rumo, pelos correntes e ventos culturais de um oceano infinito. Sandices como essa são expressões da degradação de valores, que dominou o Século XX e se adentra pelo XXI. É preciso que comecemos a reagir contra essa insânia, antes que a situação não seja mais reversível, a não ser como uma reação ao mal máximo a que chegarmos. Há três critérios para avaliação da sanidade mental: o relacionamento com a realidade, o cumprimento da finalidade e a aceitação da interdependência.
5. Relacionamento com a REALIDADE. O primeiro critério para a avaliação da sanidade ou insanidade mental é examinar como o periciado se relaciona com a realidade.
5.1. Com acordança, com resignação. O Elemento mentalmente sadio avalia perfeitamente a realidade que o cerca. Quando verifica que o mal é irreversível, aceita-o com resignação e procura superá-lo com atividades substitutivas. Em outras circunstâncias, essa realidade desagradável pode ser modificada. A pessoal mentalmente sadia consegue discernir a realidade que pode ser modificada, da que não pode. Desse modo passa a adaptar-se à realidade adversa ou a modifica.
5.2. Conflitivamente. O insano mental não tem capacidade de adaptar-se a uma realidade adversa ou lhe falta coragem para modificá-la. O insano mental também não tem esse discernimento para discernir o que pode e o que não pode ser modificado. Tenta modificar o que não pode ou se acomoda com uma realidade adversa que poderia modificar. Falta-lhe adaptação, coragem e discernimento para enfrentar a adversidade. Sofre e faz os outros sofrerem, pois transmitem a eles as conseqüências de seus conflitos.
5.3. Com alienação. Há outro tipo de insanidade mental em que o paciente está de tal maneira alienado da realidade que não ser importa se ela é adversa ou boa. Geralmente não sofre com isso, devido sua total alienação. Quando sua alienação não é total, possuindo um pouco de crítica, sofre um pouco. Essa sua alienação total ou parcial pode causar conflito com outras pessoas, as fazendo sofrer.
6. Compreensão da FINALIDADE dos atos próprios, alheios, assim como de todos fenômenos da Natureza. Os animais comem e se reproduzem, sem entenderem a finalidade do impulso que sentem. Isso é muito mais acentuado nos vegetais. Quando um animal procura comida, o faz por sentir-se mal, impulsionado pela fome, mas não tem consciência que está com fome e que procura alimentação para saciá-la. O mesmo ocorre com o tropismo dos vegetais. O ser humano é o único que entende a finalidade de seus atos. Portanto, praticar atos que contrariem sua finalidade é um sinal de insanidade mental. Exemplo: a escatofagia, impulso para comer fezes. As fezes são produto do que não foi aproveitado pela digestão ou eliminado pelo organismo por lhe ser prejudicial. Fezes não podem servir de alimento. Além disso, possuem um cheiro nauseabundo. O indivíduo que as come não está cumprindo com a finalidade da alimentação que é a ingestão de nutrientes e não de dejetos. O mesmo ocorre com quem bebe urina. Comer fezes ou beber urina é uma perversão do instinto de preservação da vida por não atender a essa finalidade.
7. Compreensão de ser um SER SÓCIO-CULTURAL, aceitando com aveniência sua INTERDEPENDÊNCIA nesse meio. Nenhum Ser humano basta a si mesmo, pois ele não possui todas as faculdades de que precisa para subsistir. Ele precisa buscar nas outras pessoas esse auxílio. É imperioso compreender que, o que lhe sobra, deve compartilhar com os que não têm aquela capacidade. Assim como ele depende de outras pessoas, o que lhe traz limitações, não sendo, portanto, totalmente livre, tem pessoas sob sua dependência que também lhe tolhem a liberdade, pois precisa primeiro cumprir com o de ver de assistir aquele de dele depende para depois cuidar de seus interesses. O sadio mental compreende e aceita de bom grado essa interdependência. O insano mental ou se julga totalmente independente ou possui uma dependência mórbida do auxílio externo, da opinião alheia ou de sua aceitação no rebanho.
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