ESPIRITISMO X VEGETARIANISMO
1. Atualmente, no meio espírita, existe uma ideologia vegetariana, levando muitos prosélitos a julgar que isso faça parte da doutrina. O Espiritismo não tem prescrições ou restrições alimentares ou de vestuário. A alimentação deve ser sadia, evitando as extravagâncias, porém pode ser acompanhada de prazer gustativo. O vestuário deve atender espacial e temporalmente aos bons costumes e visar à proteção do corpo físico, podendo ter uma finalidade colateral de estética, mas evitando as roupas ou modos de vestir-se que prejudiquem a saúde. Portanto, não encontramos fundamento doutrinário no Pentateuco Kardequiano de ordenanças alimentares que justifiquem o vegetarianismo. Atribuímos essa restrição a fruto de obras pós-kardequianas que fazem sincretismos de Espiritismo com ideologias orientais.
2. Fundamento doutrinário.
2.1.LE 182 [Da Pluralidade das existências] ?À medida que o Espírito se purifica, o corpo que o reveste se aproxima igualmente da natureza espírita. Tornando-se-lhe menos densa a matéria (...) menos grosseira são as necessidades físicas, não mais sendo preciso que os seres vivos se destruam mutuamente para se nutrirem [grifo nosso]?. Comentário. O texto fala claramente dos seres vivos e de destruição mútua e não se refere exclusivamente da alimentação humana com carne animal. É necessário que sempre lembremos que há destruição total do ser vegetal, quando ele é devorado. A destruição deve concernir tanto a animais quanto a vegetais. A alimentação vegetariana destrói também as plantas. Não adianta o indivíduo abster-se de carne e comer ?bife? de soja. Ele usa o grão que é o germe de uma planta, portanto, aborta-a antes de nascer. Para plantar soja, foi necessário o extermínio de vários outros vegetais para que houvesse um campo para a lavoura concernente. Portanto, ao comer um ?bife? de soja, o indivíduo precisou destruir duas vezes.
2.2.LE 722 [Lei da Conservação] ?Será racional a abstenção de certos alimentos, prescrita a diversos povos? Permitido é ao homem alimentar-se de tudo o que não prejudique a saúde (...)? [grifo nosso]. Comentário. A restrição é apenas para coisas que prejudiquem à saúde [grifo nosso]. Resta discutir se a carne é ou não prejudicial à saúde, que será feito após as citações.
2.3.LE 723 [Lei da Conservação] ?A alimentação animal é, com relação ao homem, contrária à lei da Natureza? Dada a vossa constituição física, a carne alimenta a carne, do contrário o homem perece [grifo nosso]?. Comentário. Está acaciano que a Doutrina Espírita não faz restrição à alimentação carnívora e nem recomenda o vegetarianismo .
2.4.LE 724 [Lei da Conservação] ?Será meritório abster-se o homem a alimentação animal, ou de outra qualquer [grifo nosso]? Sim se praticar essa privação em benefício de outros. (...) Por isso é que qualificamos de hipócritas os que apenas aparentemente se privam de alguma coisa?. Comentário. A pergunta é genérica, pois trata da privação da alimentação animal ou de outra qualquer. A resposta afirma que só há mérito se for para benefício de outrem. Abstenção de carne beneficia apenas o animal vivo, mas sacrifica aquele que está ou estaria no ovo, sacrifica também o peixe e os frutos do mar em geral, sacrifica os vegetais. Então é um benefício faccioso.
2.5.LE 728 [Lei da Destruição] ?É lei da Natureza a destruição? Preciso é que tudo se destrua para renascer e se regenerar?. Comentário. Essa asserção não recomenda a destruição, apenas indica que ela é necessária. Comparando-se com o asseverado em LE 182, podemos deduzir a necessidade de destruição diminui com a elevação das categorias do mundo. É falado de destruição de uma maneira genérica [mamíferos, frutos do mar, vegetais] e não especificamente a animais.
2.6.LE 728 A [Lei da Destruição] ?O instinto de destruição teria sido dado aos seres vivos por desígnios providenciais? As criaturas são instrumentos de que Deus se serve para chegar aos fins que objetiva. (...) destruição esta que obedece a um duplo fim: manutenção do equilíbrio na reprodução, que poderia tornar-se excessiva, e utilização dos despojos do invólucro exterior (...)?. Comentário. A resposta não faz apologia da destruição, mas deixa entrever não devemos anatematizar as necessidades transitórias de destruição. Elas ocorrem quando necessárias.
2.7.LE 734 [Lei da Destruição] ?Em seu estado atual, tem o homem direito ilimitado de destruição sobre os animais? Tal direito se acha regulado pela necessidade, que ele tem de prover seu sustento [grifo nosso] e à sua segurança. O abuso [grifo nosso] jamais constitui direito?. Comentário. A resposta afirma que há esse direito, desde que não a destruição não seja abusiva. O limite da destruição é quando passa tornar-se abuso antes não.
2.8.LE 735 [Lei da Destruição] ?(...). Toda destruição que excede os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus?. Comentário. Essa resposta reforça a asserção anterior.
2.9.LE 736 [Lei da Destruição] ?Especial merecimento terão os povos que levam ao excesso o escrúpulo, quanto à destruição de animais? (...) há mais temor supersticioso do que verdadeiramente bondade?.
3. Citações pós-kardequiana que condenam a alimentação carnívora e recomenda a vegetariana.
3.1.O Consolador, Questão 129: ?É um erro alimentar-se o homem com a carne dos irracionais? A ingestão das vísceras dor animais é um erro de enormes conseqüências (...) os homens terrestres poderão dispensar da alimentação os despojos sangrentos de seus irmãos inferiores?. Comentário. A resposta está incoerente com a pergunta. Pergunta-se sobre a ingestão de carne animal [que é o músculo] e a resposta é sobre vísceras, afirmando que sua ingestão é um erro. Essa parte final da asserção está incompatível com dados fisiológicos que serão discutidos adiante. O copyright desse livro é de 1940, portanto podemos considerar que essa afirmação data também dessa época. Foi admitida como verdadeira uma asseveração, feita por um único médium, ditada por um único espírito e que contradiz os fundamentos doutrinários. O critério de verdade [o da coincidência] estipulado por Kardec não foi respeitado: as afirmações para serem consideradas como coincidentes devem ser dadas por Espíritos diferentes, em diferentes lugares, mas na mesma época e sem que haja comunicação entre os manifestantes.
3.2.Antes desse comunicado, houve outro que o precedeu, dado pelo mesmo Espírito, através do mesmo médium e no mesmo local. Citação: A Caminho da Luz, p. 34, (...) examinadas as condições morais da Terra, onde o homem se reconforta com as vísceras de seus irmãos inferiores (...)?. Essas afirmações só consideram destruição a que é feita pela alimentação carnívora. A destruição dos vegetais feita pela vegetariana não é considerada. Pela afirmação desses dois livros a condenação é a da ingestão de vísceras dos irmãos inferiores?. Parece-nos que peixe também é animal e, contudo, muitos espíritas, que pretendem ser vegetarianos, comem peixe. Essa ideologia também é excludente, pois exclui os vegetais da condição de irmãos. Para nós, essa condenação da alimentação carnívora e apologia da vegetariana é interferência ideológica do médium.
4. Depois dessas duas obras choveu na literatura espírita uma quantidade imensa de obras tidas como mediúnicas, condenando a alimentação carnívora e recomendando a vegetariana, umas fazendo até afirmações anti-científicas [Fisiologia da Alma atribuída ao espírito Ramatis]. Conhecemos muitos desses “médiuns” anti-carnívoros e constatamos que, muitos deles, tinham influências de ideologias orientais, principalmente da Yoga, vulgarizadas nas décadas de 50 e 60 pelo Coronel Caio Miranda e pelo Coronel Hermógenes, respectivamente. Além disso, o movimento espírita no Brasil segue mais as idéias de Leon Denis e Roustaing do que de Kardec. Ele sofre influência também de ideologias estranhas ao Espiritismo como as de Pietro Ubaldi, Humberto Rodhen, Jung, através de obras de duvidosa seriedade científica ou mediúnica. Na realidade, esse movimento vem se afastando gradativamente da doutrina codificada por Allan Kardec, tornando-se mais uma religião dogmática do que uma filosofia especulativa, como deveria ser. Constatamos muitas organizações espíritas prestando cultos sincréticos com tradições orientais ou afro-brasileiras ou com ambas. Algumas sociedades que se autodenominam de “espíritas” realizam verdadeiros ritos de iniciação disfarçados com o nome de “tratamentos espirituais”.
5. . Fisiologia da digestão das proteínas [viandas, frutos do mar, vísceras, etc.]
5.1.Qualquer tipo de carne [proteína] tem sua digestão iniciada logo que atinge o estômago. O ácido clorídrico do suco gástrico destrói as pontes de enxofre e de hidrogênio das moléculas protéicas, deixando-as frágeis e suscetíveis à ação da pepsina [suco gástrico] que as parte em moléculas de pepitonas. O pâncreas produz o tripsinogênio que, na luz do duodeno, se transforma em tripsina, pela ação das enterocínases, que desmembras as pepitonas em de aminoácidos para serem absorvidos pela mucosa entérica e servirem de nutrientes ao organismo humano. Em um indivíduo hígido, que coma sem excessos, a digestão das proteínas se completa em cerca de seis horas a partir da deglutição.
6. Características humanas em relação à alimentação.
6.1. O Ser humano é por excelência um ser onívoro. Querer restringir essa capacidade onívora é contrariar a natureza humana.
6.2. Dentes Caninos. Ser humano é um o único ser cultural. Por isso ele não tem meios de defesa ou ataques naturais. Isso, ele tem que criar com sua mente. Ele não tem patas, mas sim mãos e pés. Portanto não tem cascos ou garras. Até o macaco, que é chamado de quadrúmano, não tem mão, apenas quatro garras. O Ser humano não tem canino para estraçalhar a carne. Os dentes caninos humanos têm mais a função incisiva. Para estraçalhar a carne o homem tem a mente que o induz a usar a pedra bruta, depois a lascada, depois a polida, a seguir uma lâmina metálica, a máquina de moer manualmente e depois a movida por eletricidade. Para amolecer a carne ou conservá-la por mais tempo, evitando a deterioração, sua inteligência o possibilitou usar o fogo (cozimento ou defumação) ou o frio da neve ou ação desidratante do sol, às vezes, associada à ação do sal [cloreto de sódio]. A atrofia dos caninos é argumento inconsistente. O primeiro erro é os dentes mastigatórios são os molares e os pré-molorares e os Seres humanos os tem em número de vinte. O segundo erro é que os caninos dos animais são instrumentos perfuro-contundentes que são armas que, transpassando, prende a caça e essa quanto mais tenta escapar, agrava o ferimento e a hemorragia. O terceiro erro é que a maioria dos animais carnívoros não mastiga a carne - a engole por inteiro. Os répteis e peixes engolem suas vítimas por inteiro, incluindo couro, esqueleto, cascos ou garras. Essa afirmação errônea nos obriga a duvidar da competência do “mentores” espirituais que recomendam essa sandice.
7. Deterioração da carne.
7.1.Muitos vegetarianos afirmam que a carne começa a se putrefazer logo após o abate do animal. Isso também ocorre com os vegetais. Assim, não deveríamos comer nem os vegetais. O organismo humano, como é onívoro, é feito para usar como alimento carnes e vegetais com certo grau de deterioração. Somente a putrefação acentuada de carnes e de também de vegetais não é compatível com a alimentação humana. Lembremos que comer vegetal deteriorado também leva a morte.
7.2.Há afirmações que o intestino dos animais carnívoros é menor que o dos herbívoros a fim de facilitar o organismo descartar-se da carne que se putrefez em seu interior. Uma vez que a carne é deglutida, ela passa a sofrer processo de digestão e não de putrefação. Esses profitentes do vegetarianismo confundem digestão com putrefação. Os herbívoros têm o intestino mais longo, justamente pelo contrário - a digestão das ervas é mais lenta, entrando em fermentação que farmacologicamente é equivalente a putrefação.
8 HIPOCRISIA OU FNATISMO MÍSTICO
8.1. Reconhecemos que o ato de fazer abstinências, mortificações ou de cumprir ritual é mais fácil do que perdoar, vencer o orgulho, o ódio. Por isso, os hipócritas se apegam a essas idéias de ordenanças sagradas, pois lhes dão uma ilusória sensação de pureza.
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