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TEORIA ESPÍRITA DA PERSONALIDADE

 

Observações preliminares:

1. Esse texto não sofreu revisão gramatical,ortográfica e de digitação

2. As citações da obra de Kardec são as contidas no livro “Análise Filosófica do Espiritismo”. Deixamos de fazê-lo aqui para poupar espaço.

 Capítulo I

 

Conceitos Gerais

1.1.  Introdução. O assunto tratado nessa monografia, já foi ventilado em nosso livro “Análise Filosófica do Espiritismo”, Capítulo VI, “Antropologia Filosófica Espírita” e em outro, “Contribuições do Espiritismo à Filosofia”, Capítulo 2, “Personalidade e desenvolvimento”.

1.2.  Conceito de Personalidade. O Espiritismo sendo uma doutrina reencarnacionista, a personalidade de um Espírito não se formará em uma única reencarnação. Será o produto das múltiplas vidas (experiências de vida – vivências), em diferentes graus de culturas, em ambos os sexos, em diferentes escalas sociais e econômicas. Usamos o conceito psiquiátrico de personalidade: conjunto de temperamento e caráter. Por temperamento definimos o modo de ser (tendências inatas); é o núcleo da personalidade.  Por caráter, o modo de agir (conduta); são as aquisições do meio; é a periferia da personalidade.

1.3.  Nas outras obras, já constatamos vários pontos de divergência entre o Espiritismo e a Ciência presente. Nossa Ciência não leva em consideração a existência do Espírito. O Espiritismo cogitando disso, já o leva em consideração e o julga o núcleo da personalidade, sendo o corpo fisco apenas a periferia dela e sujeito às interferências do meio. O Espiritismo inclui também mais um segundo componente que é o perispírito. Esse seria feito de matéria menos densa, mais “quintessenciada”. Na linguagem humana, faltam palavras para descrever com precisão o que seria essa matéria do perispírito. Depois da Teoria da Relatividade, em que Einstein, mostrou uma correlação entre matéria e energia, podemos compreender como sendo um estado intermediário entre a matéria e a energia, como a Física clássica as conhece. A função dele seria de canal de comunicação entre o Espírito e o corpo físico e vice-versa. Então ele pertenceria à personalidade, mas sem um papel de destaque em sua composição. Ele é apenas um canal de comunicação entre o Espírito e o corpo físico.

1.4.  A Ciência moderna já admite que a personalidade tem um núcleo de propensões inatas e uma periferia sujeita a fatores intervenientes do meio. Essas propensões inatas seriam as determinações genéticas concernentes ao comportamento, que estão sendo descobertas agora, fatores gestacionais e outros. Os fatores do meio seriam as influências, já há muito admitidas pelos empiricistas. O Ser nasceria como uma “tabula rasa”. Tudo o que lhe acontece na vida posterior, seriam determinado pelas vivências desse período. Embora, a Ciência já admita algo de inatismo, o Espiritismo tem uma fonte desconhecida dela que é o acervo “cármico” (experiências cognitivas, volitivas, afetivas e instintivas de outras encarnações). No Livro dos Médiuns nº 58 é dito: “A natureza íntima do Espírito propriamente dito, isto é, do ser pensante, desconhecemo-la por completo”. A natureza íntima do Espírito nos é inacessível. O que nos é, por enquanto acessível, é sua natureza externa, explicita por suas manifestações cognitivas, afetivas, volitivas e instintivas.

 Capítulo II

 

2. Personalidade e Desenvolvimento

 

2.1.      Para estudarmos a estrutura da personalidade temos que estudar como ela se desenvolve a partir do momento em que o Espírito faz o primeiro laço com seu futuro corpo físico. Isso está exposto no Capítulo VII do Livro dos Espíritos com o título “Da Volta do Espírito à Vida Corporal”.

2.2.      O primeiro título em negritos é “Prelúdio da Volta”, mostrando os preparativos para reencarnação do Espírito: os resgates e reparações que deve fazer, as vivências boas ou más pelas quais precisa de passar para se aperfeiçoar, profissão a exercer, parentes consangüíneos e afins com os quais, aprenderá a conviver, encerrando rancores, vinganças, ciúmes, invejas criadas em reencarnações passadas, protegendo e amparando a quem espoliou ou colhendo bons frutos do plantio em reencarnações passadas.

2.3.      Para o Espiritismo; o verdadeiro ser é o Espírito, despido de seu veículo físico e do semi-fluídico (perispírito). Estes são apenas instrumentos do Espírito que ainda está sujeito no ciclo das reencarnações no mundo físico. A resposta à pergunta 607 B do LE, afirma que o espírito é uma individualização do princípio inteligente e que passa a reencarnar somente na forma humana. Podemos considerar que o espírito puro, despido de seus instrumentos reencarnatórios, já possui uma personalidade, já é uma individuação. Essa individuação nessa fase deve ser fraca, não chegando a constituir uma personalidade como entendemos no momento. Além do mais, nós vivemos em um mundo de espíritos encarnados, conseqüentemente nosso conceito de personalidade deve levar em conta os dois instrumentos reencarnatórios: o perispírito e o corpo físico.

2.4.      Segundo a Doutrina, o perispírito é um corpo fluídico permanece ligado ao espírito durante seu período reencarnatório, tendo propriedades de elasticidade, plasticidade, permitindo ao espírito desencarnado tomar formas que melhor lhe aprouver. Os espíritos inferiores as usam para criar formas dantescas, a fim de assustar ou por chiste ou mesmo por perversidade. Os superiores procuram formas diáfanas, sem muitos traços materiais. Às vezes, esses espíritos superiores precisam tomar formas mais materiais, como da última reencarnação ou de outra qualquer, a fim de ser identificado pelos espíritos mais atrasados, reencarnados ou desencarnados. Para a Doutrina, o perispírito é um elo de comunicação entre o espírito e o corpo físico, portanto, tendo um papel secundário na personalidade: o de comunicador, não participando ativamente dela.

2.5.      Já o corpo físico é um instrumento pelo o qual o espírito vai resgatar suas dívidas, reparar o mal que fez, aprender hábitos salutares de vida que são os compatíveis com os da vida espiritual. Personalidade para o Espiritismo é esse intercâmbio entre o espírito encarnado e seu corpo físico, com mútuas influências. Um exemplo para ilustrar: um espírito que em uma reencarnação abusou de seus dotes físicos, caindo na devassidão, ele antes de reencarnar modelará através de seu perispírito um corpo físico que lhe limite esses pendores: poderá ter um defeito físico que o torne menos capaz, menos esbelto, menos charmoso, de modo a cultivar a humildade, a modéstia, a fidelidade conjugal, a dar mais valor aos familiares e amigos que o amparam. Ele como espírito preparou um corpo conforme suas necessidades espirituais e, depois de reencarnado, o corpo físico lhe dará as limitações de que precisa. Outro exemplo, seria de um espírito que levou uma vida de estróina, desregrada, com abusivo hedonismo físico e que reencarna com um corpo portador com uma dessas doenças metabólicas que dão intensas limitações no comer, como diabetes, doença celíaca, incompatibilidade com a lactose, ou lhe limitam as atividades como a hemofilia. É uma influência bilateral. No final dessa reencarnação penosa, o espírito perceberá a fugacidade dos dotes físicos, valorizando o que é permanente: os dotes espirituais. LE 334 e LE 335. Ver itens 2:11., 2:13 e 3:5..

2.6.      A personalidade do espírito encarnado começa quando ele inicia a união com seu futuro copo físico. A resposta à LE 344 afirma que é durante o momento da concepção que o espírito começa a unir-se com seu veículo físico e essa união é concluída após o parto, quando a criança faz seu primeiro hausto. A partir de então, espírito e corpo fisco passarão a ser duas partes de uma totalidade e com mútuas influências. A reencarnação não é momentânea, é gradativa durando da concepção à primeira inspiração. O espírito pode ou não participar do planejamento de seu corpo físico. Dependerá de sua capacidade de discernir o que será útil ou não para sua evolução. Os espíritos muita atrasados não participam, assim como os rebeles, que já tenham recaído no mesmo erro. Essa participação será o maior ou menor conforme seu grau de evolução. O corpo físico será sempre um reflexo das necessidades cognitivas, afetivas e volitivas do espírito em evolução.

2.7.      “Trouble” (perturbação). No original francês (LE 339) é afirmado que logo que o espírito começa sua união com o corpo físico, passa sofrer perturbações (troubles) que vão se intensificando até o momento do parto. Essas perturbações são “bloqueios” gradativos de todo seu acervo cognitivo, afetivo, volitivo e instintivo que traz de sua peregrinação reencarnatória. A afirmação da ocorrência desses bloqueios é repetida em LE 340 Nota, LE 351, LE 380, LE 385, EE 8:2., GE11:20 e GE 14:4.

2.8.      Pela Doutrina, podemos afirmar que a personalidade do “espírito reencarnado” começa na concepção. Durante a gravidez, essa formação passa por um período tumultuado em que o acervo cármico é bloqueado. Esse bloqueio é de tal forma excruciante que no original francês é chamado de “trouble” (perturbação) LE 339, LE 340 Nota, LE 351. Essa perturbação se acentua com o decorrer da gravidez, cessando logo que a criança inspira após o parto. Além disso, as atribulações que a mãe sofre durante a gravidez, como desnutrição, alcoolismo, drogas, fumo, doenças, influirão no seu processo reencarnatório. No EE 14:3, é dito que cada pessoa tem os pais de que precisa (bons ou maus). O mesmo pode-se dizer da gravidez. O espírito passará pelo tipo de gravidez de que precisa, boa ou má.

2.9.      Essas perturbações durante o período de reencarnação causariam “trauma” no espírito reencarnado? Não. Como veremos no próximo capítulo, esse bloqueio é para tornar o espírito reencarnante receptível à nova educação e evangelização que deve receber, o que não ocorreria, caso ela mantivesse todo seu acervo cármico (LE 383). Esses bloqueios começam a ser desfeitos entre os 15 e 20 anos. Além disso, o estado inerme da criança, sua feição angelical despertam nos pais e circunstantes o sentimento de ternura. LE 385 (final).

2.10.                      Para o Espiritismo a personalidade está sempre se modificando pelas aquisições que recebe na presente reencarnação. Esse aprendizado pode ocorrer por experiências vivenciadas ou racionalmente pela aprendizagem assistindo exemplos, recebendo conselho, pela evangelização, pela educação. Para o Espiritismo a educação deve ser ativa, normatizante, conduzindo o espírito reencarnado ao bem, e não baseada no laissez-faire das pedagogias do momento.

2.11.                      Freqüentemente vemos pessoas argumentarem que há crianças que reencarnam em lares miseráveis, ou entre seus inimigos do passado, ou com pais irresponsáveis, um conjunto de fatores ambientais que não permitirão ao espírito ter uma boa educação e evangelização. No EE 14:3., é dito que o espírito reencarna com os pais que merece ou de que está precisando ([...] porque talvez hajam merecido que aquele fossem quais se mostra”). Essa assertiva podemos estender para a família, educadores, vizinhança. Em EE 14:8., é descrita a parentela corporal e espiritual. Praticamente são a mesma. O Espírito reencarna entre  espíritos amigos, entre estranhos e ou entre inimigos com quais deve se reconciliar. Esses fatores vão facilitar ou dificultar uma boa evangelização e educação. Havendo dificuldade, não será possível modificar as más tendências do espírito. Mas é através desses embates em várias reencarnações que o espírito começa a despertar de seus acervos ruins e passa acrescentar bons predicados.(vide item 3.5.)

2.12.                      Isso é importante para o planejamento de psicoterapia. Não são os traumas de infância que determinam o comportamento e os conflitos na idade adulta, mas a falta de uma evangelização e educação, mais os maus pendores do acervo cármico que não foram corrigidos. A psicoterapia de uma personalidade sofredora ou conflitiva exige que o psicoterapeuta diagnostique o que está faltando de uma boa evangelização e os maus pendores do acervo cármico. Com isso ele traçará os métodos que usará para a reeducação espiritual. Nossas psiquiatria e psicologia, ainda sem levar em conta o elemento espiritual, não têm condições de criar um programa psicoterapêutico eficiente. As psicoterapias existentes, às vezes funcionam, mas são aquelas que agem em problemas que não tem raízes cármicas. Ver itens 2:5 e 2:12..                                                               

2.13.                      Influência no organismo na formação da personalidade. DA LE 367 à LE 369 é dito que o corpo físico é um instrumento do espírito. Por isso, suas imperfeições trazem limitações que burilarão as do espírito. Podemos asseverar que a forma e a matéria do corpo físico participam da constituição da personalidade do espírito reencarnado (Vide itens 2:5. e 2:12.).

 

Capítulo III

 

3. Infância e Adolescência

 

3.1.      Da LE 379 à LE 385 é comentado sobre a infância do espírito.  A LE 385, embora                 dentro do título em negrito “A Infância”, trata da adolescência.

3.2.      O espírito que está reencarnando durante a gestação poder ser muito desenvolvido, mas os bloqueios que recebe vão limitá-lo como criança LE 379. Como criança ele passará pelas mesmas fases de desenvolvimento mental e físico, como qualquer outra. Estes bloqueios nem sempre são absolutos. É por isso que vemos crianças com propensões alheias ao ambiente em que estão e até as manifestações geniais. Elas atualmente são chamadas de super-dotadas e alguns conflitos que padecem é decorrente da má compreensão do meio. Quando a Psicopedagogia constatar que ali está um espírito com um acervo muito grande e que algo não foi totalmente bloqueado, desenvolverá técnicas adequadas para resolver tais problemas.

3.3.      A LE 385 afirma claramente que a deficiência dos órgãos infantis não permite que o espírito se manifeste plenamente. Mostra a influência do corpo físico cerceando o espírito de modo que ele possa modificar pendores de sua personalidade. O bloqueio sofrido durante a fase de gestação só é desfeito gradativamente. Em LE 381, é dito que o espírito que desencarna ainda criança, não readquire sua plenitude. Precisa se desprender inteiramente de seu corpo físico. Compreendemos isso com facilidade, mas não é dito com clareza se os tais bloqueios se desfazem gradativamente ou em crise. Em LE 383 e no final da LE 385 é dito que a angelitude do recém-nascido desperta em seus educadores mais ternuras, ajudando a relevar rancores passados, como também sua condição débil desperta nos mesmos, mais atenção.

3.4.      Embora em LE 383 fale que o aspecto angelical da criança é para favorecer a relação com pais e educadores, na LE 385 há afirmação que atrás desse semblante pode estar oculto um espírito com péssimos pendores. Isso será um dos objetivos de uma Psicopedagogia espírita: detectar esses espíritos ainda na primeira infância , a fim de que tenham uma evangelização mais adequada que a fornecida aos outros. A idéia mestra do Espiritismo é a de que todo Espírito atinja a perfeição completa. Nós temos que traçar regras psicopedagógicas para espíritos comuns e para espíritos rebeldes com a moral bem comprometida, assim como muitas dívidas a resgatar.

3.5.      LE 385 afirma que certos desajustes ocorridos na adolescênia decorrem do conflito gerado entre a evangelização e educação que o espírito reencarnante recebeu e o desbloqueio de seu acervo cármico. Se ele trouxe maus pendores de reencarnações passada (ódios, vinganças, preconceitos, inveja, orgulho, vaidade, futilidade) e isso não foi modificado pela evangelização, gerará conflitos. Um vaidoso poderá ter vergonha dos pais por serem de condições modestas. Um fútil quererá comprar roupas das melhores marcas e da moda. Rancores pelos espíritos, que constituem sua constelação familiar, aparecerão. Resumindo a LE385, temos os seguintes itens: 1) problemas da adolescência são causados pela má evangelização que conflita com os maus pendores do acervo cármico do espírito na adolescência; 2) a fragilidade infantil tem duas finalidades: seu aspecto de inocência desperta nos pais a compaixão; essa fragilidade torna a criança mais receptível a novos valores; 3) é nessa fase que podemos reformar seus caracteres e reprimir os maus pendores. Esses três itens revolucionarão a psicopedagogia: 1) o adolescente não será mais visto como tal, mas como um espírito “velho”, com grande cabedal (de valores bons ou maus) a ser ajustados aos valores recebidos pela presente evangelização; 2) O empenho para avaliarmos os pendores bloqueados e desenvolver técnicas de aperfeiçoá-lo. Em nossa opinião, os tão valorizados “traumas de infância” perderão valor como causa de conflitos ou defeitos de personalidades no adulto. Os “traumas de infância” já são o reflexo dos conflitos que está tendo com a constelação familiar que mereceu ou precisa ter nessa reencarnação.

Capítulo IV

 

4. Juventude, Adultícia e Gerontia

 

4.1.      Os bloqueios do acervo cármico, findando quando o espírito encarnado chega aos seus vinte anos, concluímos que é a partir de então, que a personalidade adulta dele passa se manifestar gradativamente. A idade adulta tem várias subdivisões. Juventude a partir do término da adolescência (20, 21 anos) até os 30 anos: adulto jovem. Dessa idade até os 45 temos a maturidade: adulto maduro . Meia-idade dos 45 aos 55 anos: adulto também maduro (Old). Pré-gerontia dos 55 aos 65: pré-geronte (Older). Gerontia dos 65 aos 75: geronte (Olderly). Porvectude a partir dos 75 até o fim: provecto (aged). Como nosso objetivo é modesto, para simplificar, usaremos os termos jovem e juventude para o espírito encarnado que completou os 21 anos, um ano após ter concluído o desbloqueio do acervo cármico. Os termos adulto e adultícia para a faixa dos 30 ao fim da meia-idade (55 anos). Manteremos pré-gerontia, gerontia e provectude.

4.2.      Juventude. O desbloqueio do acervo cármico terminado por volta do 20 anos, o espírito encarnado passará a receber influências de seus antigos hábitos e valores. Isso é feito gradativamente. O jovem começa sua independência psíquica, mas as dependências materiais, como emprego ainda pouco remunerado, precisando do apoio parental, ou a freqüência a uma faculdade, precisando dos pais na retaguarda, limitam o exercício pleno dessa independência psíquica. Isso já mostra como o Espiritismo admite as influências do meio, não como fator etiológico ou causa inexorável, mas como uma interveniência externa em intercâmbio com o núcleo formado pelo acervo cármico, evangelização e educação. Essa assimilação bilateral se extingue quando o encarnado não precisar mais financeiramente dos pais e já estiver com o emprego estável. São fatores circunstanciais, que só podem ser analisados idiograficamente, não admitindo uma nomotética. As facilidades e dificuldades que encontra fazem parte do planejamento espiritual do que precisa para evoluir como espírito. O corpo físico ainda está em uma fase de anabolismo, o mesmo ocorrendo com sua personalidade.

4.3.      Adultícia. A partir dos 30 anos o espírito encarnado já fez a síntese de seu acervo cármico com evangelização recebida e mais a vivência dessa síntese. Na adultícia já estão seguros de seus pendores. Materialmente, o encarnado já está com emprego estável, casado e com filhos pequenos. Está começando novas relações, convivendo com espíritos com os quais guarda boas relações ou ainda tem ajuste para fazer. Ser feliz ou não dependerá do que deve ou de como vê o mundo. Há um ditado que diz: rico é aquele que se contenta com o que tem; o pobre não. Só trocamos as palavras: rico por feliz e pobre por infeliz. Nessa fase aparecem as dificuldades de ajuste com o cônjuge, com os espíritos reencarnados como filhos, com outros reencarnados como parentes consangüíneos ou afins. As dificuldades no relacionamento com colegas de trabalho, chefes e subalternos, com vizinhos surgem nessa fase. Maus pendores, má evangelização tornarão a pessoa com baixa resistência às frustrações, incapacidade de aceitar revezes, manifestações de ambição (arrivismo), ciúme, inveja rancores. Às vezes, propensões mais graves como compulsão pelo álcool, jogo ou outro vício qualquer. O espírito encarnado, às vezes, falha em cumprir seus resgates, suas reparações, agravando mais ainda sua situação cármica. Quando tenta fugir desse tormento pelo suicídio, não consegue, pois a extinção do corpo físico nada muda no cenário espiritual e ainda acrescenta um agravo. Da LE 386 à LE 391 é explicado as causas das Simpatias e Antipatias e Terrenas. Da LE 3886 à LE 892 é falado da “Caridade e do Amor ao Próximo”. Caracteres do Homem de bem, LE 918 e EE 17:3. Conhecimento de si mesmo, LE 919. Os Bons Espíritas, EE17:4.. Como o escopo desse livro é somente descritivo e não normativo, não comentaremos o conteúdo das citações acima. Quem quiser pode complementar com a leitura indicada. Apenas concluiremos esse item com a definição de verdadeiro espírita em EE 14:4: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.

4.4.      Final da adultícia. A pré-gerontia começa aos 55 anos. Mas a partir dos 40 anos o corpo físico deixarem sua fase de metabolismo para entrar no catabolismo da próxima fase. Os Urologistas recomendam preventivamente (isto há sem que haja indicação clínica) o exame anual urológico; o mesmo ocorre com a ginecologia e com a proctologia. Isso é um sinal de que o corpo físico está entrando na fase gradativa de fenecimento. O espírito vaidoso na juventude, que se jactava de sua beleza física, de sua pujança, constata a transitoriedade dos dotes físicos. É lógico que isso não ocorre em uma única reencarnação. Após várias, ele começa a se voltar para as coisas espirituais. Nesse ano de 2010, verificamos isso. A humanidade saiu da pedra lascada no final da última glaciação, por volta de 9 mil AC. Onze mil anos depois, ainda encontramos espíritos encarnados que se julgam por sua aparência física. A partir dos 40 anos os cabelos começam a encanecerem e, em alguns homens aparece a calvície. Gordura abdominal, rugas. Assistimos presentemente que há espíritos que não dão importância mais para esse fenecimento, mas a maioria ainda freqüenta clínicas de cirurgia plástica, clínicas de embelezamento, tendo recentemente o Ser Humano voltado a primitiva arte da tatuagem e da mutilação do corpo com o “piercing”. Ainda somos fúteis, ainda damos valor ao corpo físico como ele fosse o nosso próprio ser e não um instrumento de evolução espiritual. Atualmente, os ultrassonografistas recomendam uma ultrassonografia de rotina total de abdômen anualmente a partir dos 50 anos. Os proctologistas estão recomendando colonoscopia de rotina de 10 em 10 anos a partir dos 50 e, caso apareçam pólipos ou divertículos, o intervalo cai para três anos. Os oftalmologistas preconizam também exame de rotina anualmente não só para correção da acuidade visual, com prevenir catarata e glaucoma, a partir do 50 anos. Os dentistas afirmam que a partir dos 50 anos, os dentes apresentam cárie na raiz e não mais na corroa. Fica mais difícil o diagnóstico e o tratamento. Em longo prazo, essas deficiências levam o espírito encarnado a ver o corpo físico como mero instrumento do qual se despojará e não mais como sendo o seu próprio Ser. Esse modo de ver a vida, faz parte da personalidade do espírito.

4.5.      Pré-gerontia, gerontia e provectude. São as últimas fases da vida encarnada. A cada ano, no dia de nosso aniversário, temos menos um ano de vida encarnada. Para muitos é o começo do fim, ele está chegando. É o fim para esse período em que o espírito está encarnado, mas para o Espiritismo não há morte. Apenas está chegando o momento de o espírito abandonar esta etapa na matéria e prestar contas do que fez ou do que deixou de fazer, ou de bem ou de mal. O fenecimento do corpo físico cada vez se acentua mais. Isso vai ajudar o espírito a abandoná-lo rapidamente no se desencarne. Os espíritos muito presos a matéria, às vezes, não conseguem se desvencilhar dos laços prerispirituais que o ligam ao corpo físico; sentem a assistem a decomposição de seus corpos físicos; outros perambulam pelos lugares materiais a que ficaram apegados: palácios, castelos, mansões, automóveis, iates, aviões particulares, cabarés, cassinos, prostíbulos; outros não conseguem largar seus vínculos com os bancos onde acumulavam fortunas; outros sentem a presença de suas antigas vítimas que agora tornam seus algozes; às vezes o espírito desencarnante ou já desencarnado está em tal estado de “perturbação” (“troubles”) que não consegue entender o que se passa com ele. Essas vivências aflitivas do desencarne em longo prazo, após vários desencarnes semelhantes, vão modificar a conduta do espírito impuro, espiritualizá-lo-ão gradativamente. Em uma encarnação futura ele aproveitará mais o momento em que estiver encarnado para se aperfeiçoar mais espiritualmente e não se iludir com o hedonismo da vida material. Essa ideologia fantasiosa que visa a ajudar espírito encarnado já com seu corpo em fenecimento, criando neologismos piegas como: terceira-idade, feliz-idade, a melhor idade, muitas vezes estimulando esse espírito a manter a vaidade juvenil, pode prejudicar esse processo de desprendimento do corpo físico, uma vez que desvia o espírito encarnado da realidade de sua marcha para a provectude que o auxiliará muito a se desprender do corpo físico no desencarne. Os pré-gerontes, os gerontes e os provectos, têm que compreender que estão chegando ao fim de uma das etapas que devem cumprir várias vezes para sua elevação espiritual. As mazelas próprias dessa faixa etária são limitações didáticas para ensinar ao espírito que há algo além do mundo físico. Afirmar que esses espíritos encarnados dessa faixa não têm essas reais limitações, que “velhice está na cabeça”, que eles podem manter a futilidade juvenil, em vez, de usar essas mazelas para reflexões mais profundas, é tirá-los da realidade e dificultar-lhes o desenlace.

  

   Capítulo V

 

5. Bases Psicoterápicas

 

5.1.      As teorias atuais baseiam suas bases psicoterápicas sem considerar a existência do espírito. Esse novo elemento trará forçosamente modificações nos fundamentos das teorias psicoterápicas. Ver os itens 2.12 e 3.4..

5.2.      Os conflitos de infância perderão a importância que tem como a causa primária dos distúrbios comportamentais, afetivos, cognitivos, volitivos do adulto. Eles serão vistos como uma conseqüência do resgate que o espírito deve fazer assim como as expiações e provações pelas quais precisa vivenciar. Pais autoritários, negligentes, viciados, neuróticos, assim como os demais membros da constelação familiar que farão parte da família do espírito reencarnado, são apenas cumprimento do carma.

5.3.      A psicoterapia terá que ver o doente como um espírito que traz um acervo de vícios e paixões de outras reencarnações e que recebeu deficientes educação e evangelização. Surge a dúvida: o psicoterapeuta deverá ser um evangelizador e um educador? Literalmente, não. Não há religiões perfeitas, mas o psicoterapeuta deverá ter consciência de que os problemas do paciente são produtos de ambição, inveja, rancor, mágoas, ciúme, vaidade, soberbia, futilidade e outras. Surge outra pergunta: e o terapeuta será perfeito de ter superado essas paixões? Não. Não será necessário que ele seja um santo, mas um indivíduo que apesar de ter essas paixões sabe controlá-las, enquanto o doente, ainda não as controlou. A FUNÇÃO DO PSICOTERAPEUTA SERÁ ENSINAR O PACIENTE A CONTROLAR, PELO MENOS UM POUCO, ESSAS PAIXÕES QUE O AFLIGEM.

5.4.      E como o psicoterapeuta desenvolverá um método para reeducar o paciente? Não sabemos responder. Com nossos conhecimentos apenas vislumbramos a Teoria Espírita da Personalidade e suas implicações nos métodos terapêuticos. Além disso, apesar de sermos psiquiatra, não temos experiência e formação em psicoterapia, por termos nos dedicados mais à Psiquiatria Forense e Eletroencefalografia. As teorias não poderão ser nomotéticas, mas sim idiográficas.

5.5.      Esperamos que no futuro e a longo prazo, os profissionais com formação psicoterapêutica se interessem pela Teoria Espírita da Personalidade e desenvolvam métodos. Não achamos que aparecerá um único método universal. Cada psicoterapeuta e cada paciente terão suas peculiaridades e será uma utopia pensar em uma única solução. Mas, só com a mudança do modo de conceber a personalidade humana, daremos um grande avanço nos métodos psicoterápicos. Nessa página, nesse mesmo título, há um artigo do colega Dr José Cássio Simões Vieira, com o título “O QUE É BOM SABER ANTES DE INICIAR UMA PSICOTERAPIA”, onde encontramos recomendáveis diretrizes para a escolha de um psicoterapeuta e, conseqüentemente, de uma psicoterapia.

5.6.      Gostaríamos de acentuar que os fundamentos dessas psicoterapias serão a educação e evangelização do paciente. Ficam descartados terapias baseadas e lembranças de vidas passadas ou atos de desobsessão. Sua recordação poderá reacender paixões (orgulho, ódio, vaidades) adormecidas pela nova reencarnação. O obsidiado é quem atrai os maus espíritos que o atormentam. Não adianta afastar um obsessor e não reeducar o paciente, pois ele atrairá outros na mesma faixa de vibração. Ele, se reeducando e evangelizando, elevar-se-á em sua escala vibratória, não sendo mais suscetível às más influências.

 Capítulo VI

 

Conclusão

 

6.1. Como poderemos avaliar as principais características da personalidade de cada espírito que ainda precisa reencarnar neste planeta? Infelizmente essas pouco diferem do homem da Pedra Lascada.

6.2. Interdependência. Queremos liberdade sem responsabilidade e solidariedade. Ninguém quer responder civil e penalmente pelo dano causado a terceiros, por suas ações ou omissões. As pessoas acham que por serem livres ninguém ou nenhuma entidade (Estado, Igrejas, Sociedade) deve controlar sua vida, assim como elas não precisam se preocupar com seu vizinho. Cada um que tome conta do que é seu. É a hipertrofia do “INDIVIDUALISMO”. Não há “SOLIDARIEDADE”. Esses espíritos ainda não compreenderam que não atingiram a perfeição, portanto não possuem todas as habilidades, precisando do próximo para completá-lo, assim como eles têm obrigação de completar, no que ele é perito, a deficiência desse. O espírito ainda não sabe também que sua constelação familiar é constituída por espíritos com os quais têm dívidas de gratidão ou obrigação de reparação. Não entende que seus dependentes lhe limitam a liberdade; ele não pode fazer tudo que quiser, uma vez quem tem que dar assistência a seus dependentes. Acha que cada um é “DONO DE SEU DESTINO”. Isso o deixa com a consciência tranqüila ao deparar com mendigos e miseráveis pelas ruas. Dorme feliz com seu aquecimento ou seu ar condicionado, enquanto outros estão varando à noite se dormir por causa do frio intenso ou por causa do calor noturno. Passa com seu carro vazio em frente a um ponto de ônibus, enquanto várias pessoas esperam por uma condução demorada e superlotada. Liberdade Absoluta é uma ilusão. O verdadeiro espírito evoluído se sente parte de uma totalidade. Ele compreende que não é totalmente dependente, nem independente.

6.3. Finalidade. Em LE 872, Kardec faz uma digressão sobre o “móvel (motivação) das ações humanas”. Livre-arbítrio: começa afirmando que devido a essa facilidade que o espírito tem, ninguém pode ser “fatalmente” levado ao mal. Por pior que tenha sido sua educação e evangelização, se ele trouxer um bom acervo cármico, pode por seu livre-arbítrio seguir o caminho do Bem. Caso tenha um acervo mau, pode por seu esforço aprimorar-se e afastar-se do mal. O que nos parece uma “fatalidade” é o cumprimento de uma finalidade. No mundo encarnado não podemos entender a finalidade um mal crônico ou algo “irremediável” que ocorreu. No mundo espiritual compreendemos que aquilo que está fazendo o espírito sofrer é o cumprimento de uma “finalidade” que só será compreendida a longo prazo. Ele afirma que não há arrastamento irresistível para o mal. Embora reconheça a influência do meio, mas afirma que ela não é inexorável, é superável. É uma doutrina otimista. No oitavo parágrafo desta questão 872, chega a denominar TEORIA DA CAUSA DETERMINANTE.  Quando no Espiritismo lemos a afirmação que o acaso não existe, isso implica que nada ocorre sem causa e mais ainda, sem uma finalidade. A vida abjeta de esquizofrênicos, mendigos, na realidade estão ali reencarnados espíritos muito soberbos que, infelizmente, estão precisando de passar uma reencarnação na abjeção, a fim de perder ou diminuir sua soberbia.

6.4. A “sociedade” onde ele é mais uma das muitas peças que faz a totalidade funcionar. Sabe que é “INTERDEPENDENTE”; depende dos outros e os outros dependem dele; portanto, essa dependência recíproca entre ele e a sociedade limita-lhe a liberdade.

6.5. Os espíritos que ainda reencarnam na Terra, ainda se comprazem com a violência, por isso a tourada é um divertimento para muitos países que são considerados “civilizados”, as brigas entre animais, como as de galo, as de cachorro, onde eles lutam até morte. O mais cruel é que os espíritos reencarnados criam esses animais para torná-los ferozes, em vez de amestrá-los para o bem. Os rodeios onde a violência é praticada contra os animais e o próprio homem; quanto aleijados saem de uma arena de rodeio! Rallies e motor-cross! A “luta de sumô”, onde os lutadores são incentivados a terem uma obesidade mórbida, é um entretenimento! Além da violência, a pornografia. As revistas pornográficas e filmes circulam livremente. Programas pornográficos, como o “Big Brother”, “No Limite”, “Troca de Esposas de Casais”, que além da pornografia mostra a mesquinhez da mente espiritual ainda com invejas, rancores, ciúmes. Essas últimas aberrações recebem um nome eufêmico “Reality Shows”. O mais grave é que se tudo isso fosse assistido por aqueles espíritos que demonstram más tendências, seria lamentável, mas compreensível. A desgraça é que espíritos, que vivem no seio familiar, demonstrando certa harmonia e muitas vezes freqüentando uma igreja, não vêem malícia nisso porque querem ser politicamente corretos e a televisão lhes disse não se tratar de pornografia, de aberração ética e estética, mas apenas um espetáculo da realidade humana!

 

 

 

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