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Psiquiatria |
Autor |
VICTOR LEONARDO DA SILVA CHAVES
Médico e Licenciado em Filosofia
Teoria do Matrimônio: base para Terapia de Casais
2º Edição
Editada pelo Autor
2010
Endereço eletrônico: <widukind@widukind.net>
Portal Eletrônico: <www.widukind.net>
Prefácio
Dedicamos esta obra aos colegas médicos, mormente aos especializados em Psiquiatria, e às psicólogas, que, a cada momento, estão encontrando conflitos matrimoniais entre seus pacientes. Queremos passar-lhes nossa experiência adquirida por mais de trinta anos exercendo a Medicina, na especialidade de Psiquiatria, assim como também adquirida pela vivência como pessoa, vendo colegas, amigos e parentes fracassarem no matrimônio.
Evidente que esta obra não é um manual de terapia de casais e muito menos uma Psiquiatria sobre o matrimônio. É apenas uma transferência de experiência, adquirida dentro da cultura brasileira, servindo apenas como base para terapia de casais. Talvez algumas opiniões não se apliquem a outras civilizações divididas em castas ou onde os casamentos são formados diferentemente da cultura brasileira. Lembramos que a palavra “família” em latim significava o conjunto de “famuli” (famulus), que eram os escravos, os filhos e as mulheres, férrea e despoticamente dirigida pelo “pater familiae”, que tinha o direito de vida e morte sobre eles, assim como poder vendê-los como escravos.
Esperamos que ela venha a ajudar bastante como um guia e que possa servir para especulações mais profundas para aqueles que se dedicam à terapia de casais.
Janeiro de 2008
NOTA: Este texto não sofreu correções gramatical, ortográfica e nem de digitalização.
Prefácio para Segunda Edição
Devido a boa receptividade entre colegas, público em geral e psicólogas e aceitando sugestões, precisei reformular certas frases, modificando um pouco a forma. O conteúdo é o mesmo. Estou extremamente grato aos que me ajudaram, especialmente a minha esposa, colega de profissão e companheira desde 1963, quando freqüentávamos ainda a Faculdade de Medicina. Ela muito colaborou com opiniões sugestões.
Janeiro 2010
NOTA: Este texto não sofreu correções gramatical, ortográfica e nem de digitalização.
Agradecimentos
Agradecemos a Deus, pela tarefa que nos confiou;
Aos Mentores Espirituais pelas constantes inspirações e proteção;
À colega Noya Rocha da Silva Chaves, médica, pioneira, como mulher, da neurocirugia no Brasil, companheira desde 1963, quando nos conhecemos na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (na época Estado da Guanabara), permanecendo assim por toda essa reencarnação, sempre nos apoiando.
Capítulo I
1. Generalidades.
1.1.Definição. Singelamente, sem entrar em maiores elocubrações sociológicas, antropológicas, jurídicas e teológicas, matrimônio é a união de duas pessoas de sexos diferentes, visando à procriação da espécie dentro de uma família e segundo os costumes culturais locais e temporais de onde vivem.
1.2.A PRIMEIRA REGRA a é de que não existe regra mágica ou máxima para encontrar e manter um matrimônio feliz.
1.3.Ele é uma construção constante. Estamos todo momento nos modificando física e culturalmente, assim como nosso cônjuge. Hoje não somos mais física e culturalmente aquela pessoa de alguns anos atrás, assim como nosso cônjuge. Aquelas juras de amor, promessas, lamentavelmente, perderam sua razão de ser e, muitas vezes, tornam-se impossíveis de serem cumpridas. Desejar o cumprimento delas ou ficar magoado porque não foram cumpridas é uma demonstração de que o contato com a realidade está conflituoso. Em uma terapia de casal, esse cônjuge deve ser investigado para que seja descoberta a causa desse contato conflituoso, ou para ser removido, se possível, ou ser diminuído.
1.4.Isso já mostra que o perdão, a indulgência, a tolerância são uns dos maiores recursos para encontrar e manter a felicidade matrimonial. O inverso, os piores fatores para minar a estabilidade matrimonial: rancor, egoísmo, mágoas, caprichos, retaliações, inveja e CIÚME.
1.5.A Ciência nunca deu importância (pelo menos até o presente, ano de 2010) às virtudes e às paixões, tão consideradas pelas religiões. Essas combatem as paixões e exaltam as virtudes. Contrariando as pessoas de Ciência, isso é verdadeiro e funciona, principalmente nas relações interpessoais, como entre cônjuges, pais e filhos, chefe e subalterno, patrão e empregado. Só lhes resta abandonar a vaidade e compreender que as verdades religiosas e científicas se completam e não se excluem.
1.6.Talvez seja o egoísmo à causa mais importante da desarmonia matrimonial, pois ele já está presente antes mesmo do matrimônio. Quando alguém pensa em se casar procura uma pessoa que a possa fazer feliz. Ninguém pensa em fazer feliz a pessoa que ela possa encontrar.
Capítulo II
2. Regras que ajudam, mas que não são miraculosas.
2.1. Construir constante. Como dissemos antes, não existe uma regra mágica. A felicidade matrimonial consiste em um construir constante (é sempre bom repetir), quase diário. Sacramentos religiosos, namoros longos, uniões dentro do grupo étnico-cultural, mesma profissão, são cautelas a serem observadas, mas não garantem nada em absoluto. O bom senso mostra que o casamento entre pessoas, que se conheçam há bastante tempo, professando a mesma religião, ambos com a mesma etnia, habituados aos mesmos costumes, tenha melhor resultado do que o realizado entre dois estranhos que mal se conhecem, tenham etnias e culturas diferentes. Isso é razoável, mas não é garantia. Na prática, já vimos primos de primeiro grau, criados juntos, casaram-se e viveram em eterna contenda. Outros, casados doidivanamente, viveram um matrimônio estável. A personalidade é característica individual e está em constantes mudanças, portanto, os cônjuges nunca serão aqueles conhecidos anos atrás.
2.2. Almas gêmeas, metades eternas, amor à primeira vista. Isso não existe. Durante a Década de 60 do Século XX, a contra-cultura da New Age importou muitas coisas do misticismo oriental e quis impor à sociedade Ocidental. Uma das idéias foi a de “alma gêmea”. Um espírito é criado, ou surge de uma emanação e se divide em duas metades: uma masculina e outra feminina. Essas duas metades devem viver aqui na Terra em busca uma da outra para construírem a felicidade. O perigo disso reside em que, após os primeiros anos de matrimônio, perdemos aquela paixão imatura pelo cônjuge. As pessoas amadurecidas contentam-se em viver dentro de um clima de amizade fraternal. Os imaturos julgam que a graça, o “amor” do matrimônio acabou e põem a culpa no fato de não ter casado com sua alma gêmea. A primeira paixão que descobrem, os faz crer que encontraram a alma gêmea e, sem mais escrúpulos, partem para um divórcio. Aquela ilusão dos primeiros anos de casamento se finda e recomeça nova busca por outra “alma gêmea”. É por isso que encontramos: os imaturos afetivos repetirem o fracasso de vários matrimônios. Não existe amor à primeira vista, somente paixão. Ela por uma natureza é uma expressão afetiva de média intensidade e médica duração. É menos intensa que a emoção, porém mais longa. È mais curta que o sentimento, porém mais intensa. As pessoas amadurecidas afetivamente cultivam sentimentos e não paixões. Podem ter paixões, mas não de deixam dominar por elas. O indivíduo amadurecido afetivamente pode sentir paixão por uma pessoa do outro sexo, mas vivenciará tal experiência como temporária. Saberá esperará esperar para deixar que ela passe. Se a paixão tiver vindo acompanha com um sentimento de atração por aquela pessoa, a amizade permanecerá. Em caso contrário, não haverá sentimento atrativo, e a presença da outra pessoa passará a ser incomodativa. È a isso que os leigos chama de crise do primeiro, segundo ou até do quinto ano de matrimônio.
2.3. Fidelidade conjugal. Não pode haver estabilidade, felicidade conjugal sem um mínimo de fidelidade. Sabemos que somos fracos diante de tentações e de privações. Muitas vezes encontramos no trabalho, na rua, na vizinhança e até no seio familiar uma pessoa pela qual sentimos atração e somos correspondidos. A tentação é grande. Outras vezes, estamos privados de contato sexual com o nosso cônjuge por motivo de doença, viagem, afastamento por necessidades de fazer cursos ou por imposição do trabalho. Essa carência é outro estímulo. Muitas vezes, essas aventuras não têm maiores conseqüências, outras não. Conheci um senhor que morava em São Paulo e resolveu mudar-se para o Rio de Janeiro com a esposa. Ela veio primeiramente. Ele, solto em São Paulo, começou a prevaricar e apaixonou-se por uma das amantes. Divorciou-se da esposa. Quando foi procurar a amante para casar, essa lhe respondeu que ele não servia como marido, pois era muito imaturo e irresponsável; servia apenas como amante; não teria como esposo um homem capaz de fazer com a esposa o que ele fez. Em outros casos é o ou a amante que se apaixona e envenena a vida do casal. Conheço um caso em que o homem perdeu a esposa e, conseqüentemente, brigou com a amante e ficou sem as duas.
2.4. Nunca pense que conseguirá mudar o outro. Muitas vezes durante o namoro e noivado notamos alguma característica no futuro consorte que nos desagrada. Pensamos que poderemos modificá-lo com a convivência. Às vezes, discutimos com ele esse assunto e ele promete modificar-se. Não sabemos se essa promessa é falsa ou verdadeira. Se falsa, ele não cumprirá, se verdadeira ele poderá não ter capacidade de cumpri-la. Verificamos isso em pessoas com vícios, como alcoolismo, fumo, jogo. Às vezes, são hábitos que, para nós são desagradáveis, como arrotar ruidosamente, emitir flatos. Outras: são diferenças de ideologias: religião, política, ou mesmo, certas preferências ideológicas. Se seu futuro cônjuge tem algo que não lhe agrada, ou não se una a ele, ou se unir-se, conforme-se em ter que tolerar essa característica desagradável pelo resto da vida. Veja o item 2.6..
2.5. Casamo-nos com a família de nosso cônjuge. Que teremos que tolerar sogro e sogra já é de conhecimento geral. Mas nós nunca pensamos que vamos ter que tolerar cunhado, cunhada, sobrinhos. Geralmente, quando escolhemos nosso cônjuge somos ainda jovens, estamos em torno dos 25 anos. Nunca pensamos que irmãos e irmãs de nosso futuro cônjuge, dentro de dez anos ou um pouco mais, poderão tornar-se um problema para nós. Podem adquirir vícios: como jogo, alcoolismo, drogas, envolver-se com o crime. Evidentemente nosso cônjuge quererá ajudar o irmão ou a irmã e nós teremos que participar dessa luta. Lembrem-se sempre: casamo-nos com a família de nosso cônjuge. Teremos que tolerar esses dissabores durante o matrimônio. Devemos lembrar que cunhado ou cunhada solteiros, podem nos trazer problemas no futuro, como viúvos. Sobrinhos também são parentes e só aparecem algum tempo depois que já estamos casados. Tolerar sobrinhos problemáticos também é um dos sacrifícios do matrimônio. Lembrem-se: os laços de sangue são mais fortes que os conjugais. Nosso cônjuge sempre estará a favor de seu parente problemático e contra nós.
2.6. Uma só carne. No versículo 24 do Cap. II do Livro Gênese da Bíblia há afirmação: “Portanto deixará o varão o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma só carne”. “deixará o varão o seu pai e a sua mãe” impede que o varão cumpra o Mandamento de Honrar Pai e Mãe (Det 5:16. e Ex 20:12.). Percebemos que não pode ser seguido literalmente sem ser feita uma exegese.“Ambos serão uma só carne” implica na perda da individualidade de ambos os cônjuges numa interação perfeita, o que é apenas ideal, mas nunca real. Isso contraria a mudança constante da personalidade; ambas permaneceriam petrificadas, sem evoluir, sem receber as influências do meio. Podemos aceitar também como uma prescrição da monogamia e a condenação da prevaricação. Cremos que tal frase tenha sido dita de forma exagerada para mostrar que os cônjuges, principalmente o varão numa sociedade patriarcal, como era a hebraica bíblica, deve se libertar da excessiva dependência econômica e afetiva dos pais ou de outro parente qualquer (padrinhos, irmãos mais velhos) e viver um para o outro procurando vencer as dificuldades conjugais, sem permitir muito a intromissão alheia.
Capítulo III
3. Virtudes e paixões
3.1. Nós não somos perfeitos.Temos virtudes e paixões. Nossas virtudes ajudam-nos a manter um casamento estável, mas são nossas paixões que minam essa estabilidade. Temos que estar atentos para as nossas paixões e tentar corrigi-las ou, mesmo, eliminá-las. Como nossa auto-crítica é falha, é conveniente recorrermos a ajuda externa. Esta pode ser dada por um profissional da área psiquiátrica ou psicológica, da área religiosa ou mesmo alguém de bom senso em que confiamos.
3.2. Paixões. São reações afetivas inferiores que trazemos conosco, que fazem parte da nossa personalidade, influirão na relação matrimonial e, como são inferiores, a influência é maligna.
3.2.1. Ciúme. É um sentimento de ser preterido (em afeição, carinho, consideração, respeito ou equivalente) por uma pessoa de quem desejaríamos tal coisa, a favor de outrem, que julgamos com menos mérito que nós para isso. É uma situação triangular, um trinômio. As situações geralmente aparecem de um irmão para com outro em relação a um dos pais ou a ambos; entre cônjuges em relação a um hipotético, ou mesmo provável, concorrente. As situações e variações são inúmeras, mas essas duas já servem para exemplificar.
3.2.2. Orgulho. Sentimento de superioridade em relação as demais pessoas, geralmente acompanhado de ostentação.
3.2.3. Inveja. Sentimento de inferioridade em relação aos atributos, qualidades, posses de outrem, com desejos, secretos ou mesmo ostensivos, destrutivos a essa pessoa. É uma relação binária.
3.2.4. Vingança, retaliação, desforra. Essas três palavras embora tenham pequenas diferenças de sentidos, mas representam conceito mais geral. É o sentimento de “castigar” de alguma forma o mal que alguém nos tenha causado ou que julgamos que o tenha feito. Esse “castigo” pode ser feito pela pessoa que se sente ofendida ou por ver o suposto ofensor passar por sofrimento semelhante ou pior.
3.2..5. Rancor, mágoa. É qualquer sentimento hostil contra uma pessoa que nos fez mal ou nos ofendeu ou assim interpretamos.
3.2.6. Ambição, arrivismo. Sentimento imoderado de ter êxito na vida de qualquer modo, a qualquer preço, não tendo o menor escrúpulo para atingir seus objetivos.
3.2.7. Indiscrição. Incapacidade de reconhecer o momento e o local que certas coisas podem ou não podem ser ditas ou realizadas.
3.2.8. Melindre. Sensibilidade exagerada a estímulos externos que julgue desagradáveis, passando-se a se sentir ofendido.
3.2.9. Egoísmo. Sentimento de julgar-se o centro do mundo. Quando procuramos casamento, estamos procurando alguém que nos faça feliz. Nunca pensamos em procurar alguém para fazê-lo feliz.
3.2.10. Futilidade, frivolidade. Demasiada valorização dada a coisas de pouca monta.
3.3. Virtudes. São as reações afetivas superiores que conquistamos alongo das existências e fazem parte de nossa personalidade. Sua influência é benigna.
3.3.1. Perdão. Capacidade de não se sentir ofendido com as atitudes hostis que receba ou esquecer essa ofensa caso a tenha sentido.
3.3..2. Indulgência ou complacência. Capacidade de não se irritar, de não se magoar com comportamentos inconvenientes das pessoas que nos cercam. As dificuldades que eles possam trazer procurarmos resolver sem atitudes ásperas ou de retaliação. É uma forma branda de perdão.
3.3.3. Resignação. Capacidade de aceitar a adversidade que não podemos modificar e procurar tirar proveito desse sofrimento.
3.3.4. Discrição. Capacidade de distinguir a conveniência ou não de fazer ou dizer algo em determinado lugar e momento.
Capítulo IV
4. Finalidade do matrimônio
4.1.O matrimônio tem um caráter de ordenança, tanto teológica (divina), quanto biológica. Examinaremos esses dois aspectos.
4.2.As Ciências Naturais ensinam que os seres têm sexos complementares, visando à reprodução da espécie. É o instinto de preservação da espécie. A mobilização para o matrimônio é causada por um instinto. Nós, que evoluímos espiritualmente, não podemos proceder como os animais: reproduzir sem saber o que está fazendo. Não podemos fugir dessa determinação instintiva. Ao procurarmos o matrimônio, estamos cumprindo o sagrado “dever” da reprodução. Por isso, não podemos fugir dele. Uma vez consumado, temos a obrigação de fazer tudo para preservá-lo. Há casos excepcionais de celibatarismo e de casais sem filhos. Mas não confundamos exceções com a regra. Há também casos lastimáveis em que todos os esforços feitos não conseguiram preservar o matrimônio. Nesse caso é melhor o divórcio para evitar mal maior. Quem se divorcia não deve ter a fantasia que irá finalmente encontrar sua “alma gêmea”. Ele deve sempre se lembrar que se divorciou para evitar um mal maior. Um segundo consórcio pode ser construído com os mesmos vícios do primeiro, escolhemos novamente mal o cônjuge, acabamos por trocar seis por meia dúzia. É melhor antes fazer uma análise de sua personalidade e verificar o que a levou a escolher mal o primeiro cônjuge. Poderá recorrer à ajuda de um psiquiatra ou psicóloga.
4.3.A Natureza nos demonstra que a procriação exige sacrifício. O animal macho tem que se tornar o “alfa”, eliminando por luta os outros concorrentes. Muitas vezes ele vai copular exausto, ferido, sangrando. Entre as fêmeas também há a disputa para ser tornar uma “alfa”. O matrimônio, sendo a concretização para a Humanidade civilizada do imperativo procriativo, está claro que não devemos esperar dele benefícios sem lutas árduas.
4.4.Matrimônio como um mandamento religioso. O primeiro Capítulo do Livro Gênese da Bíblia traz em seu versículo 27: “E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou, macho e fêmea os criou”. E no 28: “E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra (...)”. No Cap 2, V 24 da Gênese está; “Portanto o varão deixará o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher e serão uma só carne”.”E disse Adão: Esta é agora osso são meus ossos, e carne de minha carne: esta será chamada de varoa, porque quanto do varão foi tomada”, isso está no versículo anterior (23) e Adão está tirando conclusões do fato de a mulher de sido feita de sua costela; pensamos que isso simboliza desejada identidade que um casal deve procurar ter (ver explicação no item 2.6. acima). Segundo esse ponto de vista, o matrimônio não é precipuamente uma instituição para os cônjuges encontrarem a felicidade, mas sim para a reprodução da espécie humana. Portanto, a estabilidade do matrimônio é para melhor cumprir o mandamento da reprodução que inclui automaticamente a educação e a evangelização. Ela não é a meta, mas apenas um meio. É um dever que se cumpre.
4.5.A procriação é um mandamento religioso, podendo ser interpretado como divino. Os mandamentos divinos têm que ser cumpridos a qualquer custo, com sacrifício, com sofrimento. Então matrimônio é DEVER e não DIREITO, sob o ponto de vista teológico. E DEVER se cumpre custe o que custar. O religioso deve se preparar para o matrimônio como se prepara para cumprir outros mandamentos, não deve esperar benesses, embora possam ocorrer. No Capítulo 24, v. 1, há a prescrição de carta de repúdio à mulher: “Quando o homem tomar uma mulher e se casar com ela, então será que, se não achar em seus olhos, por achar cousa feia, ele lhe fará escrito de repúdio, e lho dará à sua mãe, e a despedirá da sua casa”. Esse mandamento oficializa uma das desilusões do matrimônio, quando os cônjuges constatam que a imagem idealizada do consorte não é mais a mesma. Só que ela é parcial, pois foi elaborada dentro de um contexto intensamente patriarcal, desfavorecendo somente a mulher. No Evangelho de Mateus, Capítulo 19, os fariseus tentam o Cristo, perguntando-lhe se é lícito repudiar a mulher, de modo a deixá-lo em dilema. Confirmando, contrariaria o amor e o perdão que pregava, negando, contrariaria um mandamento bíblico. O Cristo contrariou esse mandamento “contextualizando-o”, como está no v. 8: “Moisés por causa da dureza de vossos corações vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim”. O Cristo mostra que as dificuldades matrimoniais devem ser vencidas sem medidas extremas, devem ser contornadas. No V.10, os fariseus disseram: “Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar”, tentam fugir das dificuldades matrimoniais. No v.11, o Cristo responde: “Nem todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a quem foi concedido”. O Cristo reconhece que os Seres humanos, ainda primitivos, não entendem o dever matrimonial procriativo. Pode alguém dizer que há muitos casais estéreis que não podem cumprir esse mandamento. Nesse caso eles podem “procriar” através da adoção, ajudando um orfanato, enfim, há uma série de atividades que substituem a esterilidade do casal.
4.6.Uma vez que o matrimônio é uma obrigação espiritual e biológica, temos que cumpri-lo e fazermos o possível para que persista, mesmo com nosso sacrifício. Matrimônio não é para nos dar prazer nem conforto. É para o cumprimento de um dever, mesmo com esforço e renúncia.
Capítulo IV
4. Finalidade do matrimônio
4.7.O matrimônio tem um caráter de ordenança, tanto teológica (divina), quanto biológica. Examinaremos esses dois aspectos.
4.8.As Ciências Naturais ensinam que os seres têm sexos complementares, visando à reprodução da espécie. É o instinto de preservação da espécie. A mobilização para o matrimônio é causada por um instinto. Nós, que evoluímos espiritualmente, não podemos proceder como os animais: reproduzir sem saber o que está fazendo. Não podemos fugir dessa determinação instintiva. Ao procurarmos o matrimônio, estamos cumprindo o sagrado “dever” da reprodução. Por isso, não podemos fugir dele. Uma vez consumado, temos a obrigação de fazer tudo para preservá-lo. Há casos excepcionais de celibatarismo e de casais sem filhos. Mas não confundamos exceções com a regra. Há também casos lastimáveis em que todos os esforços feitos não conseguiram preservar o matrimônio. Nesse caso é melhor o divórcio para evitar mal maior. Quem se divorcia não deve ter a fantasia que irá finalmente encontrar sua “alma gêmea”. Ele deve sempre que se lembrar que se divorciou para evitar um mal maior. Um segundo consórcio pode ser construído com os mesmos vícios do primeiro, escolhemos novamente mal o cônjuge, acabamos por trocar seis por meia dúzia. É melhor antes fazer uma análise de sua personalidade e verificar o que a levou a escolher mal o primeiro cônjuge.
4.9.A Natureza nos demonstra que a procriação exige sacrifício. O animal macho tem que se tornar o “alfa”, eliminando por luta os outros concorrentes. Muitas vezes ele vai copular exausto, ferido, sangrando. Entre as fêmeas também há a disputa para ser tornar uma “alfa”. O matrimônio, sendo a concretização para a Humanidade civilizada do imperativo procriativo, está claro que não devemos esperar dele benefícios sem lutas árduas.
4.10. Matrimônio como um mandamento religioso. O primeiro Capítulo do Livro Gênese da Bíblia traz em seu versículo 27: “E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou, macho e fêmea os criou”. E no 28: “E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra (...)”. No Cap 2, V 24 da Gênese está; “Portanto o varão deixará o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher e serão uma só carne”.”E disse Adão: Esta é agora osso sos meus ossos, e carne de minha carne: esta será chamada de varoa, porque quanto do varão foi tomada”, isso está no versículo anterior (23) e Adão está tirando conclusões do fato de a mulher de sido feita de sua costela; pensamos que isso simboliza desejada identidade que um casal deve procurar ter (ver explicação no item 2.6. acima). Segundo esse ponto de vista, o matrimônio não é precipuamente uma instituição para os cônjuges encontrarem a felicidade, mas sim para a reprodução da espécie humana. Portanto, a estabilidade do matrimônio é para melhor cumprir o mandamento da reprodução que inclui automaticamente a educação e a evangelização. Ela não é a meta, mas apenas um meio. É um dever que se cumpre.
4.11. A procriação é um mandamento religioso, podendo ser interpretado como divino. Os mandamentos divinos têm que ser cumpridos a qualquer custo, com sacrifício, com sofrimento. Então matrimônio é DEVER e não DIREITO, sob o ponto de vista teológico. E DEVER se cumpre custe o que custar. O religioso deve se preparar para o matrimônio como se prepara para cumprir outros mandamentos, não deve esperar benesses, embora possam ocorrer. No Capítulo 24, v. 1, há a prescrição de carta de repúdio à mulher: “Quando o homem tomar uma mulher e se casar com ela, então será que, se não achar em seus olhos, por achar cousa feia, ele lhe fará escrito de repúdio, e lho dará à sua mãe, e a despedirá da sua casa”. Esse mandamento oficializa uma das desilusões do matrimônio, quando os cônjuges constatam que a imagem idealizada do consorte não é mais a mesma. Só que ela é parcial, pois foi elaborada dentro de um contexto intensamente patriarcal, desfavorecendo somente a mulher. No Evangelho de Mateus, Capítulo 19, os fariseus tentam o Cristo, perguntando-lhe se é lícito repudiar a mulher, de modo a deixá-lo em dilema. Confirmando, contrariaria o amor e o perdão que pregava, negando, contrariaria um mandamento bíblico. O Cristo contrariou esse mandamento “contextualizando-o”, como está no v. 8: “Moisés por causa da dureza de vossos corações vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim”. O Cristo mostra que as dificuldades matrimoniais devem ser vencidas sem medidas extremas, devem ser contornadas. No V.10, os fariseus disseram: “Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar”, tentam fugir das dificuldades matrimoniais. No v.11, o Cristo responde: “Nem todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a quem foi concedido”. O Cristo reconhece que os Seres humanos, ainda primitivos, não entendem o dever matrimonial procriativo. Pode alguém dizer que há muitos casais estéreis que não podem cumprir esse mandamento. Nesse caso eles podem “procriar” através da adoção, ajudando um orfanato, enfim, há uma série de atividades que substituem a esterilidade do casal.
4.12. Uma vez que o matrimônio é uma obrigação espiritual e biológica, temos que cumpri-lo e fazermos o possível para que persista, mesmo com nosso sacrifício. Matrimônio não é para nos dar prazer nem conforto. É para o cumprimento de um dever, mesmo com esforço e renúncia.
CAPÍTULO V
5. MATRIMÔNIO. Opiniões
5.1. Constantemente são transmitidas pela Internet, em forma de chistes, algumas definições de matrimônio e reflexões sobre ele. Os autores baseiam-se em fatos reais, às vezes, com certos exageros para produzir hilariedade. Mas, não deixam de expressar a realidade matrimonial, ou, pelo menos, como ela é vivenciada. Comentaremos, de acordo com nossa Teoria do Matrimônio cada item.
5.2. DEFINIÇÕES.
5.2.1.“Ato religioso através do qual se cria um Cristo e menos um virgem”. “criar Cristo” expõe a idéia das dificuldades matrimoniais. “menos uma virgem”, embora, em 2008, dificilmente uma jovem se case nessas condições, foi colocado para fazer contraste com a primeira citação.
5.2.2. “Intercâmbio de mau humor durante o dia e de mau odor durante a noite”. “Mau humor durante o dia” representa as dificuldades interpessoais que surgem. “Os maus odores à noite” representam a emissão de gases intestinais durante o sono e o mau hálito que vai surgindo com o jejum noturno.
5.2.3.“A única sentença de prisão perpétua que só é revogada por mau comportamento”. A interdependência entre os cônjuges ainda é vista como uma perda de liberdade e não como uma união para uma construção a dois.
5.2.4. “Situação em que a mulher não obtém o que esperava e o homem não esperava o que obtém”. Mostra que ambos os cônjuges casam-se com expectativas em relação ao consorte diferente da realidade. Cada um fazia uma imagem irreal do outro.
5.2.5. “Matematicamente: soma de afetos, diminuição de liberdade, multiplicação de responsabilidade e divisão de bens”. “Diminuição de liberdade”, “multiplicação de responsabilidade” e “divisão de bens” demonstram que não estamos preparados para compartilharmos uma vida em comum. Guardamos ainda nossa individualidade.
5.2.6. “Principal causa de divórcio”. É o óbvio. Só se divorcia que é casado. Embora seja uma tautologia, enfatiza os desencontros na vida a dois.
5.2.7.“Processo físico-químico através do qual uma uva se converte em abacaxi”. “Uva” é a imagem ideal física e comportamental que fazemos do cônjuge; abacaxi a imagem real que encontramos.
5.2.8. “A forma mais rápida de engordar”. Enfatiza uma das mudanças ocorridas durante o matrimônio: alteração do corpo físico. Despreparo para aceitar “essas mudanças naturais”.
5.2.9.“A única guerra em que se dorme com o inimigo”. Enfatiza as desavenças que ocorrem, em vez que vê-las como desajustes fugazes que podem ser superados.
5.3.REFLEXÕES.
5.3.1.“Serve para resolver problemas que nunca teria se continuasse solteiro”. Despreparo para resolver as pequenas diferenças, os pequenos atritos da vida a dois (conjugal). Não entendem que, entre cônjuges, há necessariamente uma interdependência. Assim como um não pode viver totalmente dependente do outro (dominado), também não pode viver totalmente independente, como se não houvesse nada em comum que exigisse o compartilhamento entre cônjuges.
5.3.2.“Se não fosse o casamento, muitos maridos não teriam nada em comum com as esposas, nem o endereço...”. Mais uma demonstração da falta de compreensão de que matrimônio é um estado de interdependência entres dois, exigindo obrigatoriamente o compartilhamento das dificuldades, dos anseios, como dos momentos felizes.
5.3.3. “O homem solteiro é um animal incompleto, o casado é um completo animal”. Através de um trocadilho o texto faz uma apologia ao celibatarismo, não mostrando que esse também tem seus inconvenientes. Mostra o despreparo para conviver com as diferenças.
5.4.ANTES E DEPOIS.
5.4.1. “Antes: duas por noite; depois: duas por mês”. Inadmissão do arrefecimento da libido com a convivência, como acontecimento natural. Ela é substituída pelos laços de amizade que vão se fortalecendo e substituindo a paixão. É aquela imagem idílica do matrimônio como uma eterna “lua-de-mel”, que precisa ser desfeita.
5.4..2. “Antes: me deixas sem respiração; depois: não me aperta, caramba!”. Mostra os exageros criados pelo subjetivismo. Os afagos sexuais não mudam, mas o modo de interpretá-los sim. Na fase da paixão, bloqueiam a respiração, na fase da amizade são vistos como desconforto.
5.4.3. “Antes: não pare ; depois: pode parar”. A mesma observação acima. O subjetivismo fazendo com que o mesmo objeto seja interpretado de maneiras diferentes conforme a ocasião.
5.4.4 “Antes: febre de sábado à noite; depois: futebol no final de semana”. Antes os compromissos não são assumidos por razões verdadeiras, mas sérias. Depois, por, embora verdadeiras, mas fúteis e egoístas.
5.4.5. “Antes: o som da música; depois: o som do silêncio”. Antes os futuros cônjuges comungam as alegrias, os mesmos gostos. Depois, a indiferença, cada um cuida de si, diminuindo ou mesmo extinguindo o diálogo conjugal.
5.4.6. “Antes: estar a seu lado; depois: fique na sua”. A companhia, o companheirismo, torna-se hostilidade.
5.4.7. “Antes: não sei o que faria sem você; depois: não sei o que faço com você”. A mesma interpretação acima. Companhia transformada em hostilidade.
5.4.8. “Antes: erótica; depois: neurótica”. Aproveitando a rima que a língua portuguesa permite, mostra a dificuldade de aceitar os defeitos do cônjuge. Aquela imagem ideal não existindo mais, um dos cônjuges não sabe conviver com a realidade, entra em conflito com ela.
5.4.9 “Antes: parece que estivemos sempre juntos; depois: estamos sempre juntos”. Na primeira frase, a palavra “juntos” revela paixão; na segunda enfado.
5.4.10. “Antes: adoro como você controla a situação; depois: você é um manipulador egoísta”. O mesmo objeto é percebido de maneira diferente. Antes, como uma qualidade de liderança. Depois, como uma opressão autoritária.
5.4.11. “Antes: ontem fizemos no sofá; depois: ontem dormi no sofá”. O sofá é o mesmo antes e depois. “Antes” era local para exacerbar o erotismo. “Depois” território de exílio. Mais uma vez o subjetivismo interferindo no modo de interpretar a realidade.
5.4.12. “Antes: era uma vez; depois: fim”. “antes” há diálogo agradável. “Depois” o diálogo é irritante, geralmente transformando-se em discussão e tendo logo um fim.
COLOCO COMO APOIO UMA PALESTRA PROFERIDA PELO MEU COLEGA MÉDICO PROF. DR. JOSÉ CÁSSIO SIMÕES VIEIRA, evidentemente, com sua respectiva autorização.
OS CASAMENTOS NÃO SÃO DETERMINADOS NO CÉU
Contrariando o velho prolóquio, os casamentos não são determinados nos céu.
Várias são as motivações que levam as pessoas a se casar. Muitas se casam cumprindo uma programação psicológica inadequada. Nesses casos, a decisão do casamento não é feita de forma autônoma, mas obedece a um "plano inconsciente de vida", elaborado na infância, a partir das influências das figuras parentais.
Em outros casos, a pessoa se casa com a expectativa mágica de que, através de seu par, irá resolver seus problemas emocionais da infância, não solucionados por ela mesma, ou encontrará a realização de suas fantasias a respeito da vida.
Seja como for, os casamentos, muitas vezes, acabam de modo infeliz, embora estivessem, marido e mulher cheios de bons propósitos. Chega-se a um ponto de intoxicação mútua, nada mais deixando entrever do "amor" que os unia. Aquele "grande amor", que foi se esvaindo ao longo de uns tantos anos do dia-a-dia, parece ter sido uma grande ilusão.
O CONJUGO, primeira palavra da liturgia do matrimônio, passa a ser, tão somente, um "jugo", armação pela qual duas pessoas permanecem atadas, por causa dos filhos ou por motivos de outras ponderações. E, não é fácil a conservação de tais matrimônios fictícios, que apenas ostentam um "falso esplendor", exigindo, de cada lado, uma grande inversão de energia, um apoio em uma porção de "muletas" socialmente aceitas ou a repetição de uma série de desagrados e decepções.
O casamento impõe obrigações que visam ao aperfeiçoamento mútuo dos cônjuges, ao crescimento moral e espiritual de cada um, pela fidelidade aos compromissos matrimoniais, pela guarda, sustento e educação dos filhos. As leis que regem a união conjugal são elaboradas pelos seres humanos, com o objetivo de proteger a Família, ponto de partida de qualquer organização social, como é amplamente ressaltado nos estudos maçônicos da Moral. Por isso, o ideal seria que só se casassem pessoas conscientes de tal fato e com um "script" de vida construtivo, para evitarem decepções mútuas. Mas, o ideal é como o limite em Matemática: para ele convergimos nossos melhores esforços, sem jamais alcançá-lo...
A SEPARAÇÃO CONJUGAL
Um ambiente familiar de ódio, suspeita, ciúme, total desarmonia, enfim, é tóxico para o casal e para a visão de mundo que os filhos formarão mais tarde. Para estes, arruína, precocemente, a fé na própria Humanidade, abalando os alicerces da vida social. Em tais circunstâncias, se esgotados todos os meios possíveis para que as pessoas sigam juntas de forma harmônica, é conveniente a separação conjugal, mesmo que possa entrar em conflito com os postulados religiosos ou eclesiásticos. Evitar-se-á um mal maior, que pode chegar às raias do suicídio ou do homicídio.
Fique claro que deve ser o último recurso, aceito quando existir incompatibilidade a ponto de destruir o respeito próprio e a saúde mental.
Se um casal nessas condições insiste em permanecer junto, vinculando-se só através de uma programação negativa, torna-se responsável por sua própria inutilidade. É melhor que cada um siga seus próprios caminhos, visando a reencontrar seu equilíbrio e suas responsabilidades.
De fato, um casal é apenas um casal em nome. É um agregado de interesses, temperamentos, disposições, capacidades distintas. Qualquer tentativa por parte do marido ou da mulher a compelir, manipular, suprimir as inclinações naturais do outro provocará desarmonia. Um invade o "espaço vital" do outro. Não é possível sufocar alguém para a consecução de seus próprios objetivos, quer se acredite ou não serem estes certos, sem provocar violenta mutilação no relacionamento.
UM FATO SOCIALMENTE GRAVE
Qualquer que seja o motivo, no entanto, a ruptura da ligação conjugal é um fato socialmente grave, pois fala muito do caráter das pessoas, do seu autocontrole, de suas opções de vida. Sou a favor da legislação que faz do divórcio, não uma impossibilidade, mas um procedimento difícil e que exige profunda reflexão.
Muitos casais, ao enfrentarem os inevitáveis problemas conjugais, "apelam", de imediato, para o divórcio e, se o legislador fosse menos severo, uma série de antigas uniões, que hoje se estabelecem em clima de harmonia, teriam sido dissolvidas durante os primeiros anos de casamento.
Apoio minha opinião no Fundador da Sociologia: "Tão versáteis são os corações, que a sociedade deve intervir, a fim de evitar irresoluções ou variações, cujo livre surto tenderia a fazer degenerar a existência humana em deplorável série de ensaios, sem fim e dignidade" (Augusto Comte, Catecismo Positivista, 10ª Conferência).
OPÇÕES
Em todo Universo há uma bipolaridade. E, em nosso "universo interior" também é assim. A felicidade e a infelicidade, apesar de opostas, ou por isso mesmo, caminham dentro de nós pari passu, distribuídas em nosso modo de responder às diversas situações da existência. Somente nossa opção nos permite, a cada instante, senti-las de maneira única.
Quem "optou" por ser infeliz no casamento, vai encontrar motivos de sobra para tanto. O mesmo acontece com quem optou por ser feliz...
Essa felicidade, no entanto, não cai do céu. Deve ser conquistada através do desenvolvimento da responsabilidade e da capacidade recíproca de compreensão e respeito.
Como piscoterapeuta, sou muito zeloso no sentido da preservação da estrutura familiar e dos vínculos conjugais.
José Cássio Simões Vieira- Psiquiatra e Psicoterapeuta - CREMESP 9146.
Formado em 1960 pela Faculdade de Medicina da USP.
Título de Especialista conferido pela Associação Brasileira de Psiquiatria e Associação Médica Brasileira
Professor Universitário Aposentado.
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